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11 janeiro, 2026

Águas de Março

Letra e música de "Águas de Março" foram criadas por Antônio Carlos Jobim. O início da história desta canção remonta a março de 1972, quando ao violão Tom Jobim começou a trabalhar em seu sítio no Poço Fundo, na serra fluminense. Após um dia exaustivo trabalhando na composição de "Matita Perê", a inspiração para "Águas de Março" emergiu.
O primeiro rascunho da letra foi compartilhado com a irmã Helena Jobim e o cunhado, escrito na madrugada em um papel de embrulho de pão. A obra foi finalizada no Rio de Janeiro, revelando uma mistura de referências pontuais e uma rica paleta de elementos ecológicos, refletindo a preocupação de Jobim com a natureza.
A canção "Águas de Março" foi lançada originalmente em maio de 1972, como lado A de um compacto encartado no semanário "O Pasquim". O LP "Matita Perê", do mesmo ano, apresentou a faixa como a primeira, com Tom Jobim tocando piano e violão, acompanhado por Airto Moreira na percussão e João Palma na bateria.
No encarte do compacto, Jobim revela que buscou o título da canção no poema "O Caçador de Esmeraldas", do parnasiano Olavo Bilac: 
"Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada / Do outono, quando a terra, em sede requeimada / Bebera longamente as águas da estação / Que, em bandeira, buscando esmeraldas e prata / À frente dos peões, filhos da rude mata / Fernão Dias Paes Leme entrou no sertão". 
No momento da criação de "Águas de Março", ele estava impregnado das leituras de João Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade. E, na passagem em que Jobim cita um ponto de umbanda ("É pau, é pedra, é seixo miúdo / Roda baiana por cima de tudo"), parte do problema de identificação da fonte é que "em música não se usam aspas".
Arthur Nestrovski destaca que prevalece na canção o verbo ser, conjugado na terceira pessoa do singular. Exceção: "são as águas de março fechando verão", afinal é o título da canção."Tudo é, nada faz. Um ou outro fazer, quando aparece, vira qualidade, formulada em gerúndio, quase sempre para sublinhar uma essência: 'é o vento ventando', 'é o pingo pingando', 'é uma prata brilhando', comenta o crítico".
Em 1974, a versão mais icônica da música foi gravada em dueto com Elis Regina para o álbum "Elis e Tom", alcançando grande sucesso comercial. A colaboração entre os dois deu uma nova dimensão à canção, tornando-se um marco na história da música brasileira.
E a obra musical "Águas de Março" transcendeu fronteiras, sendo regravada por diversos artistas no Brasil e no exterior. Nomes como João Gilberto, Leny Andrade, Miúcha, Nara Leão, Joyce, Danilo Caymmi, Sérgio Mendes, e até interpretações internacionais de Art Garfunkel, Al Jarreau, Ella Fitzgerald, Stevie Wonder e Dionne Warwick testemunham a universalidade da música.
A versão em língua inglesa, "Waters Of March", escrita também por Jobim, manteve a estrutura e a metáfora central da letra original. Ao evitar palavras com raízes latinas, a versão em inglês assume uma perspectiva mais abrangente, adaptando-se ao público global. A letra conserva a enumeração de elementos presente na versão em português, mas com algumas adaptações para garantir a compreensão além das fronteiras brasileiras.
E foram surgindo novas versões pelo mundo: em francês (Les Eaux de Mars), gravada por Georges Moustaki, e até mesmo em dialeto bresciano (Aqua de Mars), que foi gravada em 2016 no álbum "Bréssanova" (2016), por Paolo Milzani e Anna Maria Di Lena.

SANT ANDREU JAZZ BAND (JOAN CHAMORRO)
vozes: ALBA ARMENGOU e RITA PAYES; sax tenor: JOEL FRAHM

http://mpbrockehistoria.com.br/a-bela-historia-da-musica-aguas-de-marco (link não funcionante)
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra69219/aguas-de-marco
http://www.youtube.com/watch?v=dIua6z8PXwE

10 novembro, 2024

Um amor à natureza

"Dindi" é uma canção composta por Antônio Carlos Jobim com letra de Aloysio de Oliveira.
Muitos acreditam que Tom Jobim escreveu a canção especialmente para Sylvia Telles, cantora brasileira cujo apelido era Dindi.
Mas, a verdadeira história é esta:
"Ele via o rio passar, roncando nas pedras, as águas espumaradas. Aquele ruído o apaziguava. Na outra margem, começava o pasto que ia dar no morro do Dirindi. ‘Dindi’ não era, como muitos pensavam, um nome de mulher. Mas sim toda aquela vasta natureza e seus segredos", narra Helena Jobim, irmã de Tom, no livro 'Antônio Carlos Jobim, Um Homem Iluminado' [Ed. Nova Fronteira]".

07 julho, 2024

Matita Perê

É um álbum de estúdio de Antônio Carlos Jobim lançado em 1973. O disco faz referência ao mitológico personagem Matita Perê em duas gravações:
na faixa 1 - "Águas de Março", música e letra de Jobim", em que o personagem é designado por Matita-Pereira
É peroba no campo, é o nó da madeira / Caingá candeia, é o matita-pereira.
na faixa 3 - "Matita Perê", de Jobim e Paulo César Pinheiro, como título da canção e também do álbum.
No jardim das rosas / De sonho e medo / Pelos canteiros de espinhos e flores / Lá, quero ver você / Olerê, olará, você me pegar.
Mas o que é Matita Perê?
Matita Perê (18.900 resultados no Google) ou Matita Pereira (4.180.000 resultados) ou Matinta Perera (72.500 resultados) é uma personagem do folclore brasileiro, mais precisamente na Região Norte do país. Trata-se de uma bruxa velha que à noite se transforma em um pássaro agourento (rasga-mortalha) que pousa sobre os muros e telhados das casas e se põe a assobiar, e só para quando o morador, já muito enfurecido pelo estridente assobio, promete a ela algo para que pare (geralmente tabaco, mas também pode ser café, cachaça etc.).
Com poderes sobrenaturais, ela lança feitiços sobre suas vítimas capazes até de levar à morte. Quando está na sua forma mais comum, uma velha de vestido preto e cabelos caídos no rosto, costuma soltar um assobio agudo como se estivesse gritando o próprio nome. Costuma-se descrevê-la como uma bruxa idosa que se transforma durante as noites em um pássaro. Por outro lado, há versões que relatam que ela se transforma em uma coruja. Mais ainda, essa transformação envolve a representação da alma de um antepassado da personagem.

https://twitter.com/twittndre/status/1506725046550556672

A razão por que você não vê muitas corujas tocando instrumentos musicais é que você não sai muito.

13 agosto, 2023

O violão jobiniano

Apesar de ser mais um pianista e orquestrador, é marcante a quantidade de fotos de Jobim em que o violão ocupou um espaço nobre na vida do maestro. Desde a adolescência, ao lado da irmã Helena Jobim, até as apresentações com Frank Sinatra em TVs americanas, Jobim utilizou-se de um violão. E também em gravações antológicas, a exemplo do disco "The Astrud Gilberto Album", ou nos ensaios filmados por Roberto de Oliveira para o LP "Elis e Tom", acertando nuances de "Chovendo na Roseira", o violão estava lá.
Foi num violão também que nasceu "Águas de Março". Debruçado nele, Tom Jobim tomava as primeiras anotações num papel de embrulho de pão. Estava numa casinha de pau-a-pique, num lugar chamado Poço Fundo, no estado do Rio de Janeiro, onde costumava passar finais de semana, enquanto sua nova casa estava sendo construída. Essa história, contada em detalhes por sua irmã Helena no livro "Um Homem Iluminado", aconteceu em março de 1972.


Assim como não dava pra levar o piano para o barraco de Poço Fundo, Tom também não deve ter encontrado teclado algum em Brasília, ainda em construção. Com a encomenda de compor a "Sinfonia do Alvorada", os dois parceiros gostavam de andar em pleno cerrado, no Catetinho, em 1958. Por sinal, uma das fotografias dessa viagem, com Vinícius caminhado pelo mato ao lado de Tom, e este carregando um violão sobre o ombro direito, inspirou a estátua de bronze do maestro, instalada em 2014 na orla de Ipanema, no Rio.

10/05/2022 - Aqui, eu mal e tristemente substituo o poeta Vinicius, na foto da estátua de Tom.

Certa vez, a caminhada da dupla na mata ao redor do Palácio do Catetinho é interrompida por um estranho som de água. Ao procurar o vigia encontram um candango espantado com a "ignorância" dos homens da cidade, "Cês não sabem, não? É água de beber [água potável], camará". A divertida resposta se tornou o sucesso da Bossa Nova "Água de Beber", que viria a ser regravado por artistas como Sergio Mendes, Al Jareau e Frank Sinatra.

[1] Extraído de: O violão jobiniano, por Alessandro Soares
[2] Água de Beber, no site Caixote
[3] Water to Drink (vídeo) - Osaka Jazz Channel

27 maio, 2023

Tom Jobim e a Mata Atlântica

"Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro partiu mas não pegou
Passarinho me conta então me diz
Porque que eu também não fui feliz
Me diz o que eu faço da paixão..."
Que me devora o coração…"

(da canção "Passarim")

Música e Natureza. Visionário e adiantado a seu tempo Tom Jobim falou muito apropriadamente sobre a questão do mato contínuo (a transformação da Amazônia e da Mata Atlântica em "Ilhas de Mato" cercadas por destruição e monoculturas). Quando se chega a esse ponto a Floresta fica muito vulnerável a ataques e investidas, e muito perto da total destruição - de seu ponto de não retorno.
"Eu sempre tive essa vontade de encontrar os bichos, as árvores… Já está na hora da gente plantar mato, de reconstruir um pouco da nossa floresta Atlântica, que é a coisa mais linda do mundo com sua variedade de bichos, de plantas, de tudo."
Trechos selecionados do documentário "Visão do Paraíso" (postado no YouTube em cinco partes), onde o maestro soberano expõe o seu conhecimento e toda a sua admiração pela Mata Atlântica, uma de suas grandes fontes de inspiração.


27 de maio - Dia Nacional da Mata Atlântica
Esta data tem o objetivo de conscientizar a população sobre a necessidade de proteger e recuperar a Mata Atlântica brasileira, um dos biomas mais antigos do Brasil, originada há aproximadamente 70 milhões de anos e da qual, estima-se, que exista atualmente apenas 7% dessa Mata. O dia 27 de maio foi escolhido em memória da famosa "Carta de São Vicente", em que o Padre Anchieta teria descrito pela primeira vez as belezas das florestas tropicais do Brasil, em 1560.

12 março, 2023

Teresa da Praia

Uma canção composta em 1954 por Tom Jobim e Billy Blanco. É sobre dois homens que querem uma mesma mulher que conheceram no Leblon. Em certo momento da letra, há este diálogo: - É a minha Tereza da Praia / - Se ela é tua, é minha também / - O verão passou todo comigo / - Mas o inverno, pergunta com quem. Na época, circulavam boatos de uma rivalidade artística entre Dick Farney e Lúcio Alves, e a emblemática canção deu ensejo a que os dois, cantando-a juntos, promovessem uma "pacificação".


No segundo vídeo (legendado em espanhol), Lúcio é substituído pelo baterista Toninho.


Compilação A BELEZA EM TEREZA

18 janeiro, 2023

Instituto Antônio Carlos Jobim


Nesta oficina irritada
Tudo veio da floresta
As longas tábuas do assoalho
A madeira do piano
O jacarandá do violão

A lenha da lareira
Este lápis, esta mesa
Esta cadeira, esta porta
Esta janela ...
Tudo é floresta.


Criado em 2001, localiza-se no corredor cultural do Jardim Botânico - Rua Jardim Botânico, 1008, o Instituto Antônio Carlos Jobim. Esta entidade tem como objetivo preservar e disponibilizar para o público, especialmente para estudantes e pesquisadores, a obra musical e poética do Maestro Antônio Carlos Jobim, e, além disto, seu pensamento, admiração e preocupação com a preservação da natureza do Brasil.
O maestro era frequentador assíduo do Jardim Botânico do Rio, onde costumava se inspirar para compor suas músicas e observar os pássaros. E grande parte da obra de Antonio Carlos Jobim (1927-1994) foi inspirada na Mata Atlântica. Tom Jobim acreditava que o brasileiro deveria se orgulhar por ter o único país do mundo com nome de árvore. "Águas de Março", "Água de beber", "Boto", "Chovendo na Roseira", "A Correnteza", "Matita Perê", "Sabiá" foram algumas de suas composições influenciadas pela fauna e flora desse bioma.
O acervo do Instituto inclui objetos pessoais, partituras, letras de músicas, correspondências, fotografias, livros, entre outros. Dentre as preciosidades, estão o manuscrito da letra da música Dindi, o cartão enviado, de Los Angeles, em 1965, para a mãe, um cachimbo, uma caixa com pios de pássaros e um bilhete dirigido a Vinícius de Moraes.
Seu acervo catalogado pode ser acessado via Web no site www.jobim.org que recebe em média 1200 consultas semanais.
A entrada da exposição é gratuita (o que não acontece com a visitação completa ao Jardim Botânico).

27 março, 2022

Tom Jobim na trilha sonora de um filme norueguês

"A Pior Pessoa do Mundo" (ou, originalmente, "Verdens verste menneske") é uma comédia dramática norueguesa lançada em julho de 2021 no Festival de Cannes. A obra, dirigida por Joachim Trier, é sucesso na crítica desde seu lançamento e vem ganhando ainda mais destaque mundialmente depois das indicações de Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Estrangeiro no Oscar de 2022.
"O longa narra quatro anos da vida de Julie, uma jovem que passa por um período conturbado em sua vida amorosa e profissional. Diante das dificuldades, ela não tem saída senão tentar de alguma forma contornar a situação e deixar as coisa mais fáceis. O filme é dividido em prólogo, doze capítulos e epílogo. Apesar da divisão pouco usual para um material de cerca de duas horas de duração, a história de amor e autoconhecimento da protagonista, interpretada por Renate Reinsve, é contada de forma leve e fluida." (Nação da Música)
A história se encerra com "Waters of March", releitura em inglês do clássico "Águas de Março" de Tom Jobim. A versão do filme é interpretada pelo norte-americano Art Garfunkel.


01 julho, 2018

Aula de matemática, por Tom Jobim

Pra que dividir sem raciocinar
na vida é sempre bom multiplicar
e por A mais B
eu quero demonstrar
que gosto imensamente de você.

Por uma fração infinitesimal
você criou um caso de cálculo integral
e para resolver este problema
eu tenho um teorema banal.

Quando dois meios se encontram
desaparece a fração
e se achamos a unidade
está resolvida a questão

Pra finalizar, vamos recordar
que menos por menos dá mais amor,
se vão as paralelas
ao infinito se encontrar
por que demoram tanto dois corações a se integrar?
Se deseperadamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você.


25 janeiro, 2017

Tributo a Tom Jobim

Se vivo fosse, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim completaria 90 anos hoje.
 25/1/1927 Rio de Janeiro, RJ
 08/12/1994 Nova York, EUA

A Música segundo Tom Jobim
(The Music according to Tom Jobim)
Filme de Dora Jobim e Nelson Pereira dos Santos
Trilha sonora da lavra de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim.
Coletânea com fabuloso elenco de artistas nacionais e internacionais cantando a música de Tom Jobim. Confiram pela ordem de apresentação:
Gal Costa ─ Elizeth Cardoso ─ Jean Sablon ─ Agostinho dos Santos ─ Pierre Barouh ─ Alaíde Costa ─ Henri Salvador ─ Dizzy Gillespie ─ Garu Burton ─ Silvia Telles ─ Gerry Mulligan ─ Antônio Carlos Jobim ─ Ella Fitzgerald ─ Sammy Davis Jr. ─ Judy Garland ─ Vinicius de Moraes ─ Errol Garner ─ Pat Hervey ─ Marcia ─ Lio ─ Mina ─ Frank Sinatra ─ Elis Regina ─ Adriana Calcanhotto ─ Nara Leão ─ Maysa ─ Fernanda Takai ─ Nana Caymmi ─ Diana Krall ─ Oscar Peterson ─ Sarah Vaughan ─ Cynara e Cybele ─ Carlinhos Brown ─ Jane Monheit ─ Stacey Kent ─ Birgit Brüel ─ Milton Nascimento ─ Lisa Ono ─ Paulo Jobim ─ Miúcha ─ Chico Buarque de Hollanda ─ Caetano Veloso ─ Gilberto Gil ─ Paulinho da Viola.



"Nelson, você me convida para cortar Tom Jobim (risos). Essa é a coisa mais difícil. Não dá vontade de cortar nada." (Dora Jobim, no making-of do filme)

17 fevereiro, 2015

A Felicidade, por Jason Vieaux

O violonista Jason Vieaux foi o agraciado com o prêmio Grammy 2015, na categoria de melhor álbum solo de música clássica. Dentre as composições que ele gravou no álbum, duas são de autores brasileiros: "Jongo", de Paulo Bellinati, e "A Felicidade" (vídeo), de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.



Passamento
"A gente só leva da vida a vida que a gente leva." ~ Tom Jobim

07 dezembro, 2014

Homenagem a Tom Jobim

"Todas as vezes que o Tom abriu o piano, o mundo melhorou."
Conta-se que, certa vez, Frank Sinatra interrompeu um show em Nova York para anunciar que na plateia estava o maior compositor do mundo: Antonio Carlos Jobim.
Nesta segunda-feira, dia 8 de dezembro, faz 20 anos que perdemos o Maestro Soberano.
Quanto mais o tempo passa, mais se valoriza a obra musical de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o compositor mais influente da música brasileira no século 20. Tom, na conceituada opinião do jornalista Nelson Motta, levou a bossa nova à consagração internacional.
Neste diário eletrônico: 8 anos COM Tom Jobim
Lua cris 2006
Uma homenagem ao Maestro Soberano 2007
A criação segundo Tom Jobim 2007
Não saia do Tom 2007
A harpa de Mariano Gonzalez 2008
♪Você vai ver♪ 2008
A peleja do Poeta Carioca com o Maestro Soberano 2010
Rio [a tragédia] de Janeiro 2011
♪Choro bandido♪ 2011
And so on 2011
Billy Blanco (1924-2011) 2011
♪Girl From Ipanema♪ 2012
♪Chega de Saudade (No More Blues)♪ 2013
Tom Jobim e as idiossincrasias do Brasil 2014
Ary reclama: E o Tom?
Como homem de rádio, Ary Barroso foi apresentador de vários programas de sucesso. No mais lendário deles, "Calouros em Desfile", aterrorizava os candidatos ao estrelato, mas era uma garantia de sucesso para quem realmente tivesse café no bule. Elza Soares, pobre "de marré", foi se apresentar lá. Magérrima, desgrenhada, com um vestido emprestado muito maior que ela, provocou o comentário imediato de Ary: – Mas... de que planeta você veio? E ela, na bucha: – Planeta Fome, seu Ary. Cantou e arrasou. Já outro candidato disse que ia interpretar "um sambinha"... do dono do programa ("Aquarela do Brasil"). Quase foi trucidado. Um terceiro estava prestes a interpretar uma página de Tom e Vinícius. O poeta e diplomata era então muito mais famoso que o jovem compositor, e o candidato lascou: – "Se Todos Fossem Iguais a Você", de Vinícius de Moraes. Ary, velho batalhador pela causa do direito autoral, reclamou já furioso: – Mas... como Vinícius?! E o Tom? – Mi maior, seu Ary.

30 agosto, 2014

Tom Jobim e as idiossincrasias do Brasil

O maestro Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927–1994) amava este país. Mas tinha lá suas justas críticas com o povo que ele reverenciava referenciava em seu sobrenome:
"O Brasil não é para principiantes."
"No Brasil, sucesso é ofensa pessoal."
"Este é um país em que a prostituta goza, o cafetão tem ciúme, o traficante se vicia, e o pobre é da direita."(Com modificação esta frase é atribuída também ao Tim Maia.)
"Quando uma árvore é cortada, ela renasce em outro lugar. Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz."
 "É ou não é um país de cabeça para baixo?"
Diz-se que a idiossincrasia é uma característica comportamental ou estrutural peculiar a um indivíduo, a um grupo ou a um país. Nacionalista crítico, Tom Jobim gostava de destacar nossas idiossincrasias.
Mas,
além da jabuticaba velha de guerra, do ponto facultativo, do carnaval fora de época, da caipirinha e do cheque pré-datado, cá temos outras "brasileirices":
A "passagem molhada" ser interditada quando chove.
O caminhão tombar na estrada e, depois disso, a carga não ter mais dono.
O permanente de cabelo ser temporário.
O paciente adiar a consulta médica ao adoecer no dia marcado.
E aquele que mais grita “pega ladrão” ser aqui o próprio ladrão.
Bem, voltando ao maestro soberano. Ao instante em que lhe perguntaram porque sempre voltava ao Brasil, quando podia viver sossegado nos Estados Unidos:
"Volto para me aporrinhar. Para responder a esse tipo de pergunta. Para ser um dos cinco por cento de brasileiros que pagam imposto de renda. Para perder o apetite ou morrer de indigestão. Volto porque nunca saí daqui."
E, quando soube que os Beatles estavam sendo mais tocados do que ele, e não se entregou:
"Mas eles são quatro."