19 julho, 2026

Miguel de Vasconcelos (c.1590 - 1640)

Miguel desempenhou o cargo de secretário de Estado (primeiro-ministro) de Margarida de Sabóia, duquesa de Mântua, vice-Rainha de Portugal, em nome do Rei D. Filipe III (Filipe IV de Espanha). O povo tinha-lhe ódio por, sendo português, colaborar com a representante da dominação filipina. Ele tinha alcançado, da corte castelhana de Madrid, plenos poderes para aplicar em Portugal pesados impostos, que deram origem à revolta das Alterações de Évora (Revolta do Manuelinho) e motins em outras terras do Alentejo.
Miguel foi a primeira vítima do golpe de estado de 1.º de dezembro de 1640.
Depois de entrarem no palácio, os conspiradores procuraram-no, mas dele nem sinal. Já tinham percorrido os salões, os gabinetes de trabalho, os aposentos do ministro — e nada.
Acontece que Miguel de Vasconcelos, quando se apercebeu que não podia fugir, escondeu-se num armário e fechou-se lá dentro com uma arma. O que finalmente o denunciou foi o tamanho do armário. E o escondido, ao remexer-se para mudar de posição, haver provocado uma restolhada de papéis. Foi quanto bastou para os conspiradores rebentarem a porta e o crivarem de balas. Depois atiraram-no pela janela do Paço Real de Lisboa.
O corpo caiu no Terreiro do Paço, no meio de uma multidão enfurecida, que descarregou sobre o mesmo todo o ódio acumulado, cometendo verdadeiras atrocidades. E o cadáver permaneceu no mesmo local para ser lambido pelos cães, configurando uma verdadeira profanação.
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Sabemos bem o que é perder a própria soberania e viver sujeito aos interesses de outro país. Nos quase nove séculos de sua história, Portugal perdeu sua independência por 60 anos. De 1680 a 1740, ao viver  sob as ordens de Castela, começando um ciclo histórico de decadência económica com consequências irreversíveis, e perder muito sangue, de 1740 a 1768, no conflito com a Espanha para restaurar a sua  independência. Quem toma posição ao lado de um país estrangeiro contra o seu próprio país é um traidor à pátria que, em tempo de guerra, enquanto os seus compatriotas militares dão a vida para a salvar e defender o país invadido, deve ser considerado como traidor e merecedor da condenação à morte. Esta é, para exemplificar, a única exceção em que os países mais civilizados admitem unanimemente a pena de morte (traição à Pátria em tempo de guerra na vigência da Lei Marcial).

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