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16 janeiro, 2026

Princípio de Dilbert

Não tão famoso quanto a Lei de Murphy, mas quase. Criado pelo cartunista Scott Adams (Dilbert), o princípio vem a ser uma sátira ao mundo corporativo.

Diz o seguinte:
"Os funcionários menos eficientes são sistematicamente transferidos para onde podem causar o mínimo de danos: a gestão da empresa."
Scott Adams morreu na última terça-feira, 13, de câncer.

01 abril, 2024

XII razões para usar os algarismos romanos


E aí, patrícios? Temos colossais XII razões pelas quais deveríamos ignorar esses algarismos arábicos modernos e continuarmos usando o I, I, III de nossos antepassados. Então, sem mais delongas, vamos mergulhar neste assunto. [Tempo de leitura: IV minutos]
I. O que são algarismos arábicos?
2? 3? 54? O que são esses símbolos estúpidos? Tudo bastante confuso. I, V, X e L, por outro lado, são familiares. Muito legal.
II. Adição é uma coisa fácil.
Para aqueles que argumentam que adicionar algarismos romanos é difícil: você são uns tolos. Querem  combinar X e V? Apenas junte-os. Quão difícil foi isso? Quanto a números mais longos, como o XLV, também é fácil. Basta proceder de acordo com as tabelas fornecidas pelo procônsul local.
III. Multiplicação e divisão longas.
Multiplicar o quê? Dividir o quê? Quem precisa dessas fórmulas sofisticadas, afinal? Talvez vocês, perdedores, devessem gastar menos tempo brincando com números e mais tempo debulhando grãos e/ou esculpindo mármore.
V. Elegância na escrita.
"Nossos ganhos trimestrais de linho aumentaram em LXVI por cento, caindo em XIV em relação a MDXXVII." Limpo, claro, profissional.
VI. Quanto maior o número, mais longo ele é.
4.708 soa pequeno. Fraco, mesmo. Mas MMMCMXCIX? Isso me mostra o quão grande é esse número. Talvez o maior?
VII. Sem decimais irritantes.
Decimais são para escribas que não têm nada melhor para fazer do que inventar coisas como 7,5 aquedutos ou 3,25 guerras. Mas, se você é um general, senador ou magistrado, como a maioria de nós, isso é exagerar um pouco.
VIII. A ordem informa se você deve adicionar ou subtrair.
VI é V+I enquanto IV é V-I. Agora tente isso numa matemática estúpida. 21 é... 2+1? Não! 12 é 1-2? Falso! Veja, simplesmente não funciona. 
IX. Zero é facilmente a coisa mais estúpida de que já ouvi falar.
“Ei, pessoal, vocês sabem o que estamos perdendo? Um número que representa a ausência de números. Absolutamente nada.
X. Sete letras.  
I, V, X, L, C, D, M. Vê? Isso é tudo que você precisa para criar todos os números sob o sol (até MMMMDCCVIII).
XI. O fator plágio.
As pessoas pensam que esses dígitos rabiscados são originais. Mas dê uma olhada mais de perto e você verá a boa e velha engenhosidade romana em ação. 1? Claramente uma cópia de I. 3? O "E" ao contrário. 5? Sim, isso é um "S" tentando cobrir seus rastros. Eles até enganam! Vire um 6 de cabeça para baixo e você terá todas as evidências de que precisa.
XII. Números são letras e letras são números. Fim da história.
Já temos o alfabeto. Dá-nos tudo o que precisamos. Mas não - não é bom o suficiente para esses matemáticos extravagantes que precisam de seu próprio conjunto de caracteres apenas para se sentirem especiais. O que vem a seguir, o sinal = que significa "igual a"?
Conclusão:
Abandone a moda, pessoal. Roma sempre vence. (Eli Burnstein)

21 março, 2023

A cidade da Bahia

Naquele tempo, disse Gregório de Matos a seus coetâneos:
"A cada canto um grande conselheiro
Que nos quer governar cabana e vinha.
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro."
Nasceu Gregório de Matos na então capital do Brasil, Salvador, BA, em 20 de dezembro de 1636, numa época de grande efervescência social, e faleceu no Recife, PE, em data imprecisa. É o patrono da cadeira n.º 16 da Academia Brasileira de Letras.
Como poeta de inesgotável fonte satírica não poupava ao governo, à falsa nobreza da terra e nem mesmo ao clero. Não lhe escaparam os padres corruptos, os reinóis e degredados, os mulatos e emboabas, os "caramurus", os arrivistas e novos-ricos, toda uma burguesia improvisada e inautêntica, exploradora da colônia. Perigoso e mordaz, apelidaram-no de "O Boca do Inferno".

30 outubro, 2021

Madre Teresa, sua Meta

Menlo Park, Califórnia (The Borowitz Report) — Mark Zuckerberg mudou legalmente seu nome para Madre Teresa.
Em um comunicado oficial, Madre Teresa disse que ele mudou seu nome para melhor refletir sua missão de caridade e bondade.
"O nome Mark Zuckerberg não descreve com precisão minha função: ser uma força para o bem, espalhando amor e bondade por todo o metaverso", disse ele.
Madre Teresa admitiu que pode ser difícil para alguns funcionários da Meta se acostumarem com seu novo nome, mas ele disse que daria a eles até o final de outubro para fazê-lo.
Depois disso, disse ele, qualquer funcionário que se referir a ele como Mark Zuckerberg será imediatamente "expulso do metaverso". "Às vezes você tem que ser cruel para ser gentil", disse Madre Teresa.
Trad.: PGCS


Andy Borowitz é um autor de best-sellers do Times e um comediante que escreve para o The New Yorker desde 1998. Ele escreve o The Borowitz Report , uma coluna satírica de notícias.

03 setembro, 2017

Baiano e os Novos Caetanos

Foi o nome de um trio musical e humorístico, composto por Chico Anysio, Arnaud Rodrigues e Renato Piau, claramente inspirado nos nomes do conjunto Novos Baianos e do cantor Caetano Veloso.
Surgido nos anos 70 como uma sátira ao tropicalismo, Baiano e Paulinho Boca de Profeta (personagens de Chico Anysio e Arnauld Rodrigues, respectivamente) interpretavam canções com letras divertidas e engajadas.
Clássicos como "Vô Batê Pá Tu", que fala das delações na ditadura, e "Urubu Tá com Raiva do Boi", uma crítica à situação econômica do país e ao "milagre econômico brasileiro", e a bela "Folia de Reis", fizeram de "Baiano e os Novos Caetanos" um nome significativo no universo do samba-rock e da música rural.



Sobre Arnaud Rodrigues
Nascido em Serra Talhada-PE, a 6 de dezembro de 1942, Antônio Arnaud Rodrigues foi um ator, cantor, compositor, redator e humorista brasileiro.
Trabalhou nos programas de Chico Anysio (que o considerava um de seus parceiros mais importantes) na TV Globo e em vários outros programas humorísticos. Em 1978, Arnaud Rodrigues gravou a faixa "A Carta de Pero Vaz de Caminha", integrada no disco "Redescobrimento", o primeiro reggae gravado no Brasil.
Na teledramaturgia teve alguns trabalhos marcantes, como o Cego Jeremias, cantor ambulante da versão de 1985 da novela "Roque Santeiro", além do imigrante nordestino Soró, personagem ingênuo e bem-humorado criado pelo escritor Walter Negrão para a novela "Pão Pão, Beijo Beijo".
Em 1999, após realizar dois shows na cidade de Palmas, decidiu se mudar com a família para a capital de Tocantins.
No dia 16 de fevereiro de 2010, Arnaud estava com mais dez pessoas em um barco no lago da Usina de Lajeado, a 26 quilômetros de Palmas, quando, por volta das 17:30, a embarcação virou devido a uma forte chuva com ventania característica da região naquela época do ano. Nove ocupantes do barco (entre eles a esposa do humorista e dois de seus netos) foram resgatados por moradores da região, mas o corpo de Arnaud só seria encontrado pelos bombeiros horas mais tarde. Apesar de saber nadar, o longo tempo de permanência na água, provavelmente tornou fatal o ocorrido.
Wikipédia

Sobre Chico Anysio
Ver aqui e aqui.

03 fevereiro, 2016

Concerto a vapor

Esta visão fantástico-satírica da música mecânica é o produto de um caricaturista francês do século 19, Jean Ignace Isidoro Gerard, conhecido como JJ Grandville (1803-1847). Ele apresenta, em seu livro "Un autre monde" (Um outro mundo), de 1844, uma coleção de desenhos e histórias que exploram as visões proto-surrealistas do autor durante a Monarquia de Julho na França.
O enredo de Grandville começa quando um dos três protagonistas do livro, o empresário Dr. Puff, descobre uma dúzia de "músicos de ferro fundido" arrumados em seu inventário de esquisitices mecânicas. Em seguida, Puff concebe um sensacional "concerto a vapor", alegando que "o único meio de satisfazer as demandas musicais do público é inventar cantores do tipo para operar uma orquestra a vapor.
Graças a esta invenção admirável, já não é preciso se preocupar com cantores que pegam um resfriado, uma bronquite ou perdem a voz. Já que a voz dos tenores, baixos, barítonos, sopranos e contraltos está a salvo de todos os acidentes; os instrumentos movidos a vapor produzem efeitos de precisão surpreendente. E os grandes compositores da era, finalmente, encontram intérpretes à altura de suas melodias. Nesse século do progresso, a máquina é mesmo um ser humano aperfeiçoado.

A Steam Concert, Museum of Imaginary Musical Instruments

10 outubro, 2015

Uma sátira do Instagram



Uma conta no Instagram que satiriza o próprio Instagram
Tens uma conta no Instagram e queres fazer o upload de uma foto nova? O que queres conseguir? Não te aborreças nem te esforces. Na conta Satiregram não se faz o upload das imagens, apenas das descrições das imagens. São as descrições das fotos que não sobem à rede. Pensa nisso quando quiseres arquivar ou divulgar tua próxima obra-prima.

09 maio, 2015

O Menino Homofobiquinho

O escritor e desenhista Ziraldo Pinto causou polêmica nas redes sociais ao criticar a atriz Fernanda Montenegro por "fazer apologia ao afeto homossexual" na novela "Babilônia", da TV Globo.
O site humorístico Sensacionalista, que satiriza as notícias do dia a dia, aproveitou o episódio para dizer que o escritor lançará agora um livro infantil com um novo personagem: "Bolsonarinho, O Menino Homofobiquinho":
"Ele vai sair pelo mundo consertando as coisas erradas desse pessoal, que é uma porcentagem muito pequena da sociedade, usando seu rifle de estimação, chamado AI-Cinquinho. Ele também é muito arteiro e gosta de andar pela avenida Paulista de noite com lâmpadas fluorescentes na mão, que é a forma como ele encontrou de evitar que os gays participem da vida em sociedade."

18 outubro, 2013

Pica-flor

Numa tarde quente da Bahia, uma freira resolveu satirizar, publicamente, Gregório de Matos, que tinha uma fisionomia delgada e um nariz saliente, chamando-o de "Pica-Flor" (o mesmo que beija-flor).
O "Boca do Inferno" não deixou por menos e lhe respondeu em versos:

"Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta saber agora,
Se no nome que ma dais,
Meteis a flor, que guardais! [...]
Se me dais este favor,
Sendo eu só o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
que fico então Pica-Flor."

Provavelmente, aí está a origem da palavra "pica" (pênis).

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-lado-boca-do-inferno-de-gregorio-de-matos

29 março, 2013

Galileu, o poeta satírico

Como poeta Galileu nos deixou nove livros, seis sonetos, duas músicas e um capítulo de 300 versos em terza rima, intitulado Capitolo contro il portar la toga. Este último é uma sátira, composta entre 1589 e 1592, contra as convenções sociais e a estreiteza dos acadêmicos de Pisa, sob o domínio do pensamento aristotélico. As teorias de Galileu, já nesse período, contrastavam profundamente com diversos pontos básicos da física aristotélica. E os conceitos de Galileu sobre velocidade, gravidade e vácuo, inseridos em um novo quadro teórico, apresentavam características bem diferentes das ideias tradicionais.
Aliás, as regras e práticas escolásticas eram motivo para ele dar vazão a seu sarcasmo. Num dos seus poemas satíricos, o italiano mostrou-se em desagrado com o uniforme obrigatório das universidades, a toga, porque ela nem sequer permitia que os professores fossem aos bordéis, com a discrição que a situação exigia. Pior ainda, porque esse impedimento obrigava a que eles ficassem "dependentes da masturbação, que além de pecaminosa era muito menos satisfatória". OBVIOUS
Na época, por um decreto do reitor da Universidade de Pisa em 1590, os professores eram obrigados a usar a toga também fora da sala de aula. Galileu via nisso uma grande hipocrisia: por ser a toga uma espécie de vestimenta de luxo, adotada para encobrir as roupas pobres e esfarrapadas que os professores da Universidade tinham de usar por causa de seus baixos salários (nihil novi sub sole).

10 fevereiro, 2013

Carpe diem

"Carpe diem quam minimum credula postero."
Literalmente, esta frase significa: "Colhe o dia presente e sê o menos confiante possível no futuro”. Ela foi tirada de versos latinos do poeta Horácio, interessado no epicurismo e no estoicismo ( nas suas Odes, I, 11, 8 “A Leuconoe”). Ela resume o poema que a precede e no qual Horácio busca persuadir Leuconoe a aproveitar o momento presente e dele retirar todas as suas alegrias, sem se inquietar nem com o dia nem com a hora de sua morte.
Tornado célebre junto ao grande público desde a antiguidade, o excerto Carpe diem é objeto de uma má interpretação: “Aproveita o dia presente” (quando as duas palavras significam “colhe o dia”), é compreendido como uma incitação ao mais forte hedonismo, talvez o mais cego, ele perde toda relação com o texto original que, ao contrário, incita a bem saborear o presente (sem porém recusar toda e qualquer disciplina de vida), na ideia de que o futuro é incerto e que tudo é destinado a desaparecer.
Trata-se, portanto, de um hedonismo de ascese, uma busca de prazer ordenado, racional, que deve evitar todo desprazer e toda supremacia do prazer. É um hedonismo à minima: é um epicurismo (Horácio fazia parte dos epicuristas da era romana).
No filme "A Sociedade dos Poetas Mortos", O personagem de Robin Williams, Professor Keating, utiliza-a assim:
"Mas se você escutar bem de perto, você pode ouvi-los sussurar o seu legado. Vá em frente, abaixe-se. Escute, está ouvindo? - Carpe - ouve? - Carpe, carpe diem, colham o dia garotos, tornem extraordinárias as suas vidas."
Nesta cena do filme o Prof. Keating está em frente a uma galeria de fotos de ex-alunos que formaram na tradicional escola Welton, ele pede para que os alunos se aproximem da galeria para ouvirem o espirito de seus predecessores a dizer: "carpe diem".
Também no filme "Poseidon", o personagem de Richard Dreyfuss, O arquiteto Richard Nelson, utiliza a palavra pedindo para que seus colegas sentados em uma mesa aproveitem o momento e esqueçam seus problemas.

Carpe scrotum
GRAB LIFE BY THE BALLS = AGARRE A VIDA PELOS TESTÍCULOS


No sentido prático: COMO MANTER UMA TESTEMUNHA DE JEOVÁ À DISTÂNCIA

18 julho, 2012

Gabriela subiu no telhado

Como não conseguem muitas vezes pegar o sinal da Tim, seus usuários passaram a pegar no pé da operadora. Criando e divulgando sátiras na internet em que ironizam o desempenho da mesma.
Uma das mais gozadas é a que satiriza a célebre cena da Gabriela (Sônia Braga) no telhado. Obviamente, a pipa foi substituída por um telefone móvel.
Ô raça!


Pensamento
"Evite acidentes. Faça tudo de propósito." ~ Tim Maia

06 julho, 2012

A poesia é necessária

•É-me necessária (particularizando).
•Em pequeno, ouvi a mãe cantar uma balada metafísica. O começo, talvez.
•Ou foi quando o pai compôs uns versos de pé-quebrado?
•Ele ainda tem aquele calo ósseo, mas como dói.
•Minha estreia: "Ode a 29 de Fevereiro".
•Todo poeta é bissexto até que prove o contrário.
•E como é fácil prová-lo!
•De herói infante a hierofante. Todo mundo é bom, todo mundo evolui.
•Aprendi que para poetar existe o sublime e existe o prosaico.
•O sublime, ah, o sublime, é supimpa! Enquanto o prosaico às vezes pede uma limpa.
•E um epigrama vale o quanto pesa?
•Um dia, fiquei sem fôlego para recitar um alexandrino. Fui - solução lógica - a um otorrino.
•"Circulasse pelo campo das lobélias", ele foi peremptório.
•Um récipe é um récipe é um récipe, e pronto!
•Os poetas não se dão, dizem, mas eu já morei com um espécime.
•De paredes-meias, graças a Deus.
•Ele era alvar, refinado como o açúcar e praticava a vivissecção.
•Ensinou-me a fazer albas para o anoitecer.
•Porém, era um derruído. E, felizmente, sua casa também ruiu.
•Daquele cone de sombra restou o meu gosto pelos eclipses.
•Lua, lua moondana.
•Por ocasião do lançamento de minha "Ode a 13 de Agosto", eu recebi a tão aguardada carteira de poeta oficial.
•E resguardei-me das críticas insensatas numa gaiola de Faraday.
•Poeta federal, hein, podendo tirar ouro do nariz.
•Em caso de distanásia, asseguro uma imorredoura pensão a Paulo Gurgel Sênior, meu pai.
•De um discurso sobre o método: o contrasenso é sempre mal d/ivid/id/o.
•Não sou frequentado por pesadelos, não sou K.fk.
•Eu sou (danem-se, irmãozinhos) a um só tempo crispação e serenidade.
•E viva a poesia-imprecação porque fere os tíímpanos.

01 setembro, 2011

BOOK

= Built-in Orderly Organized Knowledge
Este vídeo, inspirado em un texto original - LEARN WITH BOOK - de R. J. Heathorn, escrito em 1962, apresenta o LIVRO como sendo uma inovação tecnológica de ponta com amplas vantagens sobre os meios digitais.
Veio para criar polêmicas. A primeira delas é... LIVRO x VÍDEO.

14 janeiro, 2011

Incapaz de um sacrifício

Quando Abraão retornou da terra da Visão, Sara o esperava. Mas a recepção que deu ao esposo não foi nada amistosa.
- Trouxe de volta esse imprestável do Isaac, não foi?
- É que Deus mudou de ideia.
- Você falou com Ele?
- Não, mandou um anjo me dizer isso.
- E por que Deus arrependeu-se?
- Não me foi explicado. Penso que tem a ver com os palestinos... mas não é para logo.
- E aí?
- Sabe a Jezebééé?
- Anda desaparecida.
- Andava. Encontrei-a por lá presa num espinheiro.
- E não trouxe a ovelha?
- Não, imolei-a no lugar do Isaac.
- Homem de Deus, por que fez isso?!
- Não era para agradecer?
- Aquela ovelha, Abraaão, eu vinha criando para uma ocasião especial. Uns anjos que vêm almoçar aqui...
- Não diga?!
- Ô, homem, você é incapaz de um sacrifício!

Silva, PGC - Versículos Satíricos, Editora Mar Morto

19 setembro, 2009

Poema sobre uma noite de amor

"Satânico é meu pensamento a teu respeito e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem.
A noite era quente e calma, e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos.
Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci.
Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo para, na mesma cama, te esperar.
Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do teu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti, pernilongo FDP!"

Carlos Drummond de Andrade