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03 outubro, 2025

Vamos ao parque

Uma meditação lírica sobre ir ao parque para brincar, que se estende a uma reflexão sobre a própria vida.


Meu primeiro grande choque cultural ao chegar na América foi que playgrounds de concreto, quadras de basquete e pequenos triângulos de grama entre ruas movimentadas tinham placas que os chamavam de "parques". De onde eu vim, um parque era um lugar de canto de pássaros e folhas farfalhantes, um lugar para passear, para se perder, para sonhar; um pedaço de maravilha no meio da cidade; um deserto de bolso. Foi em um parque que dei meus primeiros passos, dei meu primeiro beijo, me perguntei pela primeira vez por que estamos vivos.
O parque — o parque propriamente dito — como um lugar de contemplação, iluminação e descoberta ganha vida com grande emoção em We Go to the Park — o produto de uma colaboração incomum entre a autora e dramaturga sueca Sara Stridsberg e a artista italiana Beatrice Alemagna.
No alvorecer da pandemia, em meio ao cativeiro enlouquecedor do lockdown e à tempestade da incerteza, Alemagna entrou em uma espécie de transe de pintura — uma explosão de cor e sentimento canalizando suas esperanças e medos, sonhos e lembranças. (A arte de cada artista é seu mecanismo de enfrentamento — fazemos o que fazemos para nos salvar, para permanecermos sãos, para encontrar o fino cordão da graça entre nós e o mundo.)
Quando Stridsberg recebeu uma seleção dessas imagens impressionistas sem história, ela foi movida a responder com sua própria arte. Suas palavras esparsas e líricas deram coerência às imagens, fazendo delas algo incomumente adorável: parte história, parte poema, parte oração.
Alguns dizem que viemos das estrelas,
que somos feitos de poeira estelar,
que um dia surgimos no mundo
do nada.
Não sabemos.
Então vamos ao parque.
Extraído de: We Go to the Park, por Maria Popova. In: The Marginalian

30 maio, 2025

O Stonehenge brasileiro

O Brasil também possui uma estrutura megalítica comparável a Stonehenge, o famoso círculo de pedras do sul da Inglaterra. 
Localizado em Calçoene-AP, a 374 km de Macapá, a área tem sido estudada por pesquisadores e, no futuro, deverá ser transformado em um parque arqueológico aberto à visitação pública.
Destaca-se no local uma estrutura circular demarcada por 127 blocos de granito eretos, ocupando uma área de 30 metros de diâmetro, em uma região margeada por um igarapé, que deu origem ao nome de sítio arqueológico de Rego Grande. Construído há cerca de 1.100 anos, o sítio serviu de observatório astronômico e palco de rituais para os índios que habitaram a região. 
A implantação de um Parque Arqueológico do Solstício com o respectivo museu já está aprovada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

13 janeiro, 2018

Diagramas de Voronoi

Do alto de um edifício, Rod Bogart fez esta fotografia à qual acrescentou um diagrama de Voronoi das pessoas que aproveitavam o sol no Bryant Park. (*)

18 de maio de 2017, Twitter


Estes diagramas são a repartição de um plano segundo a distância euclidiana entre os pontos que existem nele. No caso de um diagrama de Voronoi de gente, a repartição maximiza o espaço ao redor de cada pessoa (ou de cada grupo de pessoas). Mais exatamente: os perímetros dos polígonos são equidistantes dos pontos vizinhos e designam suas áreas de influência.
Os diagramas de Voronoi podem ser encontrados em diversos campos da ciência e da tecnologia, até mesmo na arte, tendo inúmeras aplicações práticas e teóricas.
(*) Uma das características deste parque em Nova Iorque é o seu extenso gramado. Além de servir como "refeitório" para os trabalhadores dos escritórios da região e de lugar de descanso para os pedestres cansados, o gramado também serve como área de estar para alguns dos principais eventos do parque. O diagrama de Voronoi é assim denominado em lembrança do matemático ucraniano Georgy Voronoi que descreveu este tipo de decomposição de um espaço.

15/12/2017 - Atualizando ...
Um diagrama de Voronoi em função das estacões do Metrô de Madri, por Microsiervos

01/06/2023 - Atualizando ...
Os territórios do mundo foram redesenhados para que uma região seja determinada pela capital mais próxima. Isso é calculado usando um diagrama de Voronoi esférico, que leva em consideração a curvatura da Terra ao calcular distâncias. Via Microsiervos

11 novembro, 2016

Atração insana

Os brinquedos dos parques de diversões do início do século 20 não eram exatamente conhecidos como sendo seguros. Mas, se esta atração aterrorizante de 1919 tivesse saído do projeto, ela provavelmente teria sido o brinquedo mais perigoso já construído.
Imaginado por dois inventores de Nova Iorque, essa coisa seria, obviamente, muito mais arriscada do que brincar na Disneylândia.
A ideia?
Caçadores de emoção iriam amarrados em cadeiras pivotantes dentro de uma cápsula que parecia uma bala gigantesca. Então, aquela cápsula seria disparada por um enorme canhão - uma "arma elétrica", como eles diziam - para aterrissar numa basicamente grande taça de Martini com 100 pés de altura.
Mas não termina aí. A cápsula iria mergulhar na estrutura descrita e, através de uma enorme calha de água, cairia em um lago abaixo. Trilhos-guia e uma correia transportadora se encarregariam de enviar a cápsula de volta para onde tudo começou, e os fanáticos por emoção poderiam fazer o perigoso passeio de novo.


12 março, 2016

Mundo Stalin

Após a Lituânia recuperar a independência, a maioria das esculturas soviéticas existentes no país foram removidas e/ou demolidas. Das esculturas que permaneceram intactas, algumas foram transferidas para um parque de esculturas perto de Druskininkai, onde um empresário local, Viliumas Malinauskas, fez desses monumentos uma atração turística.
Aqui estão algumas das estátuas que se encontram no parque de esculturas Grutas, uma instituição que a maioria das pessoas chama de "Stalin World":


Por essa ideia, Viliumas foi agraciado com o Prêmio Ig Nobel da Paz de 2001.

10 outubro, 2015

A estocagem de ar em parques eólicos

Como fonte de energia o vento apresenta um monte de benefícios. É um recurso renovável alimentado pela fornalha de nosso planeta, o sol. Ele gera eletricidade sem produzir gases do efeito estufa. E não está associado a subprodutos tóxicos como o mercúrio e os resíduos radioativos.
Infelizmente, a energia eólica tem algumas desvantagens que dificultam a sua utilização. Primeiro, o vento não sopra o tempo todo. E, às vezes, ele sopra mais do que é preciso.
Mas...
Se você pudesse armazenar o excesso de energia nos parques eólicos para que ela pudesse ser usada depois?
Essa é a ideia por trás do Parque de Energia Armazenada de Iowa (Iowa Stored Energy Park, ISEP). O "P" originalmente significava "Planta", mas foi alterado para "Park" quando a organização foi criada em 2005.
Neste caso, a energia é armazenada como ar comprimido e a unidade de armazenamento não é uma bateria, mas a própria Terra. Não é ficção científica. Na verdade, a tecnologia do Armazenamento de Energia de Ar Comprimido (Compressed Air Energy Storage, CAES) recebe há muito tempo a atenção de ambientalistas e especialistas em energia renovável, em sua busca de soluções ecológicas para a substituição dos combustíveis fósseis.
O ISEP é baseado em duas instalações bem-sucedidas de CAES, já em operação – uma em Huntorf, Alemanha, operado pela Nordwest Deutsche Kraftwerke desde 1978; e outra, em McIntosh, Alabama, operado pela Cooperativa Eléctrica de Alabama desde 1991. Ambas realizam a estocagem de ar comprimido. A planta Huntorf usa cavernas de sal como reservatório de armazenamento. A planta McIntosh usa minas preexistentes.
O ISEP leva isso um passo adiante, combinando o vento – fonte de energia limpa, sustentável – com a armazenagem subterrânea de ar (em um aquífero). A gravura abaixo apresenta de forma resumida a planta do ISEP.


http://science.howstuffworks.com/environmental/green-science/iowa-stored-energy-park.htm

05 junho, 2014

Confundido com um gorila

Loro Parque, um parque de diversões localizado nas Ilhas Canárias, onde o SeaWorld cria suas orcas excedentes, parece haver se tornando um lugar perigoso para se trabalhar. Anteriormente, um de seus treinadores foi morto por uma das orcas de lá. Agora, o seu veterinário já não consegue mais distinguir um gorila de um funcionário do parque, quando este se veste com roupa de gorila.
Durante um simulacro de fuga de símio, um empregado vestiu o traje de gorila e passou a correr atabalhoadamente em um terreno para adicionar mais realismo ao evento. Aparentemente, o veterinário não sabia que era só um fingimento e alvejou o empregado com um dardo narcotizante.
O inditoso funcionário, de 35 anos, foi conduzido ao Hospital Universitário de Canárias, onde teve sérios problemas para se recuperar do disparo. Já que se tratava de uma dose planejada para deter gorilas de 180 quilos nas trilhas do parque.

Fonte: La Opinión de Tenerife (comentada)

24 janeiro, 2014

Um parque temático de robôs

Depois de anos atolados em revisões ambientais, iniciaram-se as obras do Masan Robot Land, na Coreia do Sul. Acredita-se que o empreendimento estará concluído em setembro de 2016, com a abertura do parque temático já anunciada para janeiro de 2015, previsões consideradas otimistas para um projeto que tem demorado para sair do papel.
O parque temático dos robôs terá instalações de investigação e desenvolvimento, centro de convenções, zona de exibição de robôs e outras atrações temáticas.


VAMOS AO PARQUE TEMÁTICO, DIZIAM. SERÁ DIVERTIDO, DIZIAM.
PARECE QUE NÃO APRENDEMOS NADA!

29 agosto, 2012

Caminhando e aprendendo - 14

O Parque Ecológico Olhos d'Água é um parque público ecológico e de lazer que fica localizado entre as quadras 413 e 414 da Asa Norte, do Plano Piloto de Brasília - DF.
Em seus 21 hectares de área cercada, apresenta uma pista para a prática de Cooper com 2.100 metros de extensão, um parque infantil, um circuito de exercícios físicos, bebedouros e chuveiros, além de uma trilha interna para quem deseja conhecer mais a flora e a fauna típicas do cerrado.
O parque é visitado principalmente pela comunidade do entorno que, em virtude do policiamento local, se sente em segurança para frequentá-lo.


Outras atrações do parque são: o relógio do sol (foto), com uma placa explicativa de como o mesmo funciona, e uma exposição de poemas em banners, organizada pelo site eulirico.art.br.
Pude constatar que dois poemas de autores cearenses faziam parte da exposição:

Contraste

Padre Antonio Tomás

Quando partimos no verdor dos anos,
Da vida pela estrada florescente,
As esperanças vão conosco à frente,
E vão ficando atrás os desenganos.

Rindo e cantando, célebres, ufanos,
Vamos marchando descuidosamente;
Eis que chega a velhice, de repente,
Desfazendo ilusões, matando enganos.

Então, nós enxergamos claramente
Como a existência é rápida e falaz,
E vemos que sucede, exatamente,

O contrário dos tempos de rapaz:
– Os desenganos vão conosco à frente,
E as esperanças vão ficando atrás.

UM PADRE NOSSO, blog EntreMentes
Lamento do Rio Raivoso

Roberto Pontes

Essa água
onde um tronco vai
não é água.
É sangue.
Esse rio que corre
não é rio.
É rei coroado de pontes.
Essas conchas
que servem de leito
não são ostras.
São ossos trazidos dos mangues.
Essa nascente do rio Cocó
só pode ser dois olhos
muito grandes
chorando a vida toda
por ter nascido rio
e não fuzil.

(De Contracanto. Fortaleza: SINedições, 1968)