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10 setembro, 2023

A Vadico o que é de Vadico

Osvaldo de Almeida Gogliano nasceu em São Paulo, no bairro do Brás, filho de imigrantes italianos e de uma família musical. Todos seus irmãos estudaram música, coisa por que Vadico se interessou na adolescência. Seu irmão, Dirceu, afirmou: "Era daqueles músicos natos. Trazia notável sensibilidade artística e um extraordinário senso de estética musical".
Ao longo de sua carreira compôs cerca de 10 obras "eruditas" e 80 "populares", sendo 11 delas com Noel Rosa. Trabalhou como pianista, arranjador e líder de orquestra. Durante mais de uma década morou nos Estados Unidos, onde foi contratado pela companhia da bailarina Katherine Dunham, como regente.
Vadico ficou marcado pela polêmica sobre direitos autorais. Quando voltou ao Brasil, ele percebeu que Noel (àquela altura já morto) havia vendido as parcerias (como "Conversa de botequim", "Feitiço da vila", "Feitio de oração", "Pra que mentir?") sem seu consentimento e foi atrás de entender o que havia acontecido.
O apresentador Flávio Cavalcanti soube da história nos bastidores de um programa de que Vadico participaria e levou a polêmica para a tevê, criticando duramente Noel. O fato gerou polêmica e o Poeta da Vila foi defendido pelo radialista Almirante. Vadico foi muito criticado. Principalmente pela habilidade de Almirante com a palavra, ele botou Vadico no bolso. Vadico era tímido, todo formal, de conversar pouco. Ele não conseguiu se defender direito.
"Chopp", choro do compositor, maestro e pianista Osvaldo Gogliano, o Vadico (1910-1962), foi tirado do ineditismo no LP tributo "Evocação III - Vadico", lançado pela gravadora Eldorado em 1979. A interpretação solo ficou a cargo de Amilton Godoy, que por quase 50 anos foi o pianista do Zimbo Trio.



Biografia - Vadico (com áudio)
Chopp (Vadico) - Choro (Vídeo com solo ao piano de Amilton Godoy)
As partituras inéditas de Vadico, parceiro de Noel Rosa, encontradas nos EUA
Números de telefones (inclusive o do telefone de Seu Osório)
De túmulo a cúmulo do samba (São Paulo)
Natália (Vadico) - Chorando com Gabi (Em 1935, teve a valsa "Natália" gravada ao saxofone por Luis Americano na Odeon com seu acompanhamento ao piano.)

28 abril, 2019

O compositor Peteleco

1
🐶Nos registros da música brasileira há seis sambas em nome de Peteleco. Um deles é "Mãe, Eu Juro" ("Mãe, eu juro / pela luz que me alumia / se eu continuar com ele / não me chamo mais Maria."), de Peteleco em parceria com Marques Filho, que era como Noite Ilustrada assinava suas músicas nos anos 1950. O primeiro (que não figura como verbete do Dicionário Cravo Albin da MPB) era o cãozinho de João Rubinato, o verdadeiro nome do compositor paulista Adoniran Barbosa.
2
De acordo com entrevistas dadas por Noite Ilustrada, ele é o verdadeiro autor da melodia de "Bom Dia, Tristeza", que foi creditada a Adoniran e Vinicius de Moraes. Noite alegava que Adoniran teria pedido que ele fizesse a música e, na hora de registrar, excluiu seu nome. Há quem discorde. Segundo Ayrton Mugnaini Jr., biógrafo de Adoniran, a versão é questionável. "Com todo o respeito, não creio ter sido ele o autor da melodia", explica. Mas o fato é que, logo após a polêmica, Noite convidou o músico para terminar o samba "Mãe, Eu Juro". Adoniran aceitou, mas fez questão de registrar a canção em nome de Peteleco. E os sambistas nunca mais se falaram.
Adoniran, a esposa Matilde e Peteleco
Arquivos
O cão afegão Galadriel Mirkwood. Coautor de um trabalho científico publicado no Journal of Experimental Medicine, em 1978.
O cão que chupa manga e o que come mariola. Com a participação especial de Adoniran Barbosa.

30 agosto, 2017

As Caravanas do Chico

"Caravanas" é o 37º disco (o 23º de estúdio) do compositor, cantor e escritor Chico Buarque, que começou a carreira em 1965. Este álbum acaba de sair pela gravadora "Biscoito Fino".
Todas as letras do disco estão aqui.
Obra-prima estrategicamente escolhida para fechar o disco, a faixa "As Caravanas" estabelece relações temáticas com as clássicas "Pivete" e "Meu Guri". Chico se inspira na melodia de "Caravan", do jazzista Duke Ellington, para narrar, como se delirasse, a chegada de jovens marginalizados das favelas do Rio às praias da cidade, comparando-os a muçulmanos refugiados.
Uma letra, que critica "A gente ordeira e virtuosa que apela / Pra polícia despachar de volta / O populacho pra favela / Ou pra Benguela, ou pra Guiné", aqui é envolvida pelo sutil e preciso violão de Chico, pelo beatbox de Mike, do "Dream Team do Passinho" e pelos arranjos e regência de Luiz Cláudio Ramos.
Se até a romântica "Tua Cantiga", do mesmo disco "Caravanas", gerou uma polêmica à qual foi decisiva a lúcida intervenção do Doutor em Linguística Sérgio Freire para pôr a pique certos posicionamentos obtusos, a música "As Caravanas" promete ser um prato cheio para as discussões nas redes sociais, nestes tempos de polarização ideológica.



"Sol, a culpa deve ser do sol
Que bate na moleira, o sol
Que estoura as veias, o suor
Que embaça os olhos e a razão."

16/11/2018 - Atualizando ...
A noite desta quinta-feira (15) foi especial para diversos artistas nacionais. Por volta das 20 horas, a cerimônia do Grammy Latino começou a apresentar os vencedores das categorias brasileiras da premiação em festa que aconteceu no MGM Grand Garden Arena de Las Vegas (Nevada, oeste dos Estados Unidos). Chico Buarque — que não compareceu à premiação — ficou com os troféus de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, por "Caravanas", e Melhor Canção em Língua Portuguesa, com "As caravanas".

15 fevereiro, 2017

POLÊMICA. Noel Rosa x Wilson Batista

O Instituto Moreira Salles realizou, no dia 11 de setembro de 2012, o show Polêmica Noel Rosa x Wilson Batista por Monarco e Nelson Sargento, no qual os sambistas interpretaram as nove canções do "duelo musical" entre os dois compositores (LP Odeon, 1956), acompanhados de Paulão 7 Cordas (direção musical, arranjos e violão), Alessandro Cardozo (cavaquinho), Vitor Mota (flauta e sax) e Netinho Albuquerque (pandeiro).
O jornalista João Máximo participou da apresentação contando as histórias das canções do disco.

Vídeo do Show do IMS


Lenço no pescoço (Wilson, 1933)
Rapaz folgado (Noel, 1933)
Mocinho da Vila (Wilson, 1934)
Feitiço da Vila (Noel, 1934)
Conversa fiada (Wilson, 1935)
Palpite infeliz (Noel, 1935)
Frankenstein da Vila (Wilson, 1936)
João Ninguém (Noel, 1936) [1]
Terra de cego (Wilson, 1936) [2]

[1] Esta faixa foi inserida no disco da Odeon sem ter de fato entrado na polêmica.
[2] Inimigos para sempre? Que nada. A tal "briga" terminou em parceria – em uma mesa de bar, claro. "Eles se encontraram por acaso num botequim e aí o Noel pediu para o Wilson cantar Terra de Cego. Ali mesmo, Noel fez uma nova letra. Eles fizeram uma parceria e mudaram o foco da polêmica", conta Rodrigo Alzuguir. Sobrou para a moça pivô do triângulo: "Deixa de ser convencida/ Todos sabem qual é/ Teu velho modo de vida".

Leituras recomendadas
Wilson Baptista e sua obra vão muito além da rinha com Noel por Vítor Nuzzi. In: Rede Brasil Atual
Polêmica!! - por Rodrigo Alzuguir. In: BlogIMS

09 outubro, 2016

A Rita e a resposta dela

A Rita
Foi no tempo em que os bichos falavam ― 1966, 1967, por aí. Os meninos do Brasil estavam ouvindo "Lovely Rita", dos Beatles. Mas os mais espertos preferiam "A Rita", de Chico Buarque. As duas canções saíram na mesma época, mas as Ritas eram diferentes. A de Lennon e McCartney era uma guarda civil encarregada de fiscalizar parquímetros. Em suma: inglesa. Lennon ou McCartney ― um dos dois, difícil dizer qual ― está a perigo e a fim de Rita. Convida-a para jantar, o que, devido ao inusitado da proposta, Rita não apenas aceita como ainda paga a conta. Ele a leva em casa, ela o convida a entrar e, quando ele pensa que os dois vão acabar na cama, tem de se conformar em passar a noite conversando na sala com ela e as bolhas de suas duas irmãs. Já a Rita de Chico Buarque era muito melhor. Deu o fora em Chico, foi embora e levou seu retrato, seu trapo, seu prato, que papel, uma imagem de São Francisco e um bom disco de Noel. Não levou um tostão porque não tinha, não, mas causou perdas e danos. Ou seja, era uma mulher de caráter. A Rita dos Beatles era uma pata-choca encalhada. A de Chico era safa, despachada e capaz de uma atitude.
Ruy Castro
Chico Buarque falou por nós, Digestivo Cultural
Precisamos falar sobre "A Rita" de Chico Buarque, OBVIOUS
As diversas Ritas da MPB, Mulheres Cantadas



Resposta da Rita
Ana Carolina e Chico Buarque gravam "Resposta da Rita", Território da Música


25 agosto, 2016

Kropotkin e a teoria evolutiva

Polêmica magnífica, sem vencido ou vencedor.
 Dois cérebros absolutamente brilhantes
Se perguntamos à natureza, "Quem são os mais aptos? São aqueles que se encontram continuamente envolvidos em guerra mútua, ou são aqueles que se sustentam mutualmente?, de imediato vemos que aqueles animais que adquirem hábitos de ajuda mútua são indubitavelmente mais aptos. Tem mais probabilidades de sobreviver e alcançar, em suas respectivas classes, o maior desenvolvimento da inteligência e organização corporal". Assim reconhece Piotr Kropotkin, em seu "Apoio Mútuo" (1907) a ideia central que compõe seu pensamento evolutivo. Que valor tem hoje em dia reconsiderar o pensamento evolutivo de Kropotkin? [...]
Kropotkin cresceu numa acomodada família da nobreza russa. No início não se mostrou interessado diretamente pelo estudo da natureza, e tampouco havia desenvolvido então seus ideais. Ambas as coisas ocorreram paralelamente quando foi nomeado secretário de Geografia Física da Sociedade Imperial e enviado à Sibéria. Isto ocorreu em 1870. Em 1871, ocorreu a Comuna de Paris, influenciando-o definitivamente em suas ideias, e a experiência siberiana. Segundo suas palavras, a Comuna lhe serviu para dar-se conta que o paradigma darwinista da luta de todos contra todos, simplesmente não era universal: "Kessler, Severtsov, Mensbir e Brandt, quatro zoólogos russos muito importantes, e também, Poliakov, um pouco menos conhecido, e por fim, seu servidor, sendo um simples viajante,enfrentamos a teoria de Darwin que superestima a luta dentro da mesma espécie. Aqui (na Sibéria) o que vemos é um campo de ajuda mútua, enquanto Darwin e Wallace veem somente a luta pela sobrevivência. Creio que tal fato pode ser explicado da seguinte maneira: os zoólogos russos investigaram enormes zonas continentais na zona de clima temperado, onde fica evidente, e com maior clareza, a luta da espécie contra as inclemências da natureza (clima muito frio, tormentas de neve, inundações etc.), enquanto Wallace e Darwin pesquisaram majoritariamente as costas de países tropicais onde as espécies são mais abundantes".[...]
Kropotkin em nenhum momento rechaçou que pudesse existir uma "luta pela sobrevivência" e uma "sobrevivência dos mais aptos". O que fez foi expandir a teoria da evolução até uma área ainda em desenvolvimento. O próprio Darwin, até o final de sua vida, foi incorporando mais modos de evolução ante a constatação de que a mera "luta pela sobrevivência" não podia dar conta de todos os fenômenos observados. Kropotkin se encarregou de melhorar a teoria evolutiva ao estabelecer a seguinte dicotomia:
I) Organismo contra organismo no caso de recursos limitados, o qual nos levaria à competição ("luta pela sobrevivência") e,
II) Organismo contra ambiente, no caso de ambientes rigorosos, o que levaria à cooperação.
Em palavras do próprio Kropotkin: "a sociabilidade é uma lei da natureza como é a luta mútua".
No entanto, atualmente estas duas formas de ver a biologia continuam em conflito. Os grupos que cooperam entre eles apresenta vantagens frente aos que não o fazem e prosperam melhor? É possível que a cooperação seja um motor da evolução como propunha Koropotkin ou tudo está submetido a uma natureza intrínsecamente egoísta? A brilhante, e recentemente falecida, bióloga descobridora da endosimbiose como processo vital na evolução, Lynn Margulis, tinha isso muito claro: "a vida é uma união simbiótica e cooperativa que permite triunfar aos que se associam".
https://www.diagonalperiodico.net/saberes/21225-kropotkin-y-la-teoria-evolutiva.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Piotr_Kropotkin
http://gazetarussa.com.br/arte/2014/01/13/principe_kropotkin_o_mais_importante_anarquista_russo_23639
(matéria enviada por Jaime Nogueira)

30 agosto, 2015

A Teoria da Queda Inteligente

Em 2005, com os ânimos acirrados pelo debate sobre o ensino da Teoria da Evolução das Espécies nas escolas públicas estadunidenses, uma nova frente de polêmica sobre o currículo das Ciências surgiu em Kansas. "Cientistas" do Evangelical Center For Faith-Based Reasoning (ECFR), instituição líder da física evangélica no mundo, passaram a afirmar que a Teoria da Gravidade também tinha suas falhas.
Não explicava, por exemplo, por que as faíscas sobem. (*)
"As coisas não caem porque existe uma força gravitacional, mas porque uma inteligência superior, Deus, as empurra para baixo", declarou o físico Reverendo Gabriel Burdett, porta-voz do ECFR, dando início à criação de "Teoria da Queda Inteligente".

(*) As naves espaciais também sobem.
Como não se ouve falar mais dessa teoria é bem possível que uma força superior e vingativa a tenha empurrado para baixo. Ad aeternum.

09 maio, 2015

O Menino Homofobiquinho

O escritor e desenhista Ziraldo Pinto causou polêmica nas redes sociais ao criticar a atriz Fernanda Montenegro por "fazer apologia ao afeto homossexual" na novela "Babilônia", da TV Globo.
O site humorístico Sensacionalista, que satiriza as notícias do dia a dia, aproveitou o episódio para dizer que o escritor lançará agora um livro infantil com um novo personagem: "Bolsonarinho, O Menino Homofobiquinho":
"Ele vai sair pelo mundo consertando as coisas erradas desse pessoal, que é uma porcentagem muito pequena da sociedade, usando seu rifle de estimação, chamado AI-Cinquinho. Ele também é muito arteiro e gosta de andar pela avenida Paulista de noite com lâmpadas fluorescentes na mão, que é a forma como ele encontrou de evitar que os gays participem da vida em sociedade."

19 dezembro, 2014

POLÊMICA. Ataulfo Alves x Carmen Costa

Faixa do disco "Eternamente Samba" (1966, gravadora Polydor), com Ataulfo Alves, Carmen Costa e o acompanhamento do "Regional do Caçulinha".
Pot-pourri
"Pois é" (Ataulfo Alves)
"A morena sou eu" (Mirabeau-Milton de Oliveira)
"Sai do meu caminho" (Ataulfo Alves)
"Conte o caso direito" (Valdenir-Nilton Carudo)
"Duro com duro" (Ataulfo Alves)
"O vento que venta lá" (Ataulfo Alves)
"Na ginga do samba" (Ataulfo Alves)



Trechos
ELE: Pois é
Falaram tanto
Que desta vez a morena foi embora
Disseram que ela era a maioral
E eu é quem não soube aproveitar
Endeusaram a morena tanto, tanto
Que ela resolveu me abandonar.
ELA: Aqui você rirá dizendo a todos
Pois é, pois é, pois é
Quem sabe a quentura da panela
É a colher, é a colher
Chega o que ela já sofreu
Quem de vocês já conhece
Que a morena sou eu. (bis)
ELE: Sai do meu caminho
Não estrague os dias meus
Deixe-me em paz
Pelo amor do santo deus
Minha morena que eu falei numa canção
É diferente da sua insinuação. (bis)
ELA: Foi o sucesso
Que lhe fez vaidoso
Mas pra seu governo
Sou filha de pai teimoso
Dê a mão à palmatória
E deixe de preconceito
Arrie a trouxa no chão
E conte o caso direito. (bis)
ELE: Se você não vem pra cá
Eu também não vou pra lá.
Mas que mulher caprichosa
Por qualquer coisa se queima
Você é muito dengosa
Mas eu sou o tira-teima. (bis)
ELA: O vento que venta lá
É o vento que venta cá. (bis)
ELE: Em Mangueira eu sou a corda
E você é a caçamba
Tudo isso é brincadeira
Nosso negócio é o samba.
(bis)
JUNTOS: É na ginga bonita
Que o samba tem
Quem não tem ginga
No samba não fica bem.

12 dezembro, 2014

Um erro comum

Legendas traduzidas por PGCS

Embora a cultura popular tenha associado o nome Frankenstein à criatura, esta não é assim nomeada no romance de Mary Shelley. É referida como "criatura", "monstro", "demônio", "desgraçado" por seu criador. Após o lançamento do filme "Frankenstein", em 1933, o público passou a chamar de Frankenstein a criatura. Isso foi adotado mais tarde em outros filmes e histórias em quadrinhos.
Na célebre polêmica musical entre Noel Rosa e Wilson Batista, para ressaltar o defeito facial do "Poeta da Vila", o sambista Wilson Batista apelou para estes versos:
"Boa impressão nunca se tem
Quando se encontra um certo alguém
Que até parece um Frankenstein." (Frankenstein da Vila, 1936)

18 junho, 2013

O Canal da Nicarágua

Uma empresa chinesa, dirigida por um magnata das comunicações de Hong Kong, ganhou a concessão para construir e explorar o Canal da Nicarágua pelos próximos 100 anos. Enquanto o governo já sonha com grandes lucros, especialistas questionam os impactos sobre as terras indígenas e sobre a maior reserva de água do país, o Lago Nicarágua.
A ideia repousou na gaveta durante 200 anos – mas agora, finalmente, ela deverá se tornar realidade: a construção de um canal navegável atravessando a Nicarágua e que ligará o Atlântico ao Pacífico. O plano pretende levar o segundo país mais pobre das Américas, depois do Haiti, a ganhar um papel mais relevante na economia mundial.
O canal da Nicarágua deverá ser mais profundo, mais largo e, com 200 quilômetros de comprimento, quase três vezes mais extenso do que o Canal do Panamá. Através da nova passagem, a ser construída pela HK Nicaragua Canal, grandes navios transportarão cerca de 5 por cento do comércio marítimo mundial.
Os nicaraguenses já podem ter uma ideia da rentabilidade desse empreendimento. A poucas centenas de quilômetros ao sul, o Panamá ganha anualmente 1 bilhão de dólares – uma cifra que tende a subir com a dragagem que está sendo feita no Canal do Panamá para que navios cargueiros maiores possam atravessá-lo, pagando taxas de pedágio ainda mais altas.
Além do canal, os chineses deverão construir dois portos de águas profundas, um oleoduto, uma linha férrea e um aeroporto internacional.
Comentário
Por conta do canal, os chineses não vão provocar nenhuma cisão no país e criar uma zona exclusiva, não vão colocar uma base militar na Nicarágua, nem instalar lá uma escola de tortura para instruir os golpistas do continente. Tudo isto pode ser atribuído a outra potência imperialista que nos inferniza.
Almeida, LNOL

07 outubro, 2012

CICLISMO. A discussão sobre os capacetes


Um denominador comum dos programas bem sucedidos de bicicleta ao redor do mundo - de Paris a Barcelona - é que quase ninguém usa um capacete, e não há pressão para que faça isso.
Nos Estados Unidos, a noção de que os capacetes promovem a saúde e a segurança, evitando lesões nas cabeças dos ciclistas, é tido como muito próximo de uma verdade de Deus. Assim, ciclistas sem capacetes são considerados irresponsáveis como as pessoas que fumam. E as cidades estadunidenses em geral são agressivas na promoção dos capacetes.
Mas, muitos especialistas em saúde europeus vêm tendo uma visão diferente. Sim, há estudos que mostram que, se você cair de uma bicicleta em uma determinada velocidade e bater com a cabeça, um capacete pode reduzir o risco de lesão grave no crânio. Mas tais quedas de bicicletas em sistemas organizados de ciclismo urbano são menos comuns do que se pensa.
Por outro lado, muitos pesquisadores dizem que, se as pessoas são forçadas a usar capacetes, também são desencorajadas a andar de bicicleta. Isso significa mais obesidade, mais doenças cardíacas e mais diabetes. E, com menos menos ciclistas nas ruas, menos interesse em criar ou ampliar ciclovias.
As cidades mais seguras para bicicletas são lugares como Amsterdã e Copenhague, onde os ciclistas de meia-idade são em grande número e o uso dos capacetes é reduzido.
"Forçar a usar capacetes, especialmente em programas de compartilhamento de bicicletas, cria uma sensação de perigo injustificável para o ciclismo, o qual traz muitos benefícios para a saúde", diz Piet de Jong, professor do departamento de Finanças Aplicadas e Estudos Atuariais da Universidade Macquarie, em Sydney. Ele estudou o assunto com modelagem matemática e concluiu que os benefícios podem superar os riscos por 20 a 1.
Ele acrescenta: "Estatisticamente, antes de usar capacetes para andar de bicicleta, talvez devêssemos usá-los para subir escadas ou tomar banho porque há muito mais lesões durante estas atividades." E a Federação Europeia de Ciclistas afirma que ciclistas e pedestres apresentam o mesmo risco de lesão grave por milha percorrida.
No entanto, nos Estados Unidos, a National Highway Traffic Safety Administration recomenda que "todos os ciclistas usem capacetes, não importa onde estejam", como diz Dr. Jeffrey Michael, funcionário da referida agência.
A experiência recente sugere que, caso uma cidade queira que o compartilhamento de bicicletas realmente decole, ela tem que aceitar o uso opcional do capacete. O programa de compartilhamento de bicicletas em Melbourne, na Austrália - onde o uso de capacete é obrigatório - tem apenas cerca de 150 utilizações por dia, apesar de Melbourne ser plana, com ruas largas, e ter clima temperado. Por outro lado, a cidade de Dublin - fria e montanhosa - tem mais de 5.000 passeios diários em seu programa. E a Cidade do México, para pôr em funcionamento o seu programa de compartilhamento de bicicletas, revogou recentemente a sua lei do capacete obrigatório. Nos Estados Unidos, há muita discussão a respeito de uma mudança na atual orientação.

Extraído do artigo To Encourage Biking, Cities Lose the Helmets, The New York Times

26/10/12 - Atualizando...

18 julho, 2011

Memória. A cassação de Vinicius

Ruy Castro, em seu festejado livro "Chega de saudade - a história e as histórias da Bossa Nova", relata como se deu o afastamento de Vinicius de Moraes da carreira diplomática.

"'Assunto: Vinicius de Moraes. Demita-se esse vagabundo.
Ass. Arthur da Costa e Silva. 
Com este grosseiro memorando ao chanceler Magalhães Pinto, o marechal-presidente decretou a saída do poeta do corpo diplomático em fins de 1968. Vinicius recebeu a notícia em alto-mar, a bordo da banheira de sua cabine no navio Eugênio C. Chorou convulsivamente, porque adorava o Itamarati, embora detestasse a burocracia do serviço público e nunca tivesse ligado para a carrière. Algum tempo antes, pedira para ser agregado, o que significava uma licença de dois anos, sem vencimentos e sem contar para a promoção, apenas para a aposentadoria. Na primeira oportunidade, ao promover uma caça aos 'alcóólatras, pederastas e subversivos' do Itamaraty, enquadraram-no vagamente nesta última categoria e mandaram-lhe o bilhete azul".
CASTRO, Ruy. Chega de saudade - a história e as histórias da Bossa Nova
São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p.408-409.

Carlos Castello Branco, em edições diferentes de sua coluna jornalística, no ano de 1990, publicou duas cartas - a primeira, de um missivista anônimo, amigo do poeta; a segunda, de Laetitia C. de Moraes Vasconcellos, irmã de Vinicius - que estão integralmente transcritas no site VINICIUS DE MORAES, seção Outros olhares, sob os títulos "Como Vinicius de Moraes deixou o Itamarati" e "Ainda sobre a cassação de Vinicius de Moraes".
À consideração dos leitores. PGCS

25 junho, 2011

Dize-me com quem andas...

"A polêmica sobre o "livro do MEC" mostrou algumas coisas, entre elas quem estava de qual lado. Foi bom saber que (sem necessariamente apoiar o livro, e até fazendo-lhe objeções) deixaram claro que o livro não pode ser acusado de "ensinar errado" Affonso Romano de Sant'Ana, José Miguel Wisnik, José de Souza Martins, Sérgio Fausto e Silviano Santiago, Ricardo Semler. Convenhamos, é um time respeitável. Além deles, Thaís Nicoletti, Pasquale Cipro Netto e Hélio Schwarstman, ligados à Folha de S. Paulo. A coluna de João Ubaldo no Estadão de 29/05 pode ser posta na mesma contabilidade. Não cito nenhum linguista por razões óbvias.
Do outro lado estiveram Augusto Nunes, Arnaldo Jabor, Deonísio da Silva, Sérgio Duarte Nogueira, Sardenberg, Merval Pereira, Reinaldo Azevedo, o ínclito José Sarney, algumas funcionárias da VEJA (nenhum tem a ver com a coisa!) e Evanildo Bechara. Também não há nenhum linguista na tropa (nem poderia, também por razões óbvias) e nenhum representante de relevo nem sua área (de relevo análogo ao dos que estiveram do outro lado, quero dizer) - exceto Bechara. Dou-lhes o benefício da dúvida: eles podem não ter lido o livro. Foi só fofoca, conversa de compadre. E talvez alguma causa escusa.
Ferreira Gullar também esteve com eles. Falou de um livro que não existe (mas sem a classe de Borges) e invocou suas aulas de gramática, como sempre. Por esse critério, não se deveria considerar que Poema Sujo é poesia, pois não tem rimas. E o Poema enterrado? O que é aquilo? Segundo uma tese dele, talvez a melhor de todas, pode-se dizer que é uma boa idéia. Mas não é arte. Se, pelo menos, naquele último cubinho estivesse escrito "envelheça"!
As declarações de Cristóvão Buarque sobre a questão mostraram que Lula podia não saber por que demitia o então Ministro da Educação, mas o ministro devia saber muito bem por que estava sendo demitido.

Extraído do artigo Duas experiências e um livro, de Sirio Possenti.

Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de:
Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua, Os limites do discurso, Questões para analistas de discurso e Língua na Mídia.

03 junho, 2011

O gigolô das palavras

Luís Fernando Veríssimo

Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa (“Culpa da revisão! Culpa da revisão!”). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover… Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.
Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas – isso eu disse – vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.

Leitura complementar
Samba do Arnesto, de Adoniran Barbosa
Assum Preto, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
Poema às Palavras, de J. G. de Araújo Jorge
Sertão familiar, de Fernando Gurgel Filho
O colocador de pronomes, de Monteiro Lobato
Portal de Marcos Bagno (escritor, tradutor, linguista e professor da Universidade de Brasília)

17 dezembro, 2010

#ivetenojo

Fãs e anti-fãs da Ivete andaram se pegando no Twitter.
Afinal, a hashstag era para para falar mal (nojo) ou bem (entrevista no Jô) da cantora?

Cartoon do PTwitter