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30 janeiro, 2025

A história revisionista da saudação nazista

"Quando o homem mais rico do mundo assume o centro do palco, as pessoas notam. Quando o homem mais rico do mundo assume o centro do palco e faz uma saudação nazista, é quando os fascistas saem rastejando da toca."
~ Sarah E. Bond e Stephanie Wong, in The Revisionist History of the Nazi Salute
No Dia da Posse nos Estados Unidos, o oligarca da tecnologia Elon Musk subiu ao palco do desfile presidencial para parabenizar Donald Trump e agradecer à multidão pelo apoio. "É graças a vocês que o futuro da civilização está garantido", Musk declarou, estendendo o braço para fora. Ele se virou e repetiu o gesto — certificando-se de que todos pudessem ver.
Então, a internet explodiu. Era uma saudação nazista? Era uma "saudação Bellamy", um gesto popularizado no final do século XIX para ser executado durante o recém-elaborado Juramento de Fidelidade? Os meios de comunicação de direita estavam ansiosos para defender Musk. Até mesmo a Liga Antidifamação correu para defender o gesto como simplesmente "estranho". A mídia europeia imediatamente o denunciou e grandes estudiosos do fascismo como Ruth Ben-Ghiat condenaram o gesto como uma saudação nazista; outros descartaram o gesto como uma expressão do autismo de Musk.
Musk tem uma longa história de referências ao Império Romano. Sua marca de despotismo tecnocrático e sua iconografia de mídia social têm raízes no trabalho de fascistas europeus do século XX, que eram eles próprios afincados na Roma Antiga. Musk é obcecado há muito tempo pelo falecido ditador da República Romana Sulla e, em dezembro de 2024, até mudou seu avatar X para "Kekius Maximus" — uma versão romanizada de Pepe, o Sapo, vestido com traje militar semelhante ao de Maximus no filme Gladiador (2000). 


Assim como o ditador italiano Benito Mussolini e o líder nazista Adolf Hitler, o bilionário frequentemente tem expressado admiração pelo Império Romano, postando fotos de IA dele mesmo fazendo cosplay de um soldado romano e elaborando teorias sobre o motivo da queda da Roma Antiga (resposta: declínio severo na taxa de natalidade). Ele pensa nisso todos os dias.
Mas, do mito de SPQR (Senatus Populusque Romanus) à "saudação romana", o Império Romano citado por aqueles fascistas — incluindo Hitler — era, na verdade, uma fantasia moderna nascida em parte da arte e do cinema.
De onde veio exatamente a ficção da “saudação romana”? Como a historiadora militar Sara Elise Phang observou em seu livro, "Roman Military Service" (2008), há apenas uma vaga referência a uma saudação militar romana na literatura antiga. Foi escrita pelo historiador judeu Flavio Josefo em seu relato da Primeira Guerra Judaica (66–70 EC), uma época em que os judeus na Judeia se rebelaram contra o Império Romano. Se o mito dessa saudação não veio da arte ou literatura antigas, onde mais deveríamos procurar?
O historiador militar e de cinema antigo Gregory S. Aldrete explicou que, embora os antigos romanos realizassem "vários gestos envolvendo levantar o braço", especialmente gestos oratórios ao falar, a chamada "saudação romana" foi inventada muito mais tarde por artistas visuais e cineastas.
A pintura de Jacques-Louis David, "O Juramento dos Horácios" (1784–5) parece ter iniciado a ideia de ser algo romano, mas realmente decolou como um gesto no século XIX”, disse ele. No século XIX, outras pinturas, como a do artista francês Jean-Léon Gérôme, "Ave César! Morituri te Salutant (Salve César! Nós que estamos prestes a morrer te saudamos)" (1859) baseada em noções de lealdade e respeito.
Embora inventada por seu assessor James Upham, a saudação Bellamy recebeu o nome do autor do Juramento de Fidelidade, um ministro batista chamado Francis Bellamy que pressionou para que bandeiras e o Juramento fossem colocados em salas de aula nos Estados Unidos, no final do século XIX. O historiador de Princeton Kevin Kruse disse que o gesto foi criado para acompanhar o Juramento, escrito para o 400º aniversário da chegada de Cristóvão Colombo às Américas. Ele consistia de uma saudação em estilo militar com a palma apresentada à bandeira enquanto palavras eram recitadas. 
Quando fascistas italianos e alemães adotaram uma saudação semelhante décadas depois, a saudação Bellamy foi criticada. Em 1942, o Congresso mudou oficialmente a saudação para uma mão sobre o coração.

23 janeiro, 2019

Carne, limões e queijo!

Uma história ridícula é contada sobre um grande desfile naval que ocorreu no reinado do último Napoleão da França (Napoleão III) e da imperatriz Eugénie (Eugénia de Montijo).
Vários navios americanos estavam presentes, e eles foram alinhados para saudar o iate da Imperatriz quando passasse. Os marinheiros franceses, claro, sabiam como fazê-lo e de seus navios gritavam "Vive l'Impératrice!". Enquanto o almirante americano sabia que era impossível ensinar essas palavras a seus homens no tempo que lhe restava, então ordenou que sua tripulação gritasse "beef, lemons and cheese!". O iate imperial se aproximou e, quando passou pela frota, ouviu-se um poderoso rugido de "carne (de vaca), limões e queijo".
E a imperatriz disse que nunca havia recebido antes tal ovação.
— Current Literature, agosto de 1893
(https://www.futilitycloset.com/2018/03/22/in-a-word-581/)

28 dezembro, 2016

RIP, Canales

O texano Leonso Canales liderou um movimento em seu país para substituir "hell" (inferno) por "heaven" (céu) na palavra "hello". Para ele, diabos, esta saudação que cheirava a enxofre deveria ser mudada para "heaven-o".

Foi uma campanha de décadas. E Canales faleceu em 2014 sem ver o sonho de sua vida realizado.
N. do E.
Não há nenhuma ligação etimológica entre "hell" e "hello".

Hello, Canales

14 julho, 2014

A saudação Bellamy

No verão de 1892, Francis Bellamy escreveu o "Pledge of Allegiance", no qual continha a "Saudação à Bandeira" a ser feita pelos alunos das escolas estadunidenses no "Columbus Day". Inspirado em Bellamy, James Upham, um líder de organizações patrióticas, reuniu adultos para a primeira recitação desse juramento em uma cerimônia de hasteamento da bandeira, em 25 de abril de 1893.
Como era feita a saudação Bellamy:
A um sinal do diretor da escola, os alunos, em ordenadas fileiras, com os braços pendidos ao lado do corpo, olhavam para a bandeira. Outro sinal era dado. Cada aluno, então, fazia uma saudação militar com a mão direita levantada, com a palma para baixo, a uma linha ao nível da  testa e próxima a ela. A uníssono, todos repetiam, devagar: "Eu prometo a fidelidade à minha bandeira e à República que ela representa, uma nação indivisível, com liberdade e justiça para todos." Por ocasião das palavras, "à minha bandeira", o braço era graciosamente estendido, com a palma da mão voltada para a bandeira, e permanecia neste gesto até o final da afirmação, quando então todos os braços caíam imediatamente ao lado do corpo.

Isso funcionou muito bem até 1920, quando os fascistas italianos e, em seguida, os nazistas alemães adotaram uma saudação do tipo. Sem alarde, coube ao Congresso, em 1942, mudar o gesto do braço estendido para o da mão sobre o coração.

29 setembro, 2013

Desobediência

Esta foto foi tirada em Hamburgo, em 1936, durante a festa de lançamento de um navio. Mostra que uma pessoa se recusou a levantar o braço para fazer a saudação nazista. Essa pessoa foi August  Landmesser, um trabalhador do estaleiro. Ele já havia tido problemas com as autoridades nazistas, tendo sido condenado a dois anos de trabalhos forçados por "desonrar a raça" (casar-se com uma mulher judia). Sabemos pouco mais sobre August Landmesser, como o fato de que ele teve duas filhas: Ingrid e Irene. Por puro acaso, uma delas reconheceu o pai nesta foto, quando foi publicada em um jornal alemão, em 1991. Quanto orgulho ela deve ter sentido do pai naquele momento!

Landmesser: a coragem de dizer não

12 novembro, 2010

Oi

Essa jovial forma de saudação entre duas pessoas tem duas versões.

Oi - a versão masculina


Oi - a versão feminina