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29 julho, 2025

Currículo azul

O batizado "currículo azul" será integrado às escolas de todo o país e adaptado às realidades locais, trazendo uma visão holística do oceano como "regulador climático, fonte essencial de vida e catalisador de soluções sustentáveis.", destacou a ONU em comunicado.

Ronaldo Christofoletti, copresidente do grupo de especialistas em Cultura Oceânica da Unesco, disse que a inicativa "nasce da escuta ativa e plural da sociedade brasileira”.

A mudança acontece em um momento crucial para o combate à crise climática, com o aquecimento dos oceanos batendo níveis recordes e trazendo consequencias drásticas para a vida na Terra. Nossos mares pedem socorro: poluição, acidificação das águas, perda de biodiversidade e branqueamento de extensos recifes de corais tornam o desafio da conservação uma corrrida contra o tempo.

Mirando a COP30 no Brasil, o oceano também entra em cheque como um aliado para o equilíbrio do clima junto com as florestas, visto que funciona como um grande sumidouro de carbono. Diferente do senso comum que diz que a Amazônia é o 'pulmão do mundo', na realidade este papel é desempenhado pelo ecossistema marinho.

Leia a matéria completa em: http://exame.com/esg/brasil-e-o-primeiro-pais-a-incluir-educacao-oceanica-no-curriculo-escolar/

07 dezembro, 2024

Lua e Fossa das Marianas

Doze pessoas já caminharam sobre a Lua. Eram astronautas das alunissagens tripuladas, que ocorreram entre julho de 1969 e dezembro de 1972, como parte do Programa Apollo.
Pela ordem:
Apollo 11: Neil Armstrong, Buzz Aldrin
Apollo 12: Pete Conrad, Alan Bean
Apollo 14: Alan Shepard, Edgar Mitchell
Apollo 15: David Scott, James Irwin
Apollo 16: John Young, Charles Duke
Apollo 17: Gene Cernan, Harrison Schmitt
Até o momento, apenas cinco pessoas estiveram no fundo da Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico:
Em 1960, Jacques Piccard e o tenente Don Walsh, no batiscafo Trieste da Marinha dos EUA.
Cinquenta e dois anos depois, foi a vez do cineasta James Cameron que desceu num veículo submersível que ele mesmo projetou.
Em 2019, o oficial aposentado da Marinha Victor Vescovo mergulhou até o fundo da Fossa das Marianas.
Em 2020, Vescovo retornou ao local com uma copiloto: Dra. Kathy Sullivan, da National Oceanic and Atmospheric Administration, uma ex-astronauta que passou a ser a primeira mulher a viajar para o fundo do oceano.

25 janeiro, 2021

No fundo da Fossa

Até o momento, apenas cinco pessoas estiveram no fundo da Fossa das Marianas. Em 1960, Jacques Piccard e o tenente Don Walsh alcançaram uma profundidade de 10,92 km no batiscafo Trieste, da Marinha dos Estados Unidos, passando apenas 20 minutos no fundo do mar.
Uma depressão no fundo do mar em forma de crescente com mais de 2.550 km de comprimento e 69 km de largura, a Fossa das Marianas está localizada a leste das Filipinas, a cerca de 200 km das Ilhas Marianas. Seu ponto mais profundo, o Challenger Deep, fica a cerca de 11 km da superfície do oceano.
Cinquenta e dois anos depois, o cineasta James Cameron foi ao mesmo local e desceu 10,91 km em um veículo submersível que ele projetou. "Nós tratamos isso como uma missão espacial, com muita insistência em acompanhar todos os detalhes do projeto", compartilhou o diretor do filme Titanic, em um artigo publicado na National Geographic. "Então, não fiquei surpreso quando funcionou. Mas senti-me um tanto aliviado porque a alternativa não era agradável".
Lá embaixo, é perpetuamente escuro e totalmente gelado, e a pressão exercida pela água é de cerca de 8 toneladas por polegada quadrada.
Em 2019, o empresário e oficial aposentado da Marinha Victor Vescovo mergulhou 10,93 km no fundo da Fossa, estabelecendo um novo recorde.
Infelizmente, as quatro novas espécies de seres vivos que Vescovo descobriu durante esta viagem não foram as únicas coisas coloridas que ele encontrou nas profundezas do oceano - ele afirmou ter visto também embalagens de doces e um saco plástico.
Em 7 de junho de 2020, Vescovo retornou ao local com uma copiloto: Dra. Kathy Sullivan, da National Oceanic and Atmospheric Administration, uma ex-astronauta que agora é a primeira mulher a viajar para o fundo do oceano.

P.S. Doze pessoas já caminharam sobre a Lua. Eram astronautas das alunissagens tripuladas, que ocorreram entre julho de 1969 e dezembro de 1972 como parte do Programa Apollo.

28 maio, 2020

Rios de lixo

Apenas 10 rios transportam 95% de todo o plástico despejado pelos rios nos oceanos
Barato, durável e multifuncional, o plástico é uma das invenções mais bem-sucedidas da humanidade. Mas não é biodegradável, e isso está devastando o meio ambiente. Apenas 9% de todos os resíduos de plástico são reciclados e outros 12% incinerados. Significando dizer que quase 80%  se transforma em lixo sem meia-vida: condenado a uma eternidade como aterro sanitário, lixo ou lixo entupindo os oceanos.
A cada ano, o plástico mata cerca de 1 milhão de aves marinhas, 100.000 mamíferos marinhos e um número inestimável de peixes. Atualmente, o volume de lixo plástico nos oceanos do mundo é da ordem de 150 milhões de toneladas. Nada menos que oito milhões de toneladas são adicionadas a esse montante todos os anos - isso é um caminhão a cada minuto.
Os grandes rios são transportadores particularmente eficientes de resíduos de plástico para os oceanos, especialmente em países que não possuem uma infraestrutura de gerenciamento de resíduos adequada. Analisando detritos microplásticos nos oceanos, cientistas do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental em Leipzig, na Alemanha, descobriram que 95% do plástico proveniente de rios tinham sido transportados por dez rios.
Quatro destes rios são exclusivamente na China: o Yangtze (foto), o Hai He, o Rio Amarelo e o Rio das Pérolas. Dois outros envolvem estreitamente a China: o Amur, que nasce na Rússia e deságua no mar de Okhotsk, com grande parte de seu curso na fronteira com a China (onde é chamado Heilong Jang), e o Mekong, que nasce na China e passa pelo Mianmar, Laos, Tailândia, Camboja e Vietnã a caminho do Mar do Sul da China.
Dois rios fluem pelo subcontinente indiano: o Indo, que nasce na China e atravessa a Índia, principalmente o Paquistão, terminando no Mar Arábico, e o Ganges, que flui através da Índia e Bangladesh, para a Baía de Bengala.
Os dois rios não asiáticos estão na África: o Nilo, com duas fontes na Etiópia (Nilo Azul) e Ruanda (Nilo Branco), passando por Uganda, Sudão do Sul, Sudão e Egito em direção ao Mediterrâneo, e o
Níger, que flui através do Mali, Níger, Benin e Nigéria para o Golfo da Guiné.
Nem todos esses rios são igualmente culpados. Como mostra o gráfico abaixo, o Yangtze é o principal culpado, ejetando cerca de 1,5 milhão de toneladas de plástico no mar da China Oriental. Isso é mais do que os outros nove rios juntos.
Se as tendências atuais continuarem, a quantidade de plástico despejado no oceano aumentará de um caminhão a cada minuto de hoje para um a cada 15 segundos em 2050, altura em que o descarte de plástico literalmente superará todos os peixes no oceano.


No entanto, como destacam os cientistas de Leipzig, são possíveis soluções rápidas. Concentrar os esforços de gerenciamento de resíduos apenas nesses 10 rios pode reduzir suignificamente a tendência da poluição do oceano por plásticos. Reduzir pela metade a descarga de resíduos de plástico pelos rios listados acima reduziria o fluxo global de plástico transportado pelos rios para os oceanos em nada menos que 45%.
Silver lining (forro de prata): limpá-los teria um enorme impacto positivo.

Jacobs, F. Just 10 streams carry 95% of all river-borne plastic into the ocean, Big Think. Tradução: PGCS
forro de prata, expressão usada para dizer a alguém que existe um lado positivo no problema que o mesmo está enfrentando. Segundo o Urban Dictionary, vem do fato de que todas as nuvens negras têm uma borda prateada.

23 fevereiro, 2020

Uma banheira gigante de hidromassagem

Um satélite da Nasa forneceu esta imagem de uma enorme "tempestade" se formando no fundo do oceano. O bizarro fenômeno sob a superfície da água foi visto em 26 de dezembro de 2019, quando o satélite capturava imagens de rotina com as cores naturais da Terra.


A massa de água em turbilhão - que mede 150 quilômetros de largura - foi descoberta na costa da África do Sul. Pensa-se que este redemoinho em sentido anti-horário tenha descolado da Corrente das Agulhas, que flui ao longo da costa sudeste da África e ao redor da ponta da África do Sul. Os redemoinhos das Agulhas tendem a estar entre os maiores do mundo, transportando água morna e salgada do Oceano Índico para o Atlântico Sul.
Não houve necessidade de alertar a navegação internacional nem de se preocupar com os pobres peixes que se viram envolvidos nesse ciclo de lavagem sem fim - - o corpo de água não representou ameaça.

04 abril, 2018

O cemitério de satélites

David Whitehouse*
Escritor e astrônomo, BBC Brasil

Exploradores e aventureiros, em geral, gostam de procurar novos lugares para conquistar, já que os picos mais altos já foram escalados, os polos foram alcançados e os vastos oceanos e desertos já foram atravessados.
Alguns desses lugares são chamados polos de inacessibilidade.
Dois deles são especialmente interessantes. Um é o polo continental de inacessibilidade - o local na Terra mais longe do oceano. Existe uma discussão sobre sua posição exata, mas para muitos ele fica próximo ao chamado Passo de Alataw - uma passagem montanhosa na fronteira entre a China e o Cazaquistão.
O ponto equivalente no oceano - aquele que fica mais afastado de qualquer território em terra - fica no sul do Pacífico, cerca de 2.700 km ao sul das Ilhas Pitcairn - em algum lugar na "terra de ninguém" entre a Austrália, a Nova Zelândia e a América do Sul.

Um polo de inacessibilidade é definido como um lugar sobre a superfície da Terra cuja distância à linha de costa é localmente máxima. Como linha de costa deve entender-se a dos oceanos ou de mares ligados com o oceano aberto. Também por definição, um polo de inacessibilidade deve ser perfeitamente equidistante de três pontos sobre a linha de costa. Fica na Eurásia, em 46° 16.8′ N 86° 40.2′ E, o polo continental de inacessibilidade. Ele está no  Deserto de Dzoosoton Elisen, no noroeste da China, a 2.648 km do mar.  Já o polo oceânico de inacessibilidade, também chamado Ponto Nemo, fica em 48° 52.6' S 123° 23.6' O. Encontra-se no sul do Oceano Pacífico, a 2.688 km da Ilha Ducie, um atol desabitado que faz parte das Ilhas Pitcairn, este segundo polo que é o lugar oceânico mais afastado de qualquer tipo de terra firme.


Com o fim da vida útil de satélites e espaçonaves atualmente em órbita ao redor da Terra, a grande maioria destes artefatos irão voltar em algum momento. Mas, onde cairão?
Satélites menores geralmente se incendeiam ao entrar na atmosfera terrestre, porém alguns pedaços maiores conseguem "sobreviver" ao atrito e se chocam com o solo. Para evitar que caiam em áreas populosas, eles costumam ser conduzidos para a área em torno do ponto de inacessibilidade oceânica.
Uma área que se estende por aproximadamente 1.500 km² no leito oceânico está, aos poucos, sendo transformada num verdadeiro cemitério de espaçonaves construídas pelo homem. Na última contagem havia mais de 260 delas, a maioria russas. Os destroços da estação espacial Mir, por exemplo, estão lá. Ela foi lançada ao espaço em 1986 e recebeu diversos cosmonautas russos e visitantes de várias nacionalidades. Com uma massa de 120 toneladas, a estação não conseguiria queimar completamente na atmosfera. Por isso, ela foi direcionada à região em 2001, e chegou a ser vista por alguns pescadores locais como uma bola de destroços brilhantes se desintegrando enquanto percorria o céu.
Ao retornar à Terra, o módulo que leva suprimentos para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) entra em combustão nessa região, incinerando também o lixo que traz da Estação. Esta desintegração controlada de satélites e módulos espaciais em nossa atmosfera não causa perigo para ninguém. A região desse polo de inacessibilidade também não costuma ser frequentada por pescadores, porque as correntes oceânicas não passam pela área e, portanto, não levam nutrientes para lá, o que torna escassa a vida marinha no local.
Uma das futuras habitantes deste ponto isolado será a própria Estação Espacial Internacional. Os planos atuais são de que ela seja desativada na próxima década e seja conduzida para o polo oceânico de inacessibilidade. Com uma massa de 450 toneladas - quatro vezes maior do que a da estação russa Mir - sua volta à Terra provavelmente será um acontecimento espetacular.
No entanto, nem sempre é possível conduzir um satélite ou estação espacial para o sul do oceano Pacífico, pois os controladores podem perder contato com ele. Foi exatamente isso o que aconteceu com a estação espacial Salyut 7, em 1991, que caiu na América do Sul, e também com a Skylab, primeira estação espacial americana, que atingiu a Austrália em 1979. Ninguém foi ferido e, até onde se sabe, ninguém jamais foi atingido por algum pedaço de um módulo espacial desativado.
No ano que vem, este problema se repetirá. Entre os meses de janeiro e abril, a estação chinesa Tiangong-1 voltará à Terra, em sua última viagem. Ela foi lançada em 2011, como a primeira estação espacial da China. A órbita da Tiangong-1 vem declinando à medida que ela se aproxima do ponto de reentrada na atmosfera terrestre. Mas, os engenheiros chineses perderam o controle de sua trajetória e não estão conseguindo ligar seus propulsores para guiá-la até o Pacífico Sul. Com isso, calculam que a estação cairá na Terra em algum local entre as latitudes do norte da Espanha e o sul da Austrália. Não será possível ter uma localização mais precisa de sua queda até poucas horas antes da Tiangong-1 entrar em combustão.
Mas o mais provável é que ela não se junte a suas companheiras no "cemitério de satélites".

Finalmente, a Tiangong 1 entrou e queimou na atmosfera no dia 2 de Abril de 2018, às 00:16 GMT (01/04/18, 21:16h no horário de Brasília) A maior parte dos pedaços caiu sobre o Oceano Pacífico Sul, próximo ao Taiti, sem incidentes.

18 novembro, 2016

A que profundidade chega o oceano?

40 m - Profundidade máxima para mergulhadores (scuba divers)
301 m - Altura da Torre Eiffel
500 m - Profundidade que a baleia azul pode mergulhar
1000 m - Fim da iluminação solar
1828 m - Ponto mais baixo do Grand Canyon
3750 m - Onde estão os destroços do Titanic
8848 m - Altura do Everest
10898 m - James Cameron esteve aqui
11034 m - Profundidade da Fossa das Marianas

Hugo Mendonça disse...
Although the site correctly quotes 40m as the depth for scuba divers, using trimix and spare tanks, technical divers can go a little deeper ( not much though).

O médico e mergulhador recreacional Hugo Mendonça, um colega que reside na Flórida, envia-me duas relevantes informações sobre o assunto: o emprego do Trimix, um gás de respiração composto por Hélio (He), Oxigénio (O2) e Nitrogénio (N2), e dos spare tanks como recursos técnicos que possibilitam a realização de mergulhos com maior profundidade.

25 agosto, 2014

Devagar vindo de longe

Deu na BBC News:
Bactérias de vida longa, que reproduzem apenas uma vez a cada 10 mil anos, foram encontradas em rochas a 2,5 km abaixo do fundo do oceano.
As descobertas levantam questões sobre como a vida persiste em tais condições extremas.
É quase um estado zumbi.
As efeméridas precisam saber disso.

02 março, 2012

Fossa oceânica

Walsh e Piccard
Um mergulho de onze mil metros
Gelado, escuro e com pressões esmagadoras - a parte mais profunda do oceano é um dos lugares mais hostis do planeta. Apenas dois exploradores já fizeram essa jornada épica (de onze quilômetros) ao fundo da Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico. Don Walsh e Jacques Piccard, em 1960, no batiscafo Trieste.
Mas eles não puderam apreciar a paisagem pelágica porque o batiscafo não tinha visão para o exterior.
Como uma nova onda de exploradores está se preparando para repetir o notável mergulho, dê uma olhada no mundo misterioso em que eles irão mergulhar. Um espetacular infográfico com vídeos da BBC News mostra algumas das características físicas do oceano e das formas de vida que ele abriga, cobrindo de sua superfície (pressão = 1 atmosfera) a seu ponto mais profundo (pressão atmosférica = 1.091 atmosferas).