Elizabeth Blackburn (foto) é bióloga molecular e bioquímica. Ela é ex-presidente do Instituto Salk de Estudos Biológicos e professora emérita da Universidade da Califórnia, em São Francisco. Em 2009, dividiu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina por desvendar a estrutura dos telômeros, as extremidades protetoras dos nossos cromossomos que ajudam a salvaguardar o DNA, e por contribuir para a descoberta da telomerase, a enzima que mantém essas extremidades intactas. Scientific American (SA) entrevistou-a sobre o estado da ciência nos Estados Unidos. Abaixo, um trecho desta entrevista.
SA: Como você descreveria o estado atual da ciência americana?
EB: Eu diria que está sitiada e sob ataque. O ataque vem de vários fatores, e um deles tem sido os ataques sistemáticos à ciência, ao seu financiamento e ao apoio que ela recebe, por parte da atual administração. Há também um ataque ao acesso de pessoas que historicamente têm sido sub-representadas, e isso está prejudicando muito os esforços para atrair mais talentos para carreiras na ciência. É como jogar fora algo que historicamente teve efeitos substanciais. Fico muito triste e chocada que estejamos desperdiçando tantas oportunidades. Outra coisa realmente triste é o ataque à verdade que vemos no discurso público. Isso é, na verdade, um ataque à ciência, porque, afinal, o que é a ciência? É buscar a verdade verificável.
EB: Eu diria que está sitiada e sob ataque. O ataque vem de vários fatores, e um deles tem sido os ataques sistemáticos à ciência, ao seu financiamento e ao apoio que ela recebe, por parte da atual administração. Há também um ataque ao acesso de pessoas que historicamente têm sido sub-representadas, e isso está prejudicando muito os esforços para atrair mais talentos para carreiras na ciência. É como jogar fora algo que historicamente teve efeitos substanciais. Fico muito triste e chocada que estejamos desperdiçando tantas oportunidades. Outra coisa realmente triste é o ataque à verdade que vemos no discurso público. Isso é, na verdade, um ataque à ciência, porque, afinal, o que é a ciência? É buscar a verdade verificável.
SA: O que lhe dá otimismo neste momento?
EB: Vejo jovens, especialmente crianças, que vêm a lugares como o museu da Academia de Ciências da Califórnia em São Francisco, e você simplesmente vê como a curiosidade deles é grande e como eles se sentem inspirados. Então, tenho esperança. É uma esperança um tanto distante, porque são jovens, mas tenho esperança de que essa chama de interesse e curiosidade, que é o que impulsiona a ciência fundamental, esteja viva e forte. Essa chama não se apagou nas crianças.
EB: Vejo jovens, especialmente crianças, que vêm a lugares como o museu da Academia de Ciências da Califórnia em São Francisco, e você simplesmente vê como a curiosidade deles é grande e como eles se sentem inspirados. Então, tenho esperança. É uma esperança um tanto distante, porque são jovens, mas tenho esperança de que essa chama de interesse e curiosidade, que é o que impulsiona a ciência fundamental, esteja viva e forte. Essa chama não se apagou nas crianças.
SA: Como sua área de atuação mudou nos últimos anos?
EB: No meu caso, a bióloga molecular Carol Greider, da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, e eu descobrimos a telomerase há décadas, através de sua atividade enzimática. Agora, após muito trabalho bioquímico e grandes avanços em microscopia de imagem e criomicroscopia eletrônica, é possível visualizar a aparência da telomerase. Por outro lado, agora é possível analisar os seres humanos usando abordagens computacionais de grande escala, o big data. Isso é extremamente benéfico.
EB: No meu caso, a bióloga molecular Carol Greider, da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, e eu descobrimos a telomerase há décadas, através de sua atividade enzimática. Agora, após muito trabalho bioquímico e grandes avanços em microscopia de imagem e criomicroscopia eletrônica, é possível visualizar a aparência da telomerase. Por outro lado, agora é possível analisar os seres humanos usando abordagens computacionais de grande escala, o big data. Isso é extremamente benéfico.
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