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02 janeiro, 2025

Sem terremotos a Terra seria inabitável?

A Terra recebe calor do sol, mas também de seu núcleo quente e derretido. O calor por baixo mantém a nossa superfície ativa, com massas de terra e mar movendo-se umas contra as outras e reorganizando-se, num processo denominado de placas tectônicas. Essas placas, que se movem na superfície do planeta, mudam ao longo do tempo, dando-nos montanhas, oceanos, vulcões e terremotos com o seu movimento gradual, mas por vezes violento. Este sistema como um todo cria ecossistemas vivos e mantém certos gases e minerais movendo-se para cima e para baixo na atmosfera, na superfície, na água e nas profundezas do subsolo. O efeito como um todo é o de um termostato, num equilíbrio delicado que mantém a temperatura da superfície em uma faixa que sustenta toda a vida.


Mas e se o nosso mundo fosse estático, sem placas tectônicas? Então, seria mais parecido com Vênus. Uma teoria sobre esse planeta diz que a atividade vulcânica perpétua lançou tanto dióxido de carbono na atmosfera que as temperaturas mais elevadas causaram a evaporação dos oceanos, deixando o planeta demasiado quente e seco para sustentar qualquer tipo de vida. Quando a água de um planeta acaba, não há como recuperá-la. Mas a Terra é um planeta geologicamente ativo, caso contrário não poderíamos viver aqui. Leia como isso funciona no Atlas Obscura.

23 agosto, 2021

As rochas deslizantes do Vale da Morte

As rochas deslizantes de Racetrack Playa (em português: Praia dos Rastros) são um fenômeno geológico, que ocorre no lago seco chamado Racetrack Playa, no Parque Nacional do Vale da Morte, Estado da Califórnia, onde pedras de dimensões variáveis, inclusive bastante grandes (que pesam até 300 kg), são encontradas com um rastro de movimento de tração marcado no solo, sem sinais de intervenção humana ou animal.
Por muito tempo, a causa deste movimento permaneceu controversa, embora várias teorias tentassem explicá-la.

+ fotos: geology.com

Mas o mistério foi finalmente resolvido com o registro de grandes placas flutuantes de gelo, formadas em noites frias, que são empurradas pelo vento e arrastam consigo as rochas. Casos semelhantes são encontrados em diversos outros lagos secos (playas) da região, mas os de Racetrack são os mais notáveis.

Vídeo

18 agosto, 2021

Carajás futuro sombrio

PUBLICADO POR LÚCIO FLÁVIO PINTO ⋅ 16 DE AGOSTO DE 2021

Francisco Fonseca é das poucas pessoas no Brasil que pode escrever o texto a seguir publicado: extremamente didático, rigoroso na seleção e apresentação dos fatos, com visão crítica profunda e abrangente, que conta a história da província mineral de Carajás, a mais importante do mundo, retrata a sua situação atual e faz uma projeção para os próximos anos, com conhecimento de causa e excelente formação científica.
Espero que o leitor aproveite esse presente de Francisco e alguém no governo e na iniciativa privada o utilize em suas ações relativas ao uso dos recursos naturais da Amazônia.

CARAJÁS

Francisco F. A. Fonseca (Engenheiro de Minas)

Carajás é a província ferrífera mais rica do mundo. É um conjunto de jazidas de ferro gigantescas, de alto teor, com ótimas características metalúrgicas, fáceis de minerar; não existe nenhuma outra igual no planeta. Carajás foi descoberto em julho de 1967 pelo meu amigo, o geólogo paulista Breno Augusto dos Santos, que comandava uma dupla de mais dois geólogos, o Erasto B de Almeida e o João E. Ritter.

Eles estavam procurando manganês no sudeste do Pará, que na época era totalmente coberto pela floresta amazônica, mas as fotos aéreas mostravam grandes clareiras no alto da Serra dos Carajás. O Projeto Araguaia tinha interpretado erradamente estas clareiras como resultado de formações calcárias. Eram oito clareiras mais ao norte e uma longa clareira com 35 Km de comprimento 70 Km mais ao sul, além de um grande número de clareiras pequenas se estendendo por uma frente de uns 200 Km.

Em 1967, a Companhia Meridional de Mineração, subsidiária brasileira da gigante norte americana United States Steel (US Steel), resolveu procurar manganês na Amazônia. A sua concorrente nos Estados Unidos, a Bethlem Steel, era sócia com 49% da ICOMI, que minerava manganês na Serra do Navio, no Amapá. A Meridional minerava manganês em Lafaiete, Minas Gerais, mas era uma mina em exaustão, e Urucum, no antigo Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul).

O manganês é um insumo essencial para a produção de aço (steel é aço em inglês). Não existem jazidas de manganês no continente norte americano. As maiores jazidas estão na África e no Brasil. Existe também uma jazida grande na Ucrânia, que na época era parte da União Soviética. e os americanos ficavam de cabeça quente.

A Meridional contratou o geólogo americano Gene Tolbert, ex-professor da Universidade de São Paulo, e do quadro do USGS, para fazer o plano de procurar manganês na Amazônia, e ele decidiu que a melhor área era o sudeste do Pará. Ele bolou um plano maluco de percorrer a área com dois pequenos helicópteros que conduziam só o piloto e um geólogo.

Era uma maluquice com aqueles helicópteros de um motor só e ainda carregando combustível extra para reabastecer. Apenas o Breno era ex-aluno do Tolbert, mas os três geólogos, imbuídos daquele arroubo da juventude, embarcaram na aventura. Pouco mais de um mês depois o Breno e o piloto José Maria de Aguiar programaram um voo no qual tinham que descer para reabastecimento em uma pequena clareira na Serra Arqueada, a oeste da Serra dos Carajás.

O Breno, armado com seu martelo de geólogo, logo constatou que as árvores não cresciam ali porque a clareira era formada por minério de ferro. Ele estava procurando manganês, que é preto, e não minério de ferro, que é vermelho, mas ficou imaginando se as grandes clareiras mais a oeste não seriam também de minério de ferro e não de calcário, como tinham imaginado os técnicos do Projeto Araguaia.

Quando os dois helicópteros ficaram disponíveis, ele e os outros dois geólogos, o Erasto e o Ritter, percorreram todas as grandes clareiras da Serra dos Carajás, inclusive a clareira gigante de mais de 30 Km, que fica bem mais ao sul. Constataram que era tudo minério de ferro. Ficaram abismados.

Tolbert, de início não se interessou pelo ferro. Mas após a descoberta do manganês de Buritirama, o Breno chamou o Tolbert, que veio do Rio de Janeiro. Tal era o desinteresse pelo ferro, que só após a visita a Buritirama, no dia seguinte, visitou as clareiras com ferro. E só então ficou mais abismado com o que viu. A notícia da grandeza da descoberta logo se espalhou.

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(matéria enviada pelo colaborador Jaime Nogueira)

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A descoberta de Carajás
Entrevista: Breno Augusto dos Santos, descobridor do ferro de Carajás

13 abril, 2021

O supercontinente Pangea

A formação de supercontinentes e sua divisão parece ter sido cíclica ao longo da história da Terra. O mais recente deles, Pangea. foi montada há aproximadamente 335 milhões de anos, a partir de unidades continentais anteriores, e começou a se fragmentar há cerca de 175 milhões de anos. Em contraste com a Terra atual e sua distribuição de massa continental, Pangea estava centrada no Equador e cercada pelo superoceano Panthalassa.


Era um péssimo negócio para o Brasil, que ficava 1) sem acesso para o mar e 2) a um pulo da Flórida.

Relacionada

24 maio, 2020

Rochas ornamentais do Espírito Santo

Uma publicação muito interessante sobre as rochas ornamentais do ES. Parece-me que, nos últimos 20/30 anos, houve uma melhoria neste setor. Até então nunca se imaginava que haveria a possibilidade de um dia comprar placas de granito pelo preço de uma boa cerâmica. ~ Jaime Nogueira

ATLAS - Arquivo PDF

Sardou Filho, Ruben ... [et al.]
Atlas de Rochas Ornamentais do Estado do Espírito Santo
Brasília : CPRM, 2013
Escala 1:400.000 -  1 atlas (1 DVD)
358 páginas
ISBN 978-85-7499-189-4

Este atlas apresenta informações sobre as variedades de rochas ornamentais produzidas no estado do Espírito Santo e resulta do levantamento sistemático realizado junto às empresas mineradoras e beneficiadoras de rochas ornamentais instaladas no território capixaba no período de 2011-2013. Para tanto foram considerados materiais de minas ativas e inativas, tendo sido desenvolvido sob a égide do Projeto Geologia e Recursos Minerais do Estado do Espírito Santo.
O atlas é composto por sete capítulos: o primeiro apresenta informações sobre clima, relevo, hidrografia e vegetação, além de dados socioeconômicos do estado; o segundo faz uma abordagem elucidativa sobre os conceitos emitidos sobre rochas ornamentais e de revestimento, de sua nomenclatura usual no mercado e significado geológico; o terceiro capítulo faz uma associação entre os tipos de rochas controladas por fatores geológicos, tectônicos ou outros fatores atuantes e os distintos materiais ornamentais deles derivados; o quarto capítulo apresenta breve considerações sobre o contexto geológico e tectônico-estrutural da área abrangida pelo estado; o capítulo cinco discorre sobre as características geológicas dos sítios produtores e potenciais dos materiais compilados no atlas; o sexto capítulo apresenta a metodologia de lavra e beneficiamento de materiais pétreos ornamentais; o capítulo sete discute o cenário técnico-econômico brasileiro e mundial do setor de rochas ornamentais. Por fim é apresentado o catálogo de rochas ornamentais consolidado do estado do Espírito Santo, integrado por pranchas dos materiais cadastrados, contendo localização, elementos básicos de geologia, foto da ocorrência ou frente de lavra, imagem da superfície polida da rocha, e os resultados dos ensaios de caracterização tecnológica.

16 agosto, 2017

A estante da Geologia


Comentário
É nisso que dá o cara colocar uma estante sobre a fronteira de duas placas tectônicas. [PGCS]

08 julho, 2016

A Pedra do Chapéu do Sol

Se você mora nas imediações de Brasília e ainda não conhece a Pedra do Chapéu do Sol não perca a oportunidade. Planeje um dia para ver esta maravilha da natureza. Um bloco gigantesco de quartzito com 1,2 bilhões de anos e mais de 347 toneladas, equilibrado em um minúsculo ponto de apoio.
Você vai ter que dirigir apenas poucos quilômetros em estrada não asfaltada, mas de boa qualidade. É muito fácil visitar a Pedra do Chapéu do Sol.
Para quem vem de Brasília é só medir 2 km a partir do trevo de Unaí, um pouco antes de Cristalina, que irá encontrar a estrada de acesso à esquerda, ao lado do Posto Petrobras. A partir deste ponto, percorra 2 km até um desvio à direita e mais 3 km onde existirá uma pequena estrada, também à direita (sinalizada). Percorra mais 850 metros até a Pedra do Chapéu do Sol.
Ou, se preferir, coloque no seu GPS as coordenadas 16°44'26.06"S e 47°34'12.26"O e navegue até ela.
O Portal do Geólogo foi até a Pedra do Chapéu do Sol (fotografia) para ver e entender a sua real relevância.
Assim como você ficará extasiado, nós também ficamos.


Infelizmente, a Pedra do Chapéu do Sol está sendo alvo de vândalos.
Nesse monumento natural, há pichações e o cometimento de outras infrações por grupos de escaladores que, de forma irresponsável, escalam a Pedra e podem estar comprometendo o equilíbrio da mesma.
As pichações devem e têm de ser apagadas, mas as escaladas podem levar a consequências muito mais sérias.
(resumo de matéria enviada por Jaime Nogueira)

Pedra sobre pedra

13 abril, 2016

A dorsal oceânica

Do leitor Jaime Nogueira:
Com prazer lhe repasso este intrigante artigo que me foi enviado por meu colega e vizinho, o geólogo Breno Augusto dos Santos, por acaso o descobridor de Carajás no longínquo ano de 1967.

"Vulcão" de 65 mil km pode ajudar a entender como a Terra funciona
por William J. Broad, The New York Times
Imagine um vulcão. Agora imagine que sua principal cratera seja uma linha longa sobre a terra. Agora, imagine que essa linha é tão longa que ela se estende por mais de 65 mil quilômetros nos recônditos obscuros de todos os oceanos do planeta, como as costuras de uma bola de futebol.
Seja bem-vindo a uma das características mais obscuras e importantes da Terra, conhecida pelo nome prosaico de "dorsal oceânica". Ainda que seja longa o bastante para dar seis voltas em torno da Lua, a dorsal recebe pouca atenção, já que fica escondida nas profundezas escuras da Terra. Os oceanógrafos perceberam sua natureza vulcânica em 1973. Desde então, expedições caríssimas começaram lentamente a explorar esse mundo subaquático, que geralmente fica a mais de 1,5 quilômetro abaixo da superfície do mar.
Os resultados podem fazer as visões de Júlio Verne parecerem comedidas.
Ler Mais.

Bônus
Eldorado existe, o descobridor também: Breno, o geólogo. In: Geração Editorial
Vídeo História da Criação da Docegeo

27 junho, 2011

1969: o ano em que secaram as cataratas

As Cataratas do Niágara são um grupo de três quedas d'águas localizadas no rio Niágara, no leste da América do Norte, entre os Estados Unidos e o Canadá. Em 1969, engenheiros do exército norte-americano pararam o fluxo de água em uma delas, nas Cataratas Americanas, com o objetivo de avaliar a estabilidade de seu leito rochoso. Durante os seis meses em que o curso do rio esteve desviado, os turistas podiam caminhar sobre essas rochas (imagem) que, temporariamente, ficaram à mostra.