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17 janeiro, 2026

A astrometeorologia

A meteorologia é tão comum hoje em dia que "falar sobre o tempo" é considerado a melhor maneira de preencher silêncios constrangedores e detectar quando uma conversa está travada. A história da previsão do tempo tem suas raízes na astrologia, e não na ciência. É extremamente curioso que a Lei da Bruxaria de 1735 tenha proibido todas as previsões baseadas em meios sobrenaturais, incluindo as previsões meteorológicas (Es una bruja!),* embora os próprios britânicos tenham fundado seu Met Office (equivalente a uma Agência Meteorológica Estatal) já em 1854, com base em métodos científicos.
Fonte: The Guardian * *


* Cena de um filme de 1974 com o grupo de comédia Monty Python https://www.youtube.com/watch?v=Ux6fBfXOIuo
* * new post (a publicar)

31 outubro, 2023

31/10 - Dia das Bruxas e Dia do Saci

O Dia das Bruxas ou Halloween é uma data comemorada em 31 de outubro, nos Estados Unidos. Principalmente pelas crianças, que se vestem com fantasias de bruxas, vampiros, fantasmas e outros monstros. Durante o dia, as crianças batem à porta dos vizinhos pedindo doces, com o famoso bordão "gostosuras ou travessuras" ("trick or treat")
O Halloween surgiu dos costumes celtas, povo que viveu há cerca de 2 mil anos onde hoje se encontra a Irlanda, a Inglaterra e a França. Os celtas acreditavam que a fronteira entre o mundo dos vivos e dos mortos se desfazia e as almas passeavam livres pela Terra. Nesse dia (31/10), os druidas, tidos como magos sábios, aproveitavam as forças espirituais para fazer suas previsões sobre a próxima colheita e o ano seguinte.
No Brasil, a ideia do Halloween chegou principalmente pelos filmes e desenhos animados. Adiante, numa tentativa de valorizar o folclore e as tradições brasileiras, o dia 31 de outubro foi instituído por lei federal, em 2003, como Dia do Saci.
O Saci-Pererê 
É uma das figuras mais populares do folclore brasileiro. O personagem resulta da mistura de várias entidades africanas, de lendas indígenas, portuguesas, além de duendes europeus.
Há diversas versões para o surgimento do Saci. Numa delas, o personagem seria um capetinha infantil que fugiu do inferno junto com outros capetinhas crianças. Furioso, o diabo mandou os capetas trazê-los de volta ao inferno. Apena um deles conseguiu escapar, o que faz diabruras no mundo até hoje. Outra versão conta que o Saci nasceu de dentro dos gomos do taquaraçu, um tipo de bambu, durante as noites de tempestade. A terceira conta que o Saci é um curumim protetor da floresta e dos índios que nela se perdem.
Uma das imagens mais conhecidas do Saci-Pererê foi a difundida pelo autor Monteiro Lobato. O livro "Sacy-Pererê, resultado de um inquérito", publicado em 1918, foi uma forma de resistência à cultura europeia e uma tentativa de preservá-lo no imaginário popular. Nessa obra, o Saci aparece como um ser maléfico. Mais tarde, em "O Saci", Lobato transforma o personagem, tornando-o uma figura traquinas, que se diverte fazendo travessuras. Sua imagem também sofre alterações, e ele agora é um menino negro de uma perna só, com um gorro vermelho e um cachimbo. Nesse ponto, a figura do Saci é uma convergência de elementos diversos: a pele negra e o hábito de fumar, que revelam origens africanas; o gorro vermelho, uma referência ao demônio em países da Europa (sic); e seu nome, que evoca uma suposta origem indígena.
https://icalendario.br.com/festa-popular/dia-das-bruxas
https://www.todamateria.com.br/dia-do-saci/

18 novembro, 2022

Domingo, sete

Era uma vez um homem tão pobre quanto engenhoso, que, ao passar certa noite por um bosque, viu um grupo de bruxas dançando ao compasso de uma musiquinha cuja letra era assim:
"Segunda e terça e quarta, três."
Ouvindo-a, o homem por brincadeira interrompeu aquela cantoria, dizendo:
"Quinta e sexta e sábado, seis."
Agradecidas com quem havia tão bem completado a letra da cantiga, as bruxas lhe ofertaram uma bolsa cheia de moedas de ouro. 
Louco de alegria, o homem foi contar o sucedido a um compadre que tinha tanto de avarento como de sandeu. 
Quando este soube do caso, deitou a correr para o bosque onde não tardou a escutar a voz alegre das bruxas que cantavam:
"Segunda e terça e quarta, três,
Quinta e sexta e sábado, seis."
Pensando em ganhar também uma bolsa de ouro, interrompeu o conciliábulo, acrescentando:
"E domingo, sete”.
As bruxas indignadas, em vez de ouro, deram-lhe uma grande surra.

Moral
Todo sandeu que se mete
a querer ser muito experto
passa por "domingo, sete"
sendo logo descoberto.
Fonte: http://www.etimologista.com/2021/06/a-magia-do-numero-sete.html. Texto adaptado.

san.deu (arcaísmo; f. sandia) parvo; tolo; pateta (século XVI)
"E ò fidalgo, quem lhe deu... / O mando, dizês, do batel? / Corregedor, coronel, / castigai este sandeu!" (Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno)
Etimologia: palavra composta por justaposição do latim sine (sem) e deus (Deus).

24 junho, 2014

As Bruxas do Século XX

(enviado por Fernando Gurgel)
Agora, mais de dois séculos após o término da caça às bruxas, é que podemos ter uma noção das suas dimensões. Neste final de século e de milênio, o que se nos apresenta como avaliação da sociedade industrial? Dois terços da humanidade passam fome para o terço restante superalimentar-se; além disto há a possibilidade concreta da destruição instantânea do planeta pelo arsenal nuclear já colocado e, principalmente, a destruição lenta mas contínua do meio ambiente, já chegando ao ponto do não-retorno. A aceleração tecnológica mostra-se, portanto, muito mais louca dos inquisidores.
Ainda neste fim de século outro fenômeno está acontecendo: na mesma jovem rompem-se dois tabus que causaram a morte das feiticeiras: a inserção no mundo público e a procura do prazer sem repressão. A mulher jovem hoje liberta-se porque o controle da sexualidade e a reclusão ao domínio privado formam também os dois pilares da opressão feminina.
Assim, hoje as bruxas são legião no século XX. E são bruxas que não podem ser queimadas vivas, pois são elas que estão trazendo pela primeira vez na história do patriarcado, para o mundo masculino, os valores femininos. Esta reinserção do feminino na história, resgatando o prazer, a solidariedade, a não-competição, a união com a natureza, talvez seja a única chance que a nossa espécie tenha de continuar viva.
Creio que com isso as nossas bruxinhas da Idade Média podem se considerar vingadas!
Extraído da Breve Introdução Histórica, de Rose Marie Muraro, ao "Malleus Maleficarum" ("O Martelo das Feiticeiras"), um livro escrito em 1484 pelos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger. A autora deste prefácio, a brasileira Rose Marie (falecida há 3 dias), foi escritora e líder feminista. Nasceu praticamente cega e sua personalidade singular deu-lhe força e determinação suficientes para tornar-se uma das mais brilhantes intelectuais de nosso tempo. É autora de mais de 40 livros e também atuou como editora em cerca de 1600 títulos, quando foi diretora da Editora Vozes.