15 abril, 2015

Protesto com classe

Carlos José Holanda Gurgel
Foi um domingo de gala. Maravilhoso esse último protesto contra o PT e sua súcia. Isso sim é que é um protesto bem organizado e limpo. Todos bem vestidos com suas camisetinhas básicas amarelas, Lacoste "of course", um tênis Nike e um óculos ray-ban estiloso. Não vi nenhuma camisa de time de futebol nem ninguém calçando as bregas sandálias havaianas. Ninguém usando roupas compradas em feiras ou na Uruguaiana. (1) Coisa de pobre, de militante do PT, do MST ou de beneficiário do Bolsa-Família. E o melhor de tudo, não choveu. Assim ninguém ficou descabelado, não estragou a escova nem borrou a maquiagem das mulheres. Chamou atenção uma garota com um relógio que certamente nem com umas 20 Bolsas-Família uma infeliz eleitora do PT compraria. Os lugares escolhidos para os protestos não poderiam ser melhores. Em São Paulo, na Paulista. No Rio de Janeiro, em Copacabana e Ipanema. Melhor que isso, somente se tivesse ocorrido na Vieira Souto. Já imaginou um desfile, digo, um protesto desse na Zona Norte. Se duvidar ia ter até gente das favelas. Favelado numa hora dessa e num protesto desse nível? Nem pensar. Até lá no Nordeste miserável tiveram cuidado na escolha dos locais. Em Recife o protesto foi na praia de Boa Viagem e em Salvador, no Farol da Barra. (2) E para minha maior surpresa nem na Bahia apareceram militantes mal vestidos e mesmo "escurinhos". Em todos os locais, todos limpinhos, chics e organizados. Está duvidando? Entra em qualquer site de jornal ou no "face" e veja um vídeo da mobilização. (3) Tudo organizado e sem gente feia, suja ou faminta. Ninguém carregando cartazes para ganhar um sanduiche. E que inveja dos brasileiros demonstrando sua indignação contra a roubalheira e a corrupção lá em New York, na Times Square. E o que falar da turma protestando lá em Londres e Paris. Também pudera, com o dólar nas alturas (maldita política econômica) gritar "Fora Dilma" nesses locais civilizados realmente foi um privilégio para poucos e felizes patrícios. E foi por conta da cotação do dólar e da elevada inflação que, depois de mais de dez anos, não comi meu bacalhau norueguês com vinho do Porto na Semana Santa. Tive que me contentar com um bacalhauzinho qualquer com vinho chileno. Se essa corja do PT continuar mandando no país vou terminar comendo tilápia frita com vinho nacional na Sexta-Feira Santa. Coisa que os esfarrapados e famintos beneficiários do Bolsa-Família devem sonhar o ano todo e quando conseguem comprar e comer se lambuzam todo. Como dizia aquele personagem do Chico Anísio: eu odeio pobre!
Mas voltando aos protestos, ainda estou comemorando a mobilização e o nível dos participantes. Ainda bem que em SP a polícia barrou os caminhoneiros que queriam participar do movimento na Av. Paulista. Já imaginou um bando de carretas com seus motoristas barrigudos e fedidos no meio da passeata (confesso que não gosto desse termo pois parece coisa de sindicalista) e dos indignados cidadãos de bem. Podem fazer seus protestos sim, mas longe de nós e lá nas suas estradas e periferias. Vale ainda registrar que o acesso para os militantes do PT - MST somente foi liberado depois dos protestos. Para permitir essa cambada catar as garrafinhas e as latinhas de cerveja que deixamos espalhadas nas ruas e avenidas. (4) Não participei diretamente dos protestos nas ruas, mas atuei intensamente nas redes sociais, mobilizando e incentivando as pessoas de bem a participar. Ninguém aguenta mais e estamos todos revoltados com a atual política e com essa onda de escândalos que assola o país. Confesso, porém que não imaginava que os protestos por todo país fossem ser nesse nível. Se continuar assim nas próximas mobilizações e protestos certamente estarei lá, fazendo coro e gritando: FORA DILMA E LEVE O PT JUNTO! IMPEACHMENT JÁ!
N. do E.
(1) Eram compradas no local sem notas fiscais.
(2) Em Fortaleza. na Praça Portugal.
(3) Pode ser o "Vai Pra Rua Que Uma Hora Eu Tô Lá", do Aécio.
(4) E...

16/04/2015 - Atualizando...
Lideranças de partidos de oposição ao governo receberam, na quarta-feira (15), alguns dos agitadores dos protestos dos dias 15 de março e 12 de abril - entre eles, Rogério Chequer, do Vem Pra Rua. Durante o encontro, figurões como Agripino Maia (DEM), Ronaldo Caiado (DEM), Mendonça Filho (DEM), Paulinho da Força (SD), Aécio Neves (PSDB) e Roberto Freire (PPS) tiveram a oportunidade de esbravejar contra os casos de corrupção que desgastam o PT e a gestão Dilma Rousseff.
Chama atenção, entretanto, a ficha dos defensores da ética e do combate indiscriminado à corrupção. Associação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, prisão por fraudes e desvios em grandes obras, contas em paraísos fiscais em nome de familiares, recebimento de propina, recursos de campanha questionados na Justiça e até falsificação de documentos para criação de partido fazem parte do histórico de acusações e dos relacionamentos intrigantes que envolvem as estrelas políticas do encontro em tela.
Cíntia Alves, Luiz de Queiroz e Patricia Faermann fizeram uma breve seleção para o GGN: Puxando a capivara,

4 comentários:

Fernando Gurgel disse...

Bunitins, cherôzins, cheios de classe, protestavam contra a corrupção, mas...

Vejam só:

Em uma padaria de Fortaleza, o dono "reclamava sobre o sumiço de 127 itens, consumidos e não pagos por pessoas que entraram na padaria.", no dia da manifestação.

Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/manifestantes-roubam-padaria-de-fortaleza-durante-protesto-contra-corrupcao/

Paulo Gurgel disse...

Isso foi na primeira manifestação, Fernando. Na segunda, venderam camisas sem notas fiscais, corroborando a ideia de que sonegação não é crime.
Vão longe os filhos de Lupion.

Fernando Gurgel disse...

Na linha dos sonegadores, veja esta frase:

http://mariolobato.blogspot.com.br/2015/02/charge-sensacional-swissleaks.html

ANA ROSEMBERG disse...

Parabéns, Carlos Fernando Gurgel! Seu texto mostra a realidade dos protestos. A oposição e a elite brasileira inconformadaa com a derrota nas últimas eleições, tentam derrubar a Dilma. Não podemos e não devemos assistir a tentativa de golpe, passivamente. A democracia muito nos custou. anamargarida