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04 julho, 2026

Armadilha de Tucídides

É um conceito de relações internacionais que descreve o risco estrutural de guerra quando uma potência emergente (como a China hoje) ameaça superar uma potência dominante (como os EUA). O termo se refere à ideia de que o medo da potência estabelecida diante do crescimento da nova potência torna o conflito quase inevitável.
Faz referência ao historiador grego Tucídides, autor de relatos sobre a Guerra do Peloponeso, travada entre Atenas e Esparta entre 431 a.C. e 404 a.C. Tucídides escreveu que o crescimento de Atenas provocou medo em Esparta, levando as duas cidades-estados à guerra.
O cientista político Graham Allison popularizou o termo, examinando 16 casos históricos, dos quais 12 resultaram em guerra.
Apesar de ser uma forte tendência, argumenta-se que é possível evitar o confronto através de diplomacia e gestão de crise.

23 julho, 2025

Em favor do autocontrole masculino das estátuas

Homens em estátuas clássicas não são muito bem dotados, diz Mental Floss, já que na Grécia Antiga, pênis pequenos eram considerados melhores. A fotógrafa Ingrid Berthon-Moine, que tirou close-ups de antigos todgers para uma série de 2013, disse que genitais "pequenos e firmes" eram favorecidos para "mostrar o autocontrole masculino". 
Em "As Nuvens", de Aristófanes, um personagem descreve o homem ideal como tendo um "bom peito, uma pele clara, ombros largos, uma língua moderada, nádegas robustas e um pênis pequeno e gentil".
Você provavelmente já viu o filme "Uma Noite no Museu". Bem, esta é a parte do filme que, talvez, você não tenha visto: aquela que tem como protagonista a estátua de David. Devido a um pequeno detalhe em sua anatomia, David sofre muitos constrangimentos no museu. Humilhado pelas outras obras de arte, ele abandona o pódio e foge.
Vai encontrar consolo no interior de um loja de roupas, onde descobre que o seu caso não é o pior de todos.

13 maio, 2025

Partenon

Eu não compraria este imóvel sem uma garantia estendida de 4 mil anos.


É para o caso de algum dia ser usado como paiol de pólvora pelos turcos. Nunca se sabe (o futuro à deusa Atena pertence).

01 agosto, 2024

O Soldado de Maratona

por Ana Margarida Arruda Rosemberg
O Museu do Louvre surpreende com sua exposição sobre as relações entre Arte, Arqueologia e História retratando os Jogos Olímpicos (JO) da Grécia Antiga e a criação dos JO da Idade Moderna.
Maratona, prova desportiva individual de corrida, não existia nos jogos da Grécia Antiga.
Ela é uma criação do francês Michel Bréal para os primeiros JO da era Moderna, de 1896, em Atenas.
Bréal baseou-se na lenda do soldado grego Fidípides, que correu 42 Km de Maratona até Atenas para anunciar a vitória dos gregos contra os persas na Batalha de Maratona, em 490 a.C.
Chegando sem fôlego no Areópago, Fidípides morreu ali depois de ter entregue sua mensagem.
Na exposição do Louvre "L'Olympisme - une invention moderne, une héritage antique" (Olimpismo - uma invenção moderna, uma herança antiga) tem uma pintura de Lyc-Olivier MERSON (1846 -1920) "Le Soldat de Marathon", 1869, que retrata essa passagem.


N. do E.
No Louvre, há também em exposição uma escultura de Jean-Pierre CORTOT (1787 - 1843), Le soldat de Marathon annonçant la victoire, 1834.

27 julho, 2024

Jogos Olímpicos da era moderna

Os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna foram realizados em Atenas, Grécia, berço dos Jogos da Antiguidade, entre os dias 6 e 15 de abril de 1896, com a participação de 241 atletas masculinos representando catorze países.
O evento realizou-se graças ao empenho do francês Pierre de Frédy, o Barão de Coubertin, idealizador do renascimento dos Jogos existentes na Grécia Antiga, mentor do movimento olímpico e fundador do Comitê Olímpico Internacional.
Sem qualquer experiência na organização de semelhante evento, os organizadores dos primeiros Jogos quase arruinaram a própria competição graças a uma diversidade de datas, pois os gregos utilizavam na época o antigo calendário juliano, paralelo ao convencional usado pelo mundo ocidental.
Isso fez com que ocorresse uma diferença de doze dias entre os dois calendários, o que atrapalhou a inauguração dos Jogos e a chegada dos atletas dos diversos pontos do planeta. Nos registros onde foi utilizado o calendário juliano os Jogos realizaram-se entre 25 de março e 3 de abril de 1896.

24 junho, 2021

Demóstenes, o orador perfeito

O político e orador grego Demóstenes viveu de 384 a 322 a.C., período durante o qual foi festejado como um dos oradores mais famosos da Grécia. Cícero chegou ao ponto de proclamá-lo "o orador perfeito" [1], o que é um grande elogio de quem também foi reconhecido como um apresentador mestre.
Mas, quando criança, Demóstenes tinha uma gagueira, tão perceptível que recebeu de seus amigos um apelido menos que simpático: Batalus. O nome deriva do grego βατταρίζω, que significa "gaguejar". Tragicamente para o pobre Demóstenes, também era uma gíria grega na época para "ânus" e "afeminado", então seu apelido era uma espécie de golpe duplo.
Batalus também era o nome de um popular flautista de Éfeso que, de acordo com Libanius [3], foi o primeiro homem a aparecer no palco usando sapatos femininos; um acontecimento tão chocante e escandaloso que o escritor Antífanes o transformou em personagem de zombaria em uma de suas comédias.
Sem se intimidar com o abuso, Demóstenes iniciou um regime de terapia que incluía o que poderia ser considerado o primeiro dispositivo aumentativo e alternativo de comunicação (AAC) do mundo: a humilde pedra. De acordo com Plutarco, ele superou sua pronúncia inarticulada e gaguejante e tornou-a mais distinta falando com pedrinhas na boca. [2]
É interessante especular sobre por que encher a boca de pedrinhas pode ajudar a superar uma disfluência, e ainda mais interessante se perguntar por que não existe um indivíduo empreendedor por aí vendendo dessas pedras pela Internet, em uma variedade de cores e tamanhos para acomodar os diferentes estilos de vida e aspirações de potenciais clientes.
A veracidade da história das pedras de Demóstenes depende de quão acurado Plutarco foi em suas investigações e, a menos que alguém possa canalizar o espírito de um grego morto, não há como testar a exatidão da história. O que é interessante é simplesmente o fato de que a ideia de usar algum tipo de tecnologia física para auxiliar a fala existe há muito tempo.
Se você conhece alguém que já tentou - ou até teve melhor sucesso - usar a Pebble Therapy, deixe-nos saber comentando abaixo ou mandando um e-mail para nós. E se você conhece dispositivos AAC ainda mais antigos, adoraríamos ouvir de você!
World’s first AAC device… Pebbles?, The Speech Dudes
Referências
[1] Cicero, MT (1951) Harvard Studies in Classical Philology , Vol. 60,137-146.
[2] Margaret E. Molloy, ME (1996) Libanius and the Dancers , Olms-Weidmann, Hildesheim.
[3] Plutarco (1919). The Parallel Lives: The Life of Demosthenes . Vol VII, Loeb Classic Library Edition.
N. do E.
Demóstenes discursava com pedras na boca para as ondas do mar; e, com pedras nas mãos, para outras platéias. In: http://blogdopg.blogspot.com/2007/10/demstenes-e-as-pedras.html

12 abril, 2021

O julgamento de Frineia

Ficou famoso o caso de Frineia, cuja formosura despertou paixões e ciúmes. Acusada de explorar o próprio corpo por um pretendente desprezado, a cortesã foi levada a um júri de cidadãos ilibados de Atenas.
Mesmo com sua preparação e esforço, o talentoso Hiperides, um dos dez oradores áticos (eram uma espécie de advogados da Antiguidade clássica), não estava conseguindo convencer o júri.
No momento da sentença, os jurados botaram o polegar para baixo. Era a condenação fatal.
Olavo Bilac tem um poema dedicado a esse julgamento dramático. Segundo o poeta, ela despiu os véus que a cobriam e surgiu toda nua, "no triunfo imortal da Carne e da Beleza".
São estes os versos finais do poema:
Pasmam subitamente os juizes deslumbrados,
- Leões pelo calmo olhar de um domador curvados:
Nua e branca, de pé, patente à luz do dia
Todo o corpo ideal, Frinéia aparecia
Diante da multidão atônita e surpresa,
No triunfo imortal da Carne e da Beleza.
Diante daquela monumental escultura, "um a um os polegares dos juízes foram subindo, subindo, sendo provável que também subissem outras partes dos respeitáveis membros do júri".
(Os créditos de tais detalhes pertencem Carlos Heitor Cony.)


A verdade é que a história do julgamento de Frineia foi recriada com base em poucas passagens de escritos da época e relatos de autores que não estiverem presentes. Sabe-se que o julgamento ocorreu e que o discurso de Hipérides em sua defesa foi um dos mais admirados da Antiguidade, mas dele restam apenas alguns fragmentos.
Nada disso impediu que o dramático julgamento inspirasse várias obras de arte, desde pinturas como as que ilustram esta postagem de Jean-Léon Gérôme (1861) e várias outras, até esculturas de artistas como o americano Albert Weine.
Além de Olavo Bilac, poetas como Charles Baudelaire, Francisco de Quevedo e Rainer Maria Rilke escreveram pensando em Frinéia, o francês Camille Saint-Saëns criou uma ópera que leva seu nome, e o italiano Mario Bonnard dirigiu um filme sobre a cortesã.
No Brasil, Adelino Moreira compôs "Escultura", que alcançou grande sucesso na voz de Nelson Gonçalves. Neste samba-canção, ao criar em sua imaginação uma mulher que atingisse a perfeição, Adelino não foi buscar em Frineia o atributo da beleza e sim o da malícia.

14 setembro, 2020

Diógenes de Sínope

Diógenes de Sínope (c. 412-323 a.C.) afirmava que, à sorte, podia opor a coragem; às convenções, a natureza; à paixão, a razão.
1 Em certa ocasião, enquanto o filósofo tomava banho de sol no Crânion, Alexandre, o Grande, chegou, pôs-se à sua frente e falou: "Peça-me o que quiser!" Diógenes respondeu: "Saia da frente do meu sol!".
2 Impressionado com a ousadia de Diógenes, Alexandre disse: "Se eu não fosse Alexandre, eu gostaria de ser Diógenes". A resposta do filósofo foi imediata: "Se eu não fosse Diógenes, eu também gostaria de ser Diógenes".
3 Em outra ocasião, Alexandre, o Grande, deteve-se à sua frente e perguntou-lhe: "Não tem medo de mim?" Sua resposta foi: "O que você é, um bem ou um mal?". Alexandre respondeu: “Um bem”. Então, Diógenes concluiu: “E quem teme um bem?”.

http://sites.google.com/site/teociencia/web-desig/etica/diogenes
http://pt.quora.com - Com que filósofo (já morto) você escolheria ter um debate?
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http://blogdopg.blogspot.com/2019/09/o-ensinamento-de-diogenes.html
http://blogdopg.blogspot.com/2018/03/tamerlao-e-existencia-miseravel.html
http://blogdopg.blogspot.com/2018/02/riso-choro-e-indiferenca.html
http://blogdopg.blogspot.com/2012/04/acerca-da-galinha-na-filosofia.html
http://blogdopg.blogspot.com/2007/03/in-extremis.html

26 julho, 2020

Capacete micênico


O tipo mais comum de capacete micênico (Grécia, c. 1600-1100 a.C., no final da Idade do Bronze) é o cônico reforçado com fileiras de presas de javali. Este tipo foi amplamente utilizado e se tornou a peça mais identificável da armadura micênica, tendo sido usada desde o início até o colapso da cultura micênica. Consistia de um gorro de couro forrado de feltro, com várias fileiras de presas de javali cortadas e costuradas sobre ele, além de guardas para as bochechas e de um duplo gancho de osso em sua parte superior.

Túmulo 515, Micenas, Grécia (séc. 14 a 15 a.C.)
Museu Arqueológico Nacional, Atenas.

Outros capacetes:
viking | de carregação | anticola | do Batman

25 julho, 2020

A arte digital de Adam Martinakis

Nascido em Lubań, Polônia, em 1972, é descendente de poloneses e gregos. Mudou-se para Atenas, Grécia em 1982.

Esculturas. Ilustrações. Fotos. Cinemagraphs.

Adam Martinakis, por ele mesmo
  • Imaginar a arte como uma ponte, uma conexão entre o espírito e o material, os vivos e os ausentes, o pessoal e o universal. 
  • Explorar o desconhecido da luz e da escuridão em uma coexistência suplementar que forma o horizonte de eventos da criação. 
  • Compor cenas da inexistência, o eco do vazio vivo, imerso na metafísica da percepção.
Website oficial
"Eu moldo ideias e ideias me moldam". - AM

01 setembro, 2019

Vênus de Milo e Vitória de Samotrácia

Vênus de Milo, ou Afrodite de Milos, é uma das obras mais famosas da antiguidade. Criada em algum momento entre 130 e 100 a.C., a estátua foi descoberta por um camponês na ilha grega de Milos, na década de 1820. Acredita-se que retrata Afrodite, a deusa grega do amor e da beleza (Vênus, para os romanos). É uma escultura de mármore, ligeiramente maior que o tamanho natural, com 203 cm de altura. Ela segurava uma maçã na mão esquerda e segurava o vestido com a mão direita. Contudo, os braços e o plinto original foram perdidos após a descoberta da estátua. Com base em uma inscrição no pedestal, acredita-se que seja obra de Alexandros de Antioquia (antes, foi erroneamente atribuído ao mestre escultor Praxiteles). Atualmente, está em exibição permanente no Museu do Louvre, em Paris.
[http://www.venusdemilo.gr/]
Uma proposta de restauração de Adolf Furtwängler mostrando como a estátua pode ter parecido originalmente.

Vitória de Samotrácia, a majestosa estátua que foi descoberta na ilha grega de Samotrácia, em 1863. Ela foi encontrada pelo cônsul francês e arqueólogo amador, Charles Champoiseau. Esculpida em mármore pariano dourado, acreditava-se que Vitória teria sido feita no século 2 a.C. para comemorar as vitórias navais da frota grega. Diversas tentativas foram feitas para recriar a cabeça e os membros que faltavam na estátua, mas elas pareciam desvirtuar em vez de aumentar a sua beleza. De fato, suas imperfeições só aumentam sua perfeição.
[http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=11714]

30 julho, 2019

A descoberta dos números incomensuráveis

A Escola Pitagórica descobriu a existência de números irracionais, isto é, números que não eram naturais (1,2,3, ...), ou inteiros (...- 3, -2, -1,0,1,2,3 , ...) nem racionais (frações de números inteiros).
Eles chamaram esses números de incomensuráveis.
É possível que essa descoberta tenha ocorrido ao tentar resolver o seguinte problema:
Se traçarmos um quadrado cujo lado mede a unidade, isto é, 1, e tentarmos calcular o que mede a diagonal usando o Teorema de Pitágoras, poderemos dividir o quadrado em dois triângulos cuja hipotenusa será a diagonal d do quadrado. Em resumo, teremos dois triângulos retangulares iguais com catetos que medem 1.
Se aplicarmos agora o Teorema de Pitágoras, verificaremos o seguinte desenvolvimento de d na relação pitagórica.
O número √2  é irracional (com decimais não periódicos infinitos).
Os pitagóricos ficaram muito surpresos com a existência desses números "tão raros" que contradiziam sua doutrina que defendia a adoração do número como a entidade perfeita que governava o universo e tudo o que existia nele.
Aparentemente, decidiram manter em segredo a descoberta que mostrava a fragilidade de suas crenças, executando um dos membros que traiu a seita revelando a descoberta.
In: Los pitagóricos y los números irracionales
Hipaso de Metaponto
Foi um filósofo pré-socrático, membro da Escola pitagórica. Nasceu em torno do ano 500 a.C. em Metaponto, cidade grega da Magna Grécia situada no Golfo de Tarento, ao sul do que agora é a Itália. Os documentos da época dão versões diferentes para seu final (afogamento, suicídio, banimento...).
A descoberta de razões incomensuráveis é atribuída a Hipaso de Metaponto (séc. V a.C.). Supõe-se que os pitagóricos estavam no mar naquele momento e lançaram Hipaso para fora do barco por ter produzido um elemento no universo que negava a doutrina pitagórica de que todos os fenômenos do universo podem ser reduzidos a números inteiros ou suas razões.
Assim, "a descoberta da existência de números irracionais foi surpreendente e perturbadora para os pitagóricos. [...] Tão grande foi o 'escândalo lógico' que, por algum tempo, foram feitos esforços para manter a questão em sigilo, e há uma lenda que conta que o pitagórico Hipaso (ou um outro talvez) foi lançado ao mar pela ação ímpia de revelar o segredo a estranhos ou (de acordo com outra versão) que ele foi banido da comunidade pitagórica, sendo-lhe erigido um túmulo, como se estivesse morto.
In: Revisitando a descoberta dos incomensuráveis na Grécia Antiga, por Carlos Gonçalves e Claudio Possani
Segundo a lenda, um dos seguidores de Pitágoras, Hipaso de Metaponto, provou, especificamente, que a diagonal de um quadrado unitário (um quadrado com lados valendo uma unidade) é irracional: não é uma fração exata. Conta-se que (as fontes são duvidosas, mas a história é boa) ele cometeu o erro de anunciar esse fato quando os pitagóricos estavam atravessando o Mediterrâneo de barco, e seus colegas de seita ficaram tão exasperados que o lançaram ao mar e ele se afogou. O mais provável é que tenha sido simplesmente expulso da seita. Qualquer que tenha sido sua punição, ao que parece os pitagóricos não ficaram nada satisfeitos com a descoberta.
A interpretação moderna da observação de Hipaso é que é irracional. Para os pitagóricos, esse fato brutal era um golpe decisivo em sua crença praticamente religiosa de que o Universo se baseava em números – referindo-se aqui a números inteiros. Frações – razões entre números inteiros – se encaixavam bastante bem nessa visão de mundo, mas o mesmo não acontecia com números que provavelmente não eram frações. E assim, afogado ou expulso, o pobre Hipaso tornou-se uma das primeiras vítimas da irracionalidade, por assim dizer, da crença religiosa.
In: Em busca do infinito, por Ian Stewart

17 maio, 2017

A máquina de Anticítera

Há mais de um século, nas areias do fundo do mar que cerca a ilha grega de Anticítera (ou, originalmente, Antikythera), um grupo de catadores de esponjas marinhas descobriu uma galé romana naufragada.
Há divergências sobre a data exata desta descoberta, mas ela teria ocorrido entre 1900 e 1902.
Entre os restos da galé romana, os catadores também encontraram um dos objetos mais desconcertantes e complexos do mundo antigo. Trata-se de um instrumento de bronze já muito corroído, feito há 2 mil anos, na Grécia antiga.
É conhecido como máquina (ou mecanismo) de Anticítera.


"Se não tivessem descoberto a máquina, ninguém teria imaginado, ou nem mesmo acreditado, que algo assim existisse, pois é muito sofisticada", disse à BBC o matemático Tony Freeth, da Universidade de Cardiff, que integra a equipe internacional que investigou o artefato.
E ele não está exagerando na descrição. Levou cerca de 1,5 mil anos até que algo parecido com a máquina de Anticítera voltasse a aparecer, na forma dos primeiros relógios mecânicos astronômicos, na Europa. "Se os cientistas gregos podiam produzir esses sistemas de engrenagens há dois milênios, toda a história da tecnologia do Ocidente tem que ser reescrita", acrescentou.
Anteriormente, por volta de 600 a.C., astrônomos babilônios haviam descoberto o ciclo de Saros, no qual a Lua e a Terra voltam a se encontrar a cada período de 223 luas (18 meses e 11 dias), o que prevê a ocorrência de eclipses.
"Quando havia um eclipse lunar, o rei babilônio deixava o posto e um substituto assumia o poder, de modo que os maus agouros fossem para ele. Logo o substituto era morto e o rei voltava a assumir sua posição", conta John Steele, especialista sobre a Babilônia no Museu Britânico.
Seria possível que os gregos antigos estivessem usando a máquina para seguir o movimento da Lua?
Ora, conhecer as fases da Lua era extremamente útil na época dos gregos antigos. Com base nelas, determinavam-se épocas de plantio, estratégias de batalha, festas religiosas, momentos de pagar dívidas e autorizações para viagens noturnas.
Os pesquisadores chegaram a esta conclusão: a máquina de Anticítera podia prever os eclipses. Não apenas o dia, mas a hora, direção da sombra e cor com a qual a Lua apareceria.
O ciclo de Saros depende do padrão da Lua, mas "nada sobre a Lua é simples", diz Freeth. "A Lua tem a órbita elíptica, assim ela viaja mais rapidamente quando está mais perto da Terra", exemplifica.
Podia, então, a máquina de Anticítera rastrear o caminho flutuante da Lua?
Sim, podia: duas engrenagens menores, uma delas com uma pinça para regular a velocidade de rotação, replicavam com precisão o tempo da trajetória que o satélite natural executa ao redor da Terra; e outra, com 26 dentes e meio, computava o deslocamento dessa órbita.
Ao examinar a parte frontal do aparelho, os investigadores concluíram que ele demonstrava como os gregos entendiam o Universo naquele momento: a Terra no centro e cinco planetas ao redor. E o movimento dos cinco planetas que podiam ser vistos a olho nu: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno
"Era uma ideia extraordinária: pegar teorias científicas da época e mecanizá-las para ver o que aconteceria dias, meses e décadas depois", diz o matemático.
"Essencialmente, foi a primeira vez que a raça humana criou um computador", acrescenta Freeth. "É incrível como um cientista daquela época descobriu como usar engrenagens para rastrear os complexos movimentos da Lua e dos planetas".


Hoje, no Google: uma homenagem (doodle) à máquina de Anticítera que, dois mil anos atrás, ajudou o homem a abrir o céu do conhecimento para a astronomia e a computação.

29 dezembro, 2016

Mortes bizarras na Grécia Antiga

  1. O filósofo grego Empédocles acreditava que não era humano, mas que era um deus grego. Para provar isto aos céticos, ele prometeu saltar em um vulcão e voltar ileso. Mas ele só conseguiu cumprir a primeira metade de sua promessa.
  2. Ésquilo, o pai da tragédia grega, morreu quando uma águia que voava confundiu a sua careca com uma pedra. A águia, numa tentativa de quebrar o casco de uma tartaruga que levava, arremessou o quelônio sobre a sua cabeça.
  3. Diz-se que Chrysippus, um grego de vida estoica, morreu em 203 a.C. de um ataque de riso causado por um burro bêbado que tentava comer figos.
Fonte: Neatorama

02 julho, 2016

Escultura grega antiga mostra mulher usando computador portátil

Teóricos da conspiração na Internet estão certamente excitados com a divulgação desta imagem. Retrata uma escultura, provavelmente feita na ilha grega de Delos por volta de 100 a.C., em que uma mulher está usando um laptop.
Depois de passar por vários museus, essa escultura está agora alojada no Museu J. Paul Getty, em Los Angeles.


Αν δεν είναι αλήθεια, είναι καλό να βρείτε. Tradução: Se non è vero, è bene trovato.

06 abril, 2016

Zeus é fiel

"O preço da fidelidade é a eterna vigilância." Millôr

Zeus teve muitos amores e filhos. Muitas vezes, Zeus se relacionava com mortais gerando semideuses e heróis.
com Métis (Sabedoria) sua primeira esposa:
- Atena (deusa da sabedoria, da justiça, das batalhas, da vitória; nascida das têmporas de Zeus, depois que este engoliu Métis grávida, com medo de que a filha fosse mais poderosa que ele, mesmo assim, depois de algum tempo Atena nasceu).
com Têmis (Equidade, das leis):
- Horas
- Moiras
com Eurínome (Beleza e Alegria de Viver):
- Cárites
com Mnemósine (Domínio das Artes):
- As 9 Musas
com Leto (Dia e Noite) os gêmeos:
- Apolo (deus do Sol, da luz e dos oráculos e mânticos, também da música, da poesia e da profecia além de protetor das musas; um deus muito belo, que personificava o ideal grego de beleza masculina).
- Ártemis (deusa da Lua e da caça, da castidade, dos animais selvagens; permaneceu eternamente virgem).
com Deméter (deusa da Fecundidade):
- Perséfone (deusa relacionada à fecundidade da terra, esposa de Hades; passava quatro meses do ano com o marido causando o outono/inverno, pois sua mãe Deméter entrava de luto e a terra não produzia; no restante do ano, ela voltava ao Olimpo e ficava com mãe sua causando a primavera/verão).
com Hera (Hierogamia - o Grande Casamento):
- Hebe (Deusa da Juventude).
- Ilitia (Deusa do Parto).
- Ares (Deus da Guerra, das batalhas. Seu símbolo era o cão ou o abutre. Pai de Rômulo e Remo, fundadores de Roma).
- Hefesto (Deus dos Ferreiros, dos metais, da metalurgia, do fogo, criador das Tecnologias. Suas forjas depois de derrubado do Olimpo por Zeus foram colocadas no monte Etna, onde era auxiliado pelos Ciclopes).
com Maia (Conhecimento do Visível e do Invisível):
- Hermes (mensageiro dos deuses, deus do comércio; o seu símbolo era o caduceu - hoje alguns acham que é o símbolo da medicina, mas erroneamente, pois o símbolo da medicina é o cajado de Asclépio, que se difere principalmente no fato de ter apenas uma serpente, diferente do cetro de Hermes que possui duas), também era o protetor dos ladrões, viajantes e mercadores.
com a mortal Alcmena (Força e Destemor):
- Héracles (O Grande Herói), depois da sua morte foi divinizado, indo para o Olimpo onde se casou com a deusa Hebe (Juventude).
com a mortal Dânae (Inteligência e Poder):
- Perseu, o herói matador da medusa Górgona e libertador da princesa Andrômeda com quem se casou;ao morrer foi colocado nos céus entre as estrelas.
com a mortal Sêmele (Vinho e Alegria)
- Dionísio (Deus do vinho, das festas, da loucura, da embriaguez e das orgias. Era servido por mulheres, as Ménades, e pelos Sátiros, seus irmãos adotivos). As festas do mundo greco-romano aconteciam, geralmente, em sua homenagem. Seus símbolos são as uvas, as parreiras, o vinho e a pele de leopardo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Genealogia_dos_deuses_gregos

Ver também: 
O menino Zeus

20 novembro, 2015

A busca destrutiva da notoriedade

Herostratus (ou Erostratus) era um jovem sobre o qual sabemos apenas um fato: que, na noite de 21 de Julho 356 a.C,, ele incendiou o Templo de Ártemis, em Éfeso. Este templo era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Visitado por reis e peregrinos, tinha o tamanho de um estádio de futebol.
O fogo destruiu o templo totalmente. Herostratus não fez nada para esconder a culpa, entregou-se espontaneamente e, como Breivik, admitiu seu crime. Quando perguntado por que ele havia cometido esse terrível ato, ele respondeu: tornar-me famoso.
Para desencorajar futuros imitadores, Herostratus não só foi torturado e executado. Ele também foi condenado à "danação da memória" (memoriae damnatio, em latim), isto é, a condenação de sua lembrança através da proibição (sob pena de morte) de qualquer menção a seu nome. Este é um contraste gritante com a cobertura da mídia em todo o mundo aos crimes de Breivik na Noruega.
A timidez de historiadores antigos, no que diz respeito ao grego incendiário, sugere que a memoriae damnatio foi amplamente respeitada por séculos. No entanto, o nome de Herostratus não foi totalmente esquecido, e vive como um sinônimo de busca destrutiva da notoriedade.
Os gregos entendiam que a importância do culto aos heróis em sua sociedade arriscava a promover os anti-heróis, como Herostratus. Também eles entendiam que aqueles que optavam por esta via não temiam a morte, mas sim a obscuridade e o ridículo. Daí a memoriae damnatio não ser apenas a punição mais adequada, mas o melhor elemento dissuasor que tinham para os aspirantes a anti-heróis.

Condenado por unanimidade no dia 24 de agosto de 2012, em Oslo, a 21 anos de prisão prorrogáveis, ouviu com um sorriso o veredicto no qual foi declarado responsável pelo assassinato de 77 pessoas no dia 22 de julho de 2011 ao disparar contra um acampamento de jovens trabalhistas depois de detonar uma bomba perto da sede do governo da Noruega. Por decisão do tribunal de Oslo, a sentença é prorrogável e pode se estender indefinidamente, se a Justiça norueguesa avaliar que o réu continua a representar um perigo para a sociedade. Breivik responde pelas mortes causadas em um duplo atentado de 22 de julho de 2011, em Oslo e na ilha de Utoya, na Noruega. A custódia é uma figura legal do Direito norueguês, que na prática pode equivaler a uma prisão perpétua.
Anders Behring Breivik sorriu ao ouvir o veredicto da justiça, fez a saudação da extrema-direita e pediu desculpas aos extremistas por não ter conseguido matar mais pessoas no ataque pelo qual foi condenado a 21 anos de prisão, numa prova de que o assassino em massa norueguês permaneceu desafiador até o fim. Para o autoproclamado guerreiro em batalha contra o multiculturalismo e a "invasão do Islã", a sentença máxima de 21 anos de prisão e, não o confinamento num hospital psiquiátrico, foi a melhor possível. Ele já havia dito que ser enviado para uma instituição psiquiátrica - como pedido pelos promotores - seria um destino "pior do que a morte". O atirador inicialmente dissera que só recorreria caso fosse declarado doente mental e condenado a tratamento psiquiátrico forçado. O criminoso afirmou querer ser condenado, para que não pesasse dúvida sobre sua sanidade e sua ideologia e não deve recorrer da sentença. O atirador era réu confesso dos piores ataques no país desde a Segunda Guerra Mundial. Seus advogados afirmaram que ele não vai apelar da sentença. Como a culpa de Breivik, de 33 anos, não estava em questão, o tema central do julgamento, que terminou no dia 22 de junho, foi sua saúde mental.
A custódia é uma figura legal do Direito norueguês, que, na prática, pode equivaler à prisão perpétua. Uma vez cumprida a pena, esta pode ser prolongada por forma indefinida caso seja considerado que o réu continua a ser um perigo para a sociedade. A pena será cumprida num centro de segurança máxima em Ila, a oeste de Oslo, onde Breivik permanece em prisão preventiva desde o dia do crime.
Em fevereiro de 2014, Anders Breivik ameaçou iniciar uma greve de fome em sinal de protesto pelas condições da sua detenção. Uma das exigências é a obtenção de novos videojogos, classificando como "tortura" a forma como é tratado na prisão e enumera as várias razões de queixa.
Além de pedir a substituição da Playstation 2 de que dispõe pelo modelo mais recente, além do acesso a jogos para adultos à sua escolha, Breivik exige a possibilidade de caminhar e de comunicar, quer um computador "em vez da inútil máquina de escrever com tecnologia de 1873" e reclama o aumento do seu pagamento semanal.

http://aeon.co/magazine/society/stephen-cave-anders-breivik/
https://en.wikipedia.org/?title=Herostratus
https://pt.wikipedia.org/?title=Damnatio_memoriae

25 abril, 2014

A história repetida como farsa

Quando interpretava o personagem Aquiles, no filme Troia, de 2004, Brad Pitt sofreu uma lesão durante as filmagens.
No tendão de Aquiles esquerdo.

Por exemplo, um guerreiro grego, naquilo que ele tinha de mais frágil, emprestar o nome ao mais robusto tendão do corpo humano. O guerreiro Aquiles, e chega a ser irônico o fato.
Dr. Carta Pácio, O loteamento humano

07 setembro, 2013

O raio da morte de Arquimedes

Luz solar refletida por edifício derrete carro
Um homem se queixou de que um arranha-céu londrino recém-construído derreteu partes de seu Jaguar (VÍDEO), o qual estava estacionado em uma rua próxima. Aparentemente, o problema foi causado pela luz solar ao ser refletida do edifício para o carro. De acordo com a  BBC News, a construtora prometeu pagar os reparos no veículo e a prefeitura da cidade, como medida de precaução, interditou três vagas de estacionamento enquanto aguarda as conclusões da investigação.
Será que isso é verdade mesmo?
Eis aqui qual foi a conclusão do E-FARSAS.


O raio da morte de Arquimedes
Luciano de Samósata, escritor do século II, escreveu que durante o cerco a Siracusa (214–212 a.C.), Arquimedes destruiu navios inimigos com fogo. Séculos depois, Antêmio de Trales menciona espelhos ustórios como a arma utilizada por Arquimedes. O dispositivo, chamado de "raio de calor de Arquimedes" , teria sido usado para concentrar a luz solar em navios que se aproximavam, levando-os a pegar fogo.
A credibilidade desta história tem sido objeto de debate desde o Renascimento. René Descartes a considerou falsa, enquanto pesquisadores modernos tentaram recriar o efeito, usando apenas os meios que estavam disponíveis a Arquimedes. Foi sugerido que uma grande quantidade de escudos bem polidos de bronze ou cobre atuando como espelhos poderiam ter sido utilizados para concentrar a luz solar em um navio. Poderia ter-se usado o princípio do refletor parabólico de maneira similar a um forno solar de alta temperatura.
Um teste do raio de calor de Arquimedes foi realizado em 1973 pelo cientista grego Ioannis Sakkas. O experimento foi realizado na base naval de Skaramangas nos arredores de Atenas. Nesta ocasião 70 espelhos foram usados, cada um com um revestimento de cobre e com um tamanho de aproximadamente 1,5 por 1 m. Os espelhos foram apontados para uma réplica de um navio romano, feito de madeira compensada, a uma distância de aproximadamente 50 metros. Quando os espelhos foram enfocados com precisão, o navio irrompeu em chamas em questão de poucos segundos. O navio de madeira compensada era revestido por tinta de betume, o que pode ter facilitado a combustão.
Em outubro de 2005, um grupo de estudantes do MIT conduziu um experimento com 127 espelhos quadrados com lados de 30 cm, focados em uma maquete de navio de madeira a uma distância de cerca de 30 m. Chamas surgiram em uma parte do navio, mas só depois de o céu estar sem nuvens e o navio ter permanecido estacionário por cerca de dez minutos. Concluiu-se que o dispositivo era uma arma viável nessas condições. O grupo do MIT repetiu a experiência para o programa de televisão MythBusters, utilizando um barco pesqueiro de madeira em São Francisco como o alvo. Novamente alguma carbonização ocorreu, juntamente com uma pequena quantidade de chamas. Para pegar fogo, a madeira precisa atingir a sua temperatura de autoignição, que é de cerca de 300 °C.
Quando os MythBusters transmitiram o resultado do experimento de São Francisco, em janeiro de 2006, a afirmação foi categorizada como mentira ("mito detonado") devido à duração do tempo e as condições climáticas ideais necessárias para a combustão ocorrer. Também foi salientado que, como Siracusa vê o mar a leste, a frota romana teria de ter atacado durante a manhã para um ótimo acúmulo de luz usando-se os espelhos. Os MythBusters também salientaram que um armamento convencional, como flechas em chamas ou, ainda, catapultas, seriam uma maneira mais fácil de incendiar um navio a curta distância.
Em dezembro de 2010, os MythBusters (VÍDEO) tentaram novamente reproduzir a história do raio de calor em uma edição especial, com Barack Obama em destaque, intitulada "President's Challenge" (O Desafio do Presidente).  Vários experimentos foram realizados, incluindo um teste em larga escala com 500 crianças escolares mirando espelhos em uma maquete de um barco romano a 120 m de distância. Em todos os experimentos, a vela não alcançou os 210 °C  necessários para que pegasse fogo, e o veredito foi novamente o de "detonado". O programa concluiu que o efeito mais provável dos espelhos teria sido: cegar, ofuscar, ou distrair a tripulação do navio.