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08 outubro, 2023

O que é tableau vivant?

Definição (pelo Centre National de Ressources Textuelles et Lexicalles). É um arranjo de atores para reproduzir/sugerir pinturas famosas ou eventos históricos; grupos de atores imóveis e congelados em uma pose expressiva.
Tableau vivant (plural: tableaux vivants) é um termo francês que se traduz por "quadro vivo" em português. Refere-se a um tipo de arte performática popular no século XIX e início do século XX, em que um grupo de artistas posava em imobilidade para recriar uma cena de uma pintura ou um evento histórico. Os artistas se vestiam com trajes de época, e adereços e cenários eram usados para criar um quadro visual.
O tableau vivant era frequentemente usado em produções teatrais, mas também se tornou por si só uma forma popular de entretenimento, particularmente na Europa e nos EUA. Era frequentemente associado à alta sociedade e usado para mostrar a sofisticação artística e cultural dos artistas e de seu público. Hoje, o tableau vivant ainda é usado ocasionalmente na arte contemporânea e na performance, mas geralmente é considerado uma relíquia do passado.
Os filmes de arte são permeados com esses recursos visuais. Um exemplo de representação do tableau vivant no cinema se encontra no filme "Viridiana", de Luis Buñuel, onde um grupo de moradores de rua representa a pintura "A última Ceia", de Leonardo da Vinci.

(https://www.youtube.com/watch?v=FxNpX4DXark&t=380s)
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23 janeiro, 2023

A ubiquidade da espiral

https://www.behance.net/gallery/2267302/Faber-Castell

A curva espiral encontra-se em toda parte. Nas galáxias, como a Via Láctea onde ficam o Sistema Solar e a Terra que habitamos, e até em nosso DNA. Na estrutura do caracol e das conchas do mar, no chifre do narval e nas impressões digitais; no fluxo de escoamento da água e no olho do furacão. Esse misterioso símbolo há milênios vem influenciando artistas, pensadores e designers.

(https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-61252440)

10 agosto, 2022

A caridade romana


[imagem] O pobre homem foi condenado a "morrer de fome", por haver roubado uma pequena quantidade de pão no reinado de Luis XIV, na França. A mulher era sua filha, que teve permissão para visitar o pai todos os dias - sem que pudesse levar-lhe alimentos. Como, depois de algumas semanas na prisão, o homem continuava vivo, as autoridades ficaram perplexas e começaram a espioná-la. E, para o espanto geral, surpreenderam a filha amamentando o pai. Os juízes, então, ao perceberem sua compaixão e seu amor filial, não só a perdoaram como também libertaram o pai.

Curiosamente, existem muitas lendas semelhantes. A caridade romana é a história de uma mulher, Pero, que amamenta secretamente seu pai Cimon depois que ele é encarcerado e sentenciado à morte pela fome. Essa história consta do "Nove Livros de Atos Memoráveis e Provérbios dos Antigos Romanos", do historiador Valerius Maximus. Também teve ecos mitológicos na amamentação de Hércules adulto por Juno, e foi um um tema recorrente para pintores (Caravaggio e Rubens, o segundo fez várias versões) e escultores (no campanário de Ghent). E, no final do romance "As Vinhas da Ira" (1939), de John Steinbeck, quando Rosa de Sharon amamenta um homem doente e faminto no canto de um celeiro. PGCS

12 abril, 2021

O julgamento de Frineia

Ficou famoso o caso de Frineia, cuja formosura despertou paixões e ciúmes. Acusada de explorar o próprio corpo por um pretendente desprezado, a cortesã foi levada a um júri de cidadãos ilibados de Atenas.
Mesmo com sua preparação e esforço, o talentoso Hiperides, um dos dez oradores áticos (eram uma espécie de advogados da Antiguidade clássica), não estava conseguindo convencer o júri.
No momento da sentença, os jurados botaram o polegar para baixo. Era a condenação fatal.
Olavo Bilac tem um poema dedicado a esse julgamento dramático. Segundo o poeta, ela despiu os véus que a cobriam e surgiu toda nua, "no triunfo imortal da Carne e da Beleza".
São estes os versos finais do poema:
Pasmam subitamente os juizes deslumbrados,
- Leões pelo calmo olhar de um domador curvados:
Nua e branca, de pé, patente à luz do dia
Todo o corpo ideal, Frinéia aparecia
Diante da multidão atônita e surpresa,
No triunfo imortal da Carne e da Beleza.
Diante daquela monumental escultura, "um a um os polegares dos juízes foram subindo, subindo, sendo provável que também subissem outras partes dos respeitáveis membros do júri".
(Os créditos de tais detalhes pertencem Carlos Heitor Cony.)


A verdade é que a história do julgamento de Frineia foi recriada com base em poucas passagens de escritos da época e relatos de autores que não estiverem presentes. Sabe-se que o julgamento ocorreu e que o discurso de Hipérides em sua defesa foi um dos mais admirados da Antiguidade, mas dele restam apenas alguns fragmentos.
Nada disso impediu que o dramático julgamento inspirasse várias obras de arte, desde pinturas como as que ilustram esta postagem de Jean-Léon Gérôme (1861) e várias outras, até esculturas de artistas como o americano Albert Weine.
Além de Olavo Bilac, poetas como Charles Baudelaire, Francisco de Quevedo e Rainer Maria Rilke escreveram pensando em Frinéia, o francês Camille Saint-Saëns criou uma ópera que leva seu nome, e o italiano Mario Bonnard dirigiu um filme sobre a cortesã.
No Brasil, Adelino Moreira compôs "Escultura", que alcançou grande sucesso na voz de Nelson Gonçalves. Neste samba-canção, ao criar em sua imaginação uma mulher que atingisse a perfeição, Adelino não foi buscar em Frineia o atributo da beleza e sim o da malícia.

31 janeiro, 2021

Maxim's e Museu de Art Nouveau

A Letícia Chevrier, do blog Parisieníssima, nos guia neste vídeo sobre o Maxim's e o Museu de Art Nouveau de Paris.
Em 1981, o estilista Pierre Cardin compra o mítico restaurante. Apaixonado pelo Art Nouveau, ele decide expor, de forma permanente, sua grande coleção de artigos do gênero. Em 2004, nos andares de cima do Maxim's, ele abre o Museu.
Art Nouveau
  • Conceito: estilo artístico modernista manifestado em várias áreas de expressão artística
  • Origem: Europa (Paris e Londres) com expansão para os Estados Unidos e outros países
  • Período: 1890 a 1910
  • Abrangência: artes plásticas, decorativas e gráficas; arquitetura; móveis; vidraria; têxteis, louças, joias etc.
  • Características: inspirado na natureza (folhas, flores, animais); uso das linhas curvas; presença recorrente da figura feminina; paixão pelo simbolismo

InDICAção do VÍDEO: Nelson Cunha
"Mas, na art nouveau há uma outra paixão, o simbolismo. E, para o simbolismo, este lustre é um ótimo exemplo. Ele apresenta cegonhas que carregam sinos (campânulas) de vidro em seus bicos, no lugar de bebês. O que significa carregar os sinos de vidro? É dar à luz. E dar à luz é uma outra forma de trazer à vida, que é o que elas fazem quando carregam os bebês. E a história volta ao princípio." (André, diretor do Museu)
A arte de Mucha

05 julho, 2019

A arte de Mucha

para Elda Gurgel e Silva (*)

Voltemos no tempo para o fim do século XIX - início do século XX na Europa, para o período em que a arte foi principalmente representada pelo estilo Art Nouveau. Nessa época, a arte recuperou o aspecto jovial, e as pinturas se tornaram coloridas, com exuberância de curvas, e sendo adornadas com flores e ouro.
Uma das figuras mais proeminentes do período foi o pintor checo Alphonse Mucha (1860 - 1939), não obstante à restrição que ele fazia à expressão definidora de sua arte ("O que é isso, Art Nouveau? A arte nunca pode ser nova.").
A série de painéis decorativos que você vê abaixo é uma das obras mais conhecidas do pintor. Retrata as quatro estações do ano na forma de mulheres bonitas.


Além de painéis decorativos, Mucha produziu retratos de mulheres, ilustrações de livros, cartazes de teatro, anúncios diversos, cartões postais, calendários e até mesmo capas de menus. Ele também projetou os vitrais da Catedral de São Vito, em Praga
Depois de se tornar um pintor de renome mundial, Mucha retornou a Praga, onde fez o trabalho de sua vida: uma série de vinte telas monumentais conhecidas como "A Epopeia Eslava", retratando a história dos os povos eslavos, que ele pintou entre 1912 e 1926. Esta série encontra-se atualmente em exibição na Galeria Nacional de Praga .

(*) Minha mãe Elda, fã ardorosa de Mucha. gostava de reproduzir em suas tapeçarias as telas do pintor checo.