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12 março, 2026

Não se pode explodir o Sol

"Quando a economia global depende de um recurso centralizado e combustível, os mísseis fazem mais do que simplesmente cortar o fornecimento de energia ou interromper o transporte marítimo. Eles abalam os próprios alicerces da estabilidade global." (Greenpeace)
Não se trata apenas de emissões de carbono ou metas climáticas. Trata-se de resiliência, segurança e sobrevivência.
Eis por que uma transição descentralizada, liderada por energias renováveis, é um caminho para a proteção vital e a segurança econômica:
  1. Fortalecendo a rede: Não se pode "explodir" o Sol. É incrivelmente difícil desativar uma rede descentralizada de milhões de painéis solares em telhados. A energia distribuída é inerentemente mais resistente à sabotagem do que um punhado de usinas térmicas enormes e vulneráveis.
  2. Acabar com a dependência energética: Conflitos geram bloqueios e colapsos nas cadeias de suprimentos. Um país que produz sua própria energia a partir do sol e do vento não pode ficar refém de rotas marítimas interrompidas ou da volatilidade do mercado de petróleo.
  3. Soberania econômica: Com a disparada dos preços, as nações que dependem de combustíveis importados enfrentam uma inflação devastadora. A transição para energias renováveis ​​locais funciona como uma proteção contra os impactos de guerras, mantendo os custos previsíveis para as famílias em seus momentos de maior vulnerabilidade.
  4. Descentralização como defesa: ao eliminar os "pontos únicos de falha", garantimos que hospitais, escolas e residências possam manter o fornecimento de energia mesmo que a rede elétrica nacional esteja comprometida.
Ativistas desfraldam uma faixa em frente ao Palácio Nacional da Cultura da Bulgária. 
Com os dizeres: "Nosso Sol. Nossa Força. Nosso Futuro."
© Boris Dimitrov / Greenpeace

12 setembro, 2024

O hidrogênio verde

A cor ou ou nome "verde" costumam nos remeter a coisas benéficas ao meio ambiente e não é diferente com o hidrogênio verde, uma grande aposta para um futuro com menos uso de combustíveis fósseis e mais geração de energia limpa - portanto, melhor para o planeta.
A produção do hidrogênio verde, identificado pela sigla H2V, é feita a partir da eletrólise (reação química provocada pela passagem de uma corrente elétrica) da água, sem emissão de gás carbônico, e ele pode ser usado para vários fins, como: gerar energia elétrica; mobilidade elétrica, com veículos elétricos a célula a combustível; e produzir amônia para fabricação de fertilizantes. As fontes de energia para a produção do H2V devem ser limpas e renováveis (solar, eólica, biomassa, marés, entre outras).
Isso significa que o hidrogênio verde não esgota recursos não renováveis e não contribui para a degradação ambiental associada à extração e uso de combustíveis fósseis. Seu uso pode diversificar a matriz energética, reduzindo a dependência de fontes de energia fósseis, que são finitas e causam impactos ambientais significativos.
O que é o hidrogênio?
Um aspecto positivo do uso do hidrogênio como fonte de energia é a sua disponibilidade. Ele é o elemento químico mais comum no universo e o que possui o átomo mais simples, formado apenas por um próton e um elétron (sem nêutrons) em sua variante mais comum. Foi o primeiro elemento a ser formado logo após a explosão que deu origem ao universo, de acordo com a teoria do Big Bang, e está presente na substância mais importante para a vida, a água, e em materiais orgânicos. Sua forma em estado natural é de um gás sem cor, nem cheiro, e é simbolizado pela letra H na tabela periódica, na qual é o elemento número 1.
O hidrogênio é um combustível com alto poder calorífico, ou seja, capaz de gerar grande quantidade de energia por unidade de massa liberada na sua combustão. No entanto, por ser um gás leve e pouco denso, espalha-se com facilidade e necessita de espaços grandes para seu armazenamento ou, então, precisa ser comprimido de maneira mecânica.
Apesar de existirem depósitos de hidrogênio no subsolo, a tecnologia para sua extração ainda está em desenvolvimento. A maneira mais viável economicamente para sua obtenção é produzi-lo por métodos industriais, separando-o de outros elementos químicos. 
Por que hidrogênio "verde"?
A maneira como o hidrogênio é obtido pelo ser humano leva a diferentes classificações de acordo com a forma como ele é produzido, sendo cada classificação identificada por uma cor (cinza, preto, rosa etc.) - lembrando, mais uma vez, que o hidrogênio não tem cor e que os nomes são usados na indústria e na academia para se referir ao método como ele é obtido.
Quanto ao hidrogênio "verde" (H2V), é formado a partir da separação dos dois átomos de hidrogênio que estavam unidos a um de oxigênio para formar a molécula da água (H2O, lembram?). A esse processo de separação, feito com o uso de uma fonte de energia elétrica, dá-se o nome de eletrólise. No caso do hidrogênio verde, para que ele possa receber essa classificação, a fonte de energia deve ser renovável - como a eólica, solar, das marés ou de biomassa - e limpa, sem emitir gases causadores do efeito estufa (gás carbônico, monóxido de carbono, dióxido de carbono, entre outros), o que faz sua produção ser "carbono zero" do início ao fim.


O Brasil tem potencial para produzir hidrogênio verde?
O Brasil é visto hoje como um país com grande potencial para produzir hidrogênio verde, por possuir grandes reservas hídricas e potencial para exploração das energias eólica e solar - aproximadamente 83% da energia elétrica do país é obtida por meio de fontes renováveis (hídrica, solar e eólica, principalmente), bem acima da média mundial (29%), de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do governo federal.
O Brasil também possui uma das maiores produções agrícolas do mundo, o que significa disponibilidade de biomassa residual, como bagaço de cana-de-açúcar e resíduos agrícolas, que podem ser usados para produzir hidrogênio através de processos de gaseificação ou reforma a vapor. E o País já possui uma indústria estabelecida de biocombustíveis, como o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. Essa expertise pode ser transferida para a produção de hidrogênio verde a partir de fontes renováveis.
O potencial brasileiro tem chamado a atenção de outros países, e o resultado é visto no apoio à pesquisa brasileira sobre hidrogênio verde. Em 25 de agosto de 2023, entrou em operação a primeira usina de hidrogênio verde de Santa Catarina, localizada no Laboratório Fotovoltaica da UFSC, em Florianópolis.
Extraído de: Já ouviu falar no hidrogênio verde?, por Felipe Silva. IFSC Verifica

28 setembro, 2021

A estocagem de energia eólica

Maior produtor de energia eólica do país, o Rio Grande do Norte deverá estocar energia produzida pelo vento. O governo do Estado assinou protocolo para isso com a empresa EV Brasil Consultoria na terça-feira passada (21). Um documento que prevê a instalação de um projeto de armazenamento de energia verde em larga escala - o primeiro do tipo no país e na América Latina. 
A estrutura deverá ter 120 metros de altura e, quando concluída, terá capacidade de armazenar aproximadamente 400 megawatts de energia, o que representa quase 10% da atual capacidade de produção de energia eólica do Estado.
Veja o passo a passo de como funcionará:
  • A energia elétrica - que a estrutura quer armazenar - é injetada em um motor;
  • Com uso de cabos de aço, esse motor levanta blocos de concreto que pesam de 30 a 35 toneladas;
  • Esses blocos são empilhados em uma torre de até 120 metros de altura, onde podem ficar por tempo indeterminado;
  • Para usar a energia armazenada (gravitacional) e jogá-la no sistema, os blocos começam a ser baixados da torre;
  • O cabo de aço, por sua vez, está ligado a um gerador de energia elétrica, no topo da torre. Conforme ele se movimenta, com o peso do bloco, o gerador volta a criar energia elétrica, que é jogada de volta à rede nacional de energia.
A tecnologia substitui baterias químicas, que não duram tanto tempo (35 anos) e podem gerar resíduos tóxicos para o meio ambiente.

Fonte: G1

Relacionadas: [1] [2]

17 junho, 2021

Hidrogênio verde: a energia do futuro

O hidrogênio é o elemento químico mais abundante do universo. As estrelas, como o nosso Sol, são formadas principalmente por esse gás, que também pode assumir o estado líquido.
O hidrogênio é muito poderoso: tem três vezes mais energia do que a gasolina.
Mas, ao contrário desta, é uma fonte de energia limpa, uma vez que só libera água (H2O), na forma de vapor, e não produz dióxido de carbono (CO2).


No entanto, embora existam há muitos anos tecnologias que permitem usar o hidrogênio como combustível, há várias razões pelas quais até agora ele só foi usado em ocasiões especiais (como para impulsionar as espaçonaves da Nasa, a agência espacial americana).
Uma delas é que é considerado perigoso por ser altamente inflamável — por isso, transportá-lo e armazená-lo com segurança é um grande desafio. Mas um obstáculo ainda maior tem a ver com as dificuldades para produzi-lo.
Na Terra, o hidrogênio só existe em combinação com outros elementos. Ele está na água, junto ao oxigênio, e se combina com o carbono para formar hidrocarbonetos, como gás, carvão e petróleo. Portanto, o hidrogênio precisa ser separado de outras moléculas para ser usado como combustível. E conseguir isso requer grandes quantidades de energia, além de ser muito caro.
Até agora, os hidrocarbonetos eram usados para gerar essa energia, então a produção de hidrogênio continuava a poluir o meio ambiente com CO2. Há alguns anos, contudo, o hidrogênio começou a ser produzido a partir de energias renováveis, como solar e eólica, por meio de um processo chamado eletrólise.
A eletrólise usa uma corrente elétrica para dividir a água em hidrogênio e oxigênio em um dispositivo chamado eletrolisador.
O resultado é o chamado hidrogênio verde, que é 100% sustentável, mas muito mais caro de se produzir do que o hidrogênio tradicional.
No entanto, muitos acreditam que ele pode oferecer uma solução ecológica para algumas das indústrias mais poluentes.

Extraído de: http://www.bbc.com

O otimismo em torno do que a revista Forbes chamou de "a energia do futuro" está relacionado a uma série de megaprojetos que estão sendo planejados ao redor do mundo. Seis países estão desenvolvendo esses maiores projetos de produção de hidrogênio verde: Austrália, Holanda, Alemanha, China, Arábia Saudita e Chile.

23 março, 2021

A energia que não somos eficazes em liberar. Felizmente

"Nos termos mais simples, o que a equação E = mc2 diz é que massa e energia possuem um equivalência. São duas formas da mesma coisa: energia é matéria liberada; matéria é energia esperando acontecer. Como c2 (a velocidade da luz vezes ela mesma) é um número realmente enorme, o que a equação está dizendo é que existe uma quantidade gigantesca - uma quantidade descomunal - de energia encerrada em cada objeto material.

Você pode não se sentir um sujeito fortão, mas caso seja um adulto de tamanho normal, conterá dentro de seu corpo modesto nada menos que 7 x 1018 joules de energia potencial - suficientes para explodir com a força de trinta bombas de hidrogênio grandes, supondo que você saiba como liberá-los e tenha vocação para homem-bomba

Tudo no mundo encerra esse tipo de energia. Só não somos muito eficazes em liberá-la. Mesmo uma bomba de urânio - o artefato mais energético já produzido - libera menos que 1% da energia que poderia liberar se fõssemos mais espertos."

Bryson, Bill. Breve história de quase tudo. Companhia das Letras, 2005. p. 132


28 dezembro, 2020

Energias renováveis

Por que as energias renováveis se tornaram tão baratas tão rápido? E o que podemos fazer para usar essa oportunidade global de crescimento verde?
por Max Roser, Our World in Data
RESUMO
01/12/2010 - Para que o mundo faça a transição para a eletricidade de baixo carbono (low-carbon), a energia dessas fontes precisa ser mais barata do que a eletricidade proveniente de combustíveis fósseis.
Os combustíveis fósseis dominam o fornecimento global de energia porque, até muito recentemente, a eletricidade proveniente de combustíveis fósseis era muito mais barata do que a eletricidade proveniente de fontes renováveis. Isso mudou dramaticamente na última década. Na maioria dos lugares do mundo, a energia de novas fontes renováveis é agora mais barata do que a energia de novos combustíveis fósseis.
O driver fundamental dessa mudança é que as tecnologias de energia renovável seguem curvas de aprendizado, o que significa que, a cada duplicação da capacidade instalada cumulativa, o preço cai na mesma fração. O preço da eletricidade proveniente de fontes de combustível fóssil, entretanto, não segue as curvas de aprendizado, de modo que devemos esperar que a diferença de preço entre os combustíveis fósseis caros e as renováveis baratas se torne ainda maior no futuro.


Este é um argumento para grandes investimentos na ampliação de tecnologias renováveis na atualidade. O aumento da capacidade instalada tem a conseqüência positiva extremamente importante de baixar o preço e, assim, tornar as fontes de energia renováveis mais atraentes, ainda mais cedo. Nos próximos anos, a maior parte da demanda adicional por nova eletricidade virá de países de baixa e média renda; temos a oportunidade agora de garantir que grande parte do novo fornecimento de energia será fornecido por fontes de baixo carbono.
A queda dos preços da energia também significa que a renda real das pessoas aumenta. Os investimentos para aumentar a produção de energia com energia elétrica barata de fontes renováveis são, portanto, não apenas uma oportunidade para reduzir as emissões, mas também para alcançar mais crescimento econômico - especialmente para os lugares mais pobres do mundo.

Grato a Nelson José Cunha que me sugeriu a leitura deste trabalho (de republicação livre).

18 setembro, 2016

Uma comparação da energia liberada por diversos terremotos



Aqui temos uma comparação gráfica animada da energia liberada por diversos terremotos ao longo da história em que cada magnitude é 32 vezes maior do que a anterior, de modo que um terremoto de magnitude 6, por exemplo, libera 32 vezes mais energia do que um de magnitude 5 e 1024 vezes mais energia do que outro de magnitude 4.
Na animação do vídeo podemos ver representada na superfície dos círculos a quantidade de energia liberada pelo devastador terremoto de 7.0 do Haiti (2010), que não liberou tanta energia como outros maiores, mas que resultou muito destrutivo pela precariedade das construções e pelos efeitos pós-terremoto (falta de água e alimentos etc). Também estão no vídeo os terremotos de 7.8 na Indonésia (2010) e o de 8.2 no Chile, ante os quais outros terremotos parecem "fichinhas".
Mas as comparações não acabam aí: todos eles são modestos em comparação com o terremoto de 9.0 do Japão, em Tohoku (2011), cujo tsunami provocou o desastre de Fukushima, e o de 9.1 do Índico, em Sumatra e Indonésia (2004), que também provocou outro tsunami devastador.
Porém maiores, muito maiores, foram o terremoto de 9.2 no Alaska (1964), em que morreram mais de cem pessoas, e o terremoto de 9.5 de Valdívia, no Chile (1960), que, causou cerca de 2.000 vítimas, além de enormes perdas materiais.

28 março, 2016

Não se pode ter tudo

O Wall Street Journal publicou uma interessante infografia sobre as fontes de energia, sua capacidade e densidade energéticas, tudo isso aplicado aos aparelhos que nos rodeiam. Que explica como a bateria de lítio de um telefone móvel, que normalmente dura 15 horas (com sorte), poderia durar 3 dias se alimentada com gás natural, 8 dias com carvão e 9 dias queimando a gordura do corpo (prático!).

Mas a solução mais radical para aumentar a duração da bateria seria a utilização de uma bateria de urânio: a densidade energética do U-235 é tal que, grosso modo, proporcionaria uns 12 milhões de dias (cerca de 32 mil anos) de funcionamento para um telefone celular continuamente ligado. No modo de espera, o funcionamento duraria mais 500 mil anos. Mesmo aqueles que falam muito ao telefone celular considerariam esses valores satisfatórios, suponho.
Por desgraça, encaixar uma bateria como esta em um telefone móvel, com tudo o que é necessário para operar o invento, seria bastante complicado. Isso para não falar dos «pequenos efeitos secundários», como a provável morte do usuário pela radioatividade emitida.
Seria o iPhone ou a vida, não se pode ter tudo.

As baterias humanas | Dicas de "jeitologia" | O lítio | O NoPhone | A hidrelétrica de bolso | Carregando...

22 fevereiro, 2016

Os seres humanos são como lâmpadas

É a tese que o Prof. Peter Hoffman defende em seu livro Life's Ratchet: How Molecular Machines Extract Order from Chaos.
Nela, ele diz que os seres humanos normalmente comem cerca de 2.500 calorias por dia.
Professor Hoffman, que é um físico, passa a fazer alguns cálculos rápidos. Se uma caloria de comida é igual a 4.184 joules de energia, 2.500 calorias então correspondem a 10.460.000 joules. Parece muito, não? Mas, se você dividir esses joules pelo número de segundos de um dia (86.400), em que 1 joule por segundo = 1 watt, encontrará o valor aproximado de 120 watts por dia.
Em outras palavras, isso é tudo de que eu preciso preciso para sonhar, acordar, tomar banho, vestir-me, ir ao trabalho, andar até um restaurante, pedir uma salada etc. Posso ligar todos os meus trilhões de células com a mesma energia com que acendo uma lâmpada de 120 watts.

Gente é para brilhar

16 outubro, 2015

Reino Unido vai usar ar líquido para estocar energia

por José Tadeu Arantes, 04/06/2014
Agência FAPESP – O Reino Unido vai utilizar ar líquido para estocar energia proveniente de fontes renováveis (solar e eólica). O método, já testado em planta-piloto, deverá entrar em escala comercial em 2018.
Segundo os responsáveis pelo projeto, a proposta é contribuir para a superação de altos e baixos no abastecimento provocados pela intermitência das fontes renováveis. Estocada em ar líquido, a energia estaria disponível para o consumo mesmo em dias nublados ou de calmaria.
O projeto foi explicado pelo professor Richard Williams, pró-reitor e diretor da Faculdade de Engenharia e Ciências Físicas da University of Birmingham, no Reino Unido, em palestra na FAPESP, durante o evento "UK-Brazil interaction meeting on cooperation in future energy system innovation", realizado para promover a cooperação científica entre pesquisadores brasileiros e britânicos na inovação de sistemas de energia.
Processo deverá otimizar utilização de fontes 
renováveis como a solar e a eólica, reduzindo 
os efeitos da intermitência no abastecimento 
da rede elétrica
"Uma planta-piloto de 350 quilowatts (kW) encontra-se em funcionamento, conectada à rede elétrica do Reino Unido, há três anos. Essa unidade está sendo, agora, transferida para a University of Birmingham como uma plataforma de testes. E o governo disponibilizou um financiamento de £ 8 milhões para que uma unidade de demonstração, de 5 megawatts (MW), esteja operacional em meados de 2015. Tudo isso para que tenhamos a opção comercial da estocagem de energia em ar líquido até 2018”, disse Williams à Agência FAPESP.
O princípio físico do processo é relativamente simples. Setecentos e dez litros de ar, resfriados a menos 196 graus Celsius, dão origem a um litro de ar líquido. Esse ar líquido pode ser estocado e, posteriormente, quando entra em contato com uma fonte térmica, volta a se expandir. A expansão do ar é utilizada, então, para movimentar uma turbina, convertendo a energia mecânica em energia elétrica.
A liquefação do ar é uma forma de estocar a energia proveniente de fontes intermitentes, como a solar e a eólica, assegurando que a rede não sofra decréscimo de fornecimento nos momentos de menor insolação ou de redução no regime dos ventos.
De acordo com Williams, dessa forma, otimizando a utilização de fontes renováveis, a estocagem criogênica (que utiliza temperaturas muito baixas) passa a ser uma importante peça na política britânica de descarbonização da matriz energética.
"O ar líquido para armazenamento de energia torna-se mais eficiente acima de 10MW, de modo que não é apropriado para uso em edifícios isolados, mas bastante adequado na escala que vai do bairro ou do parque industrial à cidade. Já no âmbito dos transportes, uma possibilidade é seu emprego em soluções de tecnologia híbrida, para aumentar a eficiência de motores diesel, em caminhões ou balsas de curto percurso, por exemplo", disse Williams.
Eleita “universidade do ano” pelos periódicos The Times e The Sunday Times, a University of Birmingham tem entre suas prioridades atuais a criação de soluções inovadoras a partir do conceito de sustentabilidade.

Ler este artigo na íntegra no site da Agência FAPESP

Post relacionado: A estocagem de ar em parques eólicos


10 outubro, 2015

A estocagem de ar em parques eólicos

Como fonte de energia o vento apresenta um monte de benefícios. É um recurso renovável alimentado pela fornalha de nosso planeta, o sol. Ele gera eletricidade sem produzir gases do efeito estufa. E não está associado a subprodutos tóxicos como o mercúrio e os resíduos radioativos.
Infelizmente, a energia eólica tem algumas desvantagens que dificultam a sua utilização. Primeiro, o vento não sopra o tempo todo. E, às vezes, ele sopra mais do que é preciso.
Mas...
Se você pudesse armazenar o excesso de energia nos parques eólicos para que ela pudesse ser usada depois?
Essa é a ideia por trás do Parque de Energia Armazenada de Iowa (Iowa Stored Energy Park, ISEP). O "P" originalmente significava "Planta", mas foi alterado para "Park" quando a organização foi criada em 2005.
Neste caso, a energia é armazenada como ar comprimido e a unidade de armazenamento não é uma bateria, mas a própria Terra. Não é ficção científica. Na verdade, a tecnologia do Armazenamento de Energia de Ar Comprimido (Compressed Air Energy Storage, CAES) recebe há muito tempo a atenção de ambientalistas e especialistas em energia renovável, em sua busca de soluções ecológicas para a substituição dos combustíveis fósseis.
O ISEP é baseado em duas instalações bem-sucedidas de CAES, já em operação – uma em Huntorf, Alemanha, operado pela Nordwest Deutsche Kraftwerke desde 1978; e outra, em McIntosh, Alabama, operado pela Cooperativa Eléctrica de Alabama desde 1991. Ambas realizam a estocagem de ar comprimido. A planta Huntorf usa cavernas de sal como reservatório de armazenamento. A planta McIntosh usa minas preexistentes.
O ISEP leva isso um passo adiante, combinando o vento – fonte de energia limpa, sustentável – com a armazenagem subterrânea de ar (em um aquífero). A gravura abaixo apresenta de forma resumida a planta do ISEP.


http://science.howstuffworks.com/environmental/green-science/iowa-stored-energy-park.htm

04 fevereiro, 2015

O potencial de energia solar no Norte da África

Que parte da Terra teríamos de cobrir com painéis solares para abastecer o planeta inteiro de eletricidade?
Não muito, na verdade...


Figura - Espaços necessários para atender as demandas de eletricidade pela Terra, Europa (EU-25) e Alemanha. Tese de Nadine May (página 12)

07/02/2015 - Atualizando...
Veja a maior usina de energia solar do mundo.

22 outubro, 2014

O homem e a lesma do mar

1 "O fenômeno (respiração) desenvolve-se em quatro grandes palcos: o meio ambiente, as entradas e as saídas do corpo humano (pulmões, tubo digestivo e rins), a circulação, e as células, representadas pelas mitocôndrias.
No meio ambiente, seis moléculas de água juntam-se a seis moléculas de CO2 para formar uma molécula de glicose. Esta reação, bem conhecida como fotossíntese, só ocorre em presença de energia solar e ao nível de folhas verdes. A importância ímpar da fotossíntese reside no fato de que, ao se formar a molécula de glicose, uma parcela da energia solar é nela envolucrada. E o oxigênio, simultaneamente produzido, é a "chave" que assegura a oportuna abertura deste envólucro.
No pulmão dá-se a captação do oxigênio, produzido pela fotossíntese, e a sua transposição para o sangue. No tubo digestivo dá.se a captação da glicose, também produzida pela fotossíntese, e a sua transferência, também para o sangue.
Cabe ao aparelho circulatório, na terceira etapa do processo, levar o oxigênio e a glicose a todas as células do organismo.
Ao nível das células, no interior das mitocôndrias, uma molécula de glicose e seis moléculas de oxigênio reagem entre si. Nesta reação, abre-se a molécula de glicose e dela sai a energia solar de que era portadora.
Os subprodutos da reação mitocondrial, seis moléculas de CO2, e seis moléculas de água, são apanhadas pelo sangue e, através, respectivamente, dos pulmões e dos rins, retornam ao meio ambiente para iniciar uma nova reação de fotossíntese.
O processo respiratório, como acima se resume, é o processo escolhido pela Criação para fazer de cada um de nós uma máquina biológica movida a energia solar." – Mario Rigatto

Extraído de Os seis corações do homem: Um ensaio, Publicações SBC



2 Esta lesma do mar é movida a energia solar.
Ela come algas e incorpora os cloroplastos das algas em seus próprios tecidos.
Eventualmente, ela para completamente de comer e passa a viver às custas (leia-se: diretamente) da energia solar.

03 setembro, 2013

A escova de dentes elétrica inversa

Em setembro deo 2011, foi patenteado pela Colgate-Palmolive Company (New York) um "instrumento de higiene bucal com captação de energia mecânica".
Patent No.: US 8,261,399 B2
Date of Patent: Sep 11, 2012

É um instrumento que, através de dispositivos piezoelétricos, gera eletricidade a partir das tensões da escovação sobre a cabeça da escova e as cerdas. Desta forma, a escova não apenas pode fornecer energia necessária a circuitos internos, LEDs etc. da escova, como também é capaz (pelo menos teoricamente) de descarregar a  energia acumulada em uma rede elétrica - e assim contribuindo para a oferta de eletricidade no país.



Conclusão
Escovar os dentes com uma escova do tipo, além de combater a placa dental e as cáries, pode ser uma ajuda valiosa para evitar o apagão elétrico.



08 julho, 2013

O reator nuclear do Gabão

Situação geológica no Gabão levando a reação de fissão nuclear:
1. 
Zonas de reação 2. Arenito 3. Camada de urânio 4. Granito. 

Fonte: Departamento de Energia dos EUA
Dois bilhões de anos atrás, onde é hoje o Gabão, na África Ocidental, a água se infiltrou no arenito e inundou uma camada de minério de urânio, dando início a uma reação nuclear em cadeia. Quando o depósito de urânio aqueceu, evaporando a água, a reação arrefeceu; quando esfriou, ao retornar a água, o ciclo recomeçou.
O resultado foi o surgimento de um reator nuclear natural e auto-sustentável que, por centenas de milhares de anos, gerou em média 100 quilowatts de energia.
Foi o físico francês Francis Perrin que descobriu o fenômeno em Oklo, em 1972. Tanto quanto sabemos só temos evidência desse reator natural no Gabão, mas é possível que, ao longo da história da Terra, outros tenham se formado e operado em outras locais.

19 novembro, 2012

Imagine... (2)

Nelson Cunha, por iPad
Nada de fotografia!
O futuro do narcisismo é a foto em 3D. Vivemos a época das celebridades onde todos querem alcançar a fama. Olha o sucesso do Facebook.
Não há mais intimidade e já fui obrigado a ver foto de um amigo sentado no trono higiênico.
Imagine agora se resolverem me mandar suas respectivas estátuas?
Já vou avisando, se mandarem, vou retribuir com minha imagem em ereção (enquanto houver).

A famosa fórmula matemática que deu notoriedade a Einstein (E=mc2), onde " m" é massa e "c" a velocidade da luz, dá para avaliar o enorme consumo de energia (E) nas sociedades modernas. Por essa fórmula, se transformássemos um grama de matéria em energia, poderíamos obter uma explosão equivalente a 67 caminhões carregados com dinamite.
O artefato que faz essa conversão é a bomba de hidrogênio, embora com pouquíssima eficiência. Ela consegue extrair da matéria no máximo 1% da energia contida.
Imagine se transformássemos toda a massa de um Fiat Uno (810 kg) em energia?
Pois esse é o dispêndio energético durante um ano apenas nos Estados Unidos, país que representa 20% do PIB mundial.

Arquivo
O primeiro Imagine...

14 junho, 2012

Mortalidade de pássaros por causas antropogênicas

Um estudo conduzido por Wallace P.Erickson e colaboradores, em 2002, estimou que entre 500 milhões e 1 bilhão de pássaros são mortos anualmente nos Estados Unidos da América por causas antropogênicas. Estas causas incluem edifícios (58,2%), fios de eletricidade (13,7%), veículos terrestres (8,5%), torres de comunicação (0,5%), aviões (0,01%) e turbinas eólicas (0,01%) contra os quais as aves se chocam. Também constam da relação: a predação por gatos (10,6%), o uso de pesticidas (7,1%) e outros causas menos frequentes.
Esse estudo é uma referência para o assunto. Observar que a morte de pássaros causada pelas hélices dos aerogeradores embora represente menos de 0,01 por cento dos casos, em número absoluto representa mais de 26 mil aves mortas nos EUA, anualmente. Para o Brasil, que já ocupa o 21º lugar no ranking da energia eólica, não há uma estatística disponível.
Contudo, há medidas que podem reduzir esta última causa de mortalidade aviária. Uma delas é não instalar aerogeradores nas rotas migratórias dos pássaros.

A Summary and Comparison of Bird Mortality from Anthropogenic Causes with an Emphasis on Collisions by Wallace P. Erickson, Gregory D. Johnson, and David P. Young Jr.

06/08/2012 - Atualizando...
Aldeias galesas x Empresas de energia eólica. Clique aqui.

25/05/2015 - Atualizando...
A turbina eólica sem hélices. A Vortex Bladeless é tão mais barata e ambientalmente benéfica que representa 40% a menos nos custos para sua produção de energia. As despesas operacionais do sistema também são 50% menores. Para o futuro, a companhia pretende acoplar placas solares às turbinas, para maximizar a produção e criar modelos para a produção eólica offshore. Além de todas essas vantagens, seu design evita acidentes com aves já que não possui hélices como os modelos normais.

06 março, 2012

Uma energia gerada nas alturas

Paulo,
Uma grande ideia para o Ceará, a terra da luz e dos ventos.
O mesmo vento que levanta as saias femininas (e por via de consequência carrega as pilhas masculinas) pode também levantar as pipas e carregar as baterias. Sabe-se que os ventos são mais constantes e poderosos numa altura em que seria impraticável captá-los com torres e rotores convencionais. Pois uma empresa californiana, inspirada nas prosaicas pipas, achou uma nova maneira de aproveitá-los. Colocando turbinas em pipas especiais e, pelo próprio cabo que as prende, mandando para baixo a energia gerada nas alturas.
Como sou pretencioso, sugiro que o inventor acrescente na pipa uma antena de celular para que possa me creditar uma modesta quantia mensal e vitalícia pela divulgação da ideia.
Nelson Cunha
- A ser repartida fifty to fitty com o editor do blogue, não é Nelson?

Postagens eólicas: O vento pontual, A origem dos ventos, A Praça e o Vento e A Ciência e a Tecnologia

13 junho, 2011

Catracas!

Um projeto desenvolvido por alunos da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) quer transformar as catracas do metrô paulistano em fontes de energia limpa.
Geradores elétricos captariam a energia cinética (de movimento) das catracas, por onde passam 2,5 milhões de pessoas diariamente, e a converteriam em eletricidade. “Assim como a água que passa pelas turbinas de uma hidrelétrica gera energia, as pessoas que passarão pelas catracas terão os seus movimentos transformados em eletricidade", explica Renato, um dos autores do projeto.
A escolha de estações de metrô se deu justamente por serem lugares onde transitam milhões de pessoas. Se aprovada, a mesma técnica será expandida para catracas de estádios e outros locais que recebem grandes públicos em eventos esportivos ou artísticos.

Green Pass
Já se usa na China o Green Pass, uma catraca self-powered. Por não precisar de alimentação externa para o leitor de cartão, o contador de moedas e outros dispositivos, é uma catraca que economiza energia.