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17 maio, 2022

Pé que é um leque

Estar com o pé que é um leque (gíria gaúcha) = Diz-se de uma pessoa está a fim de ir a algum lugar (a uma festa, por exemplo).

Bom para o DBF, o Dicionário Brasileiro de Frases.

10 junho, 2020

Pé-rapado

O termo "pé-rapado", segundo o dicionário, é sinônimo de pessoa de origem humilde, pobre. Já era conhecido por volta do século 17 e é usado até hoje. Designava o pobretão, principalmente da zona rural, que andava descalço e por isso era obrigado a raspar (ou rapar) os pés para lhes tirar a lama.
Mas você sabe como a expressão "pé-rapado" surgiu? Não se sabe ao certo quando, mas ela já aparece nos versos que Gregório de Matos (segundo lembra Câmara Cascudo) dedicou a uma mulata baiana que lhe havia pedido um cruzado para consertar os sapatos, na segunda metade do século XVII:
"Se tens o cruzado, Anica,
Manda tirar os sapatos,
E senão lembra-te o tempo
Que andaste de pé rapado."
No Brasil, na época do período colonial, as pessoas de boas condições financeiras andavam em cavalos, enquanto as mais pobres geralmente andavam a pé. Como o chão não era pavimentado, era comum haver lama, fazendo com que as pessoas mais humildes sujassem seus pés.
Para diminuir a sujeira de lama nos locais públicos, geralmente eram disponibilizados objetos de ferro, que serviam para que as pessoas esfregassem a sola de seus calçados a fim de retirar a lama.

Antigamente, as igrejas e os prédios públicos tinham à entrada 
objetos como este da foto para retirar a lama dos sapatos.

Como os mais ricos andavam a cavalo, eles não sujavam seus sapatos, mas os pobres acabavam pisando na lama e eram exatamente eles que acabavam tendo que "rapar os pés" nesses objetos.
Outra ocorrência da expressão foi registrada durante a Guerra dos Mascates, no início do século XVIII, em Pernambuco. A expressão "pés-rapados" foi usada de forma pejorativa para se referir ao exército de camponeses que andavam descalços e combatiam as tropas portuguesas que usavam botas e uniforme militar.
Os dicionários registram também o termo "pé-rachado", que possui o mesmo significado de "pé-rapado", embora faça analogia às rachaduras causadas nos pés devido ao fato de andar descalço, sem conforto algum.

SÓ Português

04 janeiro, 2019

Enfiar o pé na jaca

Enfiar (ou meter) o pé na jaca (ou no jacá), como se sabe, significa passar do ponto na bebida, tomar um porre, um pifão, embora o sentido possa ser ampliado para abarcar também tipos não alcoólicos de excesso e desregramento.
Como será que uma coisa foi dar na outra?
A origem de expressões idiomáticas nunca é assunto pacífico. Neste caso, as teses variam um pouco, mas não costumam fugir da que é exposta pelo músico Henrique Cazes (*) em seu livro "Suíte gargalhadas" (apud Sérgio Rodrigues, blog Sobre Palavras), reunião de historietas reais protagonizadas por personagens da música popular brasileira:
A origem dessa denominação do pileque remonta aos tempos em que os bares tinham, na parte da frente, cestos com frutas e legumes. Era o modelo botequim-quitanda. E era nos cestos de palha, chamados jacás, que ficavam os artigos à venda. Quando alguém bebia demais, ao sair, enfiava o pé no jacá.
Sérgio Rodrigues prossegue: "A relativa obscuridade da palavra jacá bastaria para explicar a metamorfose ocorrida desde então, mas é preciso registrar que, além disso, a imagem de um pé enfiado numa jaca gorda e visguenta, com seu cheiro estonteante, tem uma expressividade que nos ajuda a compreender o fato de a expressão ter caído no gosto dos falantes".
A fruta não cai longe do pé, um provérbio com poucas palavras aqui sendo ilustrado por uma imagem que vale mil. (rsrsrs)


(*) Henrique Cazes é também idealizador e apresentador da série de vídeos APANHEI-TE CAVAQUINHO.

Histórico do DBF
05/10/2007 - "Bebel que a cidade comeu" e "Deite-se na cama e crie fama" AQUI
13/03/2014 - "Imagine se pega no olho?" AQUI
18/02/2015 - "Impitimam é meuzovo" AQUI
02/02/2016 - "Vá correndo fazendo vento" AQUI
09/07/2016 - "Boas cercas,bons vizinhos" AQUI
08/11/2016 - "Besta elevada ao quadrado" AQUI
25/01/2017 - "Não sou má, é que me desenharam assim" AQUI
16/03/2017 - "Chore um rio por mim" AQUI
18/06/2017 - "Vá direto ao assunto" AQUI
15/12/2017 - "Botar suspensório em cobra" AQUI
16/02/2018 - "Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa" AQUI
29/04/2018 - "A palo seco" AQUI
01/05/2018 - "Corre, trem" AQUI
27/07/2018 - "Batidas na madeira" AQUI
02/09/2018 - "Sem querer explicar, mas já explicando..." AQUI
04/11/2018 - "Voltando à vaca fria" AQUI
02/12/2018 - "Morreu Maria Preá" AQUI

22 fevereiro, 2018

O dedo de Morton

Muitas pessoas acham que têm pés estranhos: ou que seu dedão é muito pequeno ou que os outros dedos são muito grandes. Essas pessoas podem ter o chamado dedo de Morton.
Mais corretamente chamado de pé de Morton, a anomalia refere-se a um segundo dedo do pé que parece mais longo que o primeiro dedo (foto), porque o primeiro osso metatarsiano é curto em relação ao segundo. Foi descrito pela primeira vez pelo cirurgião ortopedista americano Dudley Joy Morton (1884-1960). É também chamado de pé grego porque os gregos antigos o achavam esteticamente atraente, incorporando-o em pinturas e esculturas. O David de Michelangelo é um dos exemplos.
O dedo de Morton acontece em cerca de 20% das pessoas no mundo e, segundo uma pesquisa no Brasil, em 33% dos brasileiros.
Por ser simplesmente uma variação na forma do pé,  não requer nenhum tratamento a menos que o portador apresente sintomas. Este tipo de pé pode estar relacionado com o surgimento de algumas patologias, como: metatarsalgia, neuroma de Morton, fascite plantar, calosidades etc.
Tampouco existe prevenção para o dedo de Morton, pois esta é uma condição anatômica hereditária e que está ligada a alguns tipos de pé, como o grego e o céltico, de uma classificação baseada em etnias:


http://www.pessemdor.com.br/blog
www.news-medical.net/health

Curiosidade: Você sabia que a Estátua da Liberdade em Nova Iorque tem os pés de Morton?

Ver também: Nomenclatura para os dedos do pé e Quem fratura um dedo fatura um amigo.

22 janeiro, 2016

O Monópode


É um tipo de anão com um único e grande pé. Mutatis mutandis, talvez tenha sido um parente remoto do Saci Pererê. O RESULTADO DE UM INQUÉRITO
Segundo relatos de aventureiros europeus que estiveram na Terra do Fogo, ele deitava-se no chão e levantava o enorme pé, que cobria todo o seu corpo, para se proteger do sol ardente.
Sol ardente na Terra do Fogo?
Em Ushuaia (cidade da Argentina e capital da Província da Terra do Fogo), a temperatura média varia de 2°C (junho/julho) a 10°C (dezembro/janeiro).

19 junho, 2014

Nomenclatura para os dedos do pé

Uma carta de John Phillips, da Escola de Medicina da Universidade de Yale, para o New England Journal of Medicine, que foi publicada a 14 de fevereiro de 1991:
Referindo-se à mão, os nomes digitus pollicis, indicis, medius, annularis e minimus especificam os cinco dedos. Em situações de relevância clínica, o uso de tais nomes podem impedir ambiguidades anatômicas. São termos consagrados que honram os dedos da mão, o que não acontece aos dedos do pé, que são identificados apenas por números. Exceto, claro, o dedo grande do pé, o hálux. Não é hora de a comunidade médica, com relação aos dedos dos pé, contar não apenas com os números? Submeto à consideração a seguinte nomenclatura para se referir aos dedos do pé: para o hálux,  porcellus fori; para o segundo dedo, p. domi; para o terceiro dedo, p. carnivorus; para o quarto dedo, p. non voratus; e para o quinto dedo, p. plorans domum.
Usando porcellus como a forma diminutiva de porcus , ou leitão, pode-se traduzir a terminologia sugerida como se segue: leitão na feira, leitão em casa, leitão carnívoro, leitão sem comer, e leitão chorando para voltar para casa, respectivamente.
N. do T.
No Brasil, os dedos da mão são honrados da seguinte maneira: polegar – cata piolho, indicador – fura bolo, médio – pai de todos, anular – seu vizinho e mínimo – dedo mindinho.

05 março, 2013

Pé-grande


Acharam o Pé-grande!
Ele se chama Carl Griffiths, tem 19 anos de idade e mora na Inglaterra.
Calça 63. É o homem com o maior pé do Reino Unido. Seus sapatos são feitos sob encomenda nos Estados Unidos.
Só para comparar
Marcelinho Carioca, ex-Corinthians, calça 36. E a comparação se restringe ao tamanho do pé, pois a notícia não diz se Carl joga futebol.

29 janeiro, 2008

Pé chato

De cara, digo, de pé, o conscrito que apresenta o problema é dispensado do serviço militar. Por ser considerado que tem um impedimento para fazer as marchas de longa distância.
Ortopedistas e podólogos discutem a respeito das variações do arco plantar e de suas conseqüências em reuniões científicas.
Mas é de um popular, entrevistado num programa de televisão, a melhor definição do que é um pé chato:

“É o que pisa no pé dos outros e não pede desculpa.”