Mostrando postagens com marcador espaçonaves. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador espaçonaves. Mostrar todas as postagens

01 fevereiro, 2021

O desastre do ônibus espacial Columbia

01/02/2003 Todos os sete membros da tripulação do STS-107 morreram quando o orbitador da Columbia se desintegrou durante a reentrada na atmosfera da Terra.
📷A foto à direita (da NASA) veio do processamento de um rolo de filme que foi recuperado entre os destroços.
O STS-107 foi o 113º vôo do programa Space Shuttle e o vôo final do Space Shuttle Columbia. A missão lançada do Centro Espacial Kennedy, em 16 de janeiro de 2003, durante seus 16 dias em órbita, conduziu uma série de investigações científicas internacionais.
O Conselho de Investigação de Acidentes da Columbia determinou que a falha foi causada por um pedaço de espuma que se rompeu durante o lançamento e danificou os componentes do sistema de proteção térmica (painéis de carbono-carbono reforçados e telhas de proteção térmica) na borda principal da asa esquerda do orbitador. Durante a reentrada, a asa danificada superaqueceu lentamente e se separou, levando à perda de controle e à desintegração do veículo.

25 novembro, 2018

A aerodinâmica das naves espaciais de Star Wars

Quando você está voando por aí no espaço, onde não há ar ou resistência do vento, a aerodinâmica não é tão importante. É por isso que a nave Borg, de Star Trek, é apenas um cubo gigante e funciona bem mesmo assim. Porém, quando as naves também estão visitando planetas com atmosferas, a aerodinâmica entra, sim, na jogada — e, aparentemente, nem os Rebeldes ou o Império em Star Wars sabe coisa alguma sobre como projetar devidamente veículos voadores.
O youtuber EC Henry colocou modelos de naves populares de Star Wars em um aplicativo (*) que consegue simular e ilustrar como um veículo se move por vários meios, como pelo ar respirável que parece existir na maioria dos planetas em uma galáxia muito, muito distante. Basicamente, ele consegue calcular o coeficiente de resistência aerodinâmica e entender qual espaçonave tem melhor aerodinâmica.
Mynock-SWK19A icônica X-Wing, que consegue viajar pelo espaço na velocidade da luz, é, na verdade, muito menos aerodinâmica do que os jatos de combate comparativamente primitivos que usamos aqui na Terra. Pior ainda é o TIE Fighter, do Império, que é um desastre aerodinâmico e seria ultrapassado até por um Mynock (na imagem) sempre que tentasse batalhar na superfície de um planeta — apesar do que filmes como O Despertar da Força querem que você acredite.

(*) Usando modelos 3D no aplicativo Autodesk Flow Design, EC Henry calculou o coeficiente de arrasto em voo atmosférico para naves clássicas da série, incluindo a X-Wing e o TIE Fighter. Os resultados obtidos foram comparados com o de um jato de combate da vida real, o qual serviu de referência. YOUTUBE

04 abril, 2018

O cemitério de satélites

David Whitehouse*
Escritor e astrônomo, BBC Brasil

Exploradores e aventureiros, em geral, gostam de procurar novos lugares para conquistar, já que os picos mais altos já foram escalados, os polos foram alcançados e os vastos oceanos e desertos já foram atravessados.
Alguns desses lugares são chamados polos de inacessibilidade.
Dois deles são especialmente interessantes. Um é o polo continental de inacessibilidade - o local na Terra mais longe do oceano. Existe uma discussão sobre sua posição exata, mas para muitos ele fica próximo ao chamado Passo de Alataw - uma passagem montanhosa na fronteira entre a China e o Cazaquistão.
O ponto equivalente no oceano - aquele que fica mais afastado de qualquer território em terra - fica no sul do Pacífico, cerca de 2.700 km ao sul das Ilhas Pitcairn - em algum lugar na "terra de ninguém" entre a Austrália, a Nova Zelândia e a América do Sul.

Um polo de inacessibilidade é definido como um lugar sobre a superfície da Terra cuja distância à linha de costa é localmente máxima. Como linha de costa deve entender-se a dos oceanos ou de mares ligados com o oceano aberto. Também por definição, um polo de inacessibilidade deve ser perfeitamente equidistante de três pontos sobre a linha de costa. Fica na Eurásia, em 46° 16.8′ N 86° 40.2′ E, o polo continental de inacessibilidade. Ele está no  Deserto de Dzoosoton Elisen, no noroeste da China, a 2.648 km do mar.  Já o polo oceânico de inacessibilidade, também chamado Ponto Nemo, fica em 48° 52.6' S 123° 23.6' O. Encontra-se no sul do Oceano Pacífico, a 2.688 km da Ilha Ducie, um atol desabitado que faz parte das Ilhas Pitcairn, este segundo polo que é o lugar oceânico mais afastado de qualquer tipo de terra firme.


Com o fim da vida útil de satélites e espaçonaves atualmente em órbita ao redor da Terra, a grande maioria destes artefatos irão voltar em algum momento. Mas, onde cairão?
Satélites menores geralmente se incendeiam ao entrar na atmosfera terrestre, porém alguns pedaços maiores conseguem "sobreviver" ao atrito e se chocam com o solo. Para evitar que caiam em áreas populosas, eles costumam ser conduzidos para a área em torno do ponto de inacessibilidade oceânica.
Uma área que se estende por aproximadamente 1.500 km² no leito oceânico está, aos poucos, sendo transformada num verdadeiro cemitério de espaçonaves construídas pelo homem. Na última contagem havia mais de 260 delas, a maioria russas. Os destroços da estação espacial Mir, por exemplo, estão lá. Ela foi lançada ao espaço em 1986 e recebeu diversos cosmonautas russos e visitantes de várias nacionalidades. Com uma massa de 120 toneladas, a estação não conseguiria queimar completamente na atmosfera. Por isso, ela foi direcionada à região em 2001, e chegou a ser vista por alguns pescadores locais como uma bola de destroços brilhantes se desintegrando enquanto percorria o céu.
Ao retornar à Terra, o módulo que leva suprimentos para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) entra em combustão nessa região, incinerando também o lixo que traz da Estação. Esta desintegração controlada de satélites e módulos espaciais em nossa atmosfera não causa perigo para ninguém. A região desse polo de inacessibilidade também não costuma ser frequentada por pescadores, porque as correntes oceânicas não passam pela área e, portanto, não levam nutrientes para lá, o que torna escassa a vida marinha no local.
Uma das futuras habitantes deste ponto isolado será a própria Estação Espacial Internacional. Os planos atuais são de que ela seja desativada na próxima década e seja conduzida para o polo oceânico de inacessibilidade. Com uma massa de 450 toneladas - quatro vezes maior do que a da estação russa Mir - sua volta à Terra provavelmente será um acontecimento espetacular.
No entanto, nem sempre é possível conduzir um satélite ou estação espacial para o sul do oceano Pacífico, pois os controladores podem perder contato com ele. Foi exatamente isso o que aconteceu com a estação espacial Salyut 7, em 1991, que caiu na América do Sul, e também com a Skylab, primeira estação espacial americana, que atingiu a Austrália em 1979. Ninguém foi ferido e, até onde se sabe, ninguém jamais foi atingido por algum pedaço de um módulo espacial desativado.
No ano que vem, este problema se repetirá. Entre os meses de janeiro e abril, a estação chinesa Tiangong-1 voltará à Terra, em sua última viagem. Ela foi lançada em 2011, como a primeira estação espacial da China. A órbita da Tiangong-1 vem declinando à medida que ela se aproxima do ponto de reentrada na atmosfera terrestre. Mas, os engenheiros chineses perderam o controle de sua trajetória e não estão conseguindo ligar seus propulsores para guiá-la até o Pacífico Sul. Com isso, calculam que a estação cairá na Terra em algum local entre as latitudes do norte da Espanha e o sul da Austrália. Não será possível ter uma localização mais precisa de sua queda até poucas horas antes da Tiangong-1 entrar em combustão.
Mas o mais provável é que ela não se junte a suas companheiras no "cemitério de satélites".

Finalmente, a Tiangong 1 entrou e queimou na atmosfera no dia 2 de Abril de 2018, às 00:16 GMT (01/04/18, 21:16h no horário de Brasília) A maior parte dos pedaços caiu sobre o Oceano Pacífico Sul, próximo ao Taiti, sem incidentes.