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25 agosto, 2025

"A rainha das frutas"

O mangostão (português europeu) ou mangostim (português brasileiro) (*) é a fruta da espécie Garcinia mangostana, uma árvore frutífera tropical. Nativa do Sudeste da Ásia (Tailândia, Malásia, Indonésia e Filipinas), a espécie chegou ao Brasil na década de 1940, sendo iniciamente cultivada no Pará.
Apenas 1/3 da fruta é comestível. A casca (de coloração roxa escura que lembra a brasileiríssima jabuticaba), o pericarpo (a camada entre a polpa e a casca) e as sementes representam os 2/3 restantes da fruta.
É geralmente consumida in natura ou utilizada para preparar sucos, doces e tortas. A rainha Vitória (1819-1901), da Inglaterra, teria considerado o mangostim a fruta mais saborosa do mundo, o que a esta rendeu o apelido de "a rainha das frutas". 
O mangostão ou mangostim ultrapassou a jabuticaba e ficou em 1.º lugar no ranking das 10 melhores frutas do mundo elaborado pela TasteAtlas, em 2023.

(*) O homem da quitanda não acha que o rio Amazonas, que corre trás-os-montes e numa pororoca deságua no Tejo, tenha sido a causa de duas nomenclaturas para designar a fruta. É o tamanho com que se apresenta.


"Moço, o senhor podia vender mangostão. Maneja tão bem todas as frutas que aqui estão expostas; um verdadeiro boticário - sabes olfativamente ofertar tantas delícias. O perfume mixado de manga rosa, goiaba, bergamota, jaca y jenipapo: não há quem não salive ao passar perto. Essa banca é a oportunidade de comer as cores que a vida sempre pariu. Também sou parido de árvore. Facilmente enraízo, me agrada sol, água boricada, 'auto poda', dou fruto, flor e desfolho. Desde que comi mangostão, procuro repetir o gozo. Tenho pedido pouco, agradecido muito. Até amor incondicional conheci. Já encontrei quase tudo o que acusei falta, mas mangostão tem sido a cobiça. O senhor podia vender mangostão! Veja que planejo comprar. Tantas coisas me são dadas para encontrar... meu recém poder de compra até esperança quis pagar." ~ Fabrício Hundou in "Pensador"

30 dezembro, 2021

Ágata uva

É um nome de marketing para agregados de cristais de quartzo com o formato aredondado. Este material (foto) é encontrado na área de Mamuju, perto da costa oeste de Sulawesi, uma ilha da Indonésia.
A ágata uva entrou no mercado de minerais em 2016. E sua popularidade se espalhou rapidamente em exposições de minerais, lojas de gemas, sites relacionados e mercados online.
As "uvas" desses espécimes são pequenas, variando entre dois e oito milímetros de diâmetro. Embora o roxo seja a melhor cor para justificar o nome de "uva", alguns exemplares possuem "uvas" que são brancas, cinzas, verdes ou azuis.


Uva, sim. Ágata, talvez não
Por causa de sua cor mais frequente e de que se dispõe em cachos, não há argumentos contra o nome "uva". Quanto ao uso da palavra "ágata", por apresentar erros de nomenclatura mineralógica, atrai objeções.
Ametista botrioide
O nome "ametista" honraria com precisão suas características mineralógicas e o adjetivo "botrioide" descreveria sua aparência em cacho de uvas. De onde se conclui que "ametista botrioide" é o nome tecnicamente correto para designá-la, apesar de não ser tão divertido quanto "ágata uva".

Fonte: http://geology.com/gemstones/agate/

13 agosto, 2021

Nomenclatura de "Brasil" em outras línguas

"Alemanha" (em português) é: "Deustchland" (em alemão), "Germania" (em italiano), "Niemcy" (em polonês) e "Saksa" (em finlandês). Já a nomenclatura de "Brasil" em outras línguas reúne palavras em geral assemelhadas com a original. 
Em um levantamento que fizemos no Tradukka, encontramos:
"Brasil" (em português, catalão, espanhol, galês, indonésio, norueguês e maia); "Brazil" (em inglês, bósnio latino, croata, fijano, malaio, sérvio latino e vietnamita); "Brésil" ( em francês  e malgaxe); "Brezil" (em haitiano); "Brasile" (em italiano); "Il-Brazil" (em maltês). Nestas línguas a diferença é mínima, apesar da confusão que criamos para eles com a nossa instabilidade gráfica. 
"Breziliya"(no turco) e na maior parte das línguas eslávicas -  Brazylia (em polonês), "Brazília" (no eslovaco), Brazílie (em tcheco) e por aí segue - mas não sei como eles fazem para diferenciar "Brasil" (país) de "Brasília" (capital). 
"Pasila" (em samoano) e "Palasila" (em tonga) são as grandes exceções.
Não incluímos nesse levantamento as línguas dos países que adotam outros alfabetos (como o cirílico, o árabe e o grego). E louve-se o exemplo do Japão que converteu a pronúncia de "Brasil" em "Burajiru". Bem, é o que era  possível para eles.

Durante muito tempo, em documentos oficiais, Brasil foi escrito com "z" porque era a letra com o som exato da pronúncia /brazíl/. Obedecia-se a uma Gramatica Fonética, onde se escrevia conforme se pronunciava. O "s" poderia gerar uma pronúncia /brassil/ dependendo do dialeto ou da língua. Então, cada país do mundo lusófono estabeleceu a grafia que mais lhe agradou. E "Brazil, meu Brazil brazileiro", viveu essa loucura até 1911, quando Portugal convencionou que Brasil, com "s" era mais bonito. No Brasil (veja só), "Brazil" virou "Brasil" só no Acordo Ortográfico de 1945.

26 março, 2020

"Scrotum humanum", a piada perdida

A palavra "dinossauro" não foi cunhada até 1842, apesar de ossos fossilizados dessas criaturas já terem sido encontrados por pessoas que apreciavam cavar no chão. Elas atribuíam sua origem a tudo que se pudesse relacionar com dragões e gigantes. No entanto, a ciência da paleontologia avançou, com algumas histórias maravilhosas tendo surgido ao longo do caminho, como a dos primeiros ossos do Megalossauro que foram seriamente estudados.
Antes de ser chamado de Megalossauro, ele tinha um nome um pouco mais engraçado. Veja você, em 1763, um médico chamado Richard Brookes, estudando um dos desenhos de Robert Plot (em "Natural History of Oxfordshire", de 1677), apelidou-o de Scrotum humanum porque achava que parecia um conjunto de testículos petrificados.
(Para deixar claro, Brookes sabia que não era um fóssil de um par de testículos gigantes, mas, no entanto, decidiu nomeá-lo assim, porque os homens de todas as épocas na história da humanidade não podem deixar de fazer piadas com genitais em todas as oportunidades que surgem.)
Embora hilário, no século 20, isso representou um problema para a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica (CINZ), quando chegou a hora de classificar formalmente o Megalossauro como tal. O problema era, é claro, que Brookes o havia nomeado primeiro.
Mas a CINZ decidiu que, como ninguém mais depois de Brookes, o havia chamado de Scrotum humanum, esse nome poderia ser considerado um nomen oblitum, um nome esquecido. Assim, o Megalosaurus venceu.
O que foi lamentável, porque a discussão sobre o Scrotum humanum ainda teria proporcionado boas piadas nas aulas de ciência em todo o mundo.

20 agosto, 2015

Nem todo T. rex é dinossauro

Em artigos veiculados pelos meios de comunicação social é comum usar alguma forma incorreta para se referir ao "lagarto tirano rei". TRex, T-Rex, Rex t, rex, Tyrannosaurus Rex etc.  Tudo isso está errado e precisa parar. Tyrannosaurus rex, e por extensão T. rex, é o nome científico de uma espécie de dinossauro e, portanto, deve ser grafado em conformidade com as regras relativas a nomes científicos.
Fundo rápido
Em 1753, Carl Linnaeus publicou Species Plantarum, exhibentes plantas rite cognitas, ad genera relatas, cum differentiis specificis, nominibus trivialibus, synonymis selectis, locis natalibus, secundum systema sexuale digestas, que, essencialmente, fixou as regras para a nomenclatura binomial, a qual ainda hoje é usada para a classificação da maioria dos seres vivos.
Chama-se binominal porque o nome de cada espécie é formado por duas palavras: o nome do gênero e o restritivo específico, normalmente um adjetivo que qualifica o gênero.
Há livros inteiros (especialmente o Código Internacional de Nomenclatura Botânica e o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica) que estabelecem as regras para os nomes científicos das espécies.
Regras básicas
  1. Os nomes utilizados são em latim ou numa versão latinizada da palavra ou palavras que se pretende utilizar.
  2. O primeiro termo, o nome genérico, é sempre escrito começando por uma maiúscula, enquanto o descritor específico nunca começa por uma maiúscula, mesmo que seja derivado de um nome próprio.
  3. As subespécies, por sua vez, têm um nome composto por três termos, colocados na seguinte ordem: nome genérico, descritor específico e descritor subespecífico.
  4. Os nomes devem ser sempre escritos em itálico. Quando manuscritos, ou quando não esteja disponível a opção de escrita em itálico, devem ser sempre sublinhados.
  5. O nome genérico pode ser encurtado para a primeira letra do nome, acrescida de um ponto, mas o nome específico só pode ser escrito na íntegra.
Para demonstrar; o nome da nossa espécie é o Homo sapiens. Homo é o gênero a que pertencemos e sapiens é o nome da nossa espécie. Agora que o nome da nossa espécie apareceu completo nesta postagem, podemos encurtá-lo para H. sapiens.
No caso do dinossauro, mencionado no primeiro parágrafo, o seu nome científico correto é Tyrannosaurus rex. Seu gênero é Tyrannosaurus (que pode compartilhar com o Tyrannosaurus bataar, também chamado Tarbosaurus bataar) e seu descritor específico é rex. Uma vez que o seu nome apareceu completo nesta postagem, podemos encurtá-lo para T. rex.
Você pode estar se perguntando 
Por que eu deveria me importar com isso?
A resposta curta é simples: se há uma maneira certa de fazer uma coisa e uma maneira errada de fazer a mesma coisa, e elas requerem a mesma quantidade de esforço, então você deverá optar por fazê-la da maneira certa.
A resposta mais longa é que existem apenas 26 letras no alfabeto latino (bem. 22, pois as letras j, k, w, e y também são incluídas). Embora apenas as espécies estreitamente relacionadas podem compartilhar um gênero, um descritor específico pode ser reutilizado uma e outra vez para gêneros diversos. Isso causa problemas quando duas ou mais espécies compartilham um descritor específico e pertencem a gêneros que começam com a mesma letra. Agora, no caso de uma combinação popular como o T. rex, fica ridículo como pesquisadores e afins tomam emprestado alguns dos holofotes do Tyrannosaurus rex.
Outros bichos e não-bichos que você pode chamar de T. rex
T. rex: Tachyoryctes rex - um rato-toupeira do Quênia
T. rex: Tetragonodon rex - um crustáceo marinho
T. rex: Thoristella rex - um caracol do mar
T. rex: Trialeurodes rex - um inseto hemíptero (mosca-branca)
T. rex: Tyrannasorus rex - um besouro fóssil
T. rex: Tyrannobdella rex - uma sanguessuga da Amazônia
T. rex: Tyrannoberingius rex - um molusco fóssil
T. rex: Tyrannomyrmex rex - uma formiga da Malásia
T. Rex: Tyrannosaurus Rex - uma banda de rock inglesa da década de 1970
T-Rex - um restaurante temático em Downtown Disney, Orlando
T-Rex - um cyclecar da Campagna
T-Rex - um caminhão Bremach
T-Rex - um caminhão Dodge

http://phaton.kinja.com e outras fontes