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28 novembro, 2023

Diálogos pobres

"Só eu sei o trabalho que dá para empobrecer meus diálogos."
Nelson Rodrigues

- Dize-me com quem andas que eu te direi quem és.
- Com quem andas...
- Quem és?

- Estás namorando?
- Não. Estou só ficando...
- Com quem?
- Ficando bêbado (hic) até arranjar alguém.

- Conheces a piada do "não, nem eu"?
- Não.
- Nem eu.

10 junho, 2020

Pé-rapado

O termo "pé-rapado", segundo o dicionário, é sinônimo de pessoa de origem humilde, pobre. Já era conhecido por volta do século 17 e é usado até hoje. Designava o pobretão, principalmente da zona rural, que andava descalço e por isso era obrigado a raspar (ou rapar) os pés para lhes tirar a lama.
Mas você sabe como a expressão "pé-rapado" surgiu? Não se sabe ao certo quando, mas ela já aparece nos versos que Gregório de Matos (segundo lembra Câmara Cascudo) dedicou a uma mulata baiana que lhe havia pedido um cruzado para consertar os sapatos, na segunda metade do século XVII:
"Se tens o cruzado, Anica,
Manda tirar os sapatos,
E senão lembra-te o tempo
Que andaste de pé rapado."
No Brasil, na época do período colonial, as pessoas de boas condições financeiras andavam em cavalos, enquanto as mais pobres geralmente andavam a pé. Como o chão não era pavimentado, era comum haver lama, fazendo com que as pessoas mais humildes sujassem seus pés.
Para diminuir a sujeira de lama nos locais públicos, geralmente eram disponibilizados objetos de ferro, que serviam para que as pessoas esfregassem a sola de seus calçados a fim de retirar a lama.

Antigamente, as igrejas e os prédios públicos tinham à entrada 
objetos como este da foto para retirar a lama dos sapatos.

Como os mais ricos andavam a cavalo, eles não sujavam seus sapatos, mas os pobres acabavam pisando na lama e eram exatamente eles que acabavam tendo que "rapar os pés" nesses objetos.
Outra ocorrência da expressão foi registrada durante a Guerra dos Mascates, no início do século XVIII, em Pernambuco. A expressão "pés-rapados" foi usada de forma pejorativa para se referir ao exército de camponeses que andavam descalços e combatiam as tropas portuguesas que usavam botas e uniforme militar.
Os dicionários registram também o termo "pé-rachado", que possui o mesmo significado de "pé-rapado", embora faça analogia às rachaduras causadas nos pés devido ao fato de andar descalço, sem conforto algum.

SÓ Português

01 agosto, 2016

Penso, logo cito - 32

Max Nunes, médico e humorista brasileiro:

"O Brasil precisa explorar
com urgência a sua riqueza,
porque a pobreza
não aguenta mais
ser explorada."

16 abril, 2013

Crianças de Jacarta

Crianças de uma favela de Jacarta, Indonésia, divertem-se sobre uma jangada de isopor.
São felizes?
Talvez sejam felizes. Como são também felizes os microrganismos da hepatite, da leptospirose e das salmoneloses.
É o lixo uma cornucópia de brinquedos gratuitos?
(No Brasil, tem disso sim.)


O outro lado de Jacarta
Parece mas não é

30 dezembro, 2012

As neofavelas americanas

 por Paulo Nogueira, Diário do Centro do Mundo
Cidades de barracas. A versão americana das nossas favelas. Elas estão se espalhando assustadoramente pelos Estados Unidos. Já estão presentes em pelo menos 55 cidades do país.
Elas representam o extremo grau de desigualdade social a que chegaram os Estados Unidos. 47 milhões de americanos estão vivendo abaixo da linha da pobreza. Isso é equivalente a cerca de 15% da população. (Na métrica americana, essa linha está na faixa de 1 000 dólares por mês.)


O que aconteceu com o sonho americano?
Foi usurpado por uma rarefeita, predadora, gananciosa elite mandante que, entre outras coisas, diminuiu absurdamente a carga de impostos dos ricos nas últimas décadas. Só recentemente esse descalabro veio à tona — quando o bilionário Warren Buffett mostrou, num artigo que entrou automaticamente para a história americana, que paga proporcionalmente menos imposto que sua secretária.
Os ricos americanos gostam de se gabar de sua filantropia, de suas ações de caridade. É uma falácia. Rico tem que pagar impostos. Ponto. É o que acontece na sociedade escandinava, a mais avançada do mundo — a única em que genuinamente se formou um consenso segundo o qual impostos altos para quem tem mais dinheiro são o preço a pagar para o bem estar geral da população. Não adianta você dar x em ações filantrópicas se manobra nos bastidores para que as leis permitam a você economizar 2x em impostos.
Os moradores das neofavelas americanas estão enfrentando temperaturas sinistras – e, não bastasse isso, a iniquidade das pessoas que de fato mandam em Washington. Para a maior parte deles não existe água corrente e nem luz elétrica — e nem comida suficiente. (Você pode ler uma reportagem da BBC sobre o tema. Fora isso, ver um vídeo - America´s largest tent city, sobre a neofavela de Sacramento, Califórnia.)
É lamentável que os Estados Unidos tenham se convertido na negação das virtudes pregadas por líderes como George Washington e Thomas Jefferson, como frugalidade e solidariedade. Ao seguir a receita dos fundadores da nação, os Estados Unidos se transformaram no que foram. Ao dar brutalmente as costas para ela, viraram o que são – um pesadelo, povoado por barracas de miseráveis que se multiplicam.

05 setembro, 2012

Tempos difíceis

NOVE FILHOS E UM PAR DE SAPATOS

Tifton, Georgia, 1909

Tempos difíceis - inclusive para o par de sapatos (que não pôde descansar no lixão até ter sido calçado por toda a família).

31 agosto, 2012

Novo e austero estilo de vida


Doou toda sua fortuna há dois anos e agora diz ter encontrado a felicidade.

Karl Rabeder, um empresário austríaco, declarou que se sente mais feliz depois que doou toda sua fortuna do que quando era um multimilionário.
"Agora sou realmente feliz", confessou Rabeder, de 49 anos. Ele vendeu sua empresa, sua luxuosa mansão nos Alpes, suas limusines e seu avião particular, e transferiu todos o dinheiro de suas contas para organizações do Terceiro Mundo que fazem empréstimos a pessoas que montam pequenos empreendimentos.
Rabeder vive agora com cerca de 1.500 dólares mensais, recebidos com as palestras que dá a empresários sobre o seu novo e austero estilo de vida.
www.noticiaslocas.com
Contraditório
Já fui rico e já fui pobre... ser rico é melhor. Provérbio

Leitura complementar
A OBSESSÃO PELO MELHOR 
(Leila Ferreira - jornalista mineira com mestrado em Letras e doutora em comunicação em Londres, que optou por viver uma vida mais simples, em Belo Horizonte)
Estamos obcecados com "o melhor".
Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor".
Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.
Bom não basta.
O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor". Isso até que outro "melhor" apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.
Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também.
E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.
O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.
Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.
Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.
Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.
Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.
Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência?
Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?
E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?
O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"?
Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?
O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?
Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixados ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos.
A casa que é pequena, mas nos acolhe.
O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.
A TV que está velha, mas nunca deu defeito.
O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos".
As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar à chance de estar perto de quem amo...
O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.
O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.
Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?
Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?
Sofremos demais pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos. Shakespeare
(Este texto me foi enviado pela colega Maria Tereza de Melo Cerqueira.)

25 fevereiro, 2010

Óculos autoajustáveis

Distribuição de óculos lança novo olhar para a luta contra a pobreza

Por DOUGLAS HEINGARTNER
VEGHEL, Holanda - Fornecer óculos aos pobres pode ser um dos investimentos mais valiosos no mundo em desenvolvimento. Centenas de milhões de pessoas - há quem estime em até 2 bilhões - não têm lentes corretivas que lhes permitam levar vidas melhores e mais produtivas.
Um estudo publicado em junho de 2009, numa revista da Organização Mundial da Saúde, estimou em US$ 269 bilhões por ano o custo em produtividade perdida por causa de problemas de visão. Além do mais, combatê-los precocemente pode evitar a cegueira no futuro.
Agora há esforços para distribuir óculos baratos em grande escala. Uma tecnologia promissora é a dos óculos autoajustáveis, em que usuários destreinados acertam o foco sozinhos em menos de um minuto, reduzindo muito a necessidade de oftalmologistas, que são raros na África e em muitas partes da Ásia. (...)
Link (exclusivo para assinantes UOL)

Dr. Nelson Cunha, oftalmologista em Minas Gerais, comentou o artigo: "Não há muito sentido em deixar que o usuário decida qual a melhor lente. O míope, por exemplo, vai escolher sempre algumas dioptrias a mais e os hipermétropes, a menos. Os astigmatismos não são corrigidos com esse óculos. Vale pela curiosidade e pelo fato de que é melhor uns óculos doados do que nenhum."

17 março, 2009

Contra a pobreza

Circula na internet uma campanha interblogs contra a pobreza. Cabe a cada blogueiro arregimentado fazer uma reflexão sobre a pobreza no mundo e indicar outros blogs (+5) para a campanha. 
Nonato Albuquerque incluiu o Blog do PG (EntreMentes) na lista de Antena Paranóica.
Vou de cartoon. Com este, bolado pelo cartunista Paresh (e por mim adaptado), que mostra um africano pobre - no fundo do buraco em que o seu continente se transformou - a receber a tal "solidariedade" do G-8, o grupo dos países ricos. 
É na África, o berço da espécie humana, onde se concentra uma grande parte da pobreza existente no mundo.

Links para minhas 5 indicações: