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19 fevereiro, 2024

Hagiografia do Blog EM

Um santeiro cearense http://blogdopg.blogspot.com.br/2008/11/um-santeiro-cearense.html
Dez santos brasileiros http://blogdopg.blogspot.com.br/2008/11/dez-santos-brasileiros.html
São Pixinguinha http://blogdopg.blogspot.com.br/2012/04/sao-pixinguinha.html
Cristóvão http://preblog-pg.blogspot.com/2012/08/cristovao.html

21 dezembro, 2022

São Longuinho, o santo dos objetos perdidos

Longuinho foi um dos soldados romanos destacados para acompanharem o castigo, a crucificação e a morte de Jesus. Chamava-se, na verdade, Longinus, nome que significa "Uma Lança". Por isso, acredita-se que ele tenha sido o soldado que perfurou com uma lança o lado de Jesus, de onde brotou sangue e água.
Conta-se que ele era um soldado de baixa estatura que servia na alta corte de Roma, antes de ser destacado para servir em Israel. Por causa de sua estatura, ele conseguia ver tudo o que se passava por baixo das mesas nas festas romanas. Com isso, ele achava os pertences perdidos das pessoas e devolvia-os a seus donos.
Daí surgiu sua fama de bom soldado e de sempre encontrar coisas perdidas. Esta fama do soldado Longinus, do mundo pagão, passou para o convertido São Longuinho.
Após abandonar o exercito romano por causa de sua conversão, Longinus fugiu para Cesárea e, depois, Capadócia, hoje Turquia. Mas foi descoberto pelo governador da Capadócia e denunciado a Pôncio Pilatos. No processo, foi acusado de desertor e condenado a pena de morte. Se ele renunciasse à sua fé em Jesus Cristo seria perdoado. Mas ele se manteve firme na fé, foi torturado e depois decapitado.
São Longuinho foi canonizado pelo Papa Silvestre II, quase mil anos depois. O processo de canonização já tinha caminhado bastante, conforme os trâmites exigidos pela Igreja. Porém, vários documentos que faziam parte do processo tinham ficado perdidos ao longo dos anos. Então, o Papa pediu a intercessão do próprio São Longuinho para que o ajudasse a encontrar os documentos perdidos. Pouco tempo depois, aqueles documentos foram encontrados e a canonização aconteceu.
E a devoção de rezar para São Longuinho, pedindo para ele ajudar a encontrar objetos perdidos se espalhou pelo mundo cristão. Encontrado esse objeto, o dono deve dar três pulinhos e fazer uma oração para agradecer ao Santo.
(https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-longuinho/151/102/)
E o que houve com a lança?
Tal como acontece com várias outras relíquias, diversos lugares mundo afora afirmam preservar a lança de Longinus, chamada de "Santa Lança". O site Aleteia apresenta quatro versões sobre a preservação dessa relíquia: 1: de Jerusalém para Constantinopla e Roma; 2: Armênia; 3: Viena e Nuremberg e 4: Cracóvia.
A lenda da "Lança do Destino", cobiçada, conquistada e perdida por Adolf Hitler
A lança com que o centurião Longinus tinha ferido o lado de Cristo chegou a ser também conhecida como "A Lança do Destino", já envolta em mitos praticamente "mágicos": quem a possuísse teria poder sobre os destinos do mundo, mas, caso a perdesse, encontraria derrota e morte. Adolf Hitler a desejava precisamente porque lhe eram atribuídos esses "grandes poderes". De fato, o ditador nazista chegou a tomar posse física da lança, identificada então com a que estava no Museu Hofburg, em Viena.


Ao final da Segunda Guerra Mundial, em 30 de abril de 1945, a peça foi reencontrada pelos norte-americanos sob o comando do tenente William Horn, a quem fora confiada a busca do tesouro dos Habsburgo. Enquanto Horn tomava posse da lança em nome do governo dos Estados Unidos, Adolf Hitler, naquela mesma tarde, a centenas de quilômetros, tirava a própria vida em um bunker de Berlim.
Em 7 de janeiro de 1946, o general Patton devolveu a "Lança do Destino" à Áustria, onde o objeto permanece exposto no Schatzkammer, uma das coleções do Palácio Imperial de Hofburg.

09 abril, 2021

O furto das relíquias

As relíquias podem provir do corpo de uma pessoa sagrada ou de seus pertences. Ontem como hoje, são objetos de veneração para os devotos de um santo.
Entre os séculos IX e XII, a prática de furtá-las colocou um mosteiro contra outro na competição por fragmentos de santos famosos. As relíquias ofereciam proteção na forma de milagres, mas isso não era tudo: uma relíquia bem acreditada poderia colocar uma cidade no mapa, trazendo peregrinos, dinheiro e prestígio para o lugar.
Sendo assim, muitos clérigos participaram da tradição do furto de relíquias, por vezes utilizando-se de medidas drásticas apenas para garantir uma relíquia.
Consideremos o caso de Sainte-Foy (em latim; Sancta Fides;  em português: Santa Fé). O monge que trouxe suas relíquias para Conques, uma comuna francesa, ficou disfarçado por dez anos no mosteiro de Agen, antes de aproveitar a chance de fugir com o crânio de Sainte-Foy.
Além do misterioso Duesdona, suspeita-se da atuação de traficantes profissionais de relíquias entre aqueles que invadiram as catacumbas romanas em busca dos despojos de santos mártires. Era um bom negócio: o corpo de um único santo podia ser dividido em muitas relíquias vendáveis. Os teólogos sustentavam que "o todo estava em cada parte", significando que o santo estava igualmente presente em cada fragmento de seu corpo, por menor que fosse.

Fontes
http://www.neatorama.com/2020/04/28/When-Monks-Became-Relic-Thieves/
http://daily.jstor.org/when-monks-went-undercover-to-steal-relics/
http://www.jstor.org/stable/20463605

04 julho, 2018

A padroeira da televisão

Um ano antes de Santa Clara de Assis falecer em 11 de agosto de 1253, ela queria muito ir a uma missa. Não tendo condições de ir por estar doente, ela entrou em oração e conseguiu assistir a celebração em sua cela no convento.
Segundo seus relatos, a missa aparecia para ela como que projetada na parede de seu humilde quarto. Santa Clara conseguiu ver e ouvir toda a celebração sem sair de sua cama. Segundo testemunhas, ela contou fatos acontecidos na missa, detalhando as palavras do sermão do celebrante.


Assim, pelo fato de Santa Clara ter assistido a uma celebração a distância, em 14 de fevereiro de 1958 o Papa Pio XII proclamou oficialmente Santa Clara de Assis como a padroeira da televisão.

O padroeiro da internet

23 abril, 2018

São Jorge, um símbolo do multiculturalismo

Jorge da Capadócia tornou-se um símbolo do nacionalismo na Inglaterra, mas há algumas boas razões para pensar que sua vida representa os valores de uma ideologia mais benigna: o multiculturalismo.
Ele nasceu na Turquia em uma família grega. Serviu no exército de uma cidade-estado italiana e morreu finalmente vivendo na Palestina.
Foi guarda de palácio para o imperador Diocleciano. Ele se moveu entre as províncias do vasto império romano da maneira como um trabalhador manual qualificado pode viajar entre os Estados membros da UE para encontrar um emprego melhor.
Supostamente, convenceu a Imperatriz Alexandra de Roma a adotar a nova religião em expansão - o cristianismo - que se espalhava por todo o império até ser oficialmente adotada.
São Jorge não é apenas o santo padroeiro da Inglaterra: Ele é o santo padroeiro da Bulgária, Palestina, Etiópia, Grécia e Lituânia.
Ele também é importante da Geórgia, onde o Dia de São Jorge é celebrado duas vezes por ano.
Como imigrante com uma religião estrangeira, Jorge foi alvo de discriminação e perseguição por parte das autoridades romanas, que estavam se tornando cautelosas com o crescente poder do cristianismo.
O santo foi atingido por uma nova lei para reprimir os soldados cristãos: ele deveria ser preso e expulso do exército.
Jorge objetou, foi preso e torturado, e finalmente executado. Ele teria se beneficiado grandemente se então houvesse um maior grau de tolerância e multiculturalismo.
[http://www.independent.co.uk/news/uk/home-news/st-georges-day-6-reasons-why-st-george-is-the-perfect-symbol-of-multiculturalism-10197345.html]

No Brasil
A influência de São Jorge na cultura portuguesa acompanhou a fundação do Brasil pelos portugueses.
Este santo é extraoficialmente o padroeiro da cidade do Rio de Janeiro (título oficialmente atribuído a São Sebastião) e da cidade de São Jorge dos Ilhéus, além de ser padroeiro da Cavalaria do Exército Brasileiro.
São Jorge também é venerado em diversos cultos das religiões afro-brasileiras, onde é sincretizado na forma de Ogum. Em Salvador, Bahia, o santo é também sincretizado a Oxóssi.
Todavia, a ligação de São Jorge com a Lua é algo puramente brasileiro, com forte influência da cultura africana, e em nada relacionado com o santo europeu. [Wiki]

Vídeos c/ Caetano Veloso
JORGE DA CAPADÓCIA https://youtu.be/zEcqM7Z4lkQ
LUA DE SÃO JORGE https://youtu.be/NdkzQ5_Sv_8

10 janeiro, 2018

Gonçalo do Amarante

Luiz Antonio Simas, no Face
Diz a hagiografia que Gonçalo nasceu em Tagilde, Portugal, por volta de 1187. Foi nomeado pároco de São Paulo de Vizela. Visitando Roma e Jerusalém, caiu em angústia por achar que Cristo não devia ser celebrado com pompas.
Gonçalo finalmente encontrou na cultura popular a maneira de falar de Jesus Cristo. Reza a tradição que, quando pregava para as putas, Gonçalo se vestia de mulher, com muitas fitas coloridas, tocava viola e dançava. Usava pregos nos sapato, para mostrar que a alegria da dança curava a dor e era divina e, ao mesmo tempo, para que a mortificação não o desviasse do caminho da fé. Gostava de organizar bailes para as mulheres da zona. Como vigário, celebrou matrimônios de mulheres que não eram mais virgens, o que irritou os mais tradicionais.
São Gonçalo (na realidade, é considerado beato pela Igreja Católica) morreu no dia 10 de janeiro de 1259, em Amarante, no Douro. É considerado o protetor dos violeiros, do "piru" (tem que manter isso, viu?) e das vítimas de enchentes (fato provavelmente relacionado a uma ponte que ele construiu em mutirão sobre o rio Tâmega, para ajudar os mais necessitados que precisavam cruzar o rio para trabalhar).
Em virtude da tradição de celebrador dos matrimônios que a Igreja condenava, São Gonçalo do Amarante tem fama de casamenteiro. Por conta disso, ainda, em seu louvor são oferecidos as tíbias em forma de "caralhinhos", patrimônios da cultura portuguesa, como pedido e pagamento de promessa pela alegria nos sortilégios da paixão. É dos mais simpáticos santos do cristianismo popular das gentes miúdas e o seu exemplo serve pra que parem de dizer que estamos retrocedendo ao mundo medieval; interessantíssimo e bem distante do puritanismo de quinta categoria que grassa nos nossos dias.
(matéria compartilhada por Jaime Nogueira)

N. do E.
A sua data no calendário litúrgico é 10 de janeiro.
No Brasil é patrono das cidades homônimas de São Gonçalo do Amarante no estados do Rio Grande do Norte e do Ceará, São Gonçalo (Rio de Janeiro), Itapissuma (Pernambuco), Cajari, Matinha e Viana, (Maranhão) e Cuiabá (Mato Grosso).
"Caralhos de São Gonçalo": doces portugueses preparados com açúcar - grosso e fino -, farinha, manteiga, e os indispensáveis ovos.