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06 novembro, 2018

Réquiem para uma mídia impressa

Para quem gosta da VEJA, coisas do gênero e tem estômago. Será ou foi O Quarto Poder "de jure et de facto" do que sobrou da República?
Jaime Nogueira
Tenho a clara convicção de que a mídia impressa perdeu totalmente a força política e a reverência e credibilidade que tinha até os últimos 10 anos. Coitados dos italianos de Niterói donos de banca de Jornal, que atualmente sobrevivem vendendo cigarro, refrigerante, balas e coisas típicas de pequenas bodegas ou, melhor definido pelos pernambucanos, como "fiteiros". Foram-se os tempos em que as pessoas se aglomeravam em torno das bancas para bisbilhotar as manchetes do dia e cumprir o ritual de adquirir seu exemplar, quando não o recebia em casa, e dar aquela discreta espiadinha nas capas das revistas de mulher pelada com a devida discrição de quem compra camisinha numa farmácia cheia de mulheres conhecidas. O "modus operandi" desta mídia é por demais manjado - é a voz do dono do jornal e seus interesses, e só, como nas nostálgicas propagandas da RCA Victor.
O texto abaixo é um réquiem destas coisas. [JN]
A Corrupção Como Espetáculo Midiático: Análise das capas da revista Veja sobre a Lava Jato. Célia Ladeira MOTA e Paulo Henrique Soares de ALMEIDA.

18 julho, 2018

Os filtros midiáticos que manipulam a opinião pública

Segundo o modelo de Chomsky, (*) a mídia opera através de 5 filtros:
1. PROPRIEDADE: As firmas de mídia de massa são grandes corporações. Muitas vezes, são parte de conglomerados ainda maiores com uma única finalidade: lucrar. O que deixa o jornalismo crítico em segundo lugar entre as prioridades do interesse corporativo.
2. FINANCIAMENTO: A mídia custa muito mais do que os consumidores jamais vão pagar. Então, quem financia a propaganda? Anunciantes que pagam pelo público. Ou seja, a mídia não está apenas vendendo seu conteúdo, mas sim, você.
3. FONTE: Como é administrada a mídia? O jornalismo não pode monitorar o poder, porque esse mesmo sistema incentiva a cumplicidade. Governos, corporações, grandes instituições influenciam a narrativa das notícias. Ou seja, são eles que fornecem para a mídia os furos de notícia, fontes oficiais e até entrevistas com "especialistas". Se fazendo cruciais para o processo jornalístico. O que garante uma certeza: Se você quiser desafiar o poder, será empurrado para a margem.
4. PRESSÃO: Quando a narrativa é inconveniente para os que estão no poder, vários grupos de pressão atuam em empresas dos meios de comunicação. Como uma chantagem velada, para que os grandes meios de comunicação jamais saiam de uma linha editorial consoante com seus interesses.
5. NORMATIVO: Para manufaturar um consenso, é preciso de um inimigo – um alvo. Quem são eles? Comunistas, imigrantes, terroristas, entre outros. A ideia de um inimigo em comum, um monstro para se temer, ajuda a encurralar a opinião pública.
(*) Noam Chonsky, filósofo, linguista e ativista político. Via Catraca Livre


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Lawfare, a experiência brasileira
https://twitter.com/FatosNacionais/status/1017196884497223680

A missão da PRÓ-VÍTIMAS
A PRÓ-VÍTIMAS foi criada para contribuir com a luta pela afirmação do Estado democrático de direito e da cidadania, para proteger e amparar cidadãs e cidadãos vítimas de agentes do Estado, que, no exercício de suas funções públicas, abusam de prerrogativas, da discricionariedade, age em desrespeito à Constituição, às leis estabelecidas, a direitos, humilha, censura, limita, extorque, prevarica, submete cidadãos a caprichos pessoais, a interesses e ideologia. A associação oferece alternativa de última instância para quem não encontra no Judiciário o devido amparo para garantias que lhe são de direito, em razão de omissão, de conluio entre membros dos poderes, com a imprensa, para proteção do abuso e do abusador
https://www.provitimas.org/

05 novembro, 2017

Fake news

O Dicionário Collins Online, publicado a partir de Glasgow, GB, escolheu como "palavra do ano" de 2017 a expressão "fake news".
Eles informam que "fake news", "notícias falsas", foi um termo amplamente usado por Donald Trump quando estava em campanha para a presidência, em geral para se referir a notícias negativas sobre ele, mas parece que o mundo inteiro passou a imitá-lo na utilização do termo. Em 2017, as menções a fake news aumentaram 365% em mídia de língua inglesa.
No Brasil, as várias modalidades de notícias falsas foram usadas por ocasião do impeachment da presidente Dilma Rousseff, acusada falsamente de improbidade administrativa. Também vêm sendo usadas no lawfare contra o ex-presidente Lula, que denunciou o fato através de seus advogados no Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos.
E o maior dos fake news continua sendo atribuir a invenção do termo ao presidente Donald Trump,
Últimos vencedores de "palavra do ano"
2016 - Brexit: Substantivo que significa a "saída do Reino Unido da União Europeia".
2015 - Binge-watch: Verbo que significa "assistir de uma vez a um grande número de programas televisivos, especialmente a todos os episódios de uma série".
2014 - Photobomb: Verbo que significa "estragar uma fotografia ao passar em frente de quem está sendo fotografado, normalmente fazendo algo bobo, como uma cara engraçada".
2013 - Geek: Substantivo que significa alguém com "talento no uso de computadores, e que parece se interessar mais por eles do que por pessoas".

12 agosto, 2017

Tribunal Popular e lançamento de livro

O Tribunal Popular da Lava Jato condenou nesta sexta-feira (11) as irregularidades e violações constitucionais cometidas pela operação desde 2014. A sentença, que tem valor simbólico, foi lida pelo juiz Marcelo Tadeu Lemos, de Alagoas, às nove e meia da noite, após sete horas de debate público.
"Julgo procedente a acusação e condeno a Lava Jato por todas as ilegalidades que praticou ao longo de três anos no Brasil", decretou o magistrado.
A decisão dos jurados foi unânime, e resultou na "condenação popular" das ações do Poder Judiciário, da força-tarefa, da mídia comercial e do Ministério Público no âmbito da operação Lava Jato.
O evento, organizado pelo Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD), aconteceu no Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil (Sitracon), em Curitiba. A cidade é a sede da força-tarefa da Lava Jato e tornou-se símbolo das arbitrariedades e violações de direitos por parte do Poder Judiciário no Brasil. A data também é simbólica: 11 de agosto é o Dia do Advogado. (Daniel Giovanaz)
Ler a íntegra em Rede Brasil Atual.

Um exemplo de como a imprensa está desconectada dos setores progressistas da sociedade brasileira foi o lançamento do livro "Comentários a uma sentença anunciada – O Processo Lula".
O evento foi ontem à noite (11), a fila começava no saguão da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e se estendia pela rua.
O auditório tinha espaço para 400 pessoas, mas, no ato que se seguiu ao lançamento do livro (que tem 123 autores), havia pelo menos duas mil, e tiveram que arrumar um telão para que todos assistissem. No estoque levado para o lançamento no Rio, não sobrou um exemplar para ser vendido.
Mas quem procurar nos jornais não encontrará quase nada sobre o evento nem sobre o livro.
É, de fato, um ato político, mas não um ato de políticos. Pode ser um marco no estudo deste tempo, em que o Judiciário foi instrumentalizado politicamente, numa aliança com a mídia. (Joaquim de Carvalho)
Ler a íntegra em Diário do Centro do Mundo.

11 abril, 2017

Primeira seletiva do "King of the Kings - 2017"

No blog Coleguinhas, em 2 de abril:
Já estamos em abril! Rápido, né? Então, já é hora da primeira seletiva do King of the Kings - 2017! Selecionei dez matérias e sei que você vai reclamar ("mas teve muito mais") e devo concordar. No entanto, como faço há alguns anos – desde que os coleguinhas de redação perderam de vez a noção e a vergonha e passaram a cascatear como se não houvesse amanhã -, tenho sido muito rígido na escolha das cascatas que chegam à seletiva: elas precisam ser bem escancaradas, cabeludas mesmo, para chegarem ao escrutínio.
Como sempre, comecemos pelas regras:
1. Você pode votar em até seis (6) concorrentes entre as dez da lista.
2. Você ainda terá uma nova chance de votar nas quatro não classificadas, pois elas voltarão na próxima seletiva.
3. A votação terminará no próximo domingo, 9 de abril.

Resultados
1. Folha usa foto de manifestação de 2016 para mostrar que protesto do MBL de 2017 foi um sucesso. (77 votos/14%)
2. Maluco conhecido diz ter levado mala de dinheiro para Lula e IstoÉ dá capa. (72/13%)
3. Exame usa exemplo de Mick Jagger para defender reforma da Previdência. (71/13%)
4. Apresentadora da Record diz que índios deviam ficar sem remédios contra malária para morrerem. (61/11%)
5. Delegado da PF diz que não de precisa de provas para prender Lula, apenas “timing” certo. (Veja) (57/10%)
6. PF afirma que carne é enxertada com papelão e vitamina C é cancerígena e veículos publicam sem checar (Vários). (57/10%)

27 maio, 2016

Corrupção

Grosseiramente, convencionou-se que corrupção é roubar dinheiro público. Estão restringindo o significado da palavra a isso. Mas é muito mais que isso.
A denúncia falsa, a mentira, a deturpação, a adulteração e a manipulação da informação são atos de corrupção, tão perniciosos quanto afanar dinheiro do povo.
[...]
O artigo 221 da Constituição não foi regulamentado por nenhum governo. Tornou-se um tabu falar em regulamentação dos dispositivos constitucionais.
Mas o que diz o artigo?
Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
Por que o Ministério Público não investiga as empresas de comunicação para verificar se elas estão cumprindo o que determina a Constituição?
Jornalista Laurez Cerqueira
(extraído do site 24/7)

04 março, 2016

O código binário do jornalismo ordinário, de Marcos Carvalho

O código binário do jornalismo ordinário consiste em uma linguagem binária cujos valores zero e um corresponde a "Não é do PT" e "Do PT", respectivamente.
Quando uma notícia ruim envolve um político que não é do PT, o sistema de jornalismo ordinário assume o valor "Zero", não sendo necessária a informação do partido político do dito cujo, visto que zero é um valor nulo (não tem energia), portanto a ausência de informação o representa de forma satisfatória.
Porém, uma notícia de igual teor envolvendo um político do PT, fará com que o sistema de jornalismo ordinário assuma o valor "Um" (tem energia), desta forma poderemos ver a informação "Do PT" após a citação do político envolvido.
Este sistema pode ser facilmente observado nesta matéria do UOL, a seguir:
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/10/03/policia-do-rio-prende-vereador-acusado-por-morte-de-prefeito-na-regiao-serrana.htm
Destaque:
"Rio - Rio, 03/10/2015 - Policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói prenderam no fim da tarde de sexta-feira, 3, o vereador Douglas Borges, da Câmara Municipal de Macuco, na região Serrana do Rio, por suspeita na morte do ex-prefeito do município Rogério Bianchini. O crime aconteceu no dia 30 de abril deste ano".
Até um coxinha quando lê este texto sabe que não se trata de ninguém do PT, pois não há nenhuma informação sobre os partidos dos envolvidos.
http://jornalggn.com.br/fora-pauta/o-codigo-binario-do-jornalismo-ordinario-de-marcos-carvalho

13 março, 2015

A massa, a marca e a mídia

"A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa." ~ George Orwell


Hashtag #GloboGolpista desde ontem no topo dos TT quebra índices de popularidade e interação.

24 outubro, 2014

O terrorismo eleitoral da Veja

Transcrição da fala da presidente Dilma sobre a última reportagem de capa da revista Veja:
"Meus amigos e minhas amigas, eu gostaria de encerrar minha campanha na TV de outra forma, mas não posso me calar frente a esse ato de terrorismo eleitoral articulado pela revista Veja e seus parceiros ocultos. Uma atitude que envergonha a imprensa e agride a nossa tradição democrática. Sem apresentar nenhuma prova concreta e mais uma vez baseando-se em supostas declarações de pessoas do submundo do crime, a revista tenta envolver a mim e ao presidente Lula nos episódios da Petrobras que estão sob investigação da justiça. Todos os eleitores sabem da campanha sistemática que a revista move há anos contra Lula e contra mim, mas dessa vez a Veja excedeu todos os limites. Desde que começaram as investigações sobre ações criminosas do Senhor Paulo Roberto Costa eu tenho dado total respaldo a Policia Federal e ao Ministério Público até a sua edição de hoje, às vésperas das eleições que em todas as pesquisas, apontam a minha nítida vantagem sobre meu adversário a maledicência da Veja tentava insinuar que eu poderia ter sido omissa na apuração dos fatos. Isso já era um absurdo, isso já era uma tremenda injustiça, hoje a revista excedeu todos os limites da decência e da falta de ética pois insinua que eu teria conhecimento prévio dos maus feitos na Petrobras e que o presidente Lula seria um de seus articuladores. A revista comete esta barbaridade, esta infâmia contra mim e contra o presidente Lula sem apresentar a mínima prova. Isso é um absurdo, isso é um crime, é mais do que clara a intenção malévola da Veja de interferir de forma desonesta e desleal nos resultados das eleições. A começar pela antecipação da edição semanal para hoje, sexta-feira, quando normalmente chega às para as bancas no domingo, mas como das outras vezes e nas outras eleições, Veja vai fracassar no seu intento criminoso, a única diferença é que dessa vez ela não ficará impune. A justiça livre desse país seguramente vai condená-la por esse crime. Ela e seus cúmplices tão pouco conseguirão sucesso no seu intento criminoso. O povo brasileiro tem maturidade suficiente para discernir entre a mentira e a verdade. O povo brasileiro sabe que não compactuo e nunca compactuei com a corrupção. A minha história mostra isso. Farei o necessário doa a quem doer, de investigar e de punir quem mexe com o patrimônio do povo. Sou uma defensora intransigente da liberdade de imprensa, mas a consciência livre da nação não pode aceitar que mais uma vez se divulgue falsas denúncias no meio de um processo eleitoral em que o que está em jogo é o futuro do Brasil. Os brasileiros darão sua resposta à Veja e seus cúmplices nas urnas e eu darei minha resposta na justiça." VÍDEO
Blogosfera
[1] A capa criminosa da Veja desta semana |  [2] Como funciona a "venda casada" entre a Veja e o JN |  [3] Ley de Medios começou: Dilma vai processar a Veja |  [4] PSDB em desespero: Veja tenta última cartada |  [5] Golpe de Veja forçará redemocratização da mídia | [6] Aposta da Veja é terceiro turno golpista | [7] A última tacada da Editora Abril | [8] Golpe midiático em marcha: Globo entra hoje no 'escândalo' da Veja | [9] Credibilidade da Veja vira piada nas redes
O valor da mentira e coisas afins
"Golbery do Couto e Silva dizia que a mentira tem mais valor que a verdade. A verdade é monótona, tem uma só leitura. Já a mentira traz um enorme conjunto de informações a serem pesquisadas, as intenções do mentiroso, a maneira como a mentira foi montada." ~ Luis Nassif
"Prova não é a palavra de ninguém – gravada, escrita ou dita em público. Porque o ser humano pode dizer qualquer coisa que imagine que vá beneficiá-lo ou prejudicar um opositor. Imagine que alguém queira destruir moralmente você. Ele afirma que você é pedófilo, por exemplo. Grava um vídeo e coloca no YouTube. O fato de ele haver falado que você é pedófilo não prova nada, evidentemente. Você o processa. A Justiça vai pedir provas. Se o difamador não as tiver, estará diante de uma encrenca considerável. O raciocínio acima não vale, infelizmente, para o jornalismo, dada a influência que as empresas de mídia exercem sobre a Justiça no Brasil. Mas vale em sociedades mais avançadas. O caso clássico, neste capítulo, é o de Paulo Francis." ~ Paulo Nogueira
"É hora de tratar os barões da mídia como de fato são: inimigos! Não do PT e da esquerda; inimigos de um projeto social generoso, inimigos da Democracia. Os barões da mídia representam o atraso, o preconceito, são o partido de direita no Brasil. Um partido extremista, que precisa ser enfrentado, e derrotado. Nas urnas e nas ruas." ~ Rodrigo Vianna

11 junho, 2014

Max Nunes (1922–2014)

Morreu hoje (11), aos 92 anos, o médico e humorista brasileiro Max Nunes.
Pioneiro dos programas de humor no rádio e na televisão, foi criador e redator do programa "Balança Mas Não Cai", grande sucesso na década de 1950, na Rádio Nacional, onde se consagraram atores como Paulo Gracindo e Brandão Filho nos papéis de "Primo Rico" e "Primo Pobre".
Vários personagens de Jô Soares tiveram origem em textos de Max Nunes, a quem Jô considerava seu padrinho artístico.
Criou bordões que se tornaram clássicos como "o macaco tá certo", proferido pelo macaco Sócrates (Orival Persini), do "Planeta dos Homens".
Era também compositor, tendo sido o autor da marcha carnavalesca "Bandeira Branca".
Alguns pensamentos de Max Nunes
O Brasil precisa explorar com urgência a sua riqueza – porque a pobreza não aguenta mais ser explorada.
Personalidade é aquilo que uma pessoa tem quando não está precisando do emprego.
Há casais que se detestam tanto que não se separam só para um não dar esse prazer ao outro.
Não era uma mulher, era uma guilhotina. Cinco homens perderam a cabeça por sua causa.
O caqui não passa de um tomate diabético.
Era tão azarado que, se quisesse achar uma agulha no palheiro, era só sentar-se nele.
Não é que as moças de hoje sejam mais bonitas. É que as de ontem já deixaram de ser.
O casamento é o único jogo que acaba mal sem que ninguém ponha a culpa no juiz.
Quem pede a palavra nem sempre a devolve em condições.

23 janeiro, 2014

Palmas para Llosa

Vargas Llosa, um dos queridinhos da mídia brasileira por suas posições quase sempre conservadoras, deve sumir dos jornais e revistas do país, a partir de agora.
É que Llosa disse, numa entrevista, (*) uma coisa que a mídia não quer que se discuta: que a concentração é uma real ameaça à democracia.
“Nenhuma democracia digna deste nome permite monopólio de mídia”, afirmou Llosa.
Liberdade de imprensa só é liberdade de imprensa, de verdade e não de mentirinha, quando há uma diversidade de opiniões que só a desconcentração da propriedade permite.
É óbvio.
Mas no Brasil esta é discussão que a mídia, pela voz de seus fâmulos, não quer que se trave porque não é de seu interesse.
A atitude mais comum, quando se levanta o assunto, é dizer que se está procurando “censurar” a imprensa.
É quando o cinismo se encontra com a vigarice. [...]

(*) Ao LaRepublica.pe: na entrevista concedida por Mario Vargas Llosa (Premio Nobel de Literatura) a Gustavo Gorriti.
“Ningún país democrático digno acepta concentración de prensa.”

16 setembro, 2013

O bode expiatório ▬ Casuísmo

O bode expiatório
por Valton Leitão, médico
Quando Orwell escreveu "O Triunfo dos Porcos" (Animal Farm), em 1945, para satirizar o marxismo stalinista, não poderia imaginar que seu texto seria aplicado com maior justeza ainda ao mercado capitalista contemporâneo.
Os porcos revolucionários da fazenda afastam o administrador Jones e proclamam que daí em diante governarão suas próprias vidas estabelecendo uma Constituição, na qual os quadrúpedes mais competentes e éticos substituirão os bípedes humanos incompetentes e corruptos no mundo.
Imediatamente dois porcos de elevada inteligência, Napoleão e Bola-de-Neve, travam uma ferrenha luta pelo Poder. Durante a Assembleia Constituinte fica determinado que “todos são iguais perante a lei”, mas um porquinho atrevido na plateia grita: “Alguns são mais iguais que os outros”. A sátira de Orwell se ajusta perfeitamente ao que acontece atualmente no mundo. [...]
Nenhum tribunal penal se manifestou diante da estupidez do moderno Napoleão, pois ao que tudo indica o sistema jurídico-político como dizia Carl Schmitt, não se aplica ao caso excepcional determinado pelo soberano. Schmitt afirma que soberano é aquele que decide pelo estado de exceção e, portanto, pode desrespeitar qualquer Carta Constitucional ou Diretos Humanos consagrados mundialmente.
O Brasil, por seu turno, assistiu a um espetáculo político-midiático que a nossa mídia americanófila não se cansa de aplaudir, ou seja, o chamado mensalão. Antes desse caso de caixa dois, quase duzentos outros já haviam sido denunciados, inclusive o do Senador Eduardo Azeredo, do PSDB mineiro. A pergunta que não quer calar é: por que entre todos esses processos de uma prática usual no mercado político foi escolhido precisamente aquele que implicava um setor do PT e da esquerda e julgado às vésperas de um processo eleitoral?
A famosa dosimetria tem alguma semelhança conceitual com a cirurgia guerreira americana? Creio que Napoleão que prendeu e baniu Bola-de-Neve talvez pudesse responder a tais perguntas.
Onde ler o artigo completo: Jornal "O Povo", edição de 15/09/13 - Opinião
Casuísmo
por Valdemar Menezes, jornalista
O julgamento sobre a continuação dos embargos infringentes no ordenamento interno do Supremo Tribunal Federal transformou mais uma vez a Corte num espetáculo lastimável de pressão política para bloquear o direito dos condenados ao ritual pleno do devido processo legal, preferindo-se correr o risco da suspeição de “julgamento de exceção”. Isso contraria norma interna do STF recepcionada com status de lei pela Constituição, segundo a qual quem recebeu quatro votos contrários à condenação a que foi submetido pela maioria da corte suprema, num determinado crime, tem direito a revisão do julgamento naquele crime específico. No entanto, intervenções autoritárias e arrogantes de certos ministros contrários aos embargos, fazendo peroração política ao invés de procurar destacar o argumento técnico e defender a precedência do devido processo legal (seguida da tentativa de açular a opinião pública contra quem insistia em se manter fiel aos princípios clássicos do Direito), deixaram estupefatos aqueles que jamais esperariam tal atitude de um magistrado da alta corte.
Mais uma vez, o carimbo de “julgamento político”, que acompanhou todo o desenrolar desse processo, parece justificar-se com todas as letras. Tentar mudar as regras do jogo com o processo em andamento e na fase final é puro “casuísmo” - frisou corajosamente o ministro Luís Roberto Barroso. Aliás, desde o início, a começar pela negação do desmembramento do processo (o que não foi feito com o mensalão do PSDB) esse julgamento é um rosário de anomalias jurídicas, segundo especialistas. [...]
Muita gente ficou com “pulga na orelha” depois da súbita lentidão que se apossou da sessão, que todos tinham como certa de ser concluída na última quinta feira. O ministro relator (e presidente da Corte) de repente perdeu a sofreguidão de concluir o julgamento, como vinha sendo sua marca durante todo esse tempo. Faltando apenas um voto para a conclusão e tendo o votante já declarado ter o voto pronto, o presidente se apressou em postergá-lo para daí a uma semana.
(◄) Para quê, hein?- perguntam muitos curiosos em Brasília e em todo o Brasil. Deus tenha piedade do ministro Celso de Mello e lhe dê couro forte para suportar a artilharia pesada já devidamente apetrechada por certos segmentos poderosos para fazê-lo abjurar da coerência mantida até aqui na defesa técnica e doutrinária do devido processo legal e que teve na recepção aos embargos infringentes uma de suas maiores expressões como magistrado. Teremos todos a oportunidade histórica de constatar que tipo de estofo judicante subsistirá nele depois das impiedosas pressões que desabarão sobre sua cabeça, provenientes dos setores que já tinham traçado um desfecho milimetricamente pré-determinado, cujo roteiro tinha de ser obedecido a pau e pedra.
Onde ler o artigo completo: Jornal "O Povo", edição de 15/09/13 - Colunas

09 agosto, 2013

Veríssimo pede desculpas

Devo um pedido de desculpas à grande imprensa nacional. Me desculpe, grande imprensa nacional. Quando li a matéria da “IstoÉ” sobre o cartel consentido formado em São Paulo para a construção de linhas de trem e metrô sob sucessivos governos do PSDB e as suspeitas de um propinoduto favorecendo o partido, comentei com meus botões (que não responderam porque não falam com qualquer um): essa história vai para o mesmo pântano silencioso que já engoliu, sem deixar vestígios, a história do mensalão de Minas, precursor do mensalão do PT.
E não é que eu estava enganado? A matéria vem repercutindo em toda a grande imprensa. Com variáveis graus de intensidade, é verdade, em relação ao tamanho do escândalo, mas repercutindo. Viva, pois, a nossa grande imprensa. Já se começava a desconfiar que o Brasil, onde inventam tanta novidade, tinha adotado, definitivamente, dois sistemas métricos diferentes.
Prossiga lendo...
Luis Fernando Veríssimo

Emanações do pântano silencioso
O propinoduto do tucanato paulista com dinheiro da Siemens, IstoÉ
Um propinoduto criado para desviar milhões das obras do Metrô e dos trens metropolitanos foi montado durante os governos do PSDB em São Paulo. Lobistas e autoridades ligadas aos tucanos operavam por meio de empresas de fachada.
Trens e Metrô superfaturados em 30%, IstoÉ
Ao analisar documentos da Siemens, empresa integrante do cartel que drenou recursos do Metrô e trens de São Paulo, o Cade e o MP concluíram que os cofres paulistas foram lesados em pelo menos R$ 425 milhões.
Serra deu uma patada atômica nos paulistas, por Paulo Nogueira, DCM
Com cinco anos de atraso, a Folha coloca Serra na manchete no escândalo do metrô.
Escândalos do PSDB represados por 19 anos inundam o JN
Abaixo, a matéria lida por Willian Bonner e Patrícia Poeta durante longos minutos, possivelmente um recorde de veiculação de notícia incômoda para o PSDB. É longa, mas quem não assistiu a edição do JN da última quinta-feira (8), poderá ainda ver a matéria neste vídeo, que é surpreendente tanto pela duração quanto pelo conteúdo.



21 maio, 2013

Sheeple

Do inglês sheep (ovelha) + people (pessoas).
É um termo pejorativo que atribui o comportamento de rebanho de ovelhas a pessoas que simplesmente acreditam no que é dito, sem um estudo sério sobre o assunto, e principalmente se for veiculado pelos grandes canais de mídia. O termo é muito utilizado nos cenários político e religioso.

14 dezembro, 2012

Até quando?

por Paulo Nogueira, Diário do Centro do Mundo
Até quando será tolerado no Brasil que a mídia publique acusações graves sem nenhuma prova?
[...] Já falei algumas vezes de um caso que demonstra isso brilhantemente. Paulo Francis acusou diretores da Petrobras de corrupção. Como as acusações – não “revelações” – foram feitas em solo americano, no programa Manhattan Connection, a Petrobras pôde processar Francis nos Estados Unidos.
No Brasil, o processo daria em nada, evidentemente. Mas nos Estados Unidos a justiça pediu a Francis provas. Ele tinha apenas palavras. Não era suficiente. Francis teria morrido do pavor de ser condenado a pagar uma indenização que o quebraria financeira e moralmente.
Os amigos de Francis ficaram com raiva da Petrobras. Mas evidentemente Francis foi vítima de si mesmo e de seu jornalismo inconsequente.
Por que nos Estados Unidos você tem que apresentar provas quando faz acusações graves, e no Brasil bastam palavras?
Por uma razão simples: a justiça brasileira é atrasada e facilmente influenciável pela mídia. Se Francis fosse processado no Brasil, haveria uma série interminável de artigos dizendo que a liberdade de imprensa estava em jogo e outras patacoadas do gênero.
Nos Estados Unidos, simplesmente pediram provas a Paulo Francis.
Uma justiça mais moderna forçaria, no Brasil, a imprensa a ser mais responsável na publicação de escândalos atrás dos quais muitas vezes a razão primária é a necessidade de vender mais e repercutir mais.
Provas são fundamentais em acusações. Quando isso estiver consolidado na rotina do jornalismo e da justiça brasileira, a sociedade estará mais bem defendida do que está hoje.

30 julho, 2012

"MENSALÃO". Começa o julgamento pós-condenação da mídia golpista

Analise através das capas da Revista Veja o comportamento da mídia golpista em relação ao suposto mensalão e descubra a verdade sobre os fatos. De 2002 até a cassação de Demóstenes Torres, uma complexa trama de interesses particulares transformou um réu sem provas em condenado pela mídia.


DIA 2 DE AGOSTO COMEÇA O JULGAMENTO DO "MENSALÃO". 
QUEREMOS UM JULGAMENTO TÉCNICO, BASEADO NAS PROVAS E NÃO UMA CONDENAÇÃO PAUTADA PELA MÍDIA.
#JulgamentoLimpo
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-mensalao-nas-capas-de-veja

E QUANDO VAI SER JULGADO O MENSALÃO TUCANO?
Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho
Começa no próximo dia 2 de agosto, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento do chamado "mensalão do PT". Muito justo: afinal, o caso já se arrasta desde de 2005 e nós estamos em 2012. Estava na hora.
Por falar nisso, pergunto: e quando vai ser julgado o "mensalão tucano", rebatizado pela grande imprensa de "mensalão mineiro", que é bem mais antigo e vem se arrastando desde 1998?
Para se ter notícias do "mensalão do PT", basta abrir qualquer jornal ou revista, ligar o rádio ou a televisão, está tudo lá diariamente, contado em caudalosas reportagens nos mínimos detalhes, comprovados ou não.
Já o "mensalão tucano" foi simplesmente escondido pela mídia reunida no Instituto Millenium, que não quer nem ouvir falar no assunto. Quem quiser saber a quantas anda o processo que dormita no Supremo Tribunal Federal precisa acessar aquilo que o tucano José Serra chama de "blogs sujos".
[...]
Sob o título "Mensalão tucano e silêncio da mídia", o blog de Altamiro Borges tratou do assunto no último dia 10 de junho:
"Na quarta-feira passada (6), finalmente o Supremo Tribunal Federal decidiu incluir na pauta o debate sobre o "mensalão tucano", o esquema utilizado patra alimentar a campanha pela reeleição do governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) em 1998. A mídia, porém, não deu qualquer destaque ao assunto. Algumas notinhas informaram apenas que o "mensalão mineiro" também será julgado em breve _ a imprensa demotucana evita, por razões óbvias, falar em mensalão tucano".
Quer dizer, 14 anos depois, o STF decidiu colocar na pauta e vai começar a debater o "mensalão tucano". Nem se pensa ainda em marcar uma data para o julgamento, ao contrário do que aconteceu com o "mensalão do PT", que virou um caso de vida ou morte para a mídia e precisa porque precisa ser julgado - e todo mundo condenado - antes das eleições de outubro. Altamiro explica:
"O caso é bastante emblemático. Ele serve para comprovar a seletividade da chamada grande imprensa. O escândalo surgiu bem antes das denúncias contra o PT. A própria Procuradoria-Geral da República, ao encaminhar o caso ao STF, em novembro de 2007, afirmou que o esquema foi "a origem e o laboratório" do mensalão do PT. Ele teria sido armado pelo mesmo publicitário Marcos Valério, que montou o famoso "valerioduto" para financiar campanhas eleitorais com recursos públicos e doações de empresas privadas".
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18 setembro, 2007

Ora, veja

Que conselho desnecessário!

Para uma revista que há tempos já pegou o espírito da coisa.