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31 março, 2024

A ditadura brasileira (1964-1985)

1/12 A perseguição de adversários se concentrou nos meses após o golpe de 1964 e entre o final da década de 60 e o início dos anos 70. Mais de 5 mil pessoas foram alvos de punições como demissões, cassações e suspensão de direitos poíticos. Ao todo 166 deputados foram cassados. O regime também perseguiu membros em suas fileiras. Pelo menos 6.951 militares foram presos e desligados.

2/12 Assim como a perseguição política, os assassinatos de opositores promovidos pelo regime se concentraram em algumas fases da ditadura. Mas todos os generais-presidentes foram tolerantes com a prática. a Comissão Nacional da Verdade (CNV) apontou a responsabilidadee do regime militar pela morte de 224 pessoas e pelo desaparecimento de 210 - 228 delas.

3/12 Na ditadura, a tortura virou uma prática de Estado. Já no governo Castelo Branco (1964-1967) foram apresentadas 363 denúncias de tortura. Na fase de Médici (1969-1974), seriam mais de 3.500. O relatório "Brasil: Nunca Mais" lista 283 formas de tortura aplicadas pelo regime, como afogamentos, choques elétricos e o pau de arara. Ao longo de 21 anos, houve mais de 6 mil denúncias de tortura.

4/12 Ao dar o golpe, os militares citaram a corrupção e o esquerdismo do governo Jango. A luta armada, às vezes apontadas como razão de ser da ditadura, nem foi mencionada. Só em 1966 ocorreram as primeiras ações relevantes de grupos de esquerda, que cometeriam atentados e assaltos com o objetivo de promover uma revolução. Em 1974, todos já haviam sido aniquilados, mas a ditadura duraria mais uma década.

5/12 O regime militar recorreu a uma série de decretos chamados atos institucionais para manter seu poder. Entre 1964 e 1969 foram promulgados 17 atos, que estavam até acima da Constituição. Alguns promoveram a cassação de adversários (AI-1) e a extinção de partidos políticos (AI-2). O mais duro deles, o AI-5, instituiu em 1968 a censura prévia na imprensa e a suspensão do habeas corpus.

6/12 Boa parte da imprensa apoiou o golpe, mas vários jornais passaram a criticar o regime, alguns mais cedo, outros mais tarde. Com o AI-5, passou a vigorar uma censura prévia em vários meios de comunicação. O regime censurava até más notícias, promovendo uma imagem fictícia da realidade do país. Epidemias, desastres e atentados eram temas vetados. Músicas, filmes e novelas também foram censurados.

7/12 Junto com os regimes da Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai, a ditadura brasileira integrou a Operação Condor, uma aliança para perseguir opositores no Cone Sul. O regime também ajudou a treinar oficiais chilenos em técnicas de tortura. Um dos casos mais notórios de colaboração foi o sequestro em 1978 de dois ativistas uruguaios em Porto Alegre, que foram entregues ao país vizinho.

8/12 Após três anos de ajustes, os militares promoveram a partir de 1967 investimentos e ofertas de crédito. A fórmula deu resultados. Entre 1967 e 1973, a expansão do PIB brasileiro foi de 10% ao ano. O país passou a ser a décima economia do mundo. O cresciento aumentou a popularidade do regime durante a fase mais repressiva da ditadura. Mas o "milagre brasileiro" duraria pouco.

9/12 A conta do "milagre" chegou após os dois choques do petróleo e uma série de decisões desastradas para manter a economia aquecida. Ao fim da ditadura, o país acumulava dívida externa 30 vezes maior que a de 1964 e ainflação de 226% ao ano. Quase 50% da população estava abaixo da linha de pobreza. Os militares pegaram um país com graves problemas econômicos e entregaram um quebrado.

10/12 A censura e a falta de transparência favoreceram a corrupção. O período foi marcado por vários casos, como o Coroa-Brastel, Delfin, Lutfalla e Antonio Carlos Magalhães, que já nos anos 70 eram suspeitos em casos de corrupção. Também abafou casos, como a compra superfaturada de fragatas do Reino Unido nos anos 70.

11/12 A ditadura promoveu obras faraônicas, divulgadas com propaganda ufanista, como Itaipu e a ponte Rio-Niterói. Algumas foram marcadas por desperdícios e erros como a Transamazônica e as usinas de Angra. em 1969, o regime criou uma reserva de mercado para as empreiteiras nacionais ao proibir a atuação das estrnageiras. É nessa época que empresas como a Odebrecht passam a dominar as obras no país.

12/12 Em 1979, seis anos antes do fim da ditadura, foi promulgada a Lei da Anistia, perdoando crimes cometidos com motivação política. Mas ela tinha mão dupla: garantiu também a impunidade para agentes responsáveis por mortes e torturas. No Chile e na Argentina, dezenas de agentes foram condenados por violações de direitos humanos após a volta da democracia. No Brasil, ninguém foi punido.

Fonte: dw.com/pt-br (c/ fotos do Arquivo Nacional)

31 março, 2020

IN THE RAVE

PELO ANIVERSÁRIO DO GOLPE, MILITARES APAGAM 50 VELHINHAS
Publicado em 31/03/2014 no Piauí Herald
Via: Humor Político

CLUBE MILITAR – Dezenas de oficiais da reserva desembarcaram da nave de Cocoon para participar de uma rave temática organizada para comemorar os 50 anos do Movimento Democrático de 31 de março de 1964.
"Jovem, se você completou ou vai completar 80 anos, venha fazer parte dessa festa! Traga sua família, seu Deus e sua propriedade para balançar o esqueleto num ambiente protegido de maconheiros, comunistas e afetados", convocou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, enquanto ensaiava passos de In The Navy, sucesso do Village People.
Após comer dois brigadeiros, Jair Bolsonaro enumerou os malefícios provocados pelo excesso de democracia. "Em 1970, não havia Big Brother, Michel Teló e Galvão Bueno", gabou-se. Em seguida, cantou o hino nacional num aparelho de videokê.
Reunidos em volta de um pau de arara, autoridades entoaram um organizado "Parabéns para você". Durante a cerimônia, 50 velhinhas desapareceram, acusadas de tramar uma contrafesta.


24 janeiro, 2020

Reciclagem de calendários (2)

Charge do Claudius/64
A cada 28 anos os calendários se repetem.
1964, 1992, 2020...
Nós, os que fomos do tempo do Pasquim diríamos: "Quiuspa!".

http://blogdopg.blogspot.com/2019/12/girias-do-pasquim.html

12 maio, 2016

Da crise ao golpe

1964
2016

Os conspiradores vitoriosos não hesitam em se apresentar como patriotas quando nada fizeram por sua terra ao satisfazer apenas e tão somente a sua ganância.
Elite da pior qualidade, incapaz até de entender as vantagens que o capitalismo tem condições de oferecer à nação em peso pelos caminhos que em outros tempos Antonio Gramsci definiu como fordismo.
Referia-se a Henry Ford, promotor da revolução do Modelo T, o carro que os seus operários, dignamente pagos, poderiam comprar. À época, uma anedota contava da visita ao papa de emissários do magnata norte-americano, que pediam que, ao fim da missa, o oficiante, em vez de dizer fiat voluntas tuas, dissesse ford voluntas tua.
Devemos à dita elite nativa a permanência da senzala, a educação precária do povo, a saúde mais ainda. Mas os próprios autores da desgraça não primam pela sabedoria, pela cultura, pela visão profunda das coisas da vida e do mundo. Em geral, toscos até a medula, embora arrogantes.

Mino Carta ("CartaCapital", 09/05/2016)

23 março, 2014

A Marcha da Família em 2014

Foi um retumbante sucesso em todo o país:
No Rio de Janeiro, cerca de 150 pessoas caminharam da Candelária à Cinelândia, no centro da cidade. Carregando cartazes, os manifestantes pediram a volta dos militares ao poder.
Em São Paulo, os adeptos do movimento se reuniram na Praça da República com o objetivo de relembrar a marcha anticomunista e de apoio ao golpe militar em 1964.
Já em Belo Horizonte, cerca de 50 pessoas se concentraram na porta da 4ª. Companhia de Polícia do Exército, na rua Juiz de Fora, no Santo Agostinho, pedindo a volta da ditadura.


Os números acima divulgados sobre a Marcha da Família em 2014 devem ser considerados parciais. Até o momento em que publicamos esta notícia ainda não havíamos recebido os dados de Borá (SP), Serra da Saudade (MG) e Anhanguera (GO).