"Para muitos mamíferos, uma economia de energia de 7 a 13 por cento não seria muito importante", diz Cliffe. De fato, outros mamíferos que não possuem órgãos ancorados, como os macacos bugios, regularmente se penduram de cabeça para baixo sem que isso lhes traga problemas. A diferença é que "as preguiças não têm praticamente nenhuma flexibilidade em seu balanço de energia. De sua dieta, elas geram a energia suficiente para se mover quando e onde for necessário, mas não há muitas sobras energéticas. Para uma preguiça, uma economia de energia de 7 a 13 por cento é, portanto, uma grande economia". Elas também levam muito tempo para digerir a comida e só urinam e defecam uma vez por semana. Na maioria das vezes, a preguiça está a transportar um terço de seu peso corporal como resíduos, o que significa que seu estômago e seus intestinos são muito pesados. "Seria energeticamente muito caro, se não completamente impossível, para uma preguiça transportar esse peso extra e ao mesmo tempo respirar, se não fossem as aderências que apresentam", diz Cliffe.How Sloths Breathe Upside Down, Neatorama
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05 novembro, 2014
Respirando de cabeça para baixo
Preguiças passam muito tempo penduradas em galhos de árvores, muitas vezes de cabeça para baixo. Em outros animais, isso faria com que os órgãos intra-abdominais pressionassem para baixo o diafragma, tornando a respiração difícil. Mas as preguiças desenvolveram a sua própria solução. Rebecca Cliffe, da Universidade de Swansea, que estuda esses animais na Costa Rica e que tem feito muitas dissecações de preguiças mortas, encontrou o que realmente acontece com elas: seus órgãos internos do abdome são mantidos no lugar por estranhas aderências fibrosas. As preguiças, portanto, têm essa "fita adesiva" natural que facilita a respiração entre 7 e 13 por cento.
22 outubro, 2014
O homem e a lesma do mar
1 "O fenômeno (respiração) desenvolve-se em quatro grandes palcos: o meio ambiente, as entradas e as saídas do corpo humano (pulmões, tubo digestivo e rins), a circulação, e as células, representadas pelas mitocôndrias.
No meio ambiente, seis moléculas de água juntam-se a seis moléculas de CO2 para formar uma molécula de glicose. Esta reação, bem conhecida como fotossíntese, só ocorre em presença de energia solar e ao nível de folhas verdes. A importância ímpar da fotossíntese reside no fato de que, ao se formar a molécula de glicose, uma parcela da energia solar é nela envolucrada. E o oxigênio, simultaneamente produzido, é a "chave" que assegura a oportuna abertura deste envólucro.
No pulmão dá-se a captação do oxigênio, produzido pela fotossíntese, e a sua transposição para o sangue. No tubo digestivo dá.se a captação da glicose, também produzida pela fotossíntese, e a sua transferência, também para o sangue.
Cabe ao aparelho circulatório, na terceira etapa do processo, levar o oxigênio e a glicose a todas as células do organismo.
Ao nível das células, no interior das mitocôndrias, uma molécula de glicose e seis moléculas de oxigênio reagem entre si. Nesta reação, abre-se a molécula de glicose e dela sai a energia solar de que era portadora.
Os subprodutos da reação mitocondrial, seis moléculas de CO2, e seis moléculas de água, são apanhadas pelo sangue e, através, respectivamente, dos pulmões e dos rins, retornam ao meio ambiente para iniciar uma nova reação de fotossíntese.
O processo respiratório, como acima se resume, é o processo escolhido pela Criação para fazer de cada um de nós uma máquina biológica movida a energia solar." – Mario Rigatto
2 Esta lesma do mar é movida a energia solar.
Ela come algas e incorpora os cloroplastos das algas em seus próprios tecidos.
Eventualmente, ela para completamente de comer e passa a viver às custas (leia-se: diretamente) da energia solar.
No meio ambiente, seis moléculas de água juntam-se a seis moléculas de CO2 para formar uma molécula de glicose. Esta reação, bem conhecida como fotossíntese, só ocorre em presença de energia solar e ao nível de folhas verdes. A importância ímpar da fotossíntese reside no fato de que, ao se formar a molécula de glicose, uma parcela da energia solar é nela envolucrada. E o oxigênio, simultaneamente produzido, é a "chave" que assegura a oportuna abertura deste envólucro.
No pulmão dá-se a captação do oxigênio, produzido pela fotossíntese, e a sua transposição para o sangue. No tubo digestivo dá.se a captação da glicose, também produzida pela fotossíntese, e a sua transferência, também para o sangue.
Cabe ao aparelho circulatório, na terceira etapa do processo, levar o oxigênio e a glicose a todas as células do organismo.
Ao nível das células, no interior das mitocôndrias, uma molécula de glicose e seis moléculas de oxigênio reagem entre si. Nesta reação, abre-se a molécula de glicose e dela sai a energia solar de que era portadora.
Os subprodutos da reação mitocondrial, seis moléculas de CO2, e seis moléculas de água, são apanhadas pelo sangue e, através, respectivamente, dos pulmões e dos rins, retornam ao meio ambiente para iniciar uma nova reação de fotossíntese.
O processo respiratório, como acima se resume, é o processo escolhido pela Criação para fazer de cada um de nós uma máquina biológica movida a energia solar." – Mario Rigatto
2 Esta lesma do mar é movida a energia solar.
Ela come algas e incorpora os cloroplastos das algas em seus próprios tecidos.
Eventualmente, ela para completamente de comer e passa a viver às custas (leia-se: diretamente) da energia solar.
01 agosto, 2013
A principal função da circulação é a respiração
Mario Rigatto
A ideia de que o aparelho circulatório serve, eminentemente, a uma função respiratória não é do agrado dos cardiologistas. Segundo tenho verificado, para eles, a função maior do aparelho circulatório é fazer o sangue circular. O que, em princípio, está certo. Mas dentro da hierarquia das coisas que circulam com o sangue, não me sobram dúvidas de que são as exigências do transporte das matérias primas da respiração que determinam a bioengenharia do aparelho circulatório.
A proposição de que o aparelho circulatório serve mesmo é para respirar, aumenta o meu débito para com os cardiologistas. Débito que se iniciou, há alguns anos, com uma outra proposição que lhes submeti à apreciação: a de que a sede anatômica do amor não é o coração mas, muito mais provavelmente, o pulmão.
Esta proposição inquietou duplamente os especialistas do coração: pelo fato em si e por suas repercussões econômicas. Uma das justificativas para a consulta dos cardiologistas ser um pouco mais cara do que as dos demais especialistas da Medicina Interna, deve-se ao fato de terem eles sob sua responsabilidade, além do centro da circulação, o centro do amor.
Os argumentos que apresentei, no entanto, abalaram os meus companheiros de especialidade:
"O que pode o amor fazer ao coração?" perguntava-lhes eu. "Acelerar a freqüência de seus batimentos?". " Vejam em contraste, a riqueza das manifestações afetivas do pulmão: é com o pulmão que rimos, é com o pulmão que choramos, é com o pulmão que suspiramos; é do pulmão que saem todas as interjeições afetivas; e todos os ais de amor". E, completava: "O que pode uma discreta taquicardia sinusal, quando comparada à respiração arfante de uma mulher apaixonada?".Não obstante o desassossego que causa, a proposição de que a circulação serve primariamente para respirar é, também, irretorquível.
Se nós pararmos o aparelho circulatório, morreremos em quatro minutos, por falta de oxigênio. Se por um passe de mágica, com o aparelho circulatório parado, conseguirmos oferecer oxigênio a todas as células do organismo, morreremos em onze minutos, por excesso de CO2. Falta de oxigênio e excesso de CO2 são marcas registradas de insuficiência respiratória. Se num segundo lance de mágica, com a circulação parada, removermos o CO2, em excesso, morreremos em três semanas, por acúmulo de catabolitos. Uma demonstração eloquente da primazia dada pelo aparelho circulatório às suas funções respiratórias.
[...]
Referência: Os seis corações do homem: Um ensaio, Publicações SBC
09 maio, 2013
Uma rota metabólica diferente
Este animal de aparência estranha é a tartaruga chinesa de casco mole. Bem adaptada à vida na água, ela vive em pântanos salgados.
Sua fisionomia faz lembrar o focinho de um porco, colado no rosto de um peixe cuja textura é o da pele escrotal. Mas essa aparência bizarra não é nada em comparação com um detalhe ainda mais bizarro, que foi recentemente descoberto, na Pelodiscus sinensis (o nome científico dela).
Esta tartaruga expele um de seus resíduos através da boca.
Quando metaboliza as proteínas em seu fígado, ela produz uma grande quantidade de nitrogênio que é expulsa do seu corpo em forma de ureia. Os seres humanos também produzem ureia a partir das proteínas, e se livram deste metabólito através da urina.
A tartaruga de casco mole, porém, tem uma rota totalmente diferente para eliminar a ureia. Enquanto submersa, ritmicamente expande e contrai a sua boca. Por que faz isso? Shit Fun Chew (que nome, meu Deus?), da Universidade Nacional de Cingapura, notou que é desse modo que a tartaruga elimina a maior parte da ureia produzida. Utiliza-se de sua respiração branquial, em vez de fazê-lo pelos rins.
Em suma, ela pode respirar e "urinar" usando as mesmas estruturas anatômicas. E esta via oral-respiratória para se livrar da ureia é 15 a 50 vezes mais eficiente do que os seus rins.
Aparentemente, outros excrementos deixam o corpo da tartaruga de casco mole da forma habitual para outras espécies.
No ser humano, rins, pulmões, pele e intestinos são órgãos emunctórios, isto é, órgãos encarregados de excretar os resíduos de seu metabolismo. E rins e pulmões, dividindo a responsabilidade pelo equilíbrio ácido-básico do corpo, talvez estejam mais próximos em suas funções do que à primeira vista parecem. Como há tempos já sacou a tartaruga chinesa.
Sua fisionomia faz lembrar o focinho de um porco, colado no rosto de um peixe cuja textura é o da pele escrotal. Mas essa aparência bizarra não é nada em comparação com um detalhe ainda mais bizarro, que foi recentemente descoberto, na Pelodiscus sinensis (o nome científico dela).
Esta tartaruga expele um de seus resíduos através da boca.
Quando metaboliza as proteínas em seu fígado, ela produz uma grande quantidade de nitrogênio que é expulsa do seu corpo em forma de ureia. Os seres humanos também produzem ureia a partir das proteínas, e se livram deste metabólito através da urina.
A tartaruga de casco mole, porém, tem uma rota totalmente diferente para eliminar a ureia. Enquanto submersa, ritmicamente expande e contrai a sua boca. Por que faz isso? Shit Fun Chew (que nome, meu Deus?), da Universidade Nacional de Cingapura, notou que é desse modo que a tartaruga elimina a maior parte da ureia produzida. Utiliza-se de sua respiração branquial, em vez de fazê-lo pelos rins.
Em suma, ela pode respirar e "urinar" usando as mesmas estruturas anatômicas. E esta via oral-respiratória para se livrar da ureia é 15 a 50 vezes mais eficiente do que os seus rins.
Aparentemente, outros excrementos deixam o corpo da tartaruga de casco mole da forma habitual para outras espécies.
No ser humano, rins, pulmões, pele e intestinos são órgãos emunctórios, isto é, órgãos encarregados de excretar os resíduos de seu metabolismo. E rins e pulmões, dividindo a responsabilidade pelo equilíbrio ácido-básico do corpo, talvez estejam mais próximos em suas funções do que à primeira vista parecem. Como há tempos já sacou a tartaruga chinesa.
This Chinese turtle urinates through its mouth (sort of), Discover Magazine
25 outubro, 2012
Viver de luz
O grande pneumologista Mario Rigatto afirmava que "os seres vivos são máquinas biológicas acionadas por energia solar até elas veiculadas pelo processo respiratório".
Em "Brejo da Cruz", Chico Buarque cantou:
Nós, seres humanos, ao contrário dos vegetais que captam diretamente a luz solar pela fotossíntese, necessitamos de cumprir certas formalidades burocráticas como respirar (o que os vegetais também fazem) e comer.
A australiana Jasmuheen, nascida Ellen Grevede Fome e vencedora do Prêmio Ig Nobel de Literatura em 2000, acha que comer não é preciso. Em seu livro "Viver de Luz", ela explica (ou tenta explicar) como é que consegue dispensar o ato de alimentar-se. Agora, numa série de vídeos postados no YouTube, ela volta a defender seu ponto de vista.
Jasmuheen não está só. Os respiratorianos também acham que apenas respirar já é o suficiente. PGCS
Em tempo
Em janeiro de 2011, na cidade de Wolfhalden, na Suíça, uma mulher morreu de fome depois de embarcar em uma dieta espiritual que exigia que ela parasse de comer e beber para viver diretamente da luz solar.
O jornal Tages-Anzeiger, que deu essa notícia, acrescentou que já houve casos semelhantes de morte por auto-inanição na Alemanha, Grã-Bretanha e Austrália.
Em "Brejo da Cruz", Chico Buarque cantou:
"A novidadeRigatto e Chico têm o respaldo da ciência e da poesia.
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz.
Alucinados,
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz."
Nós, seres humanos, ao contrário dos vegetais que captam diretamente a luz solar pela fotossíntese, necessitamos de cumprir certas formalidades burocráticas como respirar (o que os vegetais também fazem) e comer.
A australiana Jasmuheen, nascida Ellen Greve
Jasmuheen não está só. Os respiratorianos também acham que apenas respirar já é o suficiente. PGCS
Em tempo
Em janeiro de 2011, na cidade de Wolfhalden, na Suíça, uma mulher morreu de fome depois de embarcar em uma dieta espiritual que exigia que ela parasse de comer e beber para viver diretamente da luz solar.
O jornal Tages-Anzeiger, que deu essa notícia, acrescentou que já houve casos semelhantes de morte por auto-inanição na Alemanha, Grã-Bretanha e Austrália.
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