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08 setembro, 2025

Regra dos Três Chutes

Um advogado inglês foi caçar perdizes em Tayside. Ele atirou e derrubou um pássaro, mas ele caiu no campo de um fazendeiro do outro lado de uma cerca. Enquanto o advogado subia na cerca, um fazendeiro idoso chegou em seu trator e perguntou o que ele estava fazendo.
“Eu atirei em uma perdiz e ela caiu neste campo, e agora vou recuperá-la.”
O velho fazendeiro respondeu: “Esta é minha propriedade, homenzinho. Você não pode vir aqui.”
O advogado indignado disse: “Sou um dos melhores advogados de Londres e, se você não me deixar pegar aquele pássaro, vou processá-lo e tomar tudo o que você tem”.
O velho fazendeiro sorriu e disse: “Aqui é Escócia, amigo. Você está fora da sua jurisdição. Aqui em Tayside nós resolvemos pequenas disputas com a 'Regra dos Três Chutes'.”
O advogado perguntou: “O que é a 'Regra dos Três Chutes'?”
O fazendeiro respondeu: "Bem, porque a disputa ocorre em minha terra, eu começo. Eu chuto você três vezes e então você me chuta três vezes, e assim por diante até que alguém desista."
O advogado pensou rapidamente sobre a disputa proposta e decidiu que poderia facilmente vencer o velhote. Ele concordou em obedecer ao costume local. O velho fazendeiro desceu lentamente do trator e caminhou até o advogado.
Seu primeiro chute plantou a ponta de sua pesada bota de trabalho com biqueira de aço na virilha do advogado e o fez cair de joelhos. Seu segundo chute no abdômen fez a última refeição do advogado jorrar de sua boca. O advogado estava de quatro quando o terceiro chute do fazendeiro em seu traseiro o fez cair de cara em uma "torta fresca" de vaca.
O advogado convocou cada pedaço de sua vontade e conseguiu se levantar. Limpando o rosto com o braço da jaqueta, ele disse: "Ok, seu velhote. Agora é a minha vez."
O velho fazendeiro sorriu e disse: “Nah, eu desisto. Você pode pegar o perdiz.”

David Penfold, Mastodon. Tradução; PGCS

03 março, 2022

O voo comercial mais curto do mundo

Não há tempo para comer a bordo do voo Papa Westray - Westray. Não importa a que horas você entra no avião. Na verdade, não adiantaria muito se eles lhe dessem um pacote de amendoins, porque você teria que engoli-los de uma vez se quisesse acabar com eles antes de chegar ao local de destino. O vôo dura pouco mais de 80 segundos.

É o vôo comercial mais curto do planeta. Cobre uma distância de apenas 2,7 quilômetros entre duas das muitas ilhas que compõem o arquipélago das Ilhas Orkney, na costa da Escócia. O Youtuber Tom Scott viajou para contar sua experiência e certamente não ficou muito impressionado com a brevidade da experiência.

A ideia de um voo ligando as duas ilhas onde vivem respectivamente 900 e 60 habitantes parece um exagero, mas a sua existência é fruto da necessidade. O arquipélago das Orkney é formado por uma grande ilha na qual vivem cerca de 18.000 pessoas. Os outros 4.000 vivem em pequenas ilhas ao redor da principal. Construir pontes entre essas ilhas é financeiramente inviável e as balsas são lentas e não podem cobrir todas as rotas. A única resposta para ter comunicação direta entre as ilhas, como Papa Westray e Westray, é um BN-2 Islander, um pequeno e barulhento motor duplo de hélice com capacidade para apenas nove assentos.

A existência dessa rota seria impossível no setor privado. Os custos das passagens seriam simplesmente altos demais. Por isso, as passagens da Loganair, que opera essa rota, são subsidiadas pelo governo e custam apenas 18 libras. Na verdade, mesmo assim não é fácil enchê-lo completamente, por isso a Loganair opera o vôo fazendo uma escala adicional em Kirkwall (capital do arquipélago) e retornando novamente a Westray para iniciar a rota novamente. A maioria dos viajantes que fazem a viagem entre Westray e Papa Westray são turistas como o próprio Scott, que querem marcar em sua lista de conquistas a de ter feito o vôo mais curto do planeta. [ Tom Scott, GIZMODO ]

05 março, 2020

Procurando Nessie - 2

Cientistas mapeiam o bioma do Lago Ness e chegam a nova teoria sobre "monstro"
É um mistério que perdura. O que exatamente se encontra sob as águas turvas do Lago Ness?
Os avistamentos de Nessie remontam a centenas de anos - mas até agora nenhuma explicação definitiva foi encontrada. Uma equipe de cientistas, liderada pela Universidade Otago da Nova Zelândia, vem testando amostras de água e coletando DNA ambiental de todas as formas de vida no lago, incluindo plantas, insetos, peixes e mamíferos.
Professor Eric Verspoor, University of the Highlands and Islands:
Você basicamente pega um litro ou dois de água e o filtra, e o material filtrado será o DNA. E usando esse DNA, você pode sequenciá-lo. E com base na sequência, identifica os tipos de organismos que estão presentes na água.
A mídia mundial se reuniu no lado do lago para ouvir exatamente o que encontraram
Professor Neil Gemmell, Universidade de Otago:
Essa idéia de um réptil gigante e extinto... Bem, não encontramos nenhum DNA reptiliano, então não achamos que isso pareça muito plausível com base nas amostras e nas análises que realizamos. E também procuramos outra idéia, que é uma enguia gigante. Bem, não sabemos se as enguias são gigantes ou não, mas certamente encontramos uma enorme quantidade de DNA de enguias. Eu acho, muito mais do que eu esperava.
Mas, Steve Feltham, o caçador de Nessie de longa data, não está convencido pelas notícias:.
Enguias em Loch Ness? Pessoalmente, acho que um garoto de 12 anos poderia lhe dizer isso. Pode haver algumas enguias enormes lá - essa poderia ser a explicação. Mas dizer "encontramos evidências de enguias" é como dizer "encontramos evidências de peixes em um lago escocês". Bem feito!
O mistério no Lago, no entanto, permanece. 
Mais de 20% do DNA encontrado não foi identificado - o que significa que a busca por Nessie continua.


Procurando Nessie - 1

04 outubro, 2018

Os primeiros teóricos do voo espacial

Para gerações de entusiastas do espaço, Jules Verne foi a primeira pessoa a imaginar o voo espacial tripulado. Mas agora surgiu que o escritor de ficção científica foi batido por um obscuro ministro de igreja escocês de uma sonolenta aldeia em Fife.
Um especialista na história da exploração espacial descobriu que o Rev. William Leitch, um ministro presbiteriano de Monimail, perto de Cupar, foi o primeiro a desenvolver a ideia de que não só os foguetes podem voar no espaço, mas poderiam fazê-lo mais rápido e sem problemas fora da atmosfera terrestre.
E ele antecipou-se a Jules Verne em quatro anos, diz Robert Godwin, curador do Canadian Air and Space Museum, em Ottowa. Isso invoca a história convencional da exploração espacial, acrescentando a teoria do voo espacial à longa lista de triunfos técnicos e de engenharia reivindicados pelos escoceses, incluindo a televisão inventada por John Logie Baird e o telefone inventado por Alexander Graham Bell.
"Não há dúvida em minha opinião de que Leitch merece um lugar de honra na história do voo espacial. O fato de ser cientista é a chave dessa história. Ele não estava apenas fazendo um palpite selvagem", disse Godwin
Em seu romance de 1865, "Da Terra à Lua", o renomado escritor francês descreveu pessoas sendo disparados no projétil de uma arma à Lua. A visão de Verne foi imortalizada no filme pioneiro de 1902, de George Méliès, "A Viagem à Lua", que fez a cápsula com as pessoas dentro pousar no olho da Lua.


Embora Verne estivesse escrevendo ficção satírica, seus cálculos de mecânica orbital lhe renderam a reputação de teórico fundador da astronáutica. O cientista russo Konstantin Tsiolkovsky, que primeiro delineou a teoria matemática do movimento do foguete em 1903, em uma cabana de madeira perto de Moscou, citou Verne como uma inspiração.
Do mesmo modo, Robert H Goddard, um professor de física da Universidade de Clark, em Massachusetts, que afirmou em 1920 que um foguete poderia funcionar no vácuo, sendo à época ridicularizado pelo New York Times (uma desculpa foi publicada no momento dos desembarques na Lua).
Em um novo artigo para The Space Library, Godwin reescreveu essa história. "Não só [Leitch] entendia a lei de ação e reação de Newton, como também entendia que um foguete funcionaria mais eficientemente no vácuo do espaço; um fato que ainda causou a Goddard e outros serem ridiculizados quase seis décadas depois".
Escrevendo durante 1861, Leitch estabeleceu suas teorias em seu livro "God's Glory in the Heavens", publicado por um pequeno editor de Edimburgo Alexander Strahan em 1862. Em um ensaio "A Journey Through Space", escrito logo depois que ele deixou Fife para o Canadá se tornar diretor da Queen's University em Kingston, Ontário, Leitch escreveu que: "A única máquina, independente da atmosfera, que podemos conceber, seria uma sob o princípio do foguete".
"O foguete sobe no ar, não por causa da resistência oferecida pela atmosfera ao seu fluxo ardente, mas a partir da reação interna. A velocidade, de fato, seria maior no vácuo do que na atmosfera e, dispensando o ar, poderíamos, com essa máquina, transcender os limites do nosso globo e visitar outras orbes".
A afirmação de que o foguete não precisa de uma atmosfera para "empurrar contra" é extraordinariamente presciente para 1861. Mesmo no final dos anos 1930, Fritz Zwicky - o astrônomo do Instituto de Tecnologia da Califórnia que descobriu a existência de "matéria escura" - pensou que qualquer um que acreditasse que um foguete poderia funcionar no vácuo seria um "completo idiota ".
Leitch morreu no Canadá de um ataque cardíaco em 1864. No ano anterior, Julio Verne havia publicado o  "Da Terra à Lua", com 49 anos de idade.
Godwin estabeleceu também outra coincidência: Leitch morreu em 4 de outubro, o dia em que os russos lançaram o Sputnik, o primeiro satélite artificial do mundo, 93 anos depois.
E por causa de outro elemento acidental desta história, os canadenses estão agora reivindicando Leitch como sendo um deles. Parece que a passagem chave de seu ensaio pode ter sido escrita em um navio a vapor, levando Leitch para o seu novo posto de ensino em Ontário, em algum lugar do Atlântico.
O astronauta aposentado Chris Hadfield - o primeiro canadense a caminhar no espaço - foi rápido para reivindicar Leitch, tuitando o seguinte: "Acabo de saber que um canadense inventou a viagem espacial: Professor William Leitch em 1861. Legal!"

Extraído de: www.theguardian.com/uk-news/scotland-blog
http://www.publishnews.com.br/materias/2012/09/10/70155-as-viagens-a-lua-de-verne-melies-e-armstrong
https://twitter.com/Cmdr_Hadfield/status/650797682450108416/photo/1

19 março, 2018

O eco mais longo do mundo

No subterrâneo profundo das montanhas escocesas encontra-se um complexo de tanques de armazenamento de petróleo construídos durante a Segunda Guerra Mundial. Localizados perto da cidade de Invergordon, estes tanques da Inchindown foram usados para armazenar petróleo num ambiente à prova de bombas, enquanto escondiam um segredo sônico.
Em 2014, doze anos após os tanques serem esvaziados e desativados, um professor de engenharia acústica chamado Trevor Cox descobriu que eles eram capazes de produzir o eco mais longo do mundo em uma estrutura feita pelo homem.
Nos tanques da Inchindown, o som de uma arma disparada reverbera por incríveis 112 segundos e o simples som de uma fala normal ecoa por mais de 30 segundos.

19 fevereiro, 2017

A Calçada do Gigante

É a designação dada a um conjunto de aproximadamente 40 000 colunas de basalto, encaixadas como se formassem uma enorme calçada de pedras gigantescas, formadas pela disjunção de uma grande massa de lava basáltica,proveniente de uma erupção vulcânica, ocorrida há cerca de 60 milhões de anos.
Os topos das colunas parecem com um piso de pedras, estendendo-se do sopé das falésias até o mar, onde desaparecem. Embora a maioria das colunas seja hexagonal, algumas têm 4, 5, 7 ou 8 lados. As colunas mais altas medem cerca de 12 metros de altura.
A formação está localizada na costa da Irlanda do Norte, acerca de 3 quilômetros ao norte da vila de Bushmills, no condado de Antrim. Foi declarada como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO, em 1986, sob o nome de "Calçada do Gigante e sua Costa", e como Reserva Natural, em 1987.


A Lenda
Segundo uma lenda irlandesa um gigante chamado Finn MacCool queria enfrentar numa luta um gigante escocês chamado Benandonner, mas havia um problema: não existia uma embarcação com tamanho suficiente para atravessar o mar e levar um ao encontro do outro. A lenda diz que MacCool resolveu o problema construindo uma calçada que ligava os dois lados, usando enormes colunas de pedra. O gigante escocês aceitou o desafio e viajou pela calçada ate à Irlanda. Ele era mais forte e maior do que MacCool. Percebendo isso, a esposa de Finn MacCool, de forma muito perspicaz decidiu vestir seu marido gigante como um bebé. Quando Benandonner chegou à casa dos dois e viu o bebé, pensou: "Se o bebê é deste tamanho, imagine-se o pai!”, e fugiu correndo de volta para a Escócia. Para ter certeza de que não seria perseguido por Finn MacCool, ele destruiu a estrada enquanto corria, restando apenas as pedras que agora formam a Calçada do Gigante.



Ver também:
Formações rochosas

06 janeiro, 2017

Os pinguins quando ouvem músicas

A Expedição Escocesa à Antártica, em sua viagem de 1904, trouxe uma contribuição única para a ciência:
"Um bom número de pinguins-imperadores tinham sido capturados. Para testar o efeito da música sobre eles, Piper Kerr tocou sua gaita de foles – mas, nem marchas empolgantes, nem lamentos melancólicos tiveram qualquer efeito sobre essas aves fleumáticas e letárgicas; não se percebeu nelas nenhuma emoção, nenhum sinal de apreço ou desaprovação, apenas uma sonolenta indiferença."
— Rudmose Brown et al., The Voyage of the "Scotia", 1906


Comentário - O comportamento frio dos pinguins mostrou-se em consonância com o tipo de instrumento tocado.

Ver também: Os pinguins quando morrem.

15 agosto, 2016

A aranha que inspirou Bruce

Lembram-se da história da aranha no relógio?
A história tem todos os elementos de uma fábula clássica. A aranha servindo como uma metáfora para a luta universal contra o tempo e a adversidade. Apesar de sofrer constante derrota, ela não esmorecia e continuava (fiando e porfiando) tentando construir a teia (a aranha vive do que tece, apud Gilberto Gil), sem se importar com as dificuldades insuperáveis.
A prisão da aranha no relógio apenas acrescentava um toque moderno à fábula, atualizando-a para a década de 1930.
Na época da saga do aracnídeo, alguns escreveram sobre a semelhança entre a aranha no relógio e a aranha que, certa vez, inspirou o rei escocês Robert the Bruce (gravura).
A "Lenda de Bruce e a  Aranha" (com a aranha colocada em primeiro lugar na edição de Sir Walter Scott, em 1828) conta que, durante uma fuga, o rei escocês escondeu-se em uma caverna escura onde passava o tempo assistindo a uma aranha que construía uma teia.
Inspirado pelo esforço incessante de aranha, Bruce fortaleceu o espírito para derrotar os ingleses na Batalha de Bannockburn.

16 fevereiro, 2014

O monstro do Lago Ness

Ou simplesmente Nessie, é um animal aquático que tem sido repetidamente visto no Lago Ness, nas Terras Altas da Escócia. A sua existência, ou não, continua a suscitar debate entre os céticos e os crédulos, e é um dos mistérios da criptozoologia.
Rumores acerca dessa estranha criatura do Lago Ness existem há pelo menos 16 séculos. O primeiro registro aparece na "Vida de São Columba", escrita pelo próprio no século VI, onde Columba descreve como salvou um picto (antigo habitante da Escócia) das garras do monstro. Em outro ponto da obra, o missionário conta que matou um javali com o poder de sua voz, o que levanta questões sobre a credibilidade dos seus relatos, embora o javali possa ter morrido por outra causa enquanto ele gritava. Ou, talvez, porque Columba empregou alguma metáfora que fazia sentido somente em sua época como escrever a palavra "voz" para se referir a um exército de pessoas.
O monstro de Lago Ness é descrito como uma espécie de serpente ou réptil marinho, semelhante ao plesiossauro, um sauropterígeo pré-histórico. No entanto, pesquisas mais recentes mostram que o monstro não é fruto da imaginação, como declarou às pressas o governo da Escócia em 2003. Aliás, Nessie pertence a uma espécie atual, da ordem dos mamíferos, e que nem sequer é exclusiva da Escócia.