11 março, 2015

Um tratamento pouco ortodoxo - 2

Rachel Feltman, The Washington Post
Para pessoas infectadas pelo Clostridium difficile os transplantes fecais podem ser um salva-vidas. Esta infecção provoca a cada ano 250.000 hospitalizações e 14.000 mortes nos EUA, e até 30 por cento dos pacientes não respondem a antibióticos. Além disso, o cronicamente infectado pode ficar sofrendo de problemas digestivos debilitantes.
Mas os transplantes fecais não são nenhum passeio no parque. Nessa modalidade de tratamento, as bactérias de um intestino saudável são transferidas para um intestino doente. Isso requer a realização no paciente de uma endoscopia digestiva alta ou de uma colonoscopia, procedimentos desconfortáveis e caros.
Agora, os transplantes fecais ficaram mais fáceis de serem realizados Em um estudo publicado no Journal of American Medical Association, os pesquisadores relatam que a mesma taxa de sucesso pode ser alcançada através de cápsulas com excrementos de pessoas saudáveis, administradas por via oral.
O processo de produção inicia-se da mesma maneira, como de costume, "Mais ou menos grosseira, mas muito simples", como diz Hohmann. Jovens excepcionalmente saudáveis ​​- aqueles que passam por todos os requisitos para a doação de sangue e/ou que são rastreados para outros problemas de saúde, estando sadios - fornecem amostras de fezes.
Essa matéria fecal, com colônias de bactérias (microbiota) que ajudam a manter saudável o intestino do doador, é então misturada com soro medicinal, filtrada e concentrada em cápsulas.
Um único tratamento requer uma tomada digna de 30 cápsulas - 15 no primeiro dia e 15 no segundo. Em um estudo com 20 pacientes trouxe a saúde intestinal para 18 - a mesma taxa de sucesso dos métodos invasivos.
"Formulações encapsuladas permitam que mais doentes sejam tratados de forma mais eficiente", diz Kelly. "Pode até haver uma maior segurança, uma vez que essas cápsulas podem ser mantidas por um período de tempo e descartadas se os doadores apresentam quaisquer sinais doença."
Estranhamente, há pessoas que dizem: "Nossa, eu prefiro isso pela colonoscopia", diz Hohmann. Mas, quando veem a diferença de custo, eles costumam mudar de ideia. "Acho que, para a maioria das pessoas, é mais fácil lidar com as cápsulas (do que com a colonoscopia), porque somos uma sociedade baseada na pílula."
Outras doenças do intestino (de Crohn, por exemplo), e mesmo a obesidade, estão sendo cogitadas para o transplante da microbiota fecal (TMF), mas o Food and Drug Administration, por enquanto, só permite usá-la na doença pelo C. difficile. (artigo condensado)

Um tratamento pouco ortodoxo - 1

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