Não sei se posso chamá-la assim pois, para ser uma lost media, primeiro tem que ser uma media, e eu acho que a versão que ele cantava nunca foi gravada. Nunca houve registro da mesma, a não ser na memória de quem andava com ele.
Eis a história de "Mucuripe", copidescada de @meubrasil, no Instagram:
Belchior tinha vinte e quatro anos e, depois das aulas na Faculdade de Medicina, ele se juntava com os amigos e iam para o bar do Anísio, que ficava na praia do Mucuripe.
Um dia, Belchior estava lá observando o vai e vem das jangadas e lembrou-se de uma cena de filme antigo, em que uma pessoa dialogando com a mulher de um marinheiro, dizia-lhe para entregar todas as mágoas e sofrimentos para o mar.
É por isso que, na música, ele diz: "Vou mandar as minhas mágoas pras águas fundas do mar."
Certo dia, Fagner estava no Anísio conversando com amigos, quando Belchior lhe entregou um papel, dizendo:
– Fagner, dá uma olhada nisto
O que tinha no papel era a letra de "Mucuripe", uma canção que futuramente seria gravada por Elis Regina, Roberto Carlos, Nelson Gonçalves e pelo próprio Fagner.
Fagner levou o papel para casa e, no dia seguinte, quando almoçava com a família, uma melodia surgiu em sua cabeça. Na mesma hora, correu para o seu quarto onde se trancou.
Naquela época, alguém só saía da mesa de refeição, se o pai ou a mãe desse autorização. Então, eles ficaram batendo na porta do quarto de Fagner enquanto ele compunha a melodia.
Trata-se de uma citação de Augusto Pontes, poeta e "guru" do Pessoal do Ceará. Belchior incorporou-a ao final da música, e estes versos tornaram-se um dos pontos mais fortes da canção. Em entrevista (de 2006), Augusto Pontes afirmou que não se importava com a utilização dos versos e que considerava a citação como uma homenagem, nunca tendo pedido parceria por isso.
(Pois é... Quando uma música surge assim, de repente, e se a gente não gravá-la na hora pode a esquecer para sempre. E muita gente não tinha naquele tempo um gravador.)
Não demora, Fagner apareceu com a música pronta no bar do Anísio e causou espanto. Quem ouviu aquele canção logo percebeu que era só uma questão de tempo para virar um sucesso nacional.
O próprio Belchior reconheceu que a versão do Fagner era muito melhor do que a dele. É que, antes de entregar aquele papel com a letra para o Fagner, Belchior já havia colocado uma melodia em "Mucuripe", que ele até cantava no bar do Anísio.
Ou seja, "Mucuripe" virou uma letra com duas versões melódicas – bem diferentes.
Não demora, Fagner apareceu com a música pronta no bar do Anísio e causou espanto. Quem ouviu aquele canção logo percebeu que era só uma questão de tempo para virar um sucesso nacional.
O próprio Belchior reconheceu que a versão do Fagner era muito melhor do que a dele. É que, antes de entregar aquele papel com a letra para o Fagner, Belchior já havia colocado uma melodia em "Mucuripe", que ele até cantava no bar do Anísio.
Ou seja, "Mucuripe" virou uma letra com duas versões melódicas – bem diferentes.
Apesar das eventuais turbulências entre os dois, o próprio Belchior considerava a versão de Fagner muito melhor. E nunca mais cantou "Mucuripe" em sua versão original.
"Aquela estrela é dela. Vida, vento, vela, leva-me daqui."
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