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01 dezembro, 2021

A escrita cruzada

Era relativamente comum no século 19 por várias razões. Principalmente porque o papel era muito mais caro do que hoje e também por causa dos custos proibitivos das postagem de remessas (que podiam variar muito em função do peso e do tamanho, mais do que atualmente). Além de escrever duas cartas, os remetentes poderiam simplesmente virar o papel 45 ou 90 graus e continuar a escrita com o mesmo tamanho de fonte.


O resultado parece um pouco ilegível - em parte por causa do itálico - mas dizem que, ao você se acostumar, o olho pode entender facilmente porque o cérebro logo aprende a ignorar a escrita perpendicular. Lembro-me de alguma vez ter visto algo semelhante com texto escrito em letras menores no espaçamento entre linhas, às vezes com uma tinta de cor diferente, às vezes girando o papel 180 graus.
É dito que Henry James, Jane Austen e até o próprio Charles Darwin usaram esse hack postal. Embora essa técnica seja um pouco parecida com a dos Palimpestos, a diferença é que a escrita cruzada era feito desde o início, ao escrever uma carta, diário ou notas de campo; nos palimpestos, a escrita original era apagada para reaproveitar o mesmo papiro, o que é um pouco diferente.

http://www.microsiervos.com/archivo/mundoreal/escritura-cruzada-cartas-hojas-papel-gastos-envio.html

18 junho, 2020

A resposta do psicoterapeuta

Prezado Dr. Antônio Roberto,
Espero que possa me ajudar.
Peguei meu carro e saí pra trabalhar, deixando meu marido em casa vendo televisão, como sempre. Rodei pouco mais de 1km quando o motor morreu e o carro parou. Voltei pra casa, para pedir ajuda ao meu marido. Quando cheguei, nem pude acreditar, ele estava no quarto, transando com a filha da vizinha!
Eu tenho 32 anos, meu marido 34, e a garota 22. Estamos casados há 10 anos e ele confessou que os dois estão tendo um caso há 6 meses. Eu o amo muito e estou desesperada. Você pode me ajudar?
Antecipadamente grata,
Patrícia

Resposta
Cara Sra. Patrícia,
Quando um carro para, depois de haver percorrido uma pequena distância, isso pode ter ocorrido devido a uma série de fatores. Comece por verificar se tem gasolina no tanque. Depois veja se o filtro de gasolina não está entupido.
Verifique também se tem algum problema com a injeção eletrônica. Se nada disso resolver o problema, pode ser que a própria bomba de gasolina esteja com defeito, não proporcionando quantidade ou pressão suficiente nos injetores. A pessoa ideal para ajudá-la seria um mecânico. Você jamais deveria voltar em casa para chamar seu marido. Ele não é mecânico. Você está errada. Não repita isso.
Espero ter ajudado,
Dr. Antônio Roberto

(fazendo a ronda na internet)

28 junho, 2019

Cartas de ódio

Meu terapeuta me disse:
"Escreva cartas para as pessoas que você odeia e, em seguida, queime-as."
Fiz isso.
Mas agora eu não sei o que fazer com as cartas.

08 fevereiro, 2019

As histórias narradas sob a forma de cartas

- - - Os livros epistolares não são atraentes para todos (embora figurem entre meus favoritos), mas as histórias narradas sob a forma de cartas constituem uma tradição antiga desde os tempos de São Paulo. A não ficção epistolar incorpora a virtude adicional de uma vida real, tal como narrada (seja qual for sua veracidade e o que quer que seja ocultado) por seu protagonista.
Muitos historiadores têm lamentado o declínio das cartas escritas em papel passível de ser preservado como uma terrível perda para seu ofício. A tecnologia moderna colocou-se numa situação paradoxal. Costuma-se presumir que as informações tornam-se mais ricas à medida que nos aproximamos dos tempos atuais, pois um número maior de tipos de registros deve passar a existir, daí resultando menor perda e deterioração.
Agora, entretanto, a maioria de nossos comunicados é remetida de uma vez por todas para o esquecimento permanente, através de um fio de telefone, e muitas de nossas cartas (senão sua maioria) existem apenas no espaço cibernético do correio eletrônico e noutros dispositivos similares (nos quais, é claro, podem ser transferidas para o papel, mas podem, com igual probabilidade, ser atiradas num reino perdido, juntamente com nossos telefonemas).

Extraído de: "Prefácio" de Stephen Jay Gould (do Museu de Zoologia Comparada da Universidade Havard) para "As Cartas de Charles Darwin: Uma Seleta, 1825 - 1859", editadas por Frederick Burkhardt (com tradução de Vera Ribeiro)

17 janeiro, 2018

A carta de uma senhorita alemã sobre um assunto científico

1891 - A revista Nature publicou o que deve ter sido um dos artigos mais incomuns. Era uma carta de uma mulher alemã, Agnes Pockels, para John William Strutt, também conhecido como Lord Rayleigh.
A Srta. Pockels escreveu:
Meu senhor,
Por favor, desculpe por me aventurar a perturbá-lo com uma carta alemã sobre um assunto científico. Tendo ouvido falar das frutíferas pesquisas realizadas por você, no ano passado, sobre as propriedades superficiais da água, até agora pouco compreendidas, pensei que poderia lhe interessar o relato das minhas próprias observações sobre o assunto. Por várias razões, não estou em posição de publicá-las em periódicos científicos e, por isso, adoto este meio de comunicar-lhe a mais importante delas. Primeiro, vou descrever um método simples, que tenho empregado por vários anos, para aumentar ou diminuir a superfície de um líquido, em qualquer proporção, visto que sua pureza pode ser alterada ao bel-prazer. [...]
E a carta passava a descrever muitos dos resultados dos experimentos de John Strutt, acrescidos de conjecturas inéditas, e tudo a partir de observações feitas numa cozinha.
Felizmente para Pockels, Rayleigh era um cavalheiro no verdadeiro sentido da palavra, e enviou uma tradução inglesa da carta para a revista Nature, Juntamente com uma carta de apresentação em que pedia para publicá-la literalmente:
Ficarei muito grato se você puder encontrar espaço para a tradução que acompanha uma carta interessante que recebi de uma senhorita alemã que, com aparelhos caseiros, chegou a resultados valiosos quanto ao comportamento da superfície da água com impureza. A parte anterior da carta da Srta. Pockel cobre quase o mesmo fundamento de alguns dos meus recentes trabalhos e, em geral, harmoniza-se com eles. As seções posteriores me parecem muito sugestivas, levantando, se não respondendo plenamente, muitas questões importantes.
A história, com alguns detalhes adicionais sobre a curiosidade da Srta. Pockel com o fluxo da urina, e sua relação com a descoberta da técnica de impressão a jato de tinta, podem ser lida no blog do Dr. Len Fisher, aqui.

Poderá também gostar de ver
Marjorie Rice e seus pentágonos

10 novembro, 2017

Gaveta de cartas

Carlos Pinto (Pernambuco). O seu conto não pode ser publicado por fugir aos moldes de nossa revista; é excessivamente picaresco.
T. Rocha (Porto Alegre). Aí vai uma amostra de seus versos:
"Uma flor quando no pé
Tem um valor duplicado
Colhida perde o seu garbo
O seu olor delicado
Portanto, filha, do galho
Não queiras tirar a flor
Que perdes com seu perfume
Doces carinhos de amor."
Estude, Sr. Rocha, leia os versos do Sr. Victruvio e outros notáveis poetas, que um dia poderá com eles ombrear.
Três Pontinhos (Niterói). Tenha paciência, mas os seus artigos foram para as cestas dos papéis sujos, por impublicáveis.
Carlos Taveira (Fortaleza). Para o satisfazer aí vão alguns versos seus:
"Somos dois anjos na vida
Dois arcanjos a voar
Um à procura da sorte
Outro das garras da morte
Sempre a fugir, a escapar..."
Está satisfeito? Pois lamba as unhas
Mauro C. (São Paulo). Nós não costumamos pegar no bico da chaleira. Faça o senhor seu elogio pessoalmente e não queira servir-se da gente para semelhantes coisas.
Sr. Magalhães (Bahia). Já passou o tempo da escola condoreira; seu
"O monge que habita os Andes
Com as barbas da cor do Céu"
é inteiramente incompreensível para a moderna geração literária.
Oscar Costa (Rio). É melhor o senhor não publicar livro algum.
J. C. de Moraes Rego (?). Seu madrigal foi para o lixo.
Anfrysio Correia (Campinas). Poucos versos costumamos publicar; nunca publicaremos, porém, como estes:
"A vida é uma hirsutação etérea
Que n'alvorada a pálida criança
Embala em sonhos a rudeza aérea
E mal aponta a tímida esperança
Desata em flocos d'amplidão funérea
A loira, fosca, esparramada trança!"
Sr. Anfrysio, um conselho: deixe a poesia e plante batatas.
Glauco (Rio). O seu soneto está muito bom. Mas, para que seja publicado, é necessário que o senhor compareça à nossa redação para deixar o nome, ainda que o soneto seja publicado com pseudônimo.
Revista Careta, 3 de abril de 1909 - edição 44
(transcritas com atualização ortográfica)

23 dezembro, 2016

A armação de Mae

Em 1934, depois de receber cartas com extorsão, chantagem e ameaças de sequestro, Mae West aprendeu a manejar uma Tommy. Tinha fotos tiradas de si mesma para provar isso.

"Machine Gun" Mae: "Isso é uma pistola em seu bolso, ou só está feliz em me ver?" 

A armação funcionou, e as cartas ameaçadoras pararam de chegar.
Bem, por precaução, o FBI designou guarda-costas para acompanhá-la durante algum tempo.

Citações de Mae West: 1 e 2

06 maio, 2015

Cartas lastimosas

Pouco depois que o seu livro de viagem "Alexandria" foi publicado em dezembro de 1922, E.M. Forster recebeu uma carta de desculpas dos editores.
Acontecera um incêndio nas dependências da Whitehead Morris and Co, e toda a edição tinha sido queimada. Felizmente, a editora fizera seguro, e eles estavam lhe enviando um cheque substancial como compensação.
Algumas semanas depois, Forster recebeu outra carta – ainda mais lastimosa – dos seus editores, observa Lawrence Durrell, editor do livro na edição de 1961:
"Os livros tinha sido encontrados intactos em um porão que havia escapado das chamas. E isso, escreveram os editores, com os prejuízos já ressarcidos pela seguradora, acabara por lhes criar uma situação particularmente difícil. Então, eles haviam tomado a seguinte decisão: queimaram os livros deliberadamente."
N. do E.
O livro "Alexandria" escapou do grande incêndio para perecer em chamas menores. Mas foi uma temeridade Forster publicar o livro justamente com esse nome. Depois do que aconteceu com a Biblioteca da Alexandria

22 dezembro, 2014

Cartas de desculpas

Oi, querida,
Sinto muito por ter entrado em discussão com você sobre a colocação das luzes de Natal. É que, quando você quer algo, deseja que seja para ontem.
Eu reconheço que estive errado e agora lhe peço desculpas por ter sido um cabeça-dura.
Tudo o que eu quero é que você seja feliz e que desfrute dessa temporada de férias. Nada ilumina tanto o espírito de Natal como as luzes de Natal!
Por isso, aproveitei o tempo para pendurar essas luzes para você e agora estou saindo com uns amigos para um racha.
Mais uma vez: estou muito triste pela maneira como agi ontem. Estarei em casa mais tarde.
Amo-a.

Oi, querido,
Obrigada pelo pedido de desculpas que você escreveu para mim. Raramente, há pedidos de desculpas de sua parte. Mas, quando um deles acontece, saiba que eu realmente aprecio.
Eu também me senti mal com a discussão e queria lhe pedir desculpas. Eu percebo que, às vezes, posso ser um pouco agressiva.
Vou tentar respeitar seus sentimentos a partir de agora.
Obrigada por gastar o seu tempo pendurando as luzes de Natal para mim. Isso significa muito para mim.
Lavei o seu caminhão para você e agora vou sair para fazer compras.
Eu também o amo!

Apology Letters, Bits and Pieces

13 abril, 2014

Duas variantes do pôquer

Que é Strip Poker?
É uma variante do pôquer em que, a cada jogada que perde, o jogador é obrigado a tirar uma das peças de sua roupa.
Vídeo com cenas de um campeonato mundial dessa modalidade de jogo:



Que é Linux Poker?

É este jogo em que todos podem ver as cartas dos outros. E no qual todos ganham, exceto Bill Gates cuja retrato é usado como coringa.

14 setembro, 2013

A vingança do soldado

Um soldado destacado na guerra recebeu uma carta da namorada, que dizia:
Querido John, 
Não podemos continuar com esta relação. A distância que nos separa é demasiada longa. Tenho que admitir que te tenho sido infiel já por duas vezes, desde que te foste embora, e acredito que nem tu nem eu merecemos isto! Portanto, penso que é melhor acabarmos tudo! Por favor, manda de volta a foto minha que te enviei.
Com amor,
Mary

O soldado John, muito magoado, pediu a todos os seus colegas que lhe emprestassem fotos das suas namoradas, irmãs, primas, amigas etc.
E....
Juntamente com a foto de Mary, colocou num envelope todas as fotos que conseguiu recolher com os colegas. Nesse envelope, que enviou à Mary estavam 57 fotos com uma nota que dizia:

Querida Mary,
Peço desculpas, mas não consigo me lembrar quem tu és! Por favor, procura a tua foto no envelope e me envia, de volta, as restantes.
Com carinho,
John

04 julho, 2012

Cartas triangulares


Durante a Segunda Guerra Mundial, os soldados russos dobravam as cartas a serem enviadas assim.
Não necessitavam de envelopes e também facilitavam o trabalho dos censores que tinham de abrir e lê-las antes de enviá-las.
As famílias se alegravam em ver chegar aquelas cartas triangulares que traziam notícias de seus entes queridos.

07 março, 2009

O carteiro e o poeta

Sinopse do filme - Por razões políticas o poeta Pablo Neruda se exila em uma ilha na Itália. Lá, um desempregado quase analfabeto é contratado como "carteiro" extra, encarregado de cuidar da correspondência do poeta. Gradativamente se forma uma sólida amizade entre os dois. O carteiro Mario, aos poucos, aprende a escrever seus sentimentos por Beatrice, e Neruda ganha, em troca, um ouvinte compreensivo para suas lembranças saudosas do Chile (Wikipédia).


O carteiro e o poeta desta nota do blog são outros. O primeiro, talvez pela lambança que fez na correspondência do segundo, não se deu a conhecer ao poeta. Perdendo ensinamentos que poderiam transformá-lo, não ouso dizer num estafeta de alto nível, mas num alentado cultuador das musas. Quanto ao poeta, este tem nome e endereço conhecidos. É o meu colega Nelson José Cunha, médico oftalmologista que mora em João Monlevade, nas Gerais. 
Prosando como um poeta, Nelson é um destes. É pouco? Nelson agora lançou a idéia de que deveríamos homenagear os poetas colocando seus versos nos envelopes das cartas. E, para mostrar que não brinca em serviço, me fez destinatário destes versos do Padre Antonio Tomás:
"Ao sopro do terral abrindo a vela,
Na esteira azul das águas arrastada,
Segue veloz a intrépida jangada
Entre os uivos do mar que se encapela."
Morando eu na avenida que tem o nome do padre poeta, nada mais apropriado. Embora Nelson ao pôr a tal estrofe no sobrescrito da carta tivesse um certo tipo de receio: "Espero que o carteiro entenda o sentido da homenagem e não jogue a carta no mar."
Pois bem, o carteiro não fez a temida afronta: apenas devolveu a carta à origem. Foi preciso que Nelson a me reenviasse para que eu não perdesse o que a acompanhava: um CD de João Gilberto (voz, violão e conversas paralelas) oriundo de registros feitos na casa de Chico Pereira em 1958 - em gravador de fita! Contendo "Um abraço no Bonfá", "Ho-ba-la-lá","Saudade fez um samba", "Caminhos cruzados", "Mágoa", "Trevo de quatro folhas", "Lá vem a baiana" e mais, muito mais.
Além disso, para que eu, com a missiva enfim lida, pudesse tomar conhecimento de que o colega Nelson: 1) tem um sax onde "sopra algum" e 2) lamenta não poder (pelo fator distância) fazer um dueto comigo.

- Ora, Nelson, seria muito sax para meu pobre violão!

21 março, 2008

Da arte de escrever cartas

Fortaleza, 1991

1. CARTA AO LÚCIO OU A PAZ DE CRIANÇA DORMINDO
Habitante da Caio Cid, fui surpreendido pela notícia de que você, Lúcio Brasileiro, o morador mais ilustre desta rua, poderia mudar de endereço. E tudo porque, ultimamente, o cronista amigo vem tendo sérias dificuldades para conciliar o sono. Por conta de uma vizinhança recém-instalada que, entre os membros da família, inclui a presença de um bebê choramingas. Do tipo que, obviamente, ignora onde acaba o "delezinho" direito de chorar e começa o "seuzão" direito de dormir.
Bem, apesar de existir em minha casa uma criança da categoria descrita, prima facie livro a cara da bichinha. Por não atinar como o seu choro possa , ainda que asas do vento o carreguem, atravessar quarteirões até chegar ao 373 da Caio Cid. A guriazinha, acredite, tem choro apenas para acordar a mãe, o pai em segunda instância, e somente. Agora, que o choro é reiterativo "pacas", aí é outra conversa. Mas, que me faz tombar às mãos um tempo adicional, isso faz - e esta carta é uma prova de como ele está sendo bem utilizado!
Alguém, de um modo absolutamente ferino, já definiu o bebê como um ser com uma buzina em cima e um cano de escapamento embaixo. Quanto à buzina, haja engenho e arte para encontrar o respectivo modus desligandi. Mamadeira, troca de fraldas, chupeta, espasmo-silidron, canções de ninar... E, como a coisa é mesmo aleatória, o jeito é usar o processo das tentativas. Que só chega a um bom resultado quando a criança já chorou um tempão.

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2. CARTA AO NENO OU A CONVENÇÃO DA FAMÍLIA SILVA
Dias atrás, você, Neno, formulou esta pergunta: "Onde será realizada a Convenção da Família Silva?" De fato, no tocante à escolha de um local adequado, face ao gigantismo da família não há muitas opções. E se é que a convenção vai realmente ser realizada, coisa que eu ponho em grande dúvida. Pois, na qualidade de membro nato desta família, não fui até o momento avisado a respeito do inaudito encontro. Nem qualquer Silva que eu conheça.
Mas... vamos e venhamos que a convenção possa acontecer. No Maracanã, Praça da Apoteose, Parque do Anhembi, em qualquer desses locais... Ora, é piada! O Maracanã, por exemplo, só dá para abrigar - mal e mal - a "Convenção das Ovelhas Negras da Família Silva". E não me parece boa idéia um encontro que prestigie apenas o segmento recessivo da família. Por ser este parte que não representa bem o todo.
Pois é, há mais Silva no país do que supõe a vã demografia, ó Neno. Mesmo não contando os ricos, os doidos e os mortos da Silva, porque aí já passa a ser exagero. Tenho a certeza de que Deus, quando andou animando Abraão com aquela história de que o patriarca hebreu ia deixar uma grande descendência, era na família Silva que Ele estava pensando. E, agora, está aí a mega-família ajudando o Brasil a crescer... um Uruguai a cada ano. Em termos populacionais, bem entendido.
Em nosso país, nenhum programa de controle populacional funciona sem a adesão da família Silva.

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