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21 outubro, 2016

Velha e novas desculpas

Fez-me rir saber que John Steinbeck, em maio de 1936, escreveu uma carta a seu editor, na qual alertava para o atraso na remessa do manuscrito do seu romance"Of Mice and Men" (tradução: "Ratos e Homens").
Motivo: um cachorro o havia comido.
Ocorreu uma pequena tragédia. Meu filhote de cão Setter converteu em confetes aproximadamente a metade do livro. Dois meses de trabalho para refazê-lo. Isto me atrasará. Não há nenhum rascunho. Eu fiquei muito irritado, mas talvez o guri não se tenha equivocado. Eu não quero prejudicar um cão apenas por causa de um manuscrito. Não está claro que seja bom em tudo. Como punição, só lhe dei um chega para lá com o mata-moscas. Mas há um trabalho que terei de fazer novamente desde o começo.
Isto, por sua vez, me fez pensar que a famosa desculpa de que "o cachorro comeu o meu dever de casa" tenha sido uma invenção de Steinbeck.
Mas a Wikipedia – com a autoridade que tem, ou não – garante que a expressão "the dog ate my homework" é usada desde o princípio do século XX, se não antes.
Diz também que a boa e velha desculpa se popularizou na década de 1970. Acrescentando que, a partir de 1980, ela começou a perder terreno para: não fiz a lição de casa porque... o computador pifou, a impressora deu pau, a internet caiu, coisa e tal.
O upgrade para um conjunto de desculpas em que há uma forte influência da área tecnológica, como veem.

http://www.microsiervos.com/archivo/curiosidades/perro-se-comio-los-deberes-excusa-muy-vieja.html
http://pt.wikihow.com/Inventar-uma-Boa-Desculpa-por-N%C3%A3o-Ter-Feito-o-Dever-de-Casa
http://mestrechassot.blogspot.com.br/2014/05/18-nao-fiz-licao-de-casa-porque.html

22 dezembro, 2014

Cartas de desculpas

Oi, querida,
Sinto muito por ter entrado em discussão com você sobre a colocação das luzes de Natal. É que, quando você quer algo, deseja que seja para ontem.
Eu reconheço que estive errado e agora lhe peço desculpas por ter sido um cabeça-dura.
Tudo o que eu quero é que você seja feliz e que desfrute dessa temporada de férias. Nada ilumina tanto o espírito de Natal como as luzes de Natal!
Por isso, aproveitei o tempo para pendurar essas luzes para você e agora estou saindo com uns amigos para um racha.
Mais uma vez: estou muito triste pela maneira como agi ontem. Estarei em casa mais tarde.
Amo-a.

Oi, querido,
Obrigada pelo pedido de desculpas que você escreveu para mim. Raramente, há pedidos de desculpas de sua parte. Mas, quando um deles acontece, saiba que eu realmente aprecio.
Eu também me senti mal com a discussão e queria lhe pedir desculpas. Eu percebo que, às vezes, posso ser um pouco agressiva.
Vou tentar respeitar seus sentimentos a partir de agora.
Obrigada por gastar o seu tempo pendurando as luzes de Natal para mim. Isso significa muito para mim.
Lavei o seu caminhão para você e agora vou sair para fazer compras.
Eu também o amo!

Apology Letters, Bits and Pieces

17 março, 2014

Por que mentir?

Heróis e santos sempre dizem a verdade. Mas nós, mortais comuns, precisamos mentir por incontáveis razões.
Mentimos para proteger a privacidade ("Não, eu não moro aqui."), para evitar ferir sentimentos ("Sexta-feira, à noite, já tenho compromisso."), para fazer os outros se sentirem melhor ("Como você está bem!"); para evitar recriminações ("Eu só perdi 10 no pôquer"), para evitar a dor ("O médico diz que você está ficando cada vez melhor"), para manter a tranquilidade doméstica ("Ela é só uma amiga"), para evitar estigma social ("Eu não encontrei a mulher certa."), para progredir na carreira ("Eu estou tão feliz de ter um chefe inteligente como você."), para evitar a solidão (" Eu amo ópera."), para eliminar um rival ("Ela já tem namorado."), para alcançar um objetivo ("Mas eu te amo tanto."), para derrotar um objetivo (" Eu sou alérgico a isso."), para encontrar uma saída (" Não é você, sou eu.") , para adiar o inevitável ("O cheque está no correio."), para comunicar desagrado ("Não há nada de errado."); para ter alguém fora de seu entorno ("Eu vou chamá-lo depois"), para encerrar uma conversa ( "Minha mãe está em outra linha"), para não receber visita ("Vê se aparece."), para criar uma festa-surpresa ("Eu preciso de ajuda para mover o piano."), para ganhar tempo ("Eu estou a caminho."), para manter as aparências ("Nós não estamos falando de divórcio."), para evitar tirar o lixo ("Minhas costas doem."), para se esquivar de uma obrigação ("Eu tenho dor de cabeça."), para manter a imagem pública ("A consulta é para ajudar um amigo."), para não ser inquirido ("Ich bin ein Berliner."), para livrar a cara ("Eu tinha bebido muito."), para ironizar ("Assíduo, como de costume, Rei Sexta-Feira." ), para evitar constrangimento ("Não fui eu."), para bajular ("Eu li todos os seus livros."), para obter um estágio ("Você é o maior jurista vivo."), para não pagar uma conta ("Deixei a carteira em casa."), para manter a inocência ("Há um cara com oito renas no telhado.") etc. etc. etc.
Como se pode desenvolver uma reputação se mentir não for uma opção?

Why Lie, Boing Boing

24 abril, 2009

Penso, logo cito - 14

Fernando "Narciso" Gabeira, deputado federal.

cartum adaptado (PGCS)
Errata
Em antiga postagem do blog onde se lê "intransigente defensor da ética", leia-se agora "destacado agente de viagens".