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26 setembro, 2025

Mas um dia...

Que dia, meus leitores!
A censura do Cine Familiar deixou passar um filme que o menino aqui quase não acreditou. Com Cleópatra sendo entregue ao imperador romano embrulhada num tapete (o Sedex da época). Com a beldade egípcia nua em pelo, digo, em película como foi constatado ao abrir César o presente.
Mas acho que isso só aconteceu no Cine Familiar por que se tratava da cena final.
O bonequinho viu e aplaudiu.

Romances, pinturas, séries e filmes nos transmitiram a popular imagem de Cleópatra saindo de um tapete, mas na verdade isso se deve a um erro na tradução, feita em 1770, da obra de Plutarco.


O que o historiador grego registrou:
Cleópatra, com apenas um dos seus amigos com ela, Apolodoro, o siciliano, embarcou em um pequeno barco e chegou ao palácio quando já estava anoitecendo.
Como não parecia haver outra maneira de entrar sem ser vista, ela entrou dentro de um saco (de dormir?). E, depois de amarrar o saco, Apolodoro levou-a para César.
Este pequeno truque de Cleópatra, que mostrava à primeira vista a sua impudícia provocante, diz-se que foi a primeira coisa que cativou César. (Vidas, César, Capítulo 49)
Parece que ela e César sentiram uma afinidade instantânea e, na manhã seguinte, quando Ptolomeu XIII chegou para se encontrar com César, este e Cleópatra já tinham chegado a um acordo.

30 janeiro, 2025

A história revisionista da saudação nazista

"Quando o homem mais rico do mundo assume o centro do palco, as pessoas notam. Quando o homem mais rico do mundo assume o centro do palco e faz uma saudação nazista, é quando os fascistas saem rastejando da toca."
~ Sarah E. Bond e Stephanie Wong, in The Revisionist History of the Nazi Salute
No Dia da Posse nos Estados Unidos, o oligarca da tecnologia Elon Musk subiu ao palco do desfile presidencial para parabenizar Donald Trump e agradecer à multidão pelo apoio. "É graças a vocês que o futuro da civilização está garantido", Musk declarou, estendendo o braço para fora. Ele se virou e repetiu o gesto — certificando-se de que todos pudessem ver.
Então, a internet explodiu. Era uma saudação nazista? Era uma "saudação Bellamy", um gesto popularizado no final do século XIX para ser executado durante o recém-elaborado Juramento de Fidelidade? Os meios de comunicação de direita estavam ansiosos para defender Musk. Até mesmo a Liga Antidifamação correu para defender o gesto como simplesmente "estranho". A mídia europeia imediatamente o denunciou e grandes estudiosos do fascismo como Ruth Ben-Ghiat condenaram o gesto como uma saudação nazista; outros descartaram o gesto como uma expressão do autismo de Musk.
Musk tem uma longa história de referências ao Império Romano. Sua marca de despotismo tecnocrático e sua iconografia de mídia social têm raízes no trabalho de fascistas europeus do século XX, que eram eles próprios afincados na Roma Antiga. Musk é obcecado há muito tempo pelo falecido ditador da República Romana Sulla e, em dezembro de 2024, até mudou seu avatar X para "Kekius Maximus" — uma versão romanizada de Pepe, o Sapo, vestido com traje militar semelhante ao de Maximus no filme Gladiador (2000). 


Assim como o ditador italiano Benito Mussolini e o líder nazista Adolf Hitler, o bilionário frequentemente tem expressado admiração pelo Império Romano, postando fotos de IA dele mesmo fazendo cosplay de um soldado romano e elaborando teorias sobre o motivo da queda da Roma Antiga (resposta: declínio severo na taxa de natalidade). Ele pensa nisso todos os dias.
Mas, do mito de SPQR (Senatus Populusque Romanus) à "saudação romana", o Império Romano citado por aqueles fascistas — incluindo Hitler — era, na verdade, uma fantasia moderna nascida em parte da arte e do cinema.
De onde veio exatamente a ficção da “saudação romana”? Como a historiadora militar Sara Elise Phang observou em seu livro, "Roman Military Service" (2008), há apenas uma vaga referência a uma saudação militar romana na literatura antiga. Foi escrita pelo historiador judeu Flavio Josefo em seu relato da Primeira Guerra Judaica (66–70 EC), uma época em que os judeus na Judeia se rebelaram contra o Império Romano. Se o mito dessa saudação não veio da arte ou literatura antigas, onde mais deveríamos procurar?
O historiador militar e de cinema antigo Gregory S. Aldrete explicou que, embora os antigos romanos realizassem "vários gestos envolvendo levantar o braço", especialmente gestos oratórios ao falar, a chamada "saudação romana" foi inventada muito mais tarde por artistas visuais e cineastas.
A pintura de Jacques-Louis David, "O Juramento dos Horácios" (1784–5) parece ter iniciado a ideia de ser algo romano, mas realmente decolou como um gesto no século XIX”, disse ele. No século XIX, outras pinturas, como a do artista francês Jean-Léon Gérôme, "Ave César! Morituri te Salutant (Salve César! Nós que estamos prestes a morrer te saudamos)" (1859) baseada em noções de lealdade e respeito.
Embora inventada por seu assessor James Upham, a saudação Bellamy recebeu o nome do autor do Juramento de Fidelidade, um ministro batista chamado Francis Bellamy que pressionou para que bandeiras e o Juramento fossem colocados em salas de aula nos Estados Unidos, no final do século XIX. O historiador de Princeton Kevin Kruse disse que o gesto foi criado para acompanhar o Juramento, escrito para o 400º aniversário da chegada de Cristóvão Colombo às Américas. Ele consistia de uma saudação em estilo militar com a palma apresentada à bandeira enquanto palavras eram recitadas. 
Quando fascistas italianos e alemães adotaram uma saudação semelhante décadas depois, a saudação Bellamy foi criticada. Em 1942, o Congresso mudou oficialmente a saudação para uma mão sobre o coração.

01 setembro, 2018

O que era realmente um vomitorium?


Um termo mal interpretado
A palavra vomitorium foi frequentemente usada para descrever uma sala, adjacente à sala de jantar onde ocorreria um jantar romano, onde os participantes se aliviariam do estômago cheio e continuariam com a festa. No entanto, nenhuma fonte antiga realmente usa a palavra para este propósito.
A palavra, que se origina de um grupo de palavras latinas referente a vômito, apareceu no século V d.C. nas "Saturnais" de Macrobius, que usou o plural vomitoria para se referir a passagens através das quais os espectadores eram "expulsos" de seus assentos em locais públicos de entretenimento (estádios). Hoje, os arqueólogos usam as palavras vomitorium / vomitoria como termos arquitetônicos, para descrever a passagem ou o corredor de um anfiteatro que liga os bancos a um espaço externo.


Então, como a palavra chegou a ser associada a uma sala usada para o vômito durante uma orgia romana?
Um mal uso da palavra aparece em 1929, no romance de Aldous Huxley, "Antic Hay", embora anteriormente tenham sido feitas referências em jornais e revistas, não sendo claro, no entanto, se o vomitorium era uma passagem ou uma sala. Em 1871, duas referências são feitas ao vomitorium como uma sala adjacente à sala de jantar, uma pelo jornalista francês e político Felix Pyat, descrevendo uma refeição de férias e comparando-a com uma orgia romana, e outra pelo escritor inglês Augustus Hare, em sua publicação "Caminhadas em Roma". Dois artigos no "Los Angeles Times", em 1927 e 1928, referem-se ao vomitorium mais uma vez com o mesmo significado. Então, quando o romance de Huxley foi publicado, o vomitorium já havia sido inscrito na imaginação popular como um quarto usado para vomitar durante um jantar romano para que os participantes pudessem continuar comendo.
Mas de onde foram inspiradas todas essas referências? As histórias de orgias romanas, com os participantes vomitando durante a refeição, são descritas pelo cortesão romano Petronius, em "Satyricon", do século I d.C., mas nenhuma sala específica é designada para o ato. Cassius Dio, em sua "História Romana", e Suetonius, secretário de correspondência do imperador Adriano, em "Vidas dos Doze Césares", também fornecem muitas histórias dos excessos e vômitos imperiais enquanto estes jantavam.
Os excessos de imperadores em relação à alimentação e ao vinho são descritos em detalhes, de Adriano a Claudius e a Vitellius, nos trabalhos acima, mas o objetivo principal das descrições é destacar como não eram adequados a eles como imperadores cultivarem a lassidão moral. A mensagem era bastante clara para os romanos, que sabiam que um imperador romano deveria se dedicar aos deuses, à família e ao Estado, e não aos prazeres alimentares.
Sêneca, o Jovem, foi particularmente feroz em suas críticas a quem gastava sua fortuna em pratos exóticos.
No entanto, o vômito foi bastante difundido entre os romanos, porém como um tratamento médico. Se se tornasse um hábito diário, seria um sinal de luxúria. Além disso, até o período vitoriano, o adjetivo vomitorius, -a, -um foi usado para descrever eméticos.
Portanto, de um anfiteatro que despeja as pessoas ao fim de um espetáculo, como Macrobius usou o termo, a sua associação com o ato de vomitar levou a má interpretação de vomitorium, na imaginação do século 19, como sendo um espaço destinado ao vômito.

What was really a vomitorium?, Archaelogy and Arts

18 janeiro, 2018

A represa de Proserpina

É uma barragem que existe em Extremadura, Espanha, construída 2.000 anos atrás pelos romanos, como parte da infraestrutura para fornecer água à cidade de Emerita Augusta (atual Mérida).
Após a queda do Império Romano, o aqueduto que conduzia a água para a cidade entrou em decadência. Mas Proserpina (imagem) ainda está em uso com a água da represa sendo usada na irrigação das terras locais.
Foi declarada Bem de Interesse Cultural em 1912.

21 dezembro, 2016

Quanto custa uma pérola de sururu?

Respondendo a uma pergunta de Kaka Andrade.
Kaka,
A pérola sempre foi muito apreciada ao longo da história da humanidade.
Um exemplo disso foi o fato de que, no apogeu do Império Romano, quando a febre das pérolas estava no auge, Júlio César, conhecido por suas conquistas amorosas, ofereceu a Servília Cepião uma pérola no valor de seis milhões de sestércios.
Uma pérola de ostra, Kaka. Irritada com um cisco na algibeira, uma ostra gerou aquela pérola maravilhosa para Servília Cepião.
Fosse uma pérola de sururu não teria aberto o caminho do sucesso para Júlio César. Nem as pernas da cortesã.
Quem foi Servilia Cepião
Servília Cepião foi uma patrícia romana, [carece de fontes] descendente de Caio Servílio Ahala, [carece de fontes] amante de Júlio César, esposa de Décimo Júnio Silano [carece de fontes] e de Marco Júnio Bruto, o Velho, [carece de fontes] com quem teve Bruto. [carece de fontes],
Ela era também irmã de Quinto Servílio Cepião [carece de fontes] e meio-irmã de Marco Pórcio Catão Uticense (Catão, o Jovem) [carece de fontes] e Pórcia Catão. [carece de fontes]
Sua filha, [carece de fontes] Júnia Segunda, meio-irmã de Bruto, foi casada com o triúnviro Lépido [carece de fontes], com quem teve um filho, Marco Emílio Lépido Menor, [carece de fontes] executado por planejar o assassinato de Otaviano. [carece de fontes]
Outra filha, [carece de fontes] Júnia Tércia, meio-irmã de Marco Júnio Bruto [carece de fontes] e sobrinha de Catão, o Jovem, casou-se com o senador Caio Cássio Longino. [carece de fontes]
Marco Júnio Bruto e Caio Cássio Longino foram os assassinos [não carece de fontes] de Júlio César.