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01 abril, 2026

A sinceridade não é o que se diz

A palavra "sincero" veio de "sine cera" (sem cera). Essa junção de palavras latinas também deu origem a "sincero" (em espanhol), "sincero" (em italiano), "sincère" (em francês), "sincere" (em inglês) e "sincer" (em romeno).
Cícero, em seu tratado "De Amicitia" (Sobre a amizade), a usou com o mesmo significado

A versão mais comum para a origem dessa palavra é que, em Roma, os escultores desonestos, quando esculpiam uma estátua de mármore com pequenos defeitos – trincas ou pequenas imperfeições no material ou na confecção – usavam uma cera especial para ocultar e esconder essas imperfeições nas estátuas e de um modo que o comprador não percebesse.
Com o tempo, as pessoas que compravam essas estátuas descobriam as imperfeições, ou seja, descobriam que era uma escultura "cum cera". Os escultores honestos faziam questão de dizer que suas estátuas eram "sine cera", ou seja, perfeitas, sem defeitos escondidos.

Há ainda outra versão para a origem da palavra. Segundo esta versão, os artesãos romanos fabricavam vasos de cera. Se a cera era de excelente qualidade – pura –, o vaso tinha uma transparência que permitia ver os objetos colocados dentro dele. Os romanos apreciavam muito um vaso assim e diziam que era um vaso que parecia não ter cera, límpido, que deixava ver o que estava dentro dele.
Não importa a versão, com o tempo, a palavra "sincera" passou a ser usada no sentido que é utilizada atualmente e que tem tudo a ver com a história subjacente a seu significado original.
http://www.epochtimes.com.br/conheca-origem-palavra-sincero/

Com toda a sinceridade, nunca encontrei um etimologista de verdade que desse crédito a essa história. A origem do adjetivo latino "sincerus", matriz do nosso, está provavelmente na junção de "sin" (um só) com "cerus" (que cresce, que se desenvolve), resultando na ideia de algo que é sempre igual a si mesmo, sem qualquer impureza, ambiguidade, surpresa. Sua primeira acepção no latim clássico era "puro, que não tem mistura (…), de boa qualidade" (Saraiva).
Sérgio Rodrigues, http://veja.abril.com.br/blog

Verdadera etimología de «sincero»
El adjetivo procede directamente del latín sincēru, y ya al menos Cicerón (siglo i a. C.) lo usó con el mismo significado que se le suele dar hoy en día (DLE: «modo de expresarse o de comportarse libre de fingimiento»), por ejemplo en su tratado De amicitia (Sobre la amistad): omnia fucata et simulata a sinceris atque veris todo lo fingido y falso puede distinguirse de lo sincero y verdadero. http://www.delcastellano.com/etimologia-sincero/

Nos dicionários Houaiss e Aurélio não aparecem essas supostas etimologias.

21 dezembro, 2025

Mandinga

Uma das heranças islâmicas da cultura brasileira é a mandinga. Algo que hoje em dia é associado com feitiçaria, na verdade teve sua origem em uma pequena bolsa de couro, contendo versos do Alcorão, que era transportada por escravos muçulmanos. Remete ao povo Mandinga, da África Ocidental, que carregava costumeiramente esses amuletos (patuás).
No contexto da capoeira, mandinga representa a habilidade do capoerista em surpreender (enganar) o oponente, como uma espécie de "malícia de jogo". Esta "esperteza" é muito apreciada e consta na letra de diversas canções.
Significados de "Mandinga" em canções:

1. Magia e fé. Canções podem descrever mandingas como feitiços, rezas ou simpatias, muitas vezes para conseguir amor ou resolver problemas, como em "Mandinga", de Ataulfo Alves e Carlos Imperial, gravada por Clara Nunes.
http://youtu.be/CAE4dgPl4ZA?si=4NmZ2whti7BOhjyO


2. Capoeira. Na capoeira, mandinga é a malícia, a ginga, a esperteza para enganar o adversário, presente em pontos (cantigas) de capoeira, como em músicas sobre a Pomba Gira Rosa Caveira.

3. Resistência e cultura. Em músicas como a de Murica em "Mandinga" é um símbolo de resistência contra a opressão, valorizando a sabedoria popular e a identidade étnica.

08 junho, 2025

Blog(ue)

Um blogue (em inglês: blog), contração dos termos em inglês web e log ("diário da rede"), é um site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos, postagens ou publicações. Estes são, em geral, organizados de forma cronológica inversa, tendo como foco a temática proposta do blog, podendo ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blog.
Um blog típico combina texto, imagens e hiperligações para outros blogs, páginas da Web e mídias relacionadas a seu tema. A capacidade de leitores deixarem comentários de forma a interagir com o autor e outros leitores é uma parte importante de muitos blogs.
Alguns sistemas de criação e edição de blogs são muito atrativos pelas facilidades que oferecem, disponibilizando ferramentas próprias que dispensam o conhecimento de HTML. A maioria dos blogs são primariamente textuais, embora uma parte seja focada em temas exclusivos como arte, fotografia, vídeos, música ou áudio, formando uma ampla rede de mídias sociais.
O termo weblog foi criado por Jorn Barger em 17 de dezembro de 1997. A abreviação blog, por sua vez, foi cunhada por Peter Merholz, que, de brincadeira, desmembrou a palavra weblog para formar a frase we blog ("nós blogamos") na barra lateral de seu blog Peterme.com, em abril ou maio de 1999.
A mensagem passou a modelar o meio, quando no início de 2000, o Blogger introduziu uma inovação – o permalink, conhecido em português como ligação permanente – que transformaria o perfil dos blogs. Os permalinks garantiam a cada publicação num blog uma localização permanente - uma URL – que poderia ser referenciada.Em seguida, hackers (no sentido ético) criaram programas de comentários aplicáveis aos sistemas de publicação de blogs que ainda não ofereciam tal capacidade. O processo de se comentar em blogs significou uma democratização da publicação, consequentemente reduzindo as barreiras para que os leitores se tornassem escritores.
Com estas e outras contribuições, a blogosfera, termo que representa o mundo dos blogs, ou os blogs como uma comunidade ou rede social, cresceu em ritmo espantoso nos anos seguintes. Inaugurado em 18 de novembro de 2006, o Blog EntreMentes (vai ser grátis, custe o que custar) já ultrapassou o total de cinco milhões de visualizações de página. É sua catraca, em 5000744 às 6:38 de hoje, que não me deixa mentir.

31 março, 2025

Calendário político. Artigo de Frei Betto

"Todas essas convenções e denominações estão calcadas na dança cabrocha da Terra em torno do mestre-sala, o Sol", escreve Frei Betto, escritor, autor de “A obra do Artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros.
Eis o artigo.
Podemos não perceber, mas a política está presente em tudo: na qualidade do nosso café da manhã e do transporte utilizado para ir à escola ou ao trabalho.
Mas nem tudo é política. Um casal em lua de mel não é necessariamente uma questão política. Porém, o local para o qual viajou (ou não) tem a ver com política, que influencia na renda familiar.
A política é uma faca de “dois legumes”, como se diz em Minas. Serve para oprimir ou libertar. É como a religião, que também serve para oprimir ou libertar.
Um dos exemplos mais curiosos de que tudo tem a ver com a política é este: pergunte a um grupo qual é o último mês do ano. Todos responderão: “Dezembro”. Agora indague: “Equivale a qual numeral?” Com certeza a maioria dirá: “Doze”. Errado! Dezembro equivale ao numeral dez. Antes dele, novembro, nove; outubro, oito; setembro, sete. E por que o ano tem doze meses?
Eis a política: na Roma antiga o ano tinha 304 dias e dez meses (martius, aprilis, maius, junius, quintilis, sextilis, september, october, november e december). Mais tarde, foram acrescidos os meses de janus e februarius.
Para homenagear os césares, o senado romano mudou os nomes de quintilis para julho, em honra do imperador Júlio César. O imperador Augusto, seu sucessor, não quis ficar atrás e exigiu também um mês em sua homenagem. Sextilis virou agosto, em honra de César Augusto.
Os astrônomos do reino, constrangidos, lembraram ao imperador da alternância de 31/30 nos dias de cada mês. Portanto, o mês de Augusto teria um dia a menos que o de Júlio. “Quero isonomia!”, teria dito o imperador. “Ou amanhã os senhores não terão a cabeça em cima do corpo”. O que fizeram? Arrancaram um dia de fevereiro. Julho e agosto são os únicos meses consecutivos com 31 dias.
Uma pergunta que sempre me fazem: por que a data do Carnaval muda todo ano e sob que critérios? Mudam-se também as datas da Semana Santa, de Corpus Christi e de outras efemérides litúrgicas.
Nosso calendário gregoriano é solar, ou seja, regido pela rotação da Terra em torno da estrela que nos ilumina. O calendário litúrgico é lunar, baseado nas fases da lua. Sua festa central é a Páscoa, sempre comemorada pelos judeus na primeira lua cheia do mês de Nisan. Este mês do calendário judaico corresponde ao período entre 22 de março e 25 de abril. Para nós, que vivemos no hemisfério Sul, o domingo de Páscoa é sempre aquele seguido da primeira lua cheia do outono. Neste ano, 20 de abril. Para evitar confusão com a festa judaica, a Igreja adotou o domingo seguinte ao da festa da Páscoa judaica como o da celebração da ressurreição de Jesus.
O domingo de Carnaval é sempre o sétimo antes da Páscoa cristã. A quinta-feira de Corpus Christi, a primeira depois do domingo da Santíssima Trindade, comemorado 57 dias depois da Páscoa.
O domingo de Páscoa é a data de referência das demais festas litúrgicas chamadas móveis. Há também as imóveis, como o Natal, comemorado invariavelmente a 25 de dezembro, não importa o dia da semana em que cai.
Todos os povos que seguem um calendário anual celebram a chegada do Ano-Novo denominada, entre nós, réveillon, do verbo francês réveiller, que significa “despertar”. Foi o imperador Júlio César que, no ano 46 a.C., decretou o 1º de janeiro como primeiro dia do Ano-Novo. Celebrava-se na data a festa de Jano, deus dos portões, dotado de duas faces, uma virada para frente, outra para trás. Janeiro deriva de Jano.
Os dias da semana, em português, foram nomeados por Martinho de Dume, bispo de Braga, Portugal, no século VI. Ele denominou, em latim, os dias da Semana Santa como aqueles nos quais não se devia trabalhar: feria secunda (segundo dia de feriado ou férias), feria tertia etc. Feria originou a corruptela feira.
O imperador Constantino (280-337), convertido ao Cristianismo, já havia denominado Dies Dominica, “dia do Senhor”, o domingo, primeiro dia da semana. O sétimo dia, sábado, vem do hebreu shabāt, que significa “descanso”.
Outros idiomas latinos conservam os nomes pagãos dos dias, concernentes aos planetas, como é o caso do francês, do italiano e do espanhol. Na língua de Cervantes segunda-feira é lunes, de lua; terça, martes, de Marte etc.
Todas essas convenções e denominações estão calcadas na dança cabrocha da Terra em torno do mestre-sala, o Sol. Nesse bailar, percorre quatro estações: verão, outono, inverno e primavera. E não apenas a Estação Primeira de Mangueira...
Aliás, se a evolução do Universo, surgido há 13,8 bilhões de anos, fosse compactada no calendário gregoriano, o Big-Bang, a explosão primordial, teria ocorrido a 1° de janeiro; nossa galáxia, a Via Láctea, se formado em 1° de maio; nosso sistema solar, em 9 de setembro; o surgimento da Terra, em 14 de setembro; as primeiras manifestações de vida, a 25 de setembro; e o ser humano, nos últimos segundos de 31 de dezembro.
De vez em quando é muito bom dar um passeio pela ciência, tão desprestigiada por essa gente que adora as fake news de Trump.
18 março 2025
https://www.ihu.unisinos.br/649604-calendario-politico-artigo-de-frei-betto

17 dezembro, 2024

Fucsina

O nome fucsina foi dada ao composto por seu primeiro fabricante, a firma Renard frères et Franc. Aparentemente a etimologia deste nome resulta da semelhança da cor de sua solução com a cor das flores das plantas do gênero Fuchsia, cujo nome foi atribuído em honra do botânico Leonhart Fuchs. Uma explicação alternativa atribui a origem do nome fucsina a uma tradução para a língua alemã do nome da firma, já que Renard (em português: raposa) corresponde à palavra alemã Fuchs.
Um artigo publicado em 1861 no Répertoire de Pharmacie afirma que o nome foi escolhido por ambas as razões.
A fucsina (fenicada de Ziehl-Neelsen) é um dos componentes correntemente utilizados em laboratórios de histopatologia e microbiologia. Como exemplo, no processo de coloração pela técnica de Gram, o qual permite diferenciar as bactérias gram-positivas das gram-negativas.
É também utilizada na odontologia para detectar a placa bacteriana nos casos iniciais (em que esta não é visível).

17 outubro, 2024

Penumbra

Da junção do latim "paene", que significa quase, com "umbra,ae", sombra.
O que significa?
1. Ponto de transição da luz para a sombra. 2. [Física] Estado de uma superfície incompletamente iluminada por um corpo luminoso cujos raios são em parte interceptados por um corpo opaco.
Sinônimos: meia-luz; lusco-fusco; crepúsculo.


Quando a fonte a que o objeto estiver exposto for extensa, haverá a formação da sombra e o surgimento de um contorno mais claro ao redor da sombra denominado de penumbra. Na sombra, não existem pontos com luz, é uma região completamente escura. Enquanto a penumbra surge apenas quando a fonte luminosa é extensa, sendo uma região onde alguns pontos possuem luz.
P.S. Antumbra
[Astronomia] Região de sombra de um corpo celeste para além do fim da zona cônica da umbra, onde a fonte de luz é parcialmente ocultada. Para um observador localizado na antumbra, o eclipse solar é anular.


19 abril, 2024

Alucinação

Alluciazone
s.f. (der. del s.m. 'alluce', primo dito del piede) - attività fantasmatica degli alluci. Creature goffe e ipersensibili, da quando hanno perduto la loro antica funzione prensile e sono confinati nel buio delle scarpe, continuamente creano mutevoli visioni per farsi compagnia.
Alucinação
s.f. (der. do s.m. 'hálux', o dedão do pé) - atividade fantasmagórica dos dedos grandes. Criaturas desajeitadas e hipersensíveis, desde que perderam a antiga função preênsil e ficaram confinadas à escuridão dos sapatos, continuamente criando visões para fazer companhia.

http://www.tecalibri.info/S/SEBREGONDI_etimologiario.htm#p000

Dormir ou não com os pés descobertos?
Que cientista, por mais imerso em sua plenitude racionalista, cética, lógica, coerente, ponderada e sensata, dormiria com o pé fora da coberta sabendo que, por aí, anda um capeta-lambe-pé? A ilustração da figura desta postagem é de um manuscrito iraniano de 1921 em que descreve várias entidades sobrenaturais em aquarelas que lembram as da Idade Média. O livro tem 56 ilustrações de figuras que remontam histórias milenares de diabos que atormentam as pessoas, principalmente durante o sono. Uma delas (que deve ser a mais temida) é um felino humanoide com um par de chifres e uma serpente na cauda.
Aí, me vem aquela réstia de lógica: O que um capeta-lambe-pé (nome que inventei para este texto) faria além de lamber o pé? É só lamber o pé ou ele também leva a alma para o inferno? É só uma lambidinha e ele vai embora ou ele lambe a noite toda? O que ele ganharia com isso além de um gostinho de chulé na boca? Olha... Se ele visse o estado dos meus pés, ultimamente, pensaria umas duas vezes antes de pôr sua demoníaca língua ali.
Extraído de "Nomes Científicos", a página de Rafael Rigolon no Facebook

13 abril, 2022

Por que dizemos "blog"

www = wold wide web = rede mundial de computadores
log = diário de bordo

A palavra "blog" é uma versão abreviada da palavra "weblog", que faz sentido porque os blogs são simplesmente artigos ou outros documentos de texto e mídia que são registrados na web. Mas tudo começou com uma pessoa, Peter Merholz, e seu fascínio pelo mundo das palavras.
Aqui está a história:
Por valer a pena, eu decidi pronunciar a palavra "web-log" como "we-blog". Ou "blog", para encurtar.
Eu não pensei muito nisso. Apenas mudei a pausa silábica uma letra para a esquerda. Comecei a usar a palavra em meus posts, e algumas pessoas, ao me enviarem e-mails, também a usaram.
"Blog" provavelmente teria morrido esquecido se não fosse por uma coisa: em agosto de 1999, o Pyra Labs lançou o Blogger. E com isso, o uso do "blog" cresceu com o sucesso da ferramenta.
E faz 20 anos desde que esta palavra foi inventada. Ele interessou-se também por outros jogos de palavras que descrevessem os tipos emergentes de blogs. Como as palavras "video-log" ou "vlog", para os blogs de vídeos, por exemplo.
Só o tempo dirá como as coisas evoluirão e que outros termos poderemos cunhar para descrever as coisas que fazemos online.

Leitura recomendada: Do diário íntimo ao blog ... (http://periodicos.unifor.br/rmes/article/view/1669/3635)

05 maio, 2021

Os planetas segundo a astronomia clássica

"A história da astronomia é uma história de horizontes em retrocesso." - Edwin Powell Hubble

Etimologicamente, os planetas são viajantes do espaço, pois o termo deriva do grego planetes, que significa "que viaja, que vagueia". É o adjetivo que aparece na expressão aster planetes ("astros errantes"), usada para designar os astros que se movem, por oposição aos que são "fixos". Para os astrônomos da Antiguidade, que observavam o céu a olho nu, as estrelas mantinham a mesma distância entre si, enquanto os planetas davam a impressão de de que se movimentavam erraticamente no espaço.
A astronomia clássica reconhecia sete planetas: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, além do Sol e da Lua, incluídos na lista porque não eram estáticos. Urano e Netuno só foram descobertos com o desenvolvimento dos instrumentos ópticos.

Ilustração - Parte de uma tabuleta babilônica de Sippar, construída em 870 A.C., atualmente no British Museum.

O calendário lunar da Babilônia foi o primeiro a ser dividido em quatro períodos correspondentes às quatro fases da Lua. Esta divisão em períodos de sete dias deu origem às semanas como as conhecemos hoje. De fato, como se pode ver na relação abaixo, o nome de cada dia da semana (em inglês, francês e espanhol) advém do nome do objeto celeste adorado em cada dia na Babilônia (Mesopotâmia).

Mesopotâmia: Ingl. / Fr. / Esp.
Dia da Lua: Monday / Lundi / Lunes
Dia de Marte: Tuesday / Mardi / Martes
Dia de Mercúrio: Wednesday / Mercredi / Miercoles
]Dia de Júpiter: Thursday / Jeudi / Jueves
Dia de Vénus: Friday / Vendredi / Viernes
Dia de Saturno: Saturday / Samedi / Sabado
Dia do Sol: Sunday / Dimanche / Domingo

23 abril, 2021

se.ren.di.pi.da.de

(do inglês serendipity), a palavra menos usada na língua portuguesa.
Foi criada pelo escritor britânico Horace Walpole, em 1754, a partir do conto persa infantil "Os três príncipes de Serendip". Esta história de Walpole conta as aventuras de três príncipes do Ceilão, atual Sri Lanka, que viviam fazendo descobertas inesperadas, cujos resultados eles não estavam procurando realmente. Graças à capacidade de observação e à sagacidade deles, descobriam "acidentalmente" a solução para dilemas impensados. Esta característica tornava-os especiais e importantes, não apenas por terem um dom especial, mas por terem a mente aberta para as múltiplas possibilidades.


É verdade que, procurando uma coisa, você talvez encontre outra. E o grande foco da serendipidade está aí. Mas, veja, é preciso procurar.
O uso do termo foi retomado com o costume de navegar pelos hiperlinks em textos da Internet,que nos levam a encontrar mais coisas do que procurávamos no início.
Serendipidade (s.f.) está no Michaelis, no Priberam e na Wikipédia, mas é quase só usada pela Folha de SP.

Pensamentos ao acaso, porém relacionados
"O acaso só favorece a mente preparada." ~ Louis Pasteur
"O nome do maior dos inventores: acaso." ~ Mark Twain
"Os acasos são tão frequentes que mudam a história de um jogo, de um campeonato e das nossas vidas." ~ Tostão

18 janeiro, 2021

Clorofila

É a designação que se dá a um grupo de pigmentos fotossintéticos universamente encontrado nas plantas. Apesar da intensa cor verde destes pigmentos não há nenhum átomo de cloro na molécula.
A fórmula da clorofila "a" é C55H72O5N4Mg.
O termo "cloro" em clorofina, com origem no grego "chlorus", é devido à cor verde do pigmento. E o elemento químico cloro, cuja molécula é Cl2, é um gás de cor também esverdeada.

03 julho, 2020

Procrastinação e mais além

Pro · cras · ti · na · ção. Quão apropriado é que esta palavra seja longa e latina, levando-se algum tempo para chegar a uma conclusão. O fundador dos Alcoólicos Anônimos, Bill Wilson, escreveu que a procrastinação é "realmente preguiçosa em suas cinco sílabas". E, no entanto, a palavra denota muito mais do que mera preguiça ou indolência: um procrastinador, que organiza meticulosamente uma gaveta de meias ou uma biblioteca do iTunes, não pode ser exatamente acusado de preguiça. Da mesma forma, a procrastinação não é simplesmente o ato de fazer um adiamento. Implica uma evitação intencional de tarefas importantes, adiando responsabilidades desagradáveis ​​que se sabe que devem ser atendidas imediatamente e colocando-as em segundo plano para outro dia.
A promessa de "outro dia" é a chave para a origem da palavra. Ela deriva do verbo latino procrastinare, combinando o prefixo pro, "avançar", com crastinus, "de amanhã" - daí, mover algo para um dia à frente. Mesmo nos tempos antigos romanos, a procrastinação foi menosprezada: o grande estadista Cícero, em uma de suas filipinas atacando seu rival Marco Antônio, declarou que "na conduta de quase todos os casos a lentidão e a procrastinação são odiosas" (in rebus gerendis tarditas e procrastinatio odiosa est).
Quando procrastinate e procrastination começaram a aparecer em inglês, em meados do século XVI (época em que os latinismos inundavam a língua, principalmente via francês), as palavras sugeriam a clássica repugnância à inação em momentos críticos. Mas a procrastinação logo adquiriu um novo significado terrível: os cristãos usaram o termo para lembrar aos pecadores que adiar o arrependimento de seus maus caminhos pode levar à condenação. Um sermão de 1553 falou das terríveis consequências para "aquele que prolonga ou procrastina a confissão dos pecados", enquanto um tratado de 1582, sobre "A Loucura dos Homens", advertia: "Portanto, prestem atenção ao procrastinar o arrependimento… com intencionalidade e propósito; não tentem o Senhor".
Com o alvorecer da Revolução Industrial, o moralismo cristão se fundiu com as buscas comerciais. A procrastinação não só previne a salvação na próxima vida, mas também o objetivo do bem-estar financeiro nesta. Assim, os males da procrastinação chegaram aos adágios frequentemente repetidos da nova era capitalista. "A procrastinação é o ladrão do tempo", escreveu o poeta inglês Edward Young, em 1742. Poucos anos depois, Philip Stanhope, o conde de Chesterfield, escreveu estas palavras: "Sem ociosidade, sem preguiça, sem procrastinação; nunca deixe para amanhã o que você pode fazer hoje". Ben Franklin é creditado com um ditado similar, transformado ironicamente por Mark Twain no lema do procrastinador: "Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã".

Extraído de: How we got a word for putting things off, SLATE

N. do T.
Encontrei na web frases como estas (em espanhol):
• "Lo mío no es procrastinar, es perendinar."
• "Yo prefiero perendinar que procrastinar. En dos días te cuento."
• "Ya lo dice el refrán: no procrastines lo que puedas perendinar."
Origen: del latín perendinare, "dejar para el día después del siguiente".
Lo bueno de un diccionario como el nuestro (sinfaltas.com) es que permite recoger palabras que quizá no tengan uso real, pero que se proponen en las redes para cubrir huecos semánticos. Un buen ejemplo es perendinar, palabra que circula por la red para referirse a la acción que va más allá de procrastinar. Ha tenido 1700 visitas en 5 meses.
E cá estou a cobrir um oco semântico em português ao trazer para a nossa língua o verbo "perendinar" e as palavras que venham a derivar dele.

20 maio, 2020

Invicto é invencível

Do latim INVICTUS, "o que não foi vencido", de IN, negativo, mais VICTUS, "vencido", particípio passado de VINCERE, "vencer, conquistar".
[https://origemdapalavra.com.br/palavras/invicto/]

O prefixo IN - geralmente indica negação, como em "incondicional", "inapetente" e "incomum". No entanto, em algumas palavras, o prefixo pode ter outro significado, como em "inflamável" e "inato", que são bons exemplos. "Inflamável", de IN FLAMMA, veio a significar "em chamas" e "inato", do latim INNATUS, o particípio passado de INNASCI, que significa "nascer", veio a significar "nascido com a pessoa". "Invicto" é seguramente uma palavra com etimologia similar que equivale a "nunca derrotado", "sempre vitorioso".
[https://sexilexia.wordpress.com/category/etimologia/]

No Brasil, "invicto" é também "invencível". Estão aí algumas marcas de produtos que não me deixam mentir: INVICTO, de sabão líquido, em pó e amaciante; INVICTUS, de perfume; e INVICTA, de relógio.
(post não patrocinado)

Pensamento do dia
A vitória tem muitos pais, mas a derrota é órfã.

31 maio, 2019

Chuva /////

E de onde vem essa palavra que tanto mexe com o nosso imaginário?
A origem está no latim pluvia (chuva).
1. A diferença entre a grafia original e a atual está no fato de, na história da língua portuguesa, os grupos "cl", "fl" e "pl" terem evoluído para "ch": clave - chave; "fl": flamma - chama; "pl": plumbu e pluvia - chumbo e chuva.
2. O mesmo não aconteceu com o francês, que manteve uma ortografia muito mais colada ao latim (como acontecia com muitas palavras portuguesas antes da reforma ortográfica de 1911: pharmacia, sciencia, psalmo, martyrio, grammática, annuncio etc.): clé, flamme, plomb, pluie.
Prof. António Pereira, Português em Forma

Quadra chuvosa no Ceará
Com um pequeno atraso, devido ao sumiço temporário do nosso dicionário de rimas, o blog EM publica finalmente sua previsão para o nosso "inverno" em 2019.


Chuvas dos B-R-O, BRO
(As tais chuvas do caju) serão em setembro.

Vale a pena ver assistir de novo
Um coral que faz chover e trovoar

22 dezembro, 2018

Dêutero

Trata-se de um elemento de formação de palavras (do grego deuteros, significando "segundo" ou "secundário") que exprime a ideia de segunda vez.
Deutério (Química)
O deutério (símbolo ²H ou informalmente D) também conhecido como hidrogênio pesado é um dos isótopos instáveis do hidrogênio. O núcleo atômico do deutério é formado por um próton e um nêutron e sua massa atômica é 2.014102. Foi descoberto em 1931 por por Harold Urey e seus colaboradores, que o separaram do hidrogênio por destilação fracionada a -259 °C. Esta descoberta lhe rendeu o Nobel de Química em 1934. As chances de encontrarmos o deutério na água marinha em moléculas de óxido de deutério (²H2O) são de 0,0156%, pois a sua concentração nos oceanos varia de acordo com a localização e a profundidade. Encontra-se na natureza na proporção de 1 para cada cerca de 2.700.000 átomos de hidrogênio.
Deuterostômios (Biologia)
Os bilatérios consistem nos protostômios e nos deuterostômios. Esses dois grupos animais principais diferem quanto ao modo como executam importantes processos de seu desenvolvimento, especialmente a gastrulação. Nos deuterostômios, a gastrulação forma primeiro o ânus e depois a boca.
Deuteronômio (Bíblia)
E o quinto livro da Bíblia. É um termo grego composto por deuteros, (que significa "segundo") e nomos (que significa "lei"), ou seja, "segunda lei". Esse nome deriva da consideração que as leis já tinham sido dadas no livro do Êxodo e que, portanto, as presentes em Deuteronômio eram uma repetição.
Defteros (Os Cavaleiros do Zodíaco)
Pelo nome, subentende-se que ele, provavelmente, é o irmão mais novo de Aspros. O nome Aspros, por sua vez, deriva do grego protos, que significa "primeiro" ou "primário". Perceba-se a semelhança do nome Aspros com a palavra protos.

No Preblog: O SEGUNDO

14 dezembro, 2018

Etimologia do chá

A etimologia do chá pode ser rastreada até as várias pronúncias chinesas da palavra. Quase todas as palavras para o chá em todo o mundo dividem-se em três grandes grupos: te, cha e chai, que refletem a história da transmissão da cultura do consumo de chá e do comércio da China para países em todo o mundo.
A forma te usada nas línguas litorâneas chinesas se espalhou pela Europa através dos holandeses, que se tornaram os principais comerciantes de chá entre a Europa e a Ásia no século XVII, como é explicado no Atlas Mundial das Estruturas Linguísticas. (*) Os principais portos holandeses no leste da Ásia estavam em Fujian e em Taiwan, lugares em que as pessoas usavam a pronúncia te. A importação do chá pela Companhia Holandesa das Índias Orientais para a Europa nos deu o espanhol te, o francês thé, o alemão tee, e o inglês tea.
(O inglês tem as três formas: cha, datada do final do século 16; tea, a partir do século 17; e chai, a partir do século 20.)
No entanto, os holandeses não foram os primeiros na Ásia. Essa honra pertence aos portugueses, e Portugal não comerciava por Fujian mas através de Macau, onde a pronúncia era cha.
O termo cha é "sinítico", o que significa dizer que é comum a muitas regiões chinesas. Começou na China e percorreu a Ásia Central, acabando por se tornar chay em persa. Isso foi, sem dúvida, devido às rotas comerciais da Rota da Seda, ao longo da qual, de acordo com uma descoberta recente, o chá já era comercializado há mais de 2.000 anos. Nesta forma se espalhou para além da Pérsia, tornando-se chay em urdu, shay em árabe e chay em russo, entre outros. Chegou até a África subsaariana, onde se tornou chai em suaíli.
Os termos japoneses e coreanos para o chá também são baseados no cha chinês, embora essas línguas provavelmente adotaram a palavra mesmo antes de se espalhar a oeste para o persa.
Algumas línguas têm seu próprio jeito de designar o chá. Essas línguas geralmente estão em lugares onde o chá cresce naturalmente, o que levou os habitantes locais a desenvolver seu próprio modo de se referir a ele. Em birmanês, por exemplo, folhas de chá são lakphak.

(*) No qual um mapa demonstra duas eras diferentes da globalização em ação: a antiga disseminação milenar de mercadorias e idéias para o oeste da China antiga e a influência de 400 anos da cultura asiática sobre os europeus navegadores. Além disso, você acabou de aprender uma nova palavra em quase todas as línguas do planeta.

https://qz.com/1176962/map-how-the-word-tea-spread-over-land-and-sea-to-conquer-the-world/
https://en.wikipedia.org/wiki/Etymology_of_tea

Etimologia do tererê (anotada para elaborar; será que vou conseguir?)

01 setembro, 2018

O que era realmente um vomitorium?


Um termo mal interpretado
A palavra vomitorium foi frequentemente usada para descrever uma sala, adjacente à sala de jantar onde ocorreria um jantar romano, onde os participantes se aliviariam do estômago cheio e continuariam com a festa. No entanto, nenhuma fonte antiga realmente usa a palavra para este propósito.
A palavra, que se origina de um grupo de palavras latinas referente a vômito, apareceu no século V d.C. nas "Saturnais" de Macrobius, que usou o plural vomitoria para se referir a passagens através das quais os espectadores eram "expulsos" de seus assentos em locais públicos de entretenimento (estádios). Hoje, os arqueólogos usam as palavras vomitorium / vomitoria como termos arquitetônicos, para descrever a passagem ou o corredor de um anfiteatro que liga os bancos a um espaço externo.


Então, como a palavra chegou a ser associada a uma sala usada para o vômito durante uma orgia romana?
Um mal uso da palavra aparece em 1929, no romance de Aldous Huxley, "Antic Hay", embora anteriormente tenham sido feitas referências em jornais e revistas, não sendo claro, no entanto, se o vomitorium era uma passagem ou uma sala. Em 1871, duas referências são feitas ao vomitorium como uma sala adjacente à sala de jantar, uma pelo jornalista francês e político Felix Pyat, descrevendo uma refeição de férias e comparando-a com uma orgia romana, e outra pelo escritor inglês Augustus Hare, em sua publicação "Caminhadas em Roma". Dois artigos no "Los Angeles Times", em 1927 e 1928, referem-se ao vomitorium mais uma vez com o mesmo significado. Então, quando o romance de Huxley foi publicado, o vomitorium já havia sido inscrito na imaginação popular como um quarto usado para vomitar durante um jantar romano para que os participantes pudessem continuar comendo.
Mas de onde foram inspiradas todas essas referências? As histórias de orgias romanas, com os participantes vomitando durante a refeição, são descritas pelo cortesão romano Petronius, em "Satyricon", do século I d.C., mas nenhuma sala específica é designada para o ato. Cassius Dio, em sua "História Romana", e Suetonius, secretário de correspondência do imperador Adriano, em "Vidas dos Doze Césares", também fornecem muitas histórias dos excessos e vômitos imperiais enquanto estes jantavam.
Os excessos de imperadores em relação à alimentação e ao vinho são descritos em detalhes, de Adriano a Claudius e a Vitellius, nos trabalhos acima, mas o objetivo principal das descrições é destacar como não eram adequados a eles como imperadores cultivarem a lassidão moral. A mensagem era bastante clara para os romanos, que sabiam que um imperador romano deveria se dedicar aos deuses, à família e ao Estado, e não aos prazeres alimentares.
Sêneca, o Jovem, foi particularmente feroz em suas críticas a quem gastava sua fortuna em pratos exóticos.
No entanto, o vômito foi bastante difundido entre os romanos, porém como um tratamento médico. Se se tornasse um hábito diário, seria um sinal de luxúria. Além disso, até o período vitoriano, o adjetivo vomitorius, -a, -um foi usado para descrever eméticos.
Portanto, de um anfiteatro que despeja as pessoas ao fim de um espetáculo, como Macrobius usou o termo, a sua associação com o ato de vomitar levou a má interpretação de vomitorium, na imaginação do século 19, como sendo um espaço destinado ao vômito.

What was really a vomitorium?, Archaelogy and Arts

20 abril, 2018

A palavra "científico" em espanhol

A figura de Mary Somerville revelou-se tão impressionante que William Whewell inventou a palavra cientista para poder se referir adequadamente a ela, já que até então as pessoas dedicadas à ciência eram conhecidas como homens de ciência ou filósofos da natureza.
Em "The Philosophy of the Inductive Sciences", de 1840:
Precisamos de um nome para descrever quem cultiva a ciência em geral. Eu ficaria inclinado a chamá-lo de cientista. Então, podemos dizer que, assim como um artista pode ser músico, pintor ou poeta, um cientista é um matemático, um físico ou um naturalista.
Mas verifica-se que é incorreto se nos referimos ao espanhol.
Porque, em espanhol, a palavra científico (cientista, em português), usada para descrever uma pessoa, já aparece, por exemplo, no livro "Clamores inconsolables de el agua, y sangría, contra la mala administración y vana esperanza de sus profesores", escrito pelo Dr. Manuel Martín e publicado em 1738 , um século antes da proposta de Whewell. Especificamente, aparece nas páginas 6 e 28 do livro:
Pouco importa, senhor, que Helmoncio, Musitano e seus capangas se declarem inimigos da minha utilidade, quando o científico Doleo, entrincheirado nas grandes investigações ...
E procurar no Google Libros não é difícil encontrar referências antigas, como o "venerável científico Sr. Yñigo López" em "Las trezientas", um livro de Juan de Mena publicado em 1566.
Portanto, não é para tirar os méritos de Whewell, que também inventou a palavra físico, entre muitas outras, mas os falantes de espanhol já haviam chegado lá antes. Embora fosse pela herança do latim.

Extraído de: http://www.microsiervos.com/archivo/curiosidades/william-whewell-no-invento-palabra-cientifico-en-espanol.html

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13/09/2019 - Hoje, esse termo (cientista) define uma profissão na qual homens e mulheres aplicam métodos precisos e atividades sistemáticas para pesquisar minuciosamente e documentar de maneira abrangente um entendimento absoluto de um estudo definido.

15 fevereiro, 2018

A origem da palavra microscópio

Do grego mikros, pequeno e skopein, ver.
Esta palavra foi cunhada por Johannes Faber, de Bamberg, Alemanha, em 1625, e sugerida sua utilização em uma carta que ele enviou a Frederico Cesi, fundador da Accademia Nazionale dei Lincei.
Com sede em Roma, esta academia é uma das sociedades científicas mais antigas do mundo e tomou seu nome de um animal reputado pela agudeza visual.
Tudo a ver, portanto.

Pensamento: Evitai de vos observar ao microscópio. Bons olhos, sem vidros, voltados para o que vos cerca é quanto basta. - Joaquim Nabuco

O microscópio a olho nu

06 novembro, 2017

De caralho a passaralho

Caralho é um termo da língua portuguesa usado para designar o membro viril masculino. O termo encontra correspondente no castelhano carajo, no galego carallo, e no catalão carall, sendo exclusivo das línguas românicas da Península Ibérica, não se encontrando em nenhuma outra.
Documenta-se o uso do termo desde pelo menos o século X, surgindo regularmente nas cantigas de escárnio e maldizer da poesia trovadoresca medieval, sendo também registado nalguma documentação, além de vários usos antroponímicos e nas toponímias da Península Ibérica, em particular da Catalunha, onde se destacam os vários carall bernat.
Este uso do termo como nome próprio para descrever o membro viril, presente inclusive na documentação oficial, termina com a contrarreforma, passando então a ser considerado como obsceno e impróprio, conotação que mantém até aos dias de hoje. Não obstante, o termo manteve uma incrível vitalidade nas línguas romances ibéricas, sendo usado atualmente com dezenas de sentidos diferentes e como meio de expressar as mais diversas emoções, como estranheza, emoção, lambança ou ameaça, embora em algumas regiões tenha perdido o seu sentido original de membro viril.
O caralho marca presença na poesia e literatura modernas, especialmente como disfemismo e elemento provocador, e por vezes como erotismo, tendo entrado no panteão da mitologia brasileira como caralho-de-asas, que por sua vez inspirou um personagem de banda desenhada, o passaralho.
Caralho-de-asas
No Brasil, o caralho, na qualidade de órgão genital masculino, foi transformado no mito do caralho-de-asas. O mito difere conforme o narrador. Deste modo, numa versão de narrativa masculina, o "caralho-de-asas" define-se como a entidade responsável por uma gravidez de paternidade não-identificada, enquanto que numa narrativa em grupo feminino, a referência ao caralho-de-asas toma a forma de advertência às moças, para que não tomem banho de rio e de açude, bem como não durmam "desprevenidas", ou seja, sem roupas íntimas.
O mito do caralho-de-asas parece reminiscente da lenda grega de Leda e o cisne, segundo a qual Júpiter, metamorfoseado em cisne, manteve relações sexuais com a ninfa Leda, concebendo os gémeos Castor e Pólux. O mito entrou para a iconografia urbana, já documentada em cidades como o Rio de Janeiro e o Recife, estando presente também como personagem de banda desenhada em revistas de palavras cruzadas e enigmas destinadas ao público masculino, tomando o nome de "passaralho".

Passaralho
O termo passaralho tornou-se também um jargão no mercado de trabalho, em especial para o jornalismo e o funcionalismo público (terceirizado), com o significado de época ou movimento de demissão em massa.
A propósito, leiam  este artigo: A revoada dos passaralhos, de Camila Rodrigues e outros.