Mostrando postagens com marcador Arqueologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arqueologia. Mostrar todas as postagens

13 julho, 2026

Por que as ruínas antigas estão sempre enterradas no subsolo?

Uma das principais razões é que as cidades são construídas umas sobre as outras, com cada nova onda de construção erguendo-se sobre os escombros (por uma questão de praticidade – a remoção dos escombros é extremamente cara e demorada). Então, se um prédio era reconstruído, ele ficava mais alto que as ruas ao redor. A solução óbvia era elevar as ruas também.
Quando se trata de arqueologia, construir uma camada sobre a outra não é o único motivo pelo qual tantos sítios arqueológicos se encontram no subsolo. As cidades de Xangai e Seattle, por exemplo, estão afundando gradualmente no solo devido ao peso dos edifícios construídos sobre elas, sem mencionar a extração de água potável do subsolo.
Mas isso ainda deixa outro enigma: e quanto a lugares como vilas romanas, fazendas ou templos que não foram reconstruídos por gerações posteriores, mas simplesmente abandonados? Por que eles também estão soterrados?
A resposta é que as ruínas muitas vezes começam se soterrando. Telhados desabam, paredes caem, o reboco se esfarela e a madeira apodrece, criando um monte de entulho. Ao longo dos séculos, poeira carregada pelo vento, lodo de enchentes, húmus de folhas e terra se acumulam gradualmente ao redor e sobre os restos, enquanto raízes, intempéries e a agricultura os decompõem ainda mais lentamente.
Em outras palavras, mesmo quando ninguém constrói sobre eles, o tempo e a natureza geralmente fazem o trabalho de qualquer maneira. 

02 março, 2026

As 7 línguas misteriosas ainda não decifradas

"Nós, humanos, somos, até onde sabemos, a única espécie com consciência histórica.
Pensamos sobre de onde viemos e para onde vamos."
(Svenja Bonmann)

1. A linguista Bonmann está atualmente pesquisando o sistema de escrita epiolmeca, que foi usado na costa sul do Golfo do México na antiguidade. Inscrições e símbolos individuais da escrita olmeca apontam para um sistema antigo. No entanto, as evidências são tão escassas e o contexto tão incerto que decifrá-la é muito difícil.

2. Comparavelmente enigmática é a escrita do Vale do Indo, da civilização Harappa, no atual Paquistão e noroeste da Índia. Ela aparece em centenas de selos e fragmentos de cerâmica, mas quase sempre apenas em sequências extremamente curtas. Se essa escrita representa uma língua totalmente desenvolvida ou um sistema simbólico, ainda é um tema em debate.

3. A escrita rongorongo da Ilha de Páscoa também é altamente abstrata. Ela se assemelha a uma escrita pictográfica composta por pássaros, figuras humanas e formas ornamentais, e sobrevive apenas em algumas poucas tábuas de madeira, muitas vezes, danificadas.

4. A cultura minoica de Creta é mais familiar para nós. De seus três sistemas de escrita, apenas o linear B foi decifrado, por ser uma forma primitiva da língua grega. Os hieróglifos cretenses e o linear A, por outro lado, permanecem enigmáticos até hoje.

5. O famoso Disco de Festo, datado do segundo milênio a.C., também é originário de Creta. Trata-se de um objeto de argila único com símbolos estampados dispostos em espiral que, por ser um artefato isolado, é praticamente impossível decifrar de forma sistemática.

6. O etrusco, falado na Itália central na antiguidade, também permanece enigmático. Embora o alfabeto seja legível por ser derivado do grego, a própria língua quase não possui parentes reconhecíveis. Isso dificulta a compreensão do que está escrito nas inscrições.

7. A protoelamita foi a mais antiga tradição escrita e administrativa conhecida no antigo Elão, uma região no oeste e sudoeste do atual Irã. Os caracteres estão bem catalogados, mas as tabuletas são frequentemente fragmentárias. O conteúdo parece ser de anotações administrativas, e a língua subjacente não se encaixa em nenhuma família linguística conhecida.

Todas essas escritas compartilham um problema fundamental: a falta das chamadas Pedras de Roseta, inscrições bilíngues contendo o mesmo texto em um idioma conhecido e na escrita do enigma. Sem essas chaves, associar símbolos a sons, sílabas ou palavras continua sendo difícil. A inteligência artificial é frequentemente apontada como um potencial "decifrador de códigos". Essas tecnologias são capazes de verificar padrões em sequências de caracteres, distinguir variantes, preencher trechos danificados e contar frequências. No entanto, a IA rapidamente atinge seus limites quando há quantidades de texto muito pequenas. 

Ler na íntegra em https://www.dw.com/pt-br

18 dezembro, 2025

A revolução do radiocarbono

Faz parte da natureza do homem começar com o romance e evoluir para a realidade.
~ Ray Bradbury
A datação por radiocarbono, também conhecida como datação por carbono-14 (¹⁴C), é um método utilizado para determinar a idade de materiais que contêm carbono e que foram originados a partir de seres vivos. Ela é amplamente usada em arqueologia, geologia, paleontologia e outras ciências para datar objetos ou eventos que ocorreram nos últimos 50.000 a 60.000 anos.
Como funciona?
  • Formação do Carbono-14: O carbono-14 é um isótopo radioativo produzido na atmosfera quando nêutrons cósmicos interagem com o nitrogênio-14 (¹⁴N).
  • Absorção pelos seres vivos: Plantas absorvem ¹⁴C durante a fotossíntese, e animais o incorporam ao se alimentar dessas plantas. Enquanto o organismo está vivo, a proporção de ¹⁴C em seu corpo permanece constante.
  • Decaimento radioativo após a morte: Quando o organismo morre, ele para de absorver ¹⁴C, e o isótopo começa a decair em nitrogênio-14, com uma meia-vida de 5.730 anos.
  • Medição do ¹⁴C residual: Cientistas medem a quantidade restante de ¹⁴C em uma amostra e comparam com a quantidade original para calcular há quanto tempo o organismo morreu.
Mas um dos usos mais inesperados e reveladores da datação por radiocarbono foi localizar uma civilização inteira no espaço e no tempo.
Em 1960, meses antes de Libby receber o Prêmio Nobel por seus estudos sobre o radiocarbono, o explorador norueguês Helge Ingstad e a arqueóloga Anne Stine Ingstad (que eram casados) descobriram os restos de construções nórdicas em Terra Nova — uma evidência surpreendente de que a civilização viking havia chegado aos limites da América do Norte, justificando o feito das sagas islandesas que os historiadores consideravam uma hipérbole mítica.
Quando examinaram três amostras de madeira que apresentavam as marcas de uma tempestade cósmica: um pico do isótopo carbono-14 de um evento solar ocorrido no ano 993. Eles contaram progressivamente a partir do pico nos anéis das árvores até a casca, o que lhes deu o número de anos entre a tempestade cósmica e o corte da árvore. Isso lhes indicou que as árvores haviam sido cortadas em 1021, dando-lhes o único ano seguro para o qual sabemos que os nórdicos categoricamente tinham que estar presentes na borda da América do Norte.


Atualmente, não há dúvidas sobre a chegada de viquingues (vikings) à América e o estabelecimento em ilhas da Groenlândia e Terra Nova (atual Canadá), onde se encontra o povoado de L'Anse aux Meadows, declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
Eles exploraram e colonizaram diferentes áreas do Atlântico Norte, que incluíam a ilha da Groenlândia, o litoral do Canadá e possivelmente os Estados Unidos a partir do século X. A colonização viquingue da América não teve o efeito desestabilizador das seguintes vagas da colonização europeia da América, mas pode ser vista como um prelúdio à colonização em grande escala empreendida a partir da primeira viagem de Cristóvão Colombo.

21 outubro, 2025

Porcelana erótica

Ao realizarem uma escavação no velho Convento de Santana, em Lisboa, foi encontrado um conjunto de peças de porcelana chinesa azul e branca do final da dinastia Ming (1368-1644). Entre as peças descobertas, algumas se destacavam pelas cenas eróticas que exibiam.

Se esta peça fosse apreendida, poderia valer ao possuidor ou possuidora uma severa punição, mas, no Convento de Santana, alguém considerou o risco aceitável em meados do século XVII.

http://www.nationalgeographic.pt/historia/pornografia-no-convento-santana_4613

30 maio, 2025

O Stonehenge brasileiro

O Brasil também possui uma estrutura megalítica comparável a Stonehenge, o famoso círculo de pedras do sul da Inglaterra. 
Localizado em Calçoene-AP, a 374 km de Macapá, a área tem sido estudada por pesquisadores e, no futuro, deverá ser transformado em um parque arqueológico aberto à visitação pública.
Destaca-se no local uma estrutura circular demarcada por 127 blocos de granito eretos, ocupando uma área de 30 metros de diâmetro, em uma região margeada por um igarapé, que deu origem ao nome de sítio arqueológico de Rego Grande. Construído há cerca de 1.100 anos, o sítio serviu de observatório astronômico e palco de rituais para os índios que habitaram a região. 
A implantação de um Parque Arqueológico do Solstício com o respectivo museu já está aprovada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

13 maio, 2025

Partenon

Eu não compraria este imóvel sem uma garantia estendida de 4 mil anos.


É para o caso de algum dia ser usado como paiol de pólvora pelos turcos. Nunca se sabe (o futuro à deusa Atena pertence).

06 março, 2024

Arqueologia brasileira

As primeiras descobertas arqueológicas do Brasil datam da chegada dos portugueses à costa brasileira, embora não tivessem o chamado de olhar arqueológico, já que a arqueologia enquanto ciência só data do século XVIII. Existe documentação histórica onde é possível identificar menções à cultura material indígena, o que ajudou arqueólogos a unir essas descobertas a culturas que só podem ser conhecidas por esses registros arqueológicos. Uma dessas descobertas arqueológicas foram as casas subterrâneas dos guaianases, que aparecem na obra Tratado Descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Sousa. Outro exemplo das descobertas arqueológicas desse período são os sambaquis encontrados pelo jesuíta Fernão Cardim. Segundo a pesquisadora Cristiana Barreto, não havia grande interesse em estudar essas descobertas naquele período histórico, e estes objetos acabavam em alguma coleção particular, exceto por alguns esforços dos jesuítas, que buscavam estudar as diferentes culturas indígenas naquele momento. Com a expulsão dos jesuítas no ano de 1759, estes estudos foram interrompidos. Entre a segunda metade do século XVIII e o começo do XIX, muitos naturalistas viajantes estrangeiros também contribuíram para as pesquisas arqueológicas no Brasil e sobre o Brasil. Essas investigações tinham bastante ligação com o propósito recorrente à época de estudar a etnologia e a cultura material, principalmente direcionadas territorialmente à Amazônia. Alguns naturalistas famosos deste período são Franz Keller-Leusinger e Alexandre Rodrigues Ferreira. Destaca-se, neste primeiro período da Arqueologia brasileira, a fundação do Museu Real em 1808, que viria depois a ser reformulado como o Museu Nacional. Seu perfil era próximo de um museu de história natural, servindo como uma base para os estrangeiros viajantes e em expedição. Um dos objetivos do museu era o incentivo à pesquisa zoológica e botânica, mas ele serviu também como um repositório para os artefatos encontrados por pesquisadores diversos, a título de "curiosidades". Um arqueólogo que se destacou bastante neste período foi o dinamarquês Peter Wilhem Lund, um naturalista que teve seus primeiros contatos com o Brasil em 1825, e mais tarde fixou residência em Lagoa Santa, Minas Gerais, em 1834. Lund tinha trabalho focado em zoologia e paleontologia, tendo pesquisado mais de 800 cavernas, documentando e coletando vestígios arqueológicos de animais extintos. Destaca-se a descoberta de Lund de vestígios de ossos humanos na Lapa do Sumidouro, junto a sinais de animais pleistocênicos, o que estabeleceu uma teoria sobre a presença de seres humanos contemporâneos àqueles animais. Essa descoberta foi importantíssima, pois na época não havia nenhuma evidência que sustentasse a presença humana num período tão antigo, de modo que houve muitos debates sobre as possibilidades dessa hipótese de existência humana. Lund defendeu fervorosamente sua tese, que ficou conhecida como a questão do homem de Lagoa Santa

"O que me encanta na arqueologia é o fato de que a gente pode recontar a história de populações que de outra maneira nunca seriam conhecidas." (Walter Alves Neves)

17 janeiro, 2024

A piada mais antiga do mundo

A piada mais antiga que encontramos até hoje foi registrada duas vezes em tabuletas sumérias antigas, remontando a 4.000 anos.
Um cachorro entra em um bar, mas não vê nada. E então ele pergunta: devo abrir um?
Sim, eu também não entendo. Eu acho que teria que estar lá. Ou, talvez, essa piada tenha sido inventada antes do humor.
Algumas das maiores mentes do mundo têm trabalhado a respeito. Foi traduzida corretamente? O que o cão representava na cultura suméria? A estrutura "entra em um bar" pode realmente ser tão antiga? A piada foi interpretada de várias maneiras diferentes porque a linguagem e o contexto cultural eram muito diferentes há 4.000 anos. Não é algo com que os especialistas chegassem a um acordo.
A piada possivelmente depende de suposições com as quais os antigos sumérios teriam convivido, mas nós não. Por outro lado, talvez não fosse mesmo tão engraçada naquela época. Foi registrada em coleções de provérbios e conselhos, embora também não funcione nesse contexto.
(https://www.neatorama.com/2023/05/27/Can-the-Worlds-Oldest-Joke-Make-You-Laugh/)

Muitas pessoas se apressarão em se concentrar no lado mais físico e monoliticamente impressionante da arqueologia. Mas é nas pequenas coisas como esta que o mundo antigo ganha vida. As pirâmides podem ser inspiradoras, mas encontramos mais valor humano nas pichações deixadas pelos plebeus que as construíram do que na luxuosa decoração dentro da tumba do faraó.
(https://www.historicmysteries.com/sumerian-joke/)

18 agosto, 2023

Ossos de contagem

Você já ouviu falar do osso Lebombo?
É ainda mais antigo que o osso Ishango (que muitos pensam que representa a mais antiga tabela de números primos).

Imagem superior: osso Lebombo. Abaixo: osso Ishango com gravação de números primos 
(JD Loreto e DH Hurlbert Smithsonian)

O osso Lebombo é, de fato, o mais antigo artefato matemático conhecido no mundo. Descoberto na década de 1970 em Border Cave, um abrigo rochoso na escarpa ocidental das montanhas Lebombo, em uma área perto da fronteira da África do Sul com a Suazilândia (atual Eswatini). O osso foi encontrado no lado de Eswatini e data de 35.000 aC. Consiste em 29 entalhes distintos que foram deliberadamente cortados na fíbula de um babuíno.
O osso tem entre 44.200 e 43.000 anos, de acordo com 24 datações por radiocarbono. Isso é muito mais antigo que o osso Ishango com o qual às vezes é confundido. Outros ossos entalhados têm 80.000 anos, mas não está claro se os entalhes são meramente decorativos ou se têm um significado funcional.
De acordo com O Livro Universal de Matemática, os 29 entalhes do osso Lebombo "podem ter sido usados como um contador de fases lunares, caso em que as mulheres africanas podem ter sido as primeiras matemáticas, porque acompanhar os ciclos menstruais requer o conhecimento de um calendário lunar". 
(No entanto, o osso está claramente quebrado em uma extremidade, então os 29 entalhes podem ou não ser um número mínimo.)

09 agosto, 2021

El Castillo

El Castillo é uma pirâmide de degraus mesoamericana que domina o centro do sítio arqueológico de Chichen Itza, no estado mexicano de Yucatán. Este é um vislumbre do impressionante show de luzes realizado na pirâmide. Opção VÍDEO

Patrimônio Mundial da Unesco. Pirâmide de degraus mesoamericana em Chichen Itza, México. Material: calcário. Tem 24 m de altura, mais 6 m adicionais para o templo no topo.
Construída pela civilização maia pré-colombiana, em algum período entre os séculos 8 e 12 d.C, a pirâmide serviu como templo para a divindade Kukulcán, a serpente emplumada maia intimamente relacionada a Quetzalcoatl, uma divindade conhecida pelos astecas e outras culturas mexicanas centrais do período pós-clássico.
Por volta dos equinócios de primavera e outono , o sol do final da tarde atinge o canto noroeste da pirâmide e lança uma série de sombras triangulares contra a balaustrada noroeste, criando a ilusão da serpente emplumada "rastejando" pela pirâmide.

Poderá também gostar de ver:
A Pirâmide de Cholula (também no México)
Comparação das pirâmides (antigas, recentes e até mesmo em construção)

12 junho, 2021

O que os arqueólogos do futuro encontrarão?

Ao procurar por evidências de atividades humanas no passado, lembre-se de que você está ativamente envolvido na construção dos sítios arqueológicos do futuro. Como a arqueologia é o estudo de qualquer material deixado para trás por seres humanos, essa definição também se ajusta ao que resta após o festival anual do Burning Man em Nevada, por exemplo, ou conforme os migrantes viajam pela fronteira dos Estados Unidos com o México.
Na verdade, existem sítios arqueológicos em quase todos os lugares que você olha. Uma de nós (Stacey) uma vez estudou o lixo deixado para trás durante as festas numa estrada de rodagem. Meus alunos e eu queríamos entender se ex-alunos e alunos estavam bebendo diferentes tipos de álcool. Usando metodologias arqueológicas, descobrimos que os ex-alunos festejavam com álcool caro, como vinho e cervejas artesanais, enquanto os alunos bebiam o que podiam: cervejas corporativas baratas, sendo a Coors Light e a Bud Light as cervejas mais comuns.
Fizemos essa "descoberta" arqueológica mapeando e identificando cuidadosamente o lixo antes e durante o festival. Enquanto a maior parte foi recolhida, pedaços menores sem dúvida encontraram seu caminho para o solo, talvez para serem descobertos por um futuro "Programa de Arqueologia do Campus".

Extraído de: How Do Archaeologists Know Where to Dig? In: JSTOR Daily

19 maio, 2021

Saqqara, necrópole da antiga Memphis

Saqqara (Sacará ou Sacara, em português) é o nome de um sítio arqueológico do Egito, que funcionou como necrópole da antiga cidade de Mênfis, uma das várias capitais que o Antigo Egito conheceu ao longo de sua história. Situa-se a cerca de trinta quilômetros ao sul da cidade do Cairo, apresentando uma área com mais de seis quilômetros de comprimento e um quilômetro e meio de largura. No local encontram-se estruturas funerárias de um período que se estende desde 3 000 a.C. até 950 d.C.


Na parte norte de Saqqara, situa-se outra necrópole para animais sagrados, onde se encontraram babuínos, falcões e íbis mumificados. Entre os séculos VII e III a.C., verificou-se um crescimento da importância religiosa destes animais, tendo sido construído nesta zona de Saqqara templos dedicados ao culto dos animais, acompanhados de estruturas residenciais para os sacerdotes.

25 fevereiro, 2021

Qual é a cidade mais antiga do mundo?

Primeiros pontos urbanos
Mesmo quando os estudiosos concordam sobre os critérios para a definição de cidade, surgem complicações ao tentar datar o surgimento de cidades baseadas em ruínas arqueológicas. A maioria das cidades antigas cresceu gradualmente a partir de cidades mais humildes, fundadas muito antes. Esse longo período de urbanização muitas vezes se sobrepõe em vários locais de uma determinada região - tornando difícil dizer qual das primeiras cidades merece o título de primeira do mundo.
Em vez de "brigar" pela primeira cidade, é mais interessante e produtivo para os pesquisadores investigarem esses períodos de urbanização. Por que os povos antigos abandonaram seus modos rurais ou nômades para se aglomerarem nessas cidades moderníssimas e densamente povoadas?
O processo se desenrolou em diferentes regiões em momentos diferentes. As cidades começaram a surgir no Vale do Indo, no atual Paquistão e Índia, há cerca de 4.000 anos; na China, cerca de 3.000 anos atrás; e, na América Central, entre os séculos 1 a.C. e 1 d.C.
Mas a primeira região de urbanização foi o Oriente Médio com a antiga Mesopotâmia. Cerca de 10.000 anos atrás, logo após o início da agricultura ali, o local de Jericó na Cisjordânia atual apresentava enormes muros de pedra, cercando um assentamento com 2.000 a 3.000 residentes. Há 9.000 anos, Çatalhöyük, localizada na atual Turquia, provavelmente mantinha vários milhares de pessoas em casas feitas de tijolos de barro e gesso. Sem ruas no nível do solo entre elas, as pessoas se moviam nos telhados e entravam nas casas por meio de escadas através de buracos no teto. Embora esses assentamentos fossem excepcionalmente grandes para a época, eles aparentemente careciam de outras características de cidade.
Na Mesopotâmia, as primeiras cidades verdadeiras parecem ter surgido alguns milênios depois, entre 5.500 e 3.800 a.C., durante a Idade do Bronze. Entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque, o local de Uruk emergiu como o centro político, cultural e religioso de seus 40.000 residentes, bem como das pessoas nas terras vizinhas. Tell Brak, ao norte da Síria, provavelmente alcançou igual proeminência na mesma época. Apresentava monumentos seculares e religiosos, oficinas industriais e produtos de prestígio importados da região metropolitana.
Hoje, essas duas cidades de vanguarda estão em ruínas - grandes montes empoeirados, que os arqueólogos continuam a escavar e investigar. Durante a Idade do Bronze, outras cidades mesopotâmicas apareceram logo depois de Uruk e Tell Brak, incluindo algumas continuamente ocupadas até hoje, como Damasco e Jerusalém. O que levanta outra questão: o título de "cidade mais antiga" deve ir para os primeiros pontos urbanos ou para os que duram mais tempo?

Extraído de: Which ancient city is considered the oldest in the world?, por Briget Alex. In: DISCOVER

26 julho, 2019

Um fóssil trilobita

Este é um fóssil trilobita Boedaspis, de 480 milhões de anos, encontrado na pedreira de Putilovo, perto de São Petersburgo, Rússia.



Foi extraído do calcário circundante por um mestre preparador de fósseis, usando abrasivos de ar sob microscópio.
Tempo usual de preparação desse tipo de exoesqueleto: 100 - 200 horas.


Os trilobitas eram em grande maioria de ambientes marinhos. Eles possuíam um exoesqueleto de natureza quitinosa que, na zona dorsal, era impregnado de carbonato de cálcio, o que lhes permitiu deixar fósseis em abundância.

27 junho, 2019

As pirâmides do Egito

Cairo, 1920 - Numa escavação nos arredores da cidade, um arqueólogo, cuja única companhia é um camelo um tanto mistificado, acaba de fazer a descoberta de uma vida inteira.

22 fevereiro, 2019

A arqueologia de uma bolsa

Tradução: PGCS

Da bolsa
Luís Fernando Veríssimo

Por dentro, mulher não é muito diferente de homem. Fora nas partes óbvias, em que somos convexos e elas são côncavas, e em um ou outro detalhe, somos iguais. Anatomicamente, portanto, a mulher não tem mistério para o homem. Ali fica o coração, ali o fígado, ali (onde mesmo?) o pâncreas... Igualzinho a nós. Não é verdade que elas têm glândulas secretas que a medicina ainda não se animou a examinar a fundo, como as que determinam o seu comportamento na direção de veículos automotores e no shopping. Temos (mais ou menos) as mesmas glândulas.
Só duas partes da mulher continuam a desafiar a compreensão dos homens: sua mente e sua bolsa. Sabemos muito pouco do conteúdo de ambas e estamos constantemente nos surpreendendo com o que sai lá de dentro. E quando pedimos explicações, elas despistam.
O cérebro feminino não é biologicamente diferente, que eu saiba, do cérebro masculino e uma bolsa de mulher não deveria ser diferente de qualquer outro meio de guardar e transportar coisas, mas as surpresas se repetem. Tanto a mente quanto a bolsa femininas parecem ter acessos a mundos, mananciais, veios, supridores inacessíveis ao pensamento ou à mão do homem. De onde é que elas tiram aquilo tudo?!
É uma pergunta que nos atormenta desde aquele momento em que a Eva não só teve a idéia de comer a fruta proibida como produziu - de onde, meu Deus? - o canivete para descascá-la e uma toalha para estender na grama, e nunca mais fomos os mesmos.[...]

17 dezembro, 2015

O eterno impulso de criar

O que inspira os seres humanos a deixarem sua marca no mundo?
Seja qual for a resposta, esse impulso já existia há dezenas de milhares de anos, conforme atestam pinturas rupestres na ilha Sulawesi, na Indonésia. Uma nova pesquisa, cujos detalhes foram publicados na "Nature", sugere que essas pinturas têm entre 17.400 e 39.900 anos.
Anteriormente, pensava-se que a arte rupestre na Indonésia surgira há, no máximo, 10 mil anos. Usando uma técnica de datação com urânio para analisar 14 pinturas (12 mãos humanas e duas representações figurativas de animais), os arqueólogos encontraram o verdadeiro período em que foram criadas.


Contra uma visão eurocêntrica
Isso desafia a antiga opinião de que a Europa Ocidental fosse, no período acima referido, o centro (exclusivo) da criatividade. Na mesma época, do outro lado do mundo, já havia homens e mulheres que faziam desenhos tão notáveis quanto as conhecidas pinturas das grutas da França e da Espanha, que remontam à Era Glacial, [PGCS]

Poderá também gostar de ver
O seixo Makapansgat e Beleza Paleolítica

05 novembro, 2015

Beleza Paleolítica

A Vênus de Willendorf é uma das mais antigas esculturas representativas do corpo humano de que se tem notícia. Com pouco mais de 11 centímetros de altura, a estatueta tem os seios, o ventre, a vulva e as nádegas extremamente volumosos, de onde se infere que guarda uma forte relação com o conceito de fertilidade.
Descoberta em um sítio arqueológico do Paleolítico, situado perto de Willendorf, na Áustria, foi esculpida por um caçador-coletor que viveu na região, cerca de 25 mil anos atrás.
O apelido com que ficou conhecida causa relutância a alguns estudiosos atuais, que não conseguem ver nesta figura – com características de obesidade –a imagem clássica de uma Vênus. Estas características, no entanto, eram altamente desejáveis no ambiente frio e sombrio, remanescente da era do gelo na Europa.
Por isso, o artista carregou a mão no calcário. Para destacar as partes do corpo feminino que tem a ver com o sucesso da reprodução.
Esta Vénus faz parte da coleção do Museu de História Natural de Viena (Naturhistorisches Museum).

Ver também:
O seixo de Makapansgat

02/03/2022 - Atualizando ...
Fim do mistério: eles revelam a origem da Vênus de Willendorf, DigitalTrends

14 setembro, 2015

A maior pedra esculpida por mãos humanas


Este bloco de pedra mede 19,6 metros de comprimento por 6 metros de largura por 5,5 metros de altura. Com o peso estimado em 1.650 toneladas, é maior pedra já esculpida por mãos humanas. Remonta a mais de dois mil anos atrás.
O Instituto Arqueológico Alemão descobriu-a em Baalbeck, um sítio arqueológico no Líbano.
Os arqueólogos acreditam que ela foi esculpida para ser o pódio de um templo em Heliópolis, dedicado ao deus romano Júpiter.
Foi abandonada na pedreira provavelmente devido à rachadura que apresentava e/ou a dificuldades para o transporte. A pedra recém-descoberta poderá ajudá-los a compreender melhor os métodos de mineração da antiguidade.

A pedra de Pedro e A pedra de Isa

11 abril, 2015

VemPraArgentina

Arqueólogos argentinos da Universidade de Buenos Aires descobriram o que acreditam ser uma covil nazista.  De acordo com o jornal argentino Clarín, eles encontraram as ruínas de três prédios (foto) em uma selva ao norte da Argentina, perto da fronteira com o Paraguai.


Eles também encontraram no local moedas alemãs produzidas no período de 1938 a 1941, um pedaço de um prato de porcelana, onde se lê "Made in Germany", e símbolos nazistas desenhados nas paredes, inclusive suásticas.
Os arqueólogos acreditam que esses prédios, atualmente em ruínas, foram construídos durante a II Guerra Mundial para servirem de refúgio a oficiais nazistas de alto escalão.
A hierarquia nazista nunca precisou usar esses abrigos porque, ao chegar à Argentina, percebeu que podia viver livremente em suas cidades.