... mais velho que o pecado, e sua barba não podia ser mais branca.
Ele queria morrer.
Os pequenos nativos das cavernas do Ártico não falavam sua língua, mas conversavam em sua própria e estranha linguagem, e conduziam rituais incompreensíveis quando não estavam trabalhando em suas fábricas.
Uma vez por ano eles o forçavam, entre soluços e protestos, à Noite Interminável. Durante a jornada, ele deveria ir até cada criança do mundo e deixar um dos presentes invisíveis dos anões ao lado de suas camas. As crianças dormiam congeladas no tempo.
Ele invejava Prometeu e Loki, Sísifo e Judas. Sua punição era mais dura.
Ho.
Ho.
Ho.
por Neil Gaiman
http://youtu.be/D1bf90USDbM (o poema em vídeo)
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24 dezembro, 2022
21 outubro, 2019
O pelourinho de dedo
Aqui está uma punição esquecida.
No século XVII, por motivo de uma ofensa menor (por exemplo, não prestar atenção a um sermão), um infrator podia ir para o pelourinho de dedo.
Um exemplar deste objeto ainda sobrevive na igreja de Santa Helena, em Leicestershire, Inglaterra.
O pelourinho de dedo é um tipo de contenção em que o dedo é mantido no interior de um bloco de madeira após introduzido por um buraco em forma de L para que a articulação fique dobrada dentro do bloco.
O nome é tirado do pelourinho, um dispositivo muito maior usado para prender a cabeça e as mãos.
"O dedo ficava confinado, e facilmente se vê que ele não poderia ser retirado até que o pelourinho fosse aberto", escreve William Andrews, em "Medieval Punishments" (1898). "Se o ofensor fosse mantido por muito tempo nessa postura, a punição teria sido extremamente dolorosa."
The finger pillory, Futility Closet
No século XVII, por motivo de uma ofensa menor (por exemplo, não prestar atenção a um sermão), um infrator podia ir para o pelourinho de dedo.
Um exemplar deste objeto ainda sobrevive na igreja de Santa Helena, em Leicestershire, Inglaterra.
O pelourinho de dedo é um tipo de contenção em que o dedo é mantido no interior de um bloco de madeira após introduzido por um buraco em forma de L para que a articulação fique dobrada dentro do bloco.
O nome é tirado do pelourinho, um dispositivo muito maior usado para prender a cabeça e as mãos.
"O dedo ficava confinado, e facilmente se vê que ele não poderia ser retirado até que o pelourinho fosse aberto", escreve William Andrews, em "Medieval Punishments" (1898). "Se o ofensor fosse mantido por muito tempo nessa postura, a punição teria sido extremamente dolorosa."
The finger pillory, Futility Closet
02 outubro, 2017
Eis o figo
Frederico I (1122-90), conhecido como "Barbarossa" por causa de sua barba vermelha, governou primeiramente como duque de Swabia, depois como rei dos territórios alemães, e finalmente como imperador do Sacro Império Romano-Germânico. No final da década de 1150, Frederico marchou com seu exército para o norte da Itália a fim de enquadrar algumas cidades recalcitrantes na Lombardia. Durante esta campanha, Frederico deixou sua esposa Beatrice em Milão. Enquanto o Barbarossa estava fora, os milaneses fizeram das suas. A repugnante população realizou um ato revoltante - pelo menos, no que se referia a Frederico. Eles expulsaram sua esposa da cidade, sentada ao contrário em uma mula, para que ela fosse apreciando enquanto a mula se afastava a humilhação pela cidade.
Isso pode ter sido uma boa piada para os habitantes locais, mas foi o imperador que deu a última risada.
No ano de 1162 Frederico voltou para subjugar a revolta. De acordo com o cronista Giambattista Gelli, o imperador, agora incensado, exortou os cidadãos sitiados a cederem, o que eles finalmente fizeram ... e recebeu-os com misericórdia, porém na seguinte condição: "Que toda pessoa que desejasse viver deveria, com os dentes, tirar um figo da genitália de uma mula". Ou seja, Barbarossa deu aos cabeças da rebelião a escolha entre ser enforcado (ou decapitado) ou salvar-se. Apresentando, como um sinal de resgate, o figo ao carrasco. A cereja do bolo, por assim dizer, era que o figo estava enfiado na mula da imperatriz, quero dizer, na mula propriamente dita. E o prisioneiro tinha que extraí-lo com os dentes. Ele, então, o entregaria ao verdugo, dizendo: "Ecco il fico" (traduzido como "Aqui está o figo"). Como se isso não fosse um castigo suficiente, ele tinha de fazer a operação de volta para que o figo estivesse pronto para a extração pelo próximo da fila.
Supostamente, a bizarra punição foi aplicada na praça principal de Milão, Para os milaneses que se sujeitaram ao rito, Frederico, permanecendo fiel à sua palavra, poupou suas vidas. Mas o mesmo não se pode dizer daqueles que se recusaram a participar e que, por isso, foram devidamente executados.
No entanto, durante décadas o incidente passou a ser usado para humilhar e insultar os milaneses. Você já deve ter visto o gesto. A forma precisa é fechar a mão com o polegar empurrado para fora, entre os dedos indicador e médio, e morder o polegar. O nome exato do gesto é conhecido como "fazer um figo". (*) Ainda era um insulto generalizado no tempo de Shakespeare, visto que o bardo inglês colocou-o no Ato I, Cena I de "Romeu e Julieta".
https://stronglang.wordpress.com/2016/11/01/biting-the-fig-the-finger-part-ii/

(*) Não confundir com "fazer figa", um sinal feito com os dedos da mão para supostamente afastar doenças, perigos e coisas ruins em geral. A figa feita com os dedos médio e indicador cruzados vem dos tempos da perseguição aos cristãos (séculos I ao IV). Este gesto (na imagem ao lado) era uma tentativa de se fazer uma cruz sem atrair a atenção dos perseguidores. (N. do E.)
Isso pode ter sido uma boa piada para os habitantes locais, mas foi o imperador que deu a última risada.
No ano de 1162 Frederico voltou para subjugar a revolta. De acordo com o cronista Giambattista Gelli, o imperador, agora incensado, exortou os cidadãos sitiados a cederem, o que eles finalmente fizeram ... e recebeu-os com misericórdia, porém na seguinte condição: "Que toda pessoa que desejasse viver deveria, com os dentes, tirar um figo da genitália de uma mula". Ou seja, Barbarossa deu aos cabeças da rebelião a escolha entre ser enforcado (ou decapitado) ou salvar-se. Apresentando, como um sinal de resgate, o figo ao carrasco. A cereja do bolo, por assim dizer, era que o figo estava enfiado na mula da imperatriz, quero dizer, na mula propriamente dita. E o prisioneiro tinha que extraí-lo com os dentes. Ele, então, o entregaria ao verdugo, dizendo: "Ecco il fico" (traduzido como "Aqui está o figo"). Como se isso não fosse um castigo suficiente, ele tinha de fazer a operação de volta para que o figo estivesse pronto para a extração pelo próximo da fila.
Supostamente, a bizarra punição foi aplicada na praça principal de Milão, Para os milaneses que se sujeitaram ao rito, Frederico, permanecendo fiel à sua palavra, poupou suas vidas. Mas o mesmo não se pode dizer daqueles que se recusaram a participar e que, por isso, foram devidamente executados.
No entanto, durante décadas o incidente passou a ser usado para humilhar e insultar os milaneses. Você já deve ter visto o gesto. A forma precisa é fechar a mão com o polegar empurrado para fora, entre os dedos indicador e médio, e morder o polegar. O nome exato do gesto é conhecido como "fazer um figo". (*) Ainda era um insulto generalizado no tempo de Shakespeare, visto que o bardo inglês colocou-o no Ato I, Cena I de "Romeu e Julieta".
https://stronglang.wordpress.com/2016/11/01/biting-the-fig-the-finger-part-ii/
(*) Não confundir com "fazer figa", um sinal feito com os dedos da mão para supostamente afastar doenças, perigos e coisas ruins em geral. A figa feita com os dedos médio e indicador cruzados vem dos tempos da perseguição aos cristãos (séculos I ao IV). Este gesto (na imagem ao lado) era uma tentativa de se fazer uma cruz sem atrair a atenção dos perseguidores. (N. do E.)
20 fevereiro, 2017
O capitão do mato
![]() |
| Rugendas, 1823 - WIKIPÉDIA |
O artista alemão Rugendas, viajando no Brasil em 1822-25, retratou um capitão do mato negro (de alma branca), montado a cavalo e conduzindo um negro fugitivo para ser "imparcialmente" julgado na Casa Grande.
Nos últimos anos do regime da escravidão, em 1887-88, quando os escravos fugiam em massa das fazendas da Província de São Paulo, os chefes do Exército, ainda gozando do prestígio de combatentes da guerra do Paraguai, recusaram-se a assumir a desprezível função.
02/04/2017 - Atualizando ...
Os que acreditam que a terceirização trará aumento do número de empregos devem ser lembrados de que, durante o período escravagista no Brasil, por 350 anos, os escravos viveram em regime de pleno emprego desfrutando de um único direito trabalhista – o de morrer. In: Oficina de Concertos Gerais e Poesia
17 julho, 2016
Quem é este homem que parece morrer em cada ataque terrorista?
Após o ataque terrorista no aeroporto Atatürk, em Istambul, Turquia, os usuários de uma mídia social compartilharam esta foto, alegando que este homem estava entre as 42 pessoas mortas. Sua foto também foi compartilhada após o acidente da EgyptAir no mês passado e, mais uma vez, acreditou-se que ele seria uma das vítimas. Este mesmo homem misterioso apareceu também entre as vítimas do tiroteio em uma boate gay em Orlando, Flórida, em 12 de Junho. E isso não é tudo.
Em 19 de junho, por exemplo, a polícia mexicana atirou em uma multidão que protestava contra a reforma da educação, matando pelo menos oito pessoas. E os usuários de uma mídia social, no México, compartilharam sua foto novamente, só que desta vez informando que ele era o oficial que dera a ordem para a polícia atirar. Foi no México, por sinal, o país em que foram postadas as primeiras notícias sobre ele.
Acho que este depoimento explica tudo:
Em 19 de junho, por exemplo, a polícia mexicana atirou em uma multidão que protestava contra a reforma da educação, matando pelo menos oito pessoas. E os usuários de uma mídia social, no México, compartilharam sua foto novamente, só que desta vez informando que ele era o oficial que dera a ordem para a polícia atirar. Foi no México, por sinal, o país em que foram postadas as primeiras notícias sobre ele.
Acho que este depoimento explica tudo:
"Este homem costumava ser meu amigo, mas ele me enganou com dinheiro. A mim e, pelo menos, a mais quatro pessoas que eu conheço. Apresentamos as queixas civis e criminais contra ele, mas como os processos judiciais por aqui se arrastam, e ele ainda não nos devolveu o nosso dinheiro, decidimos então puni-lo postando sua foto na internet. Nosso objetivo é arruinar sua reputação. Queremos que o mundo inteiro reconheça seu rosto."http://observers.france24.com/en/20160705-mexican-man-dies-every-terrorist-attack-mystery
28 abril, 2016
Punição exemplar
Deu no Illustrated Police News:
Uma cena extraordinária teve lugar no sábado passado em uma pequena vila a três milhas de Middleton. Um companheiro imbecil chamado James Driscott, que havia maltratado cruelmente o seu jumento, foi trazido por vários aldeões perante o magistrado, e este lhe aplicou uma punição exemplar por sua conduta desumana.
Discott, de bom grado, aliás, para que o pior não lhe acontecesse, concordou com os termos propostos para a punição – que foram estes: o burro seria colocado sobre a carroça e o proprietário, com uma correia em volta do pescoço, seria obrigado a transportar o seu servo de quatro patas pela aldeia.
Sem abrir o bico
Uma cena extraordinária teve lugar no sábado passado em uma pequena vila a três milhas de Middleton. Um companheiro imbecil chamado James Driscott, que havia maltratado cruelmente o seu jumento, foi trazido por vários aldeões perante o magistrado, e este lhe aplicou uma punição exemplar por sua conduta desumana.
Discott, de bom grado, aliás, para que o pior não lhe acontecesse, concordou com os termos propostos para a punição – que foram estes: o burro seria colocado sobre a carroça e o proprietário, com uma correia em volta do pescoço, seria obrigado a transportar o seu servo de quatro patas pela aldeia.
22 jan 1876
Sem abrir o bico
20 novembro, 2015
A busca destrutiva da notoriedade
Herostratus (ou Erostratus) era um jovem sobre o qual sabemos apenas um fato: que, na noite de 21 de Julho 356 a.C,, ele incendiou o Templo de Ártemis, em Éfeso. Este templo era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Visitado por reis e peregrinos, tinha o tamanho de um estádio de futebol.
O fogo destruiu o templo totalmente. Herostratus não fez nada para esconder a culpa, entregou-se espontaneamente e, como Breivik, admitiu seu crime. Quando perguntado por que ele havia cometido esse terrível ato, ele respondeu: tornar-me famoso.
Para desencorajar futuros imitadores, Herostratus não só foi torturado e executado. Ele também foi condenado à "danação da memória" (memoriae damnatio, em latim), isto é, a condenação de sua lembrança através da proibição (sob pena de morte) de qualquer menção a seu nome. Este é um contraste gritante com a cobertura da mídia em todo o mundo aos crimes de Breivik na Noruega.
A timidez de historiadores antigos, no que diz respeito ao grego incendiário, sugere que a memoriae damnatio foi amplamente respeitada por séculos. No entanto, o nome de Herostratus não foi totalmente esquecido, e vive como um sinônimo de busca destrutiva da notoriedade.
Os gregos entendiam que a importância do culto aos heróis em sua sociedade arriscava a promover os anti-heróis, como Herostratus. Também eles entendiam que aqueles que optavam por esta via não temiam a morte, mas sim a obscuridade e o ridículo. Daí a memoriae damnatio não ser apenas a punição mais adequada, mas o melhor elemento dissuasor que tinham para os aspirantes a anti-heróis.
Condenado por unanimidade no dia 24 de agosto de 2012, em Oslo, a 21 anos de prisão prorrogáveis, ouviu com um sorriso o veredicto no qual foi declarado responsável pelo assassinato de 77 pessoas no dia 22 de julho de 2011 ao disparar contra um acampamento de jovens trabalhistas depois de detonar uma bomba perto da sede do governo da Noruega. Por decisão do tribunal de Oslo, a sentença é prorrogável e pode se estender indefinidamente, se a Justiça norueguesa avaliar que o réu continua a representar um perigo para a sociedade. Breivik responde pelas mortes causadas em um duplo atentado de 22 de julho de 2011, em Oslo e na ilha de Utoya, na Noruega. A custódia é uma figura legal do Direito norueguês, que na prática pode equivaler a uma prisão perpétua.
Anders Behring Breivik sorriu ao ouvir o veredicto da justiça, fez a saudação da extrema-direita e pediu desculpas aos extremistas por não ter conseguido matar mais pessoas no ataque pelo qual foi condenado a 21 anos de prisão, numa prova de que o assassino em massa norueguês permaneceu desafiador até o fim. Para o autoproclamado guerreiro em batalha contra o multiculturalismo e a "invasão do Islã", a sentença máxima de 21 anos de prisão e, não o confinamento num hospital psiquiátrico, foi a melhor possível. Ele já havia dito que ser enviado para uma instituição psiquiátrica - como pedido pelos promotores - seria um destino "pior do que a morte". O atirador inicialmente dissera que só recorreria caso fosse declarado doente mental e condenado a tratamento psiquiátrico forçado. O criminoso afirmou querer ser condenado, para que não pesasse dúvida sobre sua sanidade e sua ideologia e não deve recorrer da sentença. O atirador era réu confesso dos piores ataques no país desde a Segunda Guerra Mundial. Seus advogados afirmaram que ele não vai apelar da sentença. Como a culpa de Breivik, de 33 anos, não estava em questão, o tema central do julgamento, que terminou no dia 22 de junho, foi sua saúde mental.
A custódia é uma figura legal do Direito norueguês, que, na prática, pode equivaler à prisão perpétua. Uma vez cumprida a pena, esta pode ser prolongada por forma indefinida caso seja considerado que o réu continua a ser um perigo para a sociedade. A pena será cumprida num centro de segurança máxima em Ila, a oeste de Oslo, onde Breivik permanece em prisão preventiva desde o dia do crime.
Em fevereiro de 2014, Anders Breivik ameaçou iniciar uma greve de fome em sinal de protesto pelas condições da sua detenção. Uma das exigências é a obtenção de novos videojogos, classificando como "tortura" a forma como é tratado na prisão e enumera as várias razões de queixa.
Além de pedir a substituição da Playstation 2 de que dispõe pelo modelo mais recente, além do acesso a jogos para adultos à sua escolha, Breivik exige a possibilidade de caminhar e de comunicar, quer um computador "em vez da inútil máquina de escrever com tecnologia de 1873" e reclama o aumento do seu pagamento semanal.
http://aeon.co/magazine/society/stephen-cave-anders-breivik/
https://en.wikipedia.org/?title=Herostratus
https://pt.wikipedia.org/?title=Damnatio_memoriae
O fogo destruiu o templo totalmente. Herostratus não fez nada para esconder a culpa, entregou-se espontaneamente e, como Breivik, admitiu seu crime. Quando perguntado por que ele havia cometido esse terrível ato, ele respondeu: tornar-me famoso.
Para desencorajar futuros imitadores, Herostratus não só foi torturado e executado. Ele também foi condenado à "danação da memória" (memoriae damnatio, em latim), isto é, a condenação de sua lembrança através da proibição (sob pena de morte) de qualquer menção a seu nome. Este é um contraste gritante com a cobertura da mídia em todo o mundo aos crimes de Breivik na Noruega.
A timidez de historiadores antigos, no que diz respeito ao grego incendiário, sugere que a memoriae damnatio foi amplamente respeitada por séculos. No entanto, o nome de Herostratus não foi totalmente esquecido, e vive como um sinônimo de busca destrutiva da notoriedade.
Os gregos entendiam que a importância do culto aos heróis em sua sociedade arriscava a promover os anti-heróis, como Herostratus. Também eles entendiam que aqueles que optavam por esta via não temiam a morte, mas sim a obscuridade e o ridículo. Daí a memoriae damnatio não ser apenas a punição mais adequada, mas o melhor elemento dissuasor que tinham para os aspirantes a anti-heróis.
Condenado por unanimidade no dia 24 de agosto de 2012, em Oslo, a 21 anos de prisão prorrogáveis, ouviu com um sorriso o veredicto no qual foi declarado responsável pelo assassinato de 77 pessoas no dia 22 de julho de 2011 ao disparar contra um acampamento de jovens trabalhistas depois de detonar uma bomba perto da sede do governo da Noruega. Por decisão do tribunal de Oslo, a sentença é prorrogável e pode se estender indefinidamente, se a Justiça norueguesa avaliar que o réu continua a representar um perigo para a sociedade. Breivik responde pelas mortes causadas em um duplo atentado de 22 de julho de 2011, em Oslo e na ilha de Utoya, na Noruega. A custódia é uma figura legal do Direito norueguês, que na prática pode equivaler a uma prisão perpétua.
Anders Behring Breivik sorriu ao ouvir o veredicto da justiça, fez a saudação da extrema-direita e pediu desculpas aos extremistas por não ter conseguido matar mais pessoas no ataque pelo qual foi condenado a 21 anos de prisão, numa prova de que o assassino em massa norueguês permaneceu desafiador até o fim. Para o autoproclamado guerreiro em batalha contra o multiculturalismo e a "invasão do Islã", a sentença máxima de 21 anos de prisão e, não o confinamento num hospital psiquiátrico, foi a melhor possível. Ele já havia dito que ser enviado para uma instituição psiquiátrica - como pedido pelos promotores - seria um destino "pior do que a morte". O atirador inicialmente dissera que só recorreria caso fosse declarado doente mental e condenado a tratamento psiquiátrico forçado. O criminoso afirmou querer ser condenado, para que não pesasse dúvida sobre sua sanidade e sua ideologia e não deve recorrer da sentença. O atirador era réu confesso dos piores ataques no país desde a Segunda Guerra Mundial. Seus advogados afirmaram que ele não vai apelar da sentença. Como a culpa de Breivik, de 33 anos, não estava em questão, o tema central do julgamento, que terminou no dia 22 de junho, foi sua saúde mental.
A custódia é uma figura legal do Direito norueguês, que, na prática, pode equivaler à prisão perpétua. Uma vez cumprida a pena, esta pode ser prolongada por forma indefinida caso seja considerado que o réu continua a ser um perigo para a sociedade. A pena será cumprida num centro de segurança máxima em Ila, a oeste de Oslo, onde Breivik permanece em prisão preventiva desde o dia do crime.
Em fevereiro de 2014, Anders Breivik ameaçou iniciar uma greve de fome em sinal de protesto pelas condições da sua detenção. Uma das exigências é a obtenção de novos videojogos, classificando como "tortura" a forma como é tratado na prisão e enumera as várias razões de queixa.
Além de pedir a substituição da Playstation 2 de que dispõe pelo modelo mais recente, além do acesso a jogos para adultos à sua escolha, Breivik exige a possibilidade de caminhar e de comunicar, quer um computador "em vez da inútil máquina de escrever com tecnologia de 1873" e reclama o aumento do seu pagamento semanal.
http://aeon.co/magazine/society/stephen-cave-anders-breivik/
https://en.wikipedia.org/?title=Herostratus
https://pt.wikipedia.org/?title=Damnatio_memoriae
19 janeiro, 2015
Surtando...
Quando a AIDS começou a grassar no mundo, os religiosos fundamentalistas disseram que Deus estava punindo os gays. Por essa lógica, Deus agora está usando o Ebola para punir os africanos pobres e as equipes de socorro.
Desgraça muita é bobagem
Relembre o vídeo da entrevista involuntária do Sr. George Samuel Antoine, Cônsul do Haiti no Brasil, em que ele expôs a sua "teoria das placas raciais" para explicar por que aconteceu o grande terremoto de 2010 no Haiti.
15 janeiro, 2015
A pena aplicada ao blogueiro Raif
Raif Badawi é um blogueiro da Arábia Saudita e foi condenado por criticar o governo monárquico da dinastia Saud, cuja família controla o poder e a economia do país, um estado islâmico.
A pena – não está escrito errado, não – é de mil chibatadas, "parceladas" em 20 sessões semanais de lambadas a serem cumpridas em praça pública.
Além de dez anos de cadeia.
Está marcado para amanhã o pagamento da "segunda parcela" da brutalidade, e a mulher de Raif, que fugiu para o Canadá com os filhos, teme que ele não resista aos novos ferimentos sobre as chagas abertas na semana passada.
Os governos ocidentais fizeram "protestos" pró-forma.
Ninguém retirou embaixador.
Ninguém ameaçou com sanções econômicas.
Os suprimentos de jatos, tanques e mísseis norte-americanos ao governo saudita segue em ritmo animador, armando o seu maior aliado na região.
Ninguém é Raif, porque Raif critica "o governo errado".
Não é a Yoani Sanchez, a blogueira cubana.
A pena – não está escrito errado, não – é de mil chibatadas, "parceladas" em 20 sessões semanais de lambadas a serem cumpridas em praça pública.
Além de dez anos de cadeia.
Está marcado para amanhã o pagamento da "segunda parcela" da brutalidade, e a mulher de Raif, que fugiu para o Canadá com os filhos, teme que ele não resista aos novos ferimentos sobre as chagas abertas na semana passada.
Os governos ocidentais fizeram "protestos" pró-forma.
Ninguém retirou embaixador.
Ninguém ameaçou com sanções econômicas.
Os suprimentos de jatos, tanques e mísseis norte-americanos ao governo saudita segue em ritmo animador, armando o seu maior aliado na região.
Ninguém é Raif, porque Raif critica "o governo errado".
Não é a Yoani Sanchez, a blogueira cubana.
Fontes: Tijolaço e The Guardian
29 novembro, 2013
A roda da punição
Jose Gonzalez patenteou essa "roda de punição" em 1989.
Por meio dela, uma criança mal-comportada podia escolher aleatoriamente o castigo que ia receber. Do ponto de vista de uma criança, parece que um objeto inanimado é mais adequado do que os próprios pais para impor punições. Além de que o conflito direto pais-filho ficava eliminado.
Dentre as punições disponíveis na roda constavam: sem TV / sem sobremesa / segunda chance / doar um brinquedo / escolha dos pais...
Ah, esta última era um retrocesso.
Por meio dela, uma criança mal-comportada podia escolher aleatoriamente o castigo que ia receber. Do ponto de vista de uma criança, parece que um objeto inanimado é mais adequado do que os próprios pais para impor punições. Além de que o conflito direto pais-filho ficava eliminado.
Dentre as punições disponíveis na roda constavam: sem TV / sem sobremesa / segunda chance / doar um brinquedo / escolha dos pais...
Ah, esta última era um retrocesso.
09 julho, 2012
Todo adultério será castigado
Um membro do Talibã mata uma mulher acusada de adultério na frente de uma multidão.
Onde? Na província de Parwan (perto de Cabul, a capital afegã), onde a radical organização islâmica continua a impor sua lei.
Neste vídeo de três minutos, obtido pela agência Reuters, um homem de turbante se aproxima de uma mulher, sentada no chão, e atira várias vezes, a curta distância, com um rifle automático, para o delírio e a alegria de cerca de 150 homens que assistem ao sórdido "espetáculo".
Que mundo em que vivemos! Mundo em que a maioria das pessoas se submete a uma religião que alguém inventou para controlar os demais. Mas a cenoura na vara é sempre a mesma: a promessa da vida eterna.
Onde? Na província de Parwan (perto de Cabul, a capital afegã), onde a radical organização islâmica continua a impor sua lei.
Neste vídeo de três minutos, obtido pela agência Reuters, um homem de turbante se aproxima de uma mulher, sentada no chão, e atira várias vezes, a curta distância, com um rifle automático, para o delírio e a alegria de cerca de 150 homens que assistem ao sórdido "espetáculo".
Que mundo em que vivemos! Mundo em que a maioria das pessoas se submete a uma religião que alguém inventou para controlar os demais. Mas a cenoura na vara é sempre a mesma: a promessa da vida eterna.
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