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12 janeiro, 2026

Museu Calouste Gulbenkian

Calouste Sarkis Gulbenkian nasceu em Scutari (atual Üskaüdar, distrito de Istambul, Turquia) em 1869, numa família de origem arménia. Pioneiro da indústria petrolífera e colecionador excepcionalmente perspicaz e conhecedor, Gulbenkian chegou a Portugal em 1942, enquanto a Segunda Guerra Mundial grassava na Europa. Passou os últimos anos da sua vida em Lisboa, onde faleceu em 1955.
Em 1956, com a criação da Fundação que leva o seu nome, o desejo de Gulbenkian – que as obras de arte que reunira ao longo de quatro décadas como colecionador fossem mantidas sob o mesmo teto – foi concretizado.
Este desejo concretizou-se em 1969 com a inauguração do Museu Calouste Gulbenkian. O acervo do museu conta com cerca de 6.000 peças. A amplitude do acervo reflete as preferências e os gostos pessoais de Gulbenkian, que sempre o guiaram. Abrange vários períodos da história da arte, desde a antiguidade clássica e oriental até a arte europeia do início do século XX.
O Museu Calouste Gulbenkian, situado no recinto do Parque de Santa Gertrudes, é um marco da arquitetura museológica em Portugal. Com inúmeras aberturas para o exterior, o edifício oferece aos visitantes um diálogo contínuo entre a Natureza e a Arte.
As galerias de exposição permanente encontram-se no primeiro piso, distribuídas por dois pátios. Cada galeria liga-se à sua sucessora segundo um sistema de classificação cronológica e geográfica, resultando em dois itinerários independentes dentro do circuito geral do museu.
Gulbenkian interessava-se especialmente pela arte oriental (talvez devido às suas próprias origens) e as numerosas cerâmicas, tapetes, tapeçarias, iluminuras, encadernações de livros e candeeiros de mesquita do Oriente da coleção são uma ilustração desse interesse. Estas exposições traçam as várias tendências artísticas da Pérsia, Turquia, Síria, Cáucaso, Arménia e Índia, do século XII ao XVIII, e estão em exposição na Galeria Oriental-Islâmica.

28 abril, 2025

Tristão da Cunha (arquipélago)

Tristão da Cunha (em inglês: Tristan da Cunha) é um arquipélago localizado no sul do Oceano Atlântico. É um dos três constituintes do território ultramarino britânico de Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha.
O Arquipélago de Tristão da Cunha é o território habitado mais remoto do mundo, sendo que a ilha principal do arquipélago (Ilha de Tristão da Cunha) é rodeada por penhascos com mais de 600 metros de altura.
No continente, a cidade mais próxima de Tristão da Cunha é a Cidade do Cabo, na África do Sul, que fica localizada a 2 800 km ao leste.
O arquipélago foi descoberto em 1506 pelo navegador português Tristão da Cunha, que deu o seu nome à ilha, mas que não pôde atracar devido aos penhascos. Tristão da Cunha foi mais tarde anglicizado para Tristan da Cunha, nome oficial da ilha em todas as línguas, excetuando-se o português.
Em 1815, os britânicos anexaram as ilhas, sobretudo como medida para assegurar que os franceses não as usassem como base para uma operação de resgate a Napoleão Bonaparte de sua prisão em Santa Helena.
A população de 251 cidadãos da ilha de Tristão da Cunha partilha de apenas nove sobrenomes, constituindo no total 80 famílias. Existem alguns problemas de saúde devido à endogamia, como consequência do casamento entre casais com grau de parentesco próximo.
O arquipélago não possui aeroporto, possuindo apenas um pequeno porto pesqueiro.
A economia de Tristão da Cunha baseia-se na tradicional agricultura de subsistência e pesca para fornecer aos ilhéus sua própria alimentação. Lucros estrangeiros vêm da pesca da lagosta e da venda de selos e moedas. (Wikipédia)

No final do século XX, o atual rei Charles do Reino Unido (então, principe de Gales), por ocasiãoo da inauguração da Ponte Vasco da Gama em Lisboa, visitou uma pequena Capela nas imediações da ponte em Alcochete, onde estão depositados os restos mortais dos ancestrais de Tristão da Cunha, a fim de homenagear o notável navegador do século XVI, muito admirado pelo povo britânico.

15 março, 2025

O mapa alternativo de Portugal pelos portugueses


Jardim da Europa à beira-mar plantado
É verso de Tomás Ribeiro (1831-1901) incluído no poema "A Portugal", que abre o seu livro "D. Jayme" (1862). Este poema, constituído por 15 oitavas, dá, de resto, o mote do livro em seu acentuado pendor nacionalista. Dele se transcreve uma das estrofes:

"Jardim da Europa à beira-mar plantado
De louros e de acácias olorosas,
De fontes e de arroios serpeado,
Rasgado por torrentes alterosas,
Onde num cerro erguido e requeimado
Se casam em festões jasmins e rosas;
Balsa virente de eternal magia
Onde as aves gorjeiam noite e dia."

23 agosto, 2024

Cantiga

Autor: Francisco Sá de Miranda
Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo.
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.
Como viveu entre fins do século XV e meados do XVI, o poeta Sá de Miranda foi contemporâneo de Camões, ao menos durante a juventude do autor d’ "Os Lusíadas". E naturalmente, a imensa fama de Camões ofuscou bastante a de Sá de Miranda, embora o primor da trova que apresentamos acima seja reconhecido unanimemente. Não se trata apenas da métrica, isto é, da sua fluente e musical cadência. Existe também a visão interior, pois o poeta se percebe duplo, antagônico, contraditório.

01 janeiro, 2024

Dia do Domínio Público


O Dia do Domínio Público celebra-se anualmente no dia 1.º de janeiro. Decorridos todos os prazos de proteção de direito de autor estabelecidos na lei – em regra 70 anos após a morte do seu criador intelectual, ou 70 anos após a data de criação cujo autor seja desconhecido – diz-se que uma obra cai em domínio público. Significa que os direitos patrimoniais da obra cessam, deixando de ser necessário autorização para partilhar e reutilizar esses conteúdos, que passam a fazer parte do patrimônio cultural da sociedade.

24 abril, 2023

Valeu a pena esperar

O cantor, compositor, escritor, dramaturgo e inspirador de memes Chico Buarque, de 78 anos, recebeu o prêmio Camões, o mais importante da literatura de língua portuguesa, em uma cerimônia no Palácio Nacional de Queluz, em Sintra, Portugal, nesta segunda-feira (24).


Chico Buarque (ferino):

"Reconforta-me lembrar que o ex-presidente teve a rara fineza de não sujar o diploma do meu Prêmio Camões, deixando seu espaço em branco para a assinatura do nosso presidente Lula."

Marcelo Rebelo (presidente de Portugal):

"Eu assinei, depois houve a recusa de assinar, então eu disse: não há mais nenhum Prêmio até ser assinado este. E nós iríamos para quatro, cinco, seis, sete anos. Não foi preciso irmos para tanto, foram só quatro (risos)."

21 fevereiro, 2023

Titulatura régia portuguesa

O título oficial dos monarcas portugueses desde D. Maria II (1842) com D. Fernando II, passando por D. Pedro V, D. Luís I, D. Carlos I até D. Manuel II, ao fim da monarquia (1910), era:

«Pela Graça de Deus, Rei (ou Rainha) de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor(a) da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.»

Fonte: Titulatura régia portuguesa

Sim, o «etc.» fazia parte do auto-engrandecimento de Sua Majestade Fidelíssima (SMF). Por que, segundo o quorista Fernando Gouveia, nada como um «etc.» para vincar bem: «Ui, nem queiram saber o que mais poderia eu listar, se não estivesse com pressa!…»

(Outros: sultão Solimão, egomaníaco Idi Amin, generalíssimo Franco)

27 janeiro, 2023

O cartão branco no futebol

A partida entre o Benfica e o Sporting, pela Taça de Portugal Feminina, entrou para a história do futebol. Isso porque, no clássico português, a árbitra Catarina Branco mostrou pela primeira vez o cartão branco.
A iniciativa do cartão branco não tem como objetivo punir atletas ou membros da comissão técnica, como acontece com o amarelo e o vermelho. Pelo contrário, o branco é "do bem".


Esse cartão tem como objetivo reconhecer o fair play.

No futebol atual, o fair play é adotado por meio da Fair Play Campaign (também chamada de FIFA Fair Play), que é uma campanha criada pela entidade máxima do futebol (FIFA) visando a incentivar o cumprimento das regras, o bom senso e o respeito a jogadores, árbitros, adversários e torcedores. A campanha começou na Copa do Mundo FIFA de 1986, após o famoso gol de mão de Diego Maradona.

24 novembro, 2022

Ondas gigantes de Nazaré

Deu no Live Science:
A NASA divulgou uma imagem impressionante da costa de Portugal, mostrando o imenso poder de ondas gigantescas de sete andares de altura enquanto se chocavam com a costa. A imagem, tirada em 2020, foi capturada no mesmo dia em que um surfista de 18 anos supostamente surfou uma onda recorde de 30,9 metros na área.
A foto, que foi capturada pelo satélite Landsat 8 em 29 de outubro de 2020, mostra uma espessa faixa de espuma branca que foi deixada para trás pelas ondas enormes que quebravam ao longo da famosa Praia do Norte em Nazaré – amplamente considerada como um dos melhores locais do mundo para o surf de ondas gigantes.
As ondas na Nazaré atingem frequentemente alturas superiores a 15 metros nos meses de inverno devido a um desfiladeiro submarino a menos de um quilômetro da costa que canaliza a energia das ondas. Mas as ondas de 29 de outubro foram reforçadas por fortes ventos remanescentes do furacão Epsilon, que atingiu Bermudas e partes da América do Norte, segundo o comunicado.


A imagem captada pela Nasa em outubro foi tirada no mesmo dia em que o surfista português António Laureano, de 18 anos na época, surfou uma onda monstruosa com potencial de recorde. Após perceber o tamanho e seu possível grande feito, Laureano enviou o vídeo para pesquisadores da Universidade de Lisboa, em Portugal, para que analisassem o feito. O resultado foi uma onda de 30,9 metros de altura, tornando-a a maior já surfada por um ser humano. "Usamos a altura do surfista como referência de escala e depois procuramos a crista da onda [o ponto mais alto] e o vale [o ponto mais baixo]", disse Miguel Moreira, oceanógrafo da Universidade de Lisboa, ao Surfer Today em 2020.
Entretanto, a onda não foi reconhecida oficialmente pela Liga Mundial de Surfe (WSL) devido à forma usada para a análise da altura da onda. A WSL mede a altura das ondas em relação ao nível do mar, que pode ser feito por oficiais da costa ou atrás da onda quando ela quebra. No dia em que Laureano surfou sua maior onda, não havia nenhum oficial da WSL na praia. Dessa forma, o recorde continua permanecendo com o surfista brasileiro Rodrigo Koxa que surfou uma onda de 24,4 metros em 2017. - Veja mais em https://www.uol.com.br/tilt

12 agosto, 2022

Palavras japonesas de origem portuguesa

A existência de numerosas palavras japonesas de origem portuguesa resulta da chegada ao Japão dos portugueses em 1542-1543, sendo estes os primeiros europeus a aportar e a estabelecer um fluxo contínuo e direto de comércio entre o Japão e a Europa. Durante os séculos XVI e XVII, no chamado período Nanban, jesuítas portugueses, assim como espanhóis, empreenderam um grande trabalho de catequização que só foi destruído com as perseguições religiosas no início do Período Edo, culminando na expulsão dos jesuítas em 1639, quando o cristianismo passou à clandestinidade.

REVOLTA DE SHIMABARA: OS ÚLTIMOS SAMURAIS CRISTÃOS. Pouco
conhecida fora do Japão, a sangrenta revolta marcou a perseguição dos cristãos
pelo Xogum e o início de uma era em que os japoneses se isolaram do mundo.

Foram os portugueses os primeiros a traduzir o japonês para uma língua ocidental, no dicionário Nippo Jisho ou "Vocabvlário da Lingoa de Iapam", compilado por missionários jesuítas como João Rodrigues e publicado em Nagasaki em 1603. Este dicionário de japonês-português explicava 32 000 palavras em japonês traduzidas para português.
Portanto, foi inevitável que algumas palavras da língua japonesa tenham se originado do português. A maior parte destas palavras referem-se a produtos e costumes que chegaram pela primeira vez ao Japão através dos comerciantes portugueses. O número de palavras portuguesas no japonês é, segundo Fernando Venâncio Peixoto da Fonseca, mais de quatrocentas. No auge da influência portuguesa no Japão terão existido cerca de quatro mil palavras.
Não há registro de palavras da língua portuguesa que tenham chegado ao japonês devido à imigração japonesa no Brasil, entretanto o japonês falado no Brasil incorpora, como esperado, várias palavras do português falado no "Burajiru", digo, no Brasil. 
Tempura 
O nome dos empanados fritos de legumes é certamente de origem portuguesa, mas não se origina, provavelmente, da palavra "tempero" como se conta popularmente. No século XVI, os católicos abstinham-se de comer carne nos dias de têmporas [liturgia], os três dias de jejum semanal, em cada uma das quatro estações do ano. Os portugueses no Japão, como bons católicos, comiam nestes dias apenas legumes e peixes, que frequentemente eram empanados e fritos, para espanto do japoneses que os consumiam crus ou cozidos. Os japoneses cristianizados pelos Jesuítas também passaram a consumir alimentos fritos durante as têmporas e, assim, a palavra "têmpora" passou a ser associada no Japão aos empanados de legumes.

16 julho, 2022

Títulos de dez filmes no Brasil e na terra do CR7

Um Corpo que Cai > A Mulher que Viveu Duas Vezes

Um Estranho no Ninho > Voando sobre um Ninho de Cucos

Curtindo a Vida Adoidado > O Rei dos Gazeteiros

Duro de Matar > Assalto ao Arranha-Céus

Onze homens e um Segredo > Façam as Vossas Apostas

Recém Casados > Casados de Fresco

Como se Fosse a Primeira Vez > A Minha Namorada Tem Amnésia

Bastardos Inglórios > Sacanas Sem Lei

A Garota no Trem > A Rapariga no Comboio

Minions > Mínimos

09 março, 2022

Padre Himalaia

Foi o inventor português que ganhou o grande prêmio da exposição universal de St. Louis, nos Estados Unidos. O seu sucesso foi de tal ordem, que, recusadas todas as tentativas de compra, o colossal aparelho acabou por ser roubado, para nunca mais aparecer. Hoje, poucos ouviram falar desta invenção e do seu criador.

Mas vamos por partes. A exposição universal de St. Louis, em 1904, foi a maior, mais dispendiosa e grandiosa delas até então. E, nessa mesma exposição, todas as atenções se centraram numa invenção portuguesa multipremiada. Essa invenção era o pirelióforo [do grego: pyros, "fogo" + helios, "sol" + pheros, "que traz"].

O aparelho era imponente: sua grande parábola refletora tinha 13 m de altura, uma distância focal média de 10 m e uma área refletora de 80 m², revestida por 6 117 espelhos cuidadosamente montados sobre a estrutura metálica. Cada espelho consistia de vidro plano recoberto por uma película de prata.

A estrutura óptica estava instalada sobre uma montagem equatorial que lhe permitia rodar sobre um eixo paralelo ao eixo de rotação da Terra. Um mecanismo de relojoaria mantinha o espelho apontado para o Sol, seguindo automaticamente e com grande precisão o seu movimento aparente. A radiação solar refletida era concentrada num círculo com 15 cm de diâmetro centrado no foco da parábola, o que correspondia a um fator geométrico de concentração de aproximadamente 4 500 vezes.

Utilizava-se da luz solar, concentrando-a e multiplicando-a de modo a atingir temperaturas elevadas, na ordem dos 3800ºC, sendo capaz de fundir metal ou rocha sem dispêndio de energia. O sistema era inovador, especialmente num contexto em que numerosos ramos da indústria procuravam opções por energias renováveis e limpas.

Este prodígio foi criado por Manuel António Gomes [1868 - 1933]. A sua elevada estatura levou a que os colegas de seminário lhe dessem a alcunha de Himalaia, que ele adotou informalmente, passando a utilizá-la como se fora parte do seu nome. Por essa razão, Manuel António Gomes passaria à posteridade como o «Padre Himalaia», o «Padre Himalaya» na grafia da época. 

A sua participação na exposição universal só foi possível graças ao apoio de mecenas que ele angariou, já que o Estado Português decidiu contribuir apenas com “apoio moral”. O júri internacional atribuiu o primeiro lugar ao seu invento, bem como duas medalhas de ouro e uma de prata aos financiadores do projeto. A notícia foi destaque nos jornais dos Estados Unidos, e o padre Himalaia passou ainda longos meses nos Estados Unidos, divulgando suas descobertas em palestras.

Diz-se que, ainda durante a exposição, o inventor rejeitou várias ofertas por seu invento, como os japoneses que chegarem a lhe oferecer 350 contos pelo aparelho. Mal o invento tinha acabado de ser montado, e já um "sindicato de capitalistas" queria construir uma vedação à volta deste, de modo a obrigar quem quisesse vê-lo a pagar bilhete, algo que o padre Himalaia também recusou. Pensa-se que o sucesso do aparelho e a recusa do inventor em vendê-lo levaram a seu roubo, apesar das suas dimensões.

Depois de tantos anos de pesquisa, o desaparecimento do pirelióforo deve ter sido um golpe de peso para o inventor, que nunca mais se dedicou ao invento. Não muitos anos depois, começaram a surgir, nos Estados Unidos, réplicas de pequena dimensão da máquina criada pelo padre Himalaia, com o mesmo funcionamento, mas usadas para fins distintos.

Matéria originalmente postada no Quora por Rúben Marquês, que mora em Portugal. Aqui o texto foi acrescido de algumas passagens da Wikipedia.

Padres inventores brasileiros

21 janeiro, 2022

O galeão Botafogo

Foi um galeão a serviço da Marinha Portuguesa durante o século XVI. Em sua época, o São João Baptista (seu nome oficial) era o mais poderoso navio de guerra do mundo. Lançado ao mar por volta de 1534, com 1 000 toneladas de deslocamento e armado com 366 bocas de fogo de bronze, o que lhe dava um tal poder de fogo que ficou conhecido por "Botafogo".
A partir de então, a tática do combate naval é completamente alterada e a abordagem é substituída pelo duelo de artilharia. A superioridade da artilharia naval torna possível aos portugueses derrotar forças numericamente muito superiores, com isso obtendo o domínio dos mares do Oriente e conquistando possessões na Ásia.
Foi o esporão do Botafogo que conseguiu quebrar as correntes em La Goleta, que defendiam a entrada do porto, permitindo, então, à armada cristã que conquistasse a cidade de Tunes (gravura).


Um dos membros da tripulação do galeão, chamado João Pereira de Sousa - um nobre originário da cidade de Elvas - era o responsável pela artilharia do navio, pelo que também ganhou a alcunha de "Botafogo". Ele incluiu esse apelido em seu sobrenome, transmitindo-o a seus descendentes. Mais tarde, quando se estabeleceu no Brasil, destacou-se na defesa da colônia contra os invasores franceses. Como recompensa, a Coroa Portuguesa doou-lhe terras junto da baía de Guanabara, numa área que passou a ser conhecida por Botafogo em alusão à sua alcunha. E estas terras vieram a constituir o atual bairro de Botafogo da cidade do Rio de Janeiro.

27 dezembro, 2021

Uma receita portuguesa


FOLHAPRESS - A receita ensinada por Rodrigo Hilbert no programa "É de Casa", da Globo, na manhã deste sábado (25/12/2021), foi uma "punheta de bacalhau".
Os fãs não deixaram o nome do prato passar batido e o assunto rendeu piadas no Twitter.
Como de costume, o marido da atriz Fernanda Lima, que é ator, modelo, apresentador e conhecido na internet por ser um homem multitarefas, acompanhou o preparo da comida típica portuguesa.
Anfitrião deste episódio, Armando, que é de uma família portuguesa do bairro da Penha, na zona norte do Rio, explicou que o nome do prato faz referência ao modo como é preparado, que usa os dois punhos para desfiar o bacalhau.

16 junho, 2021

À sombra das laranjeiras

Os bancos neste parque estão instalados em trilhos a fim de que possam ser movidos para a sombra. E embalar o sem-teto para dormir - - quando for o caso.

Onde é isto?
Jardim das Laranjeiras, Elvas, Portugal
http://goo.gl/maps/255U5Zd6BC7eYdnz6

06 janeiro, 2021

Carlos do Carmo, o Sinatra do fado

O cantor português Carlos do Carmo, 81 anos, morreu, na manhã da última sexta-feira (1.º/01), em Lisboa, Portugal. Sua morte foi lamentada pelo primeiro ministro português António Costa nas redes sociais.
Carlos do Carmo nasceu em 21 de dezembro de 1939 em Lisboa. Filho da fadista Lucília do Carmo, seguiu os passos da matriarca e acabou se tornando um num dos maiores nomes do estilo musical, ganhando, inclusive, o título de "Sinatra do fado". (*)
A popularização do fado para além de Portugal muito se deve a Carlos do Carmo. Ele foi embaixador da candidatura do fado a Patrimônio Imaterial da Humanidade e rodou o mundo divulgando o estilo musical. Esteve algumas vezes no Brasil, onde conheceu grandes artistas da música brasileira, como Elis Regina e Ivan Lins.

Vídeo
Carlos do Carmo c/ Ivan Lins, em "Lisboa, menina e moça", que passou a ser a canção oficial da cidade.



"... deu várias cores ao Fado, abrindo espaços para as novas gerações criarem diferentes formas de tocá-lo e cantá-lo. Foi um ativista pela democracia, pela liberdade, pela cultura de seu país. Homem afável, culto, inteligente, educado, foi um artista admirável e coerente. Um encantador de plateias, em qualquer parte do mundo. Portugal perde um herói. Portugal está de luto. Deixo meus sentimentos e minha solidariedade à sua família, em particular, sua guerreira esposa, Judite, mulher extraordinária, aos seus amigos e ao povo português. Foi um dos meus melhores amigos de sempre. Estou muito, muito triste.
Que Deus o tenha em bom lugar." ~ Ivan Lins

(*) Carlos do Carmo canta Frank Sinatra acompanhado pela lendária Count Basie Orchestra. Full Concert

16 outubro, 2020

Código do Bom-Tom

Com regras da civilidade e de bem viver no século XIX, pelo cônego português José  Ignácio Roquette (1801 - 1870). Publicado em Portugal em 1845, este guia de boas maneiras logo ganhou uma fiel legião de leitores na corte imperial brasileira.

Lilia Moritz Schwarcz (Org.)
Lançamento: 05/12/1997
ISBN: 9788571647343
Selo: Companhia das Letras


A partir de finais do século XVIII, mas sobretudo durante o século XIX, toma força um novo gênero literário consagrado às boas maneiras. Escritos de modo claro e didático, os guias de boa conduta dedicavam-se à "ciência da civilização" e introduziam seus leitores nas atividades que marcavam a vida de sociedade: bailes, reuniões, saraus e jantares.
No entanto, juntamente com a civilidade vinha o aumento do embaraço, que se traduzia, nesse casso, em regras de higiene. Os manuais aconselhavam a evacuação diária, banhos de quinze em quinze dias, além da troca de roupa-branca tão logo estivesse suja. A civilização leva sempre à restrição dos costumes, e a dificuldade está em evitar os gestos naturais. Reprimir o espirro, não coçar a cabeça e muito menos meter os dedos no nariz, não levar a mão à boca nem roer as unhas, nunca arrotar. Nesses manuais estão descritas atitudes e gestos que passam a ser obrigatórios.

VÍDEO imperdível.

Em LINHA DO TEMPO:
Recordo-me de que, na década de 1960, havia um exemplar do "Guia de Boas Maneiras" (imagem da capa) em minha casa.
Antônio Marcelino de Carvalho (São Paulo, 1905 – 1978), o autor do livro (e de outros do gênero), foi jornalista, escritor, cronista e um mestre de etiqueta na década de 1950, tendo seus livros permanecido clássicos nas décadas seguintes.
Era filho de Antonio Marcelino de Carvalho e Brasília Machado de Carvalho.
Criador da "Crônica Social" no Brasil.
Seu "Guia de boas maneiras" aborda "as boas e corretas normas de conduta na vida em sociedade". Dividido em capítulos que se subdividem em apresentação, saudação, convites, recepções e tudo o que se refere à mesa (etiqueta, maneira de convidar, arrumação da mesa, entre outros), passando pelo casamento, nascimento, primeira comunhão, presentes e conversas.

20 maio, 2020

"Navegar é preciso, viver ..."

No século I a.C., o general romano Pompeu encorajou a receosa tripulação de um navio com esta frase: "Navigare necesse, vivere non est necesse".
Quinze séculos após, substituindo "necessário" por "preciso", o poeta italiano Petrarca transformou a frase de Pompeu em "Navegar é preciso, viver não é preciso".
"Quero para mim o espírito dessa frase", escreveu depois Fernando Pessoa, confinando o seu sentido de vida à criação.
E, cantando a coragem navegante, Caetano Veloso compôs "Os Argonautas". Um fado brasileiro cujo final inacabado ("Navegar é preciso, viver …") lançou uma interrogação.
Navegar é preciso?
http://blogdopg.blogspot.com/2008/11/navegar-preciso-viver-no.html



Sim! Navegar é uma viagem exata. Fazia-se com bússolas e astrolábios. Hoje, faz-se com satélites, GPS e www’s.
Viver não é preciso?
Não! É uma viagem feita de opções, medos, forças, inseguranças, persistências, constâncias e transições…
Mais de 2000 mil anos depois, interrogamo-nos:
Viver não é preciso?
Não, quando navegar é sonhar, ousar, planejar, arriscar, empreender, realizar…
Porque aí, navegar é viver!
Bem-vindo navegador!
A Universidade de Coimbra será sua companheira de navegação.
Neste momento de embarque, apresentamos-lhe uma página que o vai guiar numa viagem segura e aliciante. Parta à descoberta de uma experiência acadêmica sem igual... Porque viver é acima de tudo im[preciso].
http://www.uc.pt/navegar/ UNIVERSIDADE DE COIMBRA © 2018

15 maio, 2020

A despedida - António Correia de Oliveira

Há quase 50 anos, numa aula de Português, tive um dos primeiros sucessos como comunicador. Um dia, a professora (figura muito alta, austera, antipática, e sempre sarcástica, a quem chamávamos, entre nós, "o escadote") informou-nos de que, na aula seguinte, teríamos de falar para toda a turma durante um a dois minutos sobre um tema à nossa escolha, coisa rara para a época, uma vez que quem falava sempre era o professor.Embora tivesse medo da senhora, escolhi, como estratégia de sobrevivência, um poema do manual ("A despedida", de António Correia de Oliveira) e, depois de um treino intensivo diante do espelho do guarda-fatos, memorizei-o.
No dia da provação, enchi os pulmões e recitei o texto (uma declaração de amor), tendo como destinatário secreto a Maria Alfredo, uma colega de turma com sardas lindas por quem estava perdido de amores. E correu bem, não fizesse o amor milagres! A professora saiu-se com algo do tipo: "Quem havia de dizer! Uma mosca morta que fez alguma coisa de jeito!" Descontei a metáfora da "mosca morta" e fui-me sentar satisfeito.
Perdi "A despedida" de vista e, nos últimos 20 anos, fiz várias tentativas para a reencontrar, sobretudo na internet, pois mantive na memória a maior parte do texto.
Ontem, lembrei-me de voltar às pesquisas e, com surpresa, encontrei-o no Instagram de vistosa atriz brasileira (Isis Valverde, na imagem acima apresentada), que não conhecia. A jovem transcreve o poema da minha infância/juventude, mas não identifica o autor, o que levou os leitores a atribuir-lhe a autoria...
Seja como for, o importante é que posso partilhar um das mais bonitos e simples poemas de amor que conheço.
Prof. António Pereira, Brejos de Azeitão, PT
Blog Língua Portuguesa

A Despedida

Três modos de despedida
Tem o meu bem para mim:
«Até logo», «até à vista»
Ou «adeus» – É sempre assim.

«Adeus» é lindo, mas triste;
«Adeus» … A Deus entregamos
Nossos destinos: partimos,
Mal sabendo se voltamos.

«Até logo» é já mais doce;
Tem distância e ausência, é certo;
Mas não é nem ano e dia,
Nem tão-pouco algum deserto.

Vale mais «até à vista»,
Do que «até logo» ou «adeus»;
«À vista» lembra voltando,
Meus olhos fitos nos teus.

Três modos de despedida
Tem, assim, o meu Amor;
Antes não tivesse tantos!
Nem um só… Fora melhor.

António Correia de Oliveira (1879-1960):
Com extensa obra publicada, tornou-se um dos poetas do Estado Novo, com elevado número de textos escolhidos para os livros únicos de língua portuguesa do ensino primário e secundário.
Foi nomeado para o Prêmio Nobel da Literatura, pela primeira vez em 1933, tendo sido nomeado num total de quinze vezes em nove anos.

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