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30 janeiro, 2025

A história revisionista da saudação nazista

"Quando o homem mais rico do mundo assume o centro do palco, as pessoas notam. Quando o homem mais rico do mundo assume o centro do palco e faz uma saudação nazista, é quando os fascistas saem rastejando da toca."
~ Sarah E. Bond e Stephanie Wong, in The Revisionist History of the Nazi Salute
No Dia da Posse nos Estados Unidos, o oligarca da tecnologia Elon Musk subiu ao palco do desfile presidencial para parabenizar Donald Trump e agradecer à multidão pelo apoio. "É graças a vocês que o futuro da civilização está garantido", Musk declarou, estendendo o braço para fora. Ele se virou e repetiu o gesto — certificando-se de que todos pudessem ver.
Então, a internet explodiu. Era uma saudação nazista? Era uma "saudação Bellamy", um gesto popularizado no final do século XIX para ser executado durante o recém-elaborado Juramento de Fidelidade? Os meios de comunicação de direita estavam ansiosos para defender Musk. Até mesmo a Liga Antidifamação correu para defender o gesto como simplesmente "estranho". A mídia europeia imediatamente o denunciou e grandes estudiosos do fascismo como Ruth Ben-Ghiat condenaram o gesto como uma saudação nazista; outros descartaram o gesto como uma expressão do autismo de Musk.
Musk tem uma longa história de referências ao Império Romano. Sua marca de despotismo tecnocrático e sua iconografia de mídia social têm raízes no trabalho de fascistas europeus do século XX, que eram eles próprios afincados na Roma Antiga. Musk é obcecado há muito tempo pelo falecido ditador da República Romana Sulla e, em dezembro de 2024, até mudou seu avatar X para "Kekius Maximus" — uma versão romanizada de Pepe, o Sapo, vestido com traje militar semelhante ao de Maximus no filme Gladiador (2000). 


Assim como o ditador italiano Benito Mussolini e o líder nazista Adolf Hitler, o bilionário frequentemente tem expressado admiração pelo Império Romano, postando fotos de IA dele mesmo fazendo cosplay de um soldado romano e elaborando teorias sobre o motivo da queda da Roma Antiga (resposta: declínio severo na taxa de natalidade). Ele pensa nisso todos os dias.
Mas, do mito de SPQR (Senatus Populusque Romanus) à "saudação romana", o Império Romano citado por aqueles fascistas — incluindo Hitler — era, na verdade, uma fantasia moderna nascida em parte da arte e do cinema.
De onde veio exatamente a ficção da “saudação romana”? Como a historiadora militar Sara Elise Phang observou em seu livro, "Roman Military Service" (2008), há apenas uma vaga referência a uma saudação militar romana na literatura antiga. Foi escrita pelo historiador judeu Flavio Josefo em seu relato da Primeira Guerra Judaica (66–70 EC), uma época em que os judeus na Judeia se rebelaram contra o Império Romano. Se o mito dessa saudação não veio da arte ou literatura antigas, onde mais deveríamos procurar?
O historiador militar e de cinema antigo Gregory S. Aldrete explicou que, embora os antigos romanos realizassem "vários gestos envolvendo levantar o braço", especialmente gestos oratórios ao falar, a chamada "saudação romana" foi inventada muito mais tarde por artistas visuais e cineastas.
A pintura de Jacques-Louis David, "O Juramento dos Horácios" (1784–5) parece ter iniciado a ideia de ser algo romano, mas realmente decolou como um gesto no século XIX”, disse ele. No século XIX, outras pinturas, como a do artista francês Jean-Léon Gérôme, "Ave César! Morituri te Salutant (Salve César! Nós que estamos prestes a morrer te saudamos)" (1859) baseada em noções de lealdade e respeito.
Embora inventada por seu assessor James Upham, a saudação Bellamy recebeu o nome do autor do Juramento de Fidelidade, um ministro batista chamado Francis Bellamy que pressionou para que bandeiras e o Juramento fossem colocados em salas de aula nos Estados Unidos, no final do século XIX. O historiador de Princeton Kevin Kruse disse que o gesto foi criado para acompanhar o Juramento, escrito para o 400º aniversário da chegada de Cristóvão Colombo às Américas. Ele consistia de uma saudação em estilo militar com a palma apresentada à bandeira enquanto palavras eram recitadas. 
Quando fascistas italianos e alemães adotaram uma saudação semelhante décadas depois, a saudação Bellamy foi criticada. Em 1942, o Congresso mudou oficialmente a saudação para uma mão sobre o coração.

21 novembro, 2021

O passo de ganso

O passo de ganso é um estilo de marcha desenvolvido originalmente no século 18 pelo comandante prussiano Leopoldo I, Príncipe de Anhalt-Desau (1676 - 1746). Mas este estilo de marcha não foi usado somente pelos alemães. No século 19, o exército britânico também usou uma variação do passo em desfiles militares.
Estudos mostram que atividades harmonizadas em grupo, fortalecem a lealdade do individuo para com o grupo. Talvez sabendo disso, os líderes nazistas promoveram marchas, com o passo de ganso e com cantos rítmicos. A ideia era criar uma cultura que promovesse os ideais do grupo sobre os interesses do próprio indivíduo.
De qualquer maneira, marchar no estilo passo de ganso equivale a caracterizar um exército como seguidor da linha nazista. Um artificio inclusive utilizado em filmes como, por exemplo, em "Se Preparem", uma cena do Rei Leão:



www.kidbentinho.com (link inativo)

12 agosto, 2021

Catedral da Luz


No início dos anos 1930, Adolf Hitler ordenou ao arquiteto Albert Speer que começasse um projeto, mas não qualquer projeto. O profissional teria que criar a maior estrutura de propaganda nazista que pudesse existir. Um local que fosse capaz de deslumbrar o poder do nascente regime na Alemanha para o resto do mundo. Com este início surgiu a grande obra: a Catedral da Luz.
A partir de 1933, essa arquitetura se tornou o principal símbolo dos comícios do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães em Nuremberg. Consistia de 130 holofotes antiaéreos, separados por 12 metros e apontados para o céu, de modo a formar uma série de barras verticais de luz que cercavam os participantes.

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Relacionada: Sol Negro

05 agosto, 2021

Theodor Morell: médico ou charlatão?

Hitler era um governante absoluto sem nenhum superior formal. Ele reforçava isso ao injetar deliberadamente arbitrariedades nas cadeias de comando nos níveis mais altos do estado nazista, dividindo para governar. Mas Hitler permitia que dois indivíduos, Martin Bormann e Theodor Morell, controlassem de forma surpreendente sua agenda, tarefas e saúde, de 1942 em diante. Eles não eram seus superiores, é claro, mas se tornaram extremamente poderosos.
Morell, um charlatão, era seu médico pessoal. Para horror de outros médicos, Morell usou Hitler para testar todos os tipos de drogas que supostamente aumentam a vitalidade. Hitler recebia injeções diárias e visivelmente se deteriorava, fazendo com que vários altos oficiais nazistas e militares se preocupassem com a estabilidade mental do ditador.
Theodor Gilbert Morell (1886 - 1948, na foto ao lado) foi o médico particular do führer alemão Adolf Hitler. Era conhecido na Alemanha por seus tratamentos não convencionais.
Theodor Morell iniciou suas atividades médicas em um navio, e cresceu na carreira, especializando-se em doenças de pele e doenças venéreas. Serviu durante a I Guerra Mundial, trabalhou com atletas olímpicos, atores e atrizes do cinema alemão e personalidades da política antes de Hitler.
Com a ascensão do nazismo, foi aventada a possibilidade de Morell ser judeu devido à cor de sua pele. Perdendo a clientela, ele se filiou ao partido nazista para afastar qualquer rumor. Conheceu o líder nazista num jantar em 1936, quando receitou um medicamento que fez efeito quase instantaneamente em Hitler, o que fez Morell receber a confiança do Führer. Antes já havia tratado o fotógrafo de Hitler, Heinrich Hoffman, e a mãe de Eva Braun, Franziska Braun.
Apesar de Morell ter treinamento médico e ter praticado medicina antes de conhecer Hitler, foram feitas investigações pelos Aliados sobre seu passado e ele então passou a ser retratado como um charlatão. Historiadores tem especulado se seus tratamentos foram responsáveis pela débil saúde de Hitler. Aproveitando-se das relações que adquiriu ao ser médico pessoal de Hitler, enriqueceu e montou fábricas de remédios patenteados, aumentando ainda mais sua fortuna.
Ao final da Segunda Guerra, Morell não foi preso ou mesmo julgado, pois não havia participado do holocausto, e também não foi um entusiasta do nazismo. Morreu em 1948, de causas naturais.
https://www.quora.com/Who-was-Hitlers-superior/answer/Ray-Lancaster-2
https://pt.wikipedia.org/wiki/Theodor_Morell

19 fevereiro, 2021

Uma reunião com Himmler

Na madrugada de 21 de abril de 1945, o sueco Norbert Masur, como representante do Congresso Judaico Mundial, se reuniu com o chefe da Gestapo, Heinrich Himmler. Uma reunião para uma conversa cheia de perigos em que a diplomacia levada ao extremo demonstrou ser útil.
Naquela época, Himmler sabia que a guerra estava perdida, mas precisava se explicar sobre as atrocidades cometidas contra os judeus.
Ele defendeu a necessidade dos campos de concentração, concluindo: "Para acabar com as epidemias fomos forçados a incinerar os corpos das muitas pessoas que morreram das doenças. Foi, por isso, que tivemos que construir os crematórios".
O representante judeu odiou especialmente essa explicação, mantendo-se em silêncio.
Mas...
Como resultado da visita de Masur, Himmler permitiu que cerca de 7.000 mulheres judias deixassem o campo de concentração de Ravensbruck, sob a proteção da Cruz Vermelha Sueca.
Via Metafilter

Um mês depois desse encontro, Himmler se matou ingerindo uma cápsula de cianureto.

31 março, 2020

A arara azul de Churchill

Charlie, o pássaro de Churchill, uma arara conhecida por xingar Hitler e os nazistas, ainda está viva. Nascida em 1899, ela completou 120 anos, e já passou mais da metade de sua vida sem a companhia do estadista inglês, que faleceu em 1965.
"Churchill não está mais entre nós, mas graças a Charlie, seu espírito, seu palavreado e sua determinação perduram", afirmou James Hunt (foto) à AFP. Hunt é um dos cuidadores dessa arara azul, que foi comprada por Churchill, em 1937, e logo foi ensinada a xingar: 'malditos nazistas!', 'maldito Hitler!', que são os gritos que ela continua dando em Reigate, Surrey, ao sul de Londres.


Na natureza, a arara azul geralmente vive cerca de 50 anos. Mas pode durar mais (como está durando Charlie), quando bem cuidada em um meio saudável. No dia em que morrer, Charlie vai fazer muita falta à democracia, que é "a pior forma de governo, com exceção de todas as outras".

12 novembro, 2019

Sol Negro

por Antonio Gasparetto Junior
Mestrado em História (UFJF, 2013)


Quando os nazistas assumiram o poder na Alemanha, liderados por Adolf Hitler, levaram ao Estado não apenas a visão radical da política, mas também perfis artísticos e culturais que ainda são objetos de pesquisas. Para além de todo o militarismo que caracterizava o governo alemão da década de 1930, havia uma série de símbolos que marcavam profundamente a ideologia do nazismo.

 Dentre eles, destacou-se o uso da suástica, o símbolo máximo de identificação da Alemanha de Adolf Hitler. No entanto, existiam outros. Um deles era o chamado Sol Negro. A imagem, basicamente em cor preta, estampava um sol central expelindo doze raios. Observando-se mais atentamente, vê-se que este símbolo era composto de três suásticas, aumentando a identificação com o nazismo.

Amparado por ideias esotéricas e ocultistas, o misticismo nazista espalhou símbolos pelos locais que considerava mais representativos da cultura ariana. Um desses era o castelo Wewelsburg, perto da cidade de Paderborn, que recebeu vários ornamentos nazistas.

No andar de mármore do castelo foi implantado um mosaico com um disco dourado no centro, representando o Sol Negro. Este termo, contudo, somente se tornou popular após o término da II Guerra Mundial, especialmente porque, devido à luminosidade do local, o símbolo parece adquirir a cor preta.

O Sol Negro é utilizado atualmente por correntes do neopaganismo, que atribuem significados distintos ao símbolo, como também por integrantes de grupos neonazistas.

Fontes
http://noitesinistra.blogspot.com.br/2012/11/o-sol-negro.html#.UW1L-8qyK3M
http://www.witchstore.com.br/1511259-C17-Sol-Negro
http://books.google.com.br/books?hl=pt-PT&lr=&id=UV6Yl5D0kdEC&oi=fnd&pg=PA10&dq=Sol+Negro+nazismo&ots=ksGYhCXzdD&sig=jgHYWAW0RtF5qmfkY0u4mHl7STA#v=onepage&q=Sol%20Negro%20nazismo&f=false

(excertos da matéria enviada por Jaime Nogueira)

06 maio, 2019

O suicídio dos Hausdorff

Felix Hausdorff (Breslávia, 8 de novembro de 1868 — Bonn, 26 de janeiro de 1942) foi um matemático alemão.
É considerado um dos fundadores da topologia moderna e contribuiu significativamente para a teoria dos conjuntos e para a análise funcional. Também publicou trabalhos literários e filosóficos sob o pseudônimo de "Paul Mongré".
Hausdorff estudou na Universidade de Leipzig, onde ensinou matemática até 1910, quando se tornou professor de matemática na Universidade de Bonn. Foi também professor na Universidade de Greifswald, de 1913 a 1921. Quando os nazistas tomaram o poder, Hausdorff, que era judeu, achou que, como um respeitado professor de universidade, seria poupado da perseguição. Entretanto, sua matemática abstrata foi denunciada como judia, sem utilidade e não-germânica. Assim, perdeu sua posição em 1935.
Em 1941, ele estava relacionado para ser conduzido a um campo de concentração, mas conseguiu evitar que fosse enviado. A Universidade de Bonn solicitou que os Hausdorff (Felix, sua esposa e uma cunhada) pudessem permanecer em sua casa e isso foi concedido. Em outubro, eles foram forçados a usar a "estrela amarela" e, ao final do ano, foram informados de que seriam enviados para Colônia.
Eles não foram enviados para Colônia, mas em janeiro de 1942 foram informados de que deveriam ser internados em Endenich.
Em 25 de janeiro, Felix Hausdorff escreveu esta carta a um amigo:
Caro amigo Wollstein,
Quando você receber essas linhas, nós três teremos resolvido o problema de outra maneira  da maneira que você continuamente tentou nos dissuadir. [...]
O que foi feito contra os judeus nos últimos meses desperta uma fundada ansiedade de que não teremos mais tempo para viver uma situação susceptível de suportar. [...]
Perdoe-nos, que ainda lhe causemos problemas além da morte. Estou convencido de que você fará o que você puder fazer (e que talvez não seja muito). Perdoe-nos também a nossa deserção. Desejamos que você e todos os nossos amigos vivenciem momentos melhores. 
Fielmente, Felix Hausdorff
Naquela noite de domingo, todos os três tomaram barbitúricos. Tanto Hausdorff quanto a esposa Charlotte foram encontrados mortos na manhã do dia 26 de janeiro. Edith, a irmã de Charlotte, sobreviveu por alguns dias em coma antes de morrer.
Fontes: Wiki e Pat's Blog

29 março, 2019

Oitenta e oito (2)

88, LXXXVIII
Hoje é o 88.º dia do ano

88 pode ser a soma de dois números primos, de quatro formas distintas:
88 = 5+83 = 17+71 = 29+59 = 41+47
Veja a conjetura de Goldbach:
Proposta pelo matemático prussiano Christian Goldbach, é um dos problemas mais antigos não resolvidos da matemática.Ela diz que todo número par maior que 2 pode ser representado pela soma de dois números primos.Verificações por computador já confirmaram a conjetura de Goldbach para muitos números. No entanto, a efetiva demonstração matemática ainda não ocorreu.O melhor resultado até agora foi dado por Olivier Ramaré em 1995: todo número par é a soma de no máximo 6 números primos.
O número 88 já foi associado à saudação utilizada pelos Nazis, "Heil Hitler". Visto que H é a oitava letra do alfabeto, 88 torna-se HH.


Esta espécie (Diaethria clymena) aparece principalmente em áreas do Cerrado e da Mata Atlântica (no Brasil). É popularmente denominada de borboleta 88 porque possui em suas asas posteriores desenhos em forma de 88. Infelizmente, em consequência da destruição de seu ambiente, sua frequência vem diminuindo na natureza.

Oitenta e Oito, em Kentuchy, EUA

14 novembro, 2018

A carta em que Einstein prevê os tempos obscuros do nazismo

"Aqui estão sendo gestados tempos obscuros, econômica e politicamente, por isso estou contente de poder ficar longe de tudo isso durante um semestre."
Foi esse o relato do físico Albert Einstein para sua irmã mais nova, Maja, em uma carta escrita em 1922, apenas dois anos depois da fundação do partido nazista. O documento acaba de se tornar público.
Na mensagem, o físico previa o terror que se avizinhava da Alemanha. Seu amigo Walther Rathenau, de origem judia e então ministro de Assuntos Exteriores alemão, havia sido assassinado pouco tempo antes por alemães antissemitas. O próprio Einstein havia sido advertido pela polícia de que sua vida corria perigo.
O cientista se viu, então, obrigado a sair de Berlim. Acabou se mudando para Kiel, no norte da Alemanha - onde, acredita-se, teria escrito a carta para a irmã.
Na mensagem, o físico ainda escreveu sobre o perigoso caminho que a Alemanha estava seguindo. Naquela altura, já estavam plantadas as sementes do antissemitismo como política de Estado. "Estou muito bem, apesar de haver antissemitas entre meus colegas alemães", disse para Maja.
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46187774
https://www.dn.pt/mundo/interior/carta-de-einstein-sobre-antissemitismo-alemao-vendida-por-mais-de-28-mil-euros-10174891.html


A carta manuscrita foi leiloada por 28 mil euros (32 mil dólares) na última terça-feira, 13, em Jerusalém. O que há de especial nela é que Einstein realmente previu - ele percebeu com 10 anos de antecedência - o que aconteceria na Alemanha. Isso torna esta carta particularmente significativa.

17 outubro, 2018

O apelo de Thomas Mann à razão

Há 88 anos, o romancista tentou alertar o povo alemão sobre os perigos políticos após o Partido Nazista ficar em segundo lugar nas urnas. Para o Nobel de Literatura, Hitler não podia mais ser visto apenas como uma piada de mau gosto.
No dia 17 de outubro de 1930, há exatos 88 anos, Thomas Mann proferia no Beethoven-Saal, em Berlim, sua palestra intitulada Ein Appell an die Vernunft (Um apelo à razão). Ao mesmo tempo, membros da Sturmabteilung (SA), a milícia paramilitar nazista, tentavam perturbar o evento e impedir que o escritor falasse.
O contexto e impulso dessa fala do romancista alemão foi o resultado das eleições de setembro daquele ano, quando o Partido Nazista (NSDAP) conquistou 18,3% dos votos, sendo o segundo mais votado, atrás do Partido Social-Democrata (24,5%) e à frente do Partido Comunista da Alemanha (13,1%).
O escritor tinha naquele momento uma posição de grande autoridade intelectual na República de Weimar, tendo recebido em 1929 o Prêmio Nobel de Literatura. Ele já era o autor dos romances Buddenbrooks (1901) e Der Zauberberg (A Montanha Mágica, 1924). [...]

Bibliothek: O apelo de Thomas Mann à razão, por Ricardo Domeneck, DW

Os alemães não escondem o seu passado. VÍDEO (1:07)

N.do E.
O partido nazista se chamava Partido Nacional Socialista. Seu nome completo: Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão: Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei). Acreditar que o nome contenha a essência de tudo é nominalismo ingênuo. O nome pode inclusive disfarçar o seu contrário, como no Ministério da Verdade, no romance "1984", de George Orwell. Ao incorporar a palavra "socialista", procuravam os dirigentes do partido cooptar os trabalhadores nos anos difíceis da pós Primeira Guerra Mundial.
A exemplo do nome "micose fungoide", na medicina, que é muito enganador. Embora signifique frouxamente "doença fúngica com aparência de cogumelo", esta doença não é de natureza fúngica, mas sim um tipo de linfoma não-Hodgkin (neoplasma maligno). É inevitável a analogia com o nazismo.

16 agosto, 2017

À vontade

A Lei de Godwin, que tem por base uma afirmação feita pelo advogado estadunidense Mike Godwin, diz:

"À medida que uma discussão se prolonga na internet, aumenta a probabilidade de alguém fazer uma comparação envolvendo Hitler ou nazistas.".

Após os eventos dos últimos dias em Charlottesville, na Virgínia, EUA, o próprio criador desta lei
resolveu abrir uma exceção:

"Por todos os meios comparem esses shitheads aos nazistas. À vontade. Eu estou com vocês."
Mike Godwin, em sua página no Face

Usando símbolo e gestos nazistas em suas manifestações contra negros, gays e imigrantes, os cabeças de merda, no dizer de Godwin, insistem em dizer que não são nazistas.


Da próxima vez em que alguém perguntar como se dialoga com um nazista, mostre este vídeo da coletiva de Jason Kessler, o organizador da marcha de extrema direita em Charlottesville.

03 agosto, 2015

A cartada nazista

A Lei de Godwin
Conhecida também como A Regra das Analogias Nazistas de Godwin, tem por base uma afirmação feita em 1990 por Mike Godwin, um advogado americano conhecido por formular essa "lei", que diz:
“À medida que cresce uma discussão na internet, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Adolf Hitler ou nazismo aproxima-se de 1 (100%).”
Há uma tradição em listas de discussões e fóruns que, se tal comparação é feita, é porque quem mencionou Hitler ou os nazis ficou sem argumentos. É o fim da linha — o que pode vir depois do mal absoluto? Entregou os pontos.
Tais comparações costumam aparecer em discussões políticas e religiosas.
Reductio ad Hitlerum
Uma criação do professor Leo Strauss, da Universidade de Chicago, que tem o mesmo sentido da Lei de Godwin. Vê-se que é uma adaptação marota de outra expressão: “reductio ad absurdum”. Então, quando não se há mais o que dizer, quando a coisa fugiu ao controle, surge a cartada nazista. Pronto. Discussão perdida.

11 abril, 2015

VemPraArgentina

Arqueólogos argentinos da Universidade de Buenos Aires descobriram o que acreditam ser uma covil nazista.  De acordo com o jornal argentino Clarín, eles encontraram as ruínas de três prédios (foto) em uma selva ao norte da Argentina, perto da fronteira com o Paraguai.


Eles também encontraram no local moedas alemãs produzidas no período de 1938 a 1941, um pedaço de um prato de porcelana, onde se lê "Made in Germany", e símbolos nazistas desenhados nas paredes, inclusive suásticas.
Os arqueólogos acreditam que esses prédios, atualmente em ruínas, foram construídos durante a II Guerra Mundial para servirem de refúgio a oficiais nazistas de alto escalão.
A hierarquia nazista nunca precisou usar esses abrigos porque, ao chegar à Argentina, percebeu que podia viver livremente em suas cidades.

05 julho, 2014

A Vigésima Quinta Hora

Sinopse do filme
Segunda Guerra Mundial: Johann Moritz (Anthony Quinn) um simples camponês romeno e Suzana (Virna Lisi), sua linda esposa são envolvidos num emaranhado de situações, que não conseguem entender. O chefe de polícia deseja sua mulher e sob a falsa alegação de ser ele judeu, é enviado a um campo de concentração. Entre as incoerências da era nazista, tem início sua terrível saga. Porém em uma avaliação pelos nazistas de seu biotipo, Johann é considerado um "exemplar-modelo da raça ariana". Em sua busca para conseguir de volta sua esposa e sua família e sem entender as verdadeiras razões do conflito, ele luta contra os dois lados da guerra.

A criança ariana "perfeita"
Hessy Taft nasceu de pais judeus da Letónia que se mudaram para a Alemanha em 1928 para seguir carreiras musicais. Em 1935, sua mãe levou-a a um fotógrafo para tirar fotos. Poucos meses depois, a mãe ficou chocada ao ver a foto de Hessy na capa de uma importante revista nazista.
A mãe de Hessy confrontou o fotógrafo e exigiu uma explicação. O fotógrafo, Hans Ballin, explicou que tinha deliberadamente apresentado a foto em um concurso de fotografia nazista que procurava o bebê ariano mais lindo.
The Telegraph explica:
"Eu queria ridicularizar os nazistas", o fotógrafo disse a ela.
Ele foi bem sucedido: a foto ganhou a competição, e se acredita ter sido a imagem escolhida pessoalmente pelo ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels.
E passou a aparecer em cartões postais nazistas amplamente disponíveis, onde foi reconhecida até por uma tia de Hessy, na distante Memel, agora parte da Lituânia.
Mas os nazistas nunca descobriram a verdadeira identidade da criança.
A família fugiu da Alemanha em 1938. Eles foram para a Letônia, em seguida, para a França, Cuba e Estados Unidos, onde se estabeleceram. Hessy Taft (foto), agora com 80 anos, é professora de química em Nova Iorque.

29 setembro, 2013

Desobediência

Esta foto foi tirada em Hamburgo, em 1936, durante a festa de lançamento de um navio. Mostra que uma pessoa se recusou a levantar o braço para fazer a saudação nazista. Essa pessoa foi August  Landmesser, um trabalhador do estaleiro. Ele já havia tido problemas com as autoridades nazistas, tendo sido condenado a dois anos de trabalhos forçados por "desonrar a raça" (casar-se com uma mulher judia). Sabemos pouco mais sobre August Landmesser, como o fato de que ele teve duas filhas: Ingrid e Irene. Por puro acaso, uma delas reconheceu o pai nesta foto, quando foi publicada em um jornal alemão, em 1991. Quanto orgulho ela deve ter sentido do pai naquele momento!

Landmesser: a coragem de dizer não

17 agosto, 2013

Picasso e os nazistas

Caricatura de Picasso: veio daqui.
Quando o Homero disse (se é que disse mesmo, nada que se sabe de Homero é cem por cento certo, nem a sua existência) que as guerras aconteciam para serem cantadas pelos poetas, não queria dizer que a arte compensava tudo. Ou queria? Contam que um grupo de oficiais nazistas foi visitar o atelier do Picasso durante a ocupação de Paris e, vendo uma reprodução do seu quadro Guernica, a dramática recriação da destruição daquela pequena cidade pelos alemães na Guerra Civil espanhola, um deles comentou: "Ah, foi você que fez isso, não foi?". Ao que Picasso (◄) teria respondido: "Não, foram VOCÊS que fizeram isso". Por um tortuoso raciocínio homérico se poderia concluir que os alemães foram coautores da pintura.

Extraído da magnífica crônica Compensações, do magnífico Luis Fernando Veríssimo.

04 julho, 2013

Primo Levi. É ISTO UM HOMEM?

por Fernando Gurgel Filho
Dizem que sobreviventes são pessoas extremamente perigosas.
Talvez seja pelo fato de que, quando se chega ao fundo do poço, quando nada mais resta ao ser humano, nada mesmo, e se este sobrevive, resta um ser humano completamente livre e fortalecido para qualquer situação do cotidiano. O embate, às vezes cruel, do dia a dia torna-se apenas um leve e aprazível afazer cotidiano, e a vida, merecidas férias no paraíso terrestre.
Os que passaram pelas atrocidades dos campos de concentração nazistas e saíram vivos bem sabem disso.
Estes, antes de serem sobreviventes, foram aniquilados como seres humanos. Foram colocados em condições extremas de miséria humana, aonde o mais absurdo dos mais abjetos comportamentos puderam ser observados entre "aquilo" que, ainda há pouco, fora dos campos de concentração, era chamado de "ser humano".
Primo Levi, no livro "É Isto Um Homem?", conta-nos sua história no campo de concentração de Auschwitz. O livro, escrito logo depois de sua libertação e publicado em 1947, é um relato fiel de lembranças ainda bem nítidas de como seres humanos conseguem transformar outros seres humanos em lixo e coisas inúteis, apenas porque esses outros seres humanos não estão do mesmo lado de suas convicções, seja política/religiosa, seja porque não nasceram sob a mesma bandeira, com as mesmas características, mesmas caspas, mesmo chulé.
Ao entrar em Auschwitz lia-se no grande portão de entrada "ARBEIT MACHT FREI" - O trabalho liberta.


Conta Primo Levi que a lembrança daquela frase singela "ainda hoje me atormenta nos sonhos".
Auschwitz não era um campo de concentração comum - o que, por si só, seria uma vergonha para a humanidade - era um campo de extermínio. Ou seja, a possibilidade de um ser humano entrar lá e sair com vida era nula. Com o tempo - pouco tempo, diga-se de passagem -, a iminência da morte era uma constante e a degradação do ser humano chegava a pontos inimagináveis. De ambos os lados, tantos prisioneiros como seus carrascos.
Talvez não por acaso, ao terminar de ler este pequeno grande livro, lembrei-me imediatamente de um outro, "Vidas Secas". Do muito conhecido brasileiro Graciliano Ramos. Ali vemos como foram produzidos milhares e milhares de sobreviventes.
Lembrei-me também dos porões da ditadura brasileira, tão recente e tão esquecida dos brasileiros. Menos por aqueles que foram colocados abaixo da linha da miséria humana. Ali também foram produzidos milhares e milhares de sobreviventes.
Será que, um dia, a humanidade poderá se livrar dessas ameaças?
Apenas os jovens poderão nos dar essa resposta.

06 setembro, 2012

Máquina mortífera

Para garantir que o cianureto que tomaria para se matar era eficiente, Hitler fez um teste em Blondi.
A cadela do ditador morreu, é claro.

Holocausto
De acordo com textos, fotografias e testemunhos de sobreviventes, além de uma extensa documentação deixada pelos próprios nazistas, referente a vários países sob a ocupação alemã, sabe-se hoje, aproximadamente, qual foi o número de mortos do nazismo. Morreram 17 milhões de soviéticos (sendo 9,5 milhões de civis); 6 milhões de judeus; 5,5 milhões de alemães (3 milhões de civis); 4 milhões de poloneses (3 milhões de civis); 2 milhões de chineses; 1,6 milhão de iugoslavos; 1,5 milhão de japoneses; 535 000 franceses (330 000 civis); 450 000 italianos (150 000 civis); 396 000 ingleses e 292 000 soldados norte-americanos. WIKIPÉDIA

Ver também...
"Dr. Auschwitz" e Uma artimanha britânica

11/09/2012 - Atualizando...
Há de se ter cuidado com a política, seus operadores, os homens, são como jamantas sem freio, uma vez iniciada a decida da indignidade, não param mais. Aproveitam e se deliciam com a suave brisa que sopra em seus rostos. (NJC)
A Cidade do Silêncio

08 julho, 2010

"Dr. Auschwitz"

As "pesquisas" do médico nazista Josef Mengele foram abomináveis. Em sua obsessão para conhecer os segredos que pudessem aumentar as taxas de natalidade da "raça ariana", ele realizava suas "experiências" em crianças gêmeas, principalmente.
In anima nobile - e sempre sem anestesia - ele comandou no campo de concentração de Auschwitz a prática de inúmeras atrocidades pseudocientíficas, tais como:
extração de fragmentos ósseos, produção artificial de xipófagos (irmãos siameses), injeção de produtos químicos nos olhos (para lhes mudar a cor), transfusões de sangue, infecções e submersões em água gelada (para testar a resistência), remoção de órgãos, castrações, amputações e promoção de gravidezes incestuosas.
Dos aproximadamente três mil gêmeos que passaram por suas mãos, apenas 26 sobreviveram. Mengele correspondeu de fato ao epíteto de "Anjo da Morte".
Após a guerra, ele se refugiou na América do Sul, onde viveu na clandestinidade e (aparentemente) sem remorsos o resto de sua vida. Morreu por afogamento acidental em Bertioga, no litoral paulista, aos 68 anos.