17 julho, 2026

Estratégias da imprensa brasileira para sinalizar a censura durante a ditadura militar

Durante esse período, diversos jornais brasileiros desenvolveram estratégias criativas para sinalizar a censura sem confrontá-la diretamente. Enquanto O Estado de S. Paulo publicava receitas culinárias no lugar de notícias censuradas e a Folha de S.Paulo utilizava trechos de Os Lusíadas e outros poemas clássicos, o Diario de Pernambuco optou por uma abordagem diferente: a publicação de narrativas ficcionais sobre eventos sobrenaturais.
Fundado em 1825 e reconhecido como o jornal diário em circulação mais antigo da América Latina, o Diario de Pernambuco enfrentava dificuldades para preencher seus espaços editoriais devido ao corte sistemático de matérias pelos censores. Então, em dezembro de 1975, começou a publicar uma série de matérias relatando o suposto aparecimento de uma "perna fantasma" no bairro de Tiúma.
A criatura era descrita como uma perna humana decepada, coberta por pelos escuros e espessos, que se movia autonomamente pelas ruas da cidade, atacando transeuntes com rasteiras e chutes durante a noite. Considerada uma das lendas urbanas mais conhecidas do imaginário recifense, foi reapropriada ao longo das décadas em diversas adaptações culturais, inclusive no filme "O Agente Secreto" (2025), que a incorporou como um elemento narrativo central.
Estratégia do Pasquim 
Ao terminar a censura prévia a que estavam submetidos, os editores do semanário  O Pasquim adotaram o recurso de inserir na publicação um selo com a seguinte mensagem:

ENQUANTO VOCÊ ENCONTRAR 
ESTE SELO
O PASQUIM CONTINUA 
SEM CENSURA PRÉVIA

Era uma forma de avisar seus leitores de que estaria havendo o recrudescimento da censura.

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