05 março, 2017

Três canções abrasileiradas

por Paulo Gurgel Carlos da Silva
Ó Minas Gerais
O feito de Alberto Santos Dumont, contornando a Torre Eiffel em seu balão n° 6, no dia 19/10/1901, segundo Everaldo José, inspirou diversas composições, entre as quais a marcha "A Conquista do Ar", sucesso de 1902. Uma criação de Eduardo das Neves, a canção glorifica o inventor da aviação em versos desbragadamente ufanistas, que o público da época adorou ("A Europa curvou-se ante o Brasil / e clamou parabéns em meigo tom / brilhou lá no céu mais uma estrela / apareceu Santos Dumont").
Palhaço de circo, poeta, compositor e principalmente cantor, Eduardo das Neves foi o nosso artista negro mais popular no início do século. Pai do também compositor Cândido das Neves, deixou modinhas, lundus, cançonetas, sendo de sua autoria os versos em homenagem ao encouraçado Minas Gerais, feitos sobre a melodia da valsa "Vieni sul Mar", do folclore veneziano.
Aliás, ainda sobre a mesma melodia, o radialista Paulo Roberto escreveria, em 1945, nova letra exaltando o estado mineiro ("Lindos campos batidos de sol / ondulando num verde sem fim..."), mantendo o refrão popular ("Ó Minas Gerais / ó Minas Gerais / quem te conhece não esquece jamais...").
http://cifrantiga3.blogspot.com.br/2006/03/conquista-do-ar-santos-dumont.html, Nota "A conquista do ar (Santos Dumont)", postada no Cifrantiga por Everaldo José dos Santos
https://www.youtube.com/watch?v=er2ZS2qRA9I. Vídeo c/ Luciano Pavarotti
https://youtu.be/BT_5h8XrLJ4. Vídeo c/ Renato Teixeira
https://www.letras.mus.br/hinos-de-estados/126612/. Hino de Minas Gerais

Zé Pereira
Em 1846, há um acontecimento que revoluciona o carnaval carioca: o aparecimento do "Zé Pereira" (tocador de bumbo). Para alguns estudiosos, esse era o nome ou apelido dado ao cidadão português José Nogueira de Azevedo Paredes, supostamente o introdutor no Brasil do hábito português de animar a folia carnavalesca ao som de bumbos, zabumbas e tambores, anarquicamente tocados pelas ruas.
A tradição se espalha rapidamente e o sucesso do "Zé Pereira" foi tão grande que, anos mais tarde (1869), uma companhia teatral resolve representá-lo numa paródia da peça teatral francesa "Les pompiers de Nanterre" (Os bombeiros de Nanterre), intitulada "Zé Pereira Carnavalesco", de Larone e Martinaux. O comediante Francisco Correia Vasques incumbe-se em fazer a adaptação da canção de Antonin Louis e Philibert Burani (também intitulada "Les pompiers de Nanterre") e cantá-la na peça. A quadrinha torna-se famosa, sendo cantada até hoje:
E viva o Zé Pereira.
Pois a ninguém faz mal
E viva a bebedeira
Nos dias de Carnaval.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Pereira. "Zé Pereira", verbete da Wikipédia
http://jornalggn.com.br/blog/lucianohortencio/o-ze-pereira-e-a-quadrilha-francesa-les-pompiers-de-nanterre. Nota "O Zé Pereira e a quadrilha francesa Les Pompiers de Nanterre" de Jairo Severiano, François Germain e Luciano Hortencio, postada por Luciano Hortencio no Jornal GGN
https://youtu.be/mXxJKOtwHEU. Vídeo de "Les pompiers de Nanterre"  c/ Léo Peracchi e Orquestra
https://youtu.be/P7oqdp87hk4. Lot 525: Vídeo Rare "Tir des Pompiers de Nanterre" Musical Paper Automaton, c. 1900 (abaixo)



Quem parte leva saudades
Em 1941, Emilinha Borba lançou o samba "Quem parte leva saudades", de Francisco Scarambone (pianista, compositor e médico).
Ai, ai, ai, ai, está chegando a hora.
O dia já vem raiando meu bem
e eu tenho que ir embora.
É a versão brasileira para "Cielito Lindo", popular canção ranchera escrita em 1882 por Quirino Mendoza y Cortés (1859–1957). Diversos artistas já gravaram esta canção mexicana, como Trío Los Panchos, Pedro Infante, Vicente Fernández, Ana Gabriel e até mesmo cantores de outros países como Luciano Pavarotti.
Ay, ay, ay, ay, canta y no llores,
Porque cantando se alegran,
Cielito Lindo, los corazones.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cielito_Lindo. "Cielito Lindo", verbete da Wikipédia
https://www.youtube.com/watch?v=QVQGxFDINng. Vídeo c/ Trío Los Panchos
https://www.youtube.com/watch?v=OCawsDA-fuM. Vídeo-biografia de Emilinha Borba

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