20 novembro, 2015

A busca destrutiva da notoriedade

Herostratus (ou Erostratus) era um jovem sobre o qual sabemos apenas um fato: que, na noite de 21 de Julho 356 a.C,, ele incendiou o Templo de Artemis, em Éfeso. Este templo era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Visitado por reis e peregrinos, tinha o tamanho de um estádio de futebol.
O fogo destruiu o templo totalmente. Herostratus não fez nada para esconder a culpa, entregou-se espontaneamente e, como Breivik, admitiu seu crime. Quando perguntado por que ele havia cometido esse terrível ato, ele respondeu: tornar-me famoso.
Para desencorajar futuros imitadores, Herostratus não só foi torturado e executado. Ele também foi condenado à "danação da memória" (memoriae damnatio, em latim), isto é, a condenação de sua lembrança através da proibição (sob pena de morte) de qualquer menção a seu nome. Este é um contraste gritante com a cobertura da mídia em todo o mundo aos crimes de Breivik na Noruega.
A timidez de historiadores antigos, no que diz respeito ao grego incendiário, sugere que a memoriae damnatio foi amplamente respeitada por séculos. No entanto, o nome de Herostratus não foi totalmente esquecido, e vive como um sinônimo de busca destrutiva da notoriedade.
Os gregos entendiam que a importância do culto aos heróis em sua sociedade arriscava a promover os anti-heróis, como Herostratus. Também eles entendiam que aqueles que optavam por esta via não temiam a morte, mas sim a obscuridade e o ridículo. Daí a memoriae damnatio não ser apenas a punição mais adequada, mas o melhor elemento dissuasor que tinham para os aspirantes a anti-heróis.

Condenado por unanimidade no dia 24 de agosto de 2012, em Oslo, a 21 anos de prisão prorrogáveis, ouviu com um sorriso o veredicto no qual foi declarado responsável pelo assassinato de 77 pessoas no dia 22 de julho de 2011 ao disparar contra um acampamento de jovens trabalhistas depois de detonar uma bomba perto da sede do governo da Noruega. Por decisão do tribunal de Oslo, a sentença é prorrogável e pode se estender indefinidamente, se a Justiça norueguesa avaliar que o réu continua a representar um perigo para a sociedade. Breivik responde pelas mortes causadas em um duplo atentado de 22 de julho de 2011, em Oslo e na ilha de Utoya, na Noruega. A custódia é uma figura legal do Direito norueguês, que na prática pode equivaler a uma prisão perpétua.
Anders Behring Breivik sorriu ao ouvir o veredicto da justiça, fez a saudação da extrema-direita e pediu desculpas aos extremistas por não ter conseguido matar mais pessoas no ataque pelo qual foi condenado a 21 anos de prisão, numa prova de que o assassino em massa norueguês permaneceu desafiador até o fim. Para o autoproclamado guerreiro em batalha contra o multiculturalismo e a "invasão do Islã", a sentença máxima de 21 anos de prisão e, não o confinamento num hospital psiquiátrico, foi a melhor possível. Ele já havia dito que ser enviado para uma instituição psiquiátrica - como pedido pelos promotores - seria um destino "pior do que a morte". O atirador inicialmente dissera que só recorreria caso fosse declarado doente mental e condenado a tratamento psiquiátrico forçado. O criminoso afirmou querer ser condenado, para que não pesasse dúvida sobre sua sanidade e sua ideologia e não deve recorrer da sentença. O atirador era réu confesso dos piores ataques no país desde a Segunda Guerra Mundial. Seus advogados afirmaram que ele não vai apelar da sentença. Como a culpa de Breivik, de 33 anos, não estava em questão, o tema central do julgamento, que terminou no dia 22 de junho, foi sua saúde mental.
A custódia é uma figura legal do Direito norueguês, que, na prática, pode equivaler à prisão perpétua. Uma vez cumprida a pena, esta pode ser prolongada por forma indefinida caso seja considerado que o réu continua a ser um perigo para a sociedade. A pena será cumprida num centro de segurança máxima em Ila, a oeste de Oslo, onde Breivik permanece em prisão preventiva desde o dia do crime.
Em fevereiro de 2014, Anders Breivik ameaçou iniciar uma greve de fome em sinal de protesto pelas condições da sua detenção. Uma das exigências é a obtenção de novos videojogos, classificando como "tortura" a forma como é tratado na prisão e enumera as várias razões de queixa.
Além de pedir a substituição da Playstation 2 de que dispõe pelo modelo mais recente, além do acesso a jogos para adultos à sua escolha, Breivik exige a possibilidade de caminhar e de comunicar, quer um computador "em vez da inútil máquina de escrever com tecnologia de 1873" e reclama o aumento do seu pagamento semanal.

http://aeon.co/magazine/society/stephen-cave-anders-breivik/
https://en.wikipedia.org/?title=Herostratus
https://pt.wikipedia.org/?title=Damnatio_memoriae

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