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16 março, 2022

O sagaz Lichtenberg

Georg Christoph Lichtenberg ((Ober-Ramstadt, Alemanha, 1742 — Göttingen, Alemanha, 1799) foi um personagem incomum.
  • Um matemático e físico lembrado principalmente como escritor.
  • Um autor admirado por suas anotações para livros que nunca escreveu.
  • Um nome desconhecido que grandes mentes (Goethe, Schopenhauer, Kant, Nietzsche, Tolstói, Humboldt, Freud, Einstein) não deixavam de mencionar.
Lichtenberg foi também quem deduziu que o formato ideal para uma folha de papel seria o de um retângulo cujo lado maior medisse √2 vezes o lado menor — o que levou ao padrão A4, o tamanho de papel mais amplamente utilizado em todo o mundo.

Assinatura de Lichtenberg e desenho que aparecem em um imã de geladeira vendido como souvenir em Göttingen (Gotinga). BBC News

Em Queimaduras por raio, mencionei as tais "figuras de Lichtenberg". Estranhas imagens que podem ser vistas na pele lembrando samambaias (fractais, para alguns autores). São causadas pela passagem da corrente elétrica de um raio por vasos cutâneos e podem durar de algumas horas a meses. Há sempre um ponto central a partir do qual a queimadura se propagou para os locais mais distantes. Braços, costas, pescoço, peito ou ombros são as regiões do corpo em que essas lesões são mais observadas.

17 março, 2021

Um físico interessante (2)

Se você pedisse a alguém para descrever como um físico "típico" parece e age, o que aconteceria? A imagem que a maioria das pessoas pintaria não seria muito lisonjeira e estaria de acordo com estereótipos bastante negativos. Estudos têm sido feitos em que as crianças são convidadas a desenhar um cientista, e os resultados são bastante consistentes com a variedade "cientista louco". Shows como "The Big Bang Theory" na televisão tipicamente retratam os físicos como indivíduos socialmente inaptos, não atléticos, genuinamente não-mundanos, em conformidade com estereótipos com os quais eu pessoalmente tenho me familiarizado desde que eu era muito jovem.

François Arago, um físico interessante
Caminhando um dia nas muralhas da cidade, o jovem Arago encontrou um oficial de engenheiros que supervisionava os reparos. Arago ficou intrigado com o homem e soube que ele poderia seguir uma carreira semelhante na Escola Politécnica, em que só poderia se inscrever passando por um difícil exame de matemática. Desse ponto em diante, Arago procurou e estudou atentamente as obras das principais mentes matemáticas e físicas da época. Quando chegou a hora do exame, ele estava mais do que preparado, apesar da hostilidade do examinador:
Afinal chegou o momento do exame e fui para Toulouse na companhia de um candidato que havia estudado em colégio público. Foi a primeira vez que alunos de Perpignan participaram da competição. Meu camarada tendo sido intimidado em seu exame ficou completamente desconcertado. Quando, logo depois dele, me dirigi para o quadro-negro, uma conversa muito singular aconteceu entre M. Monge (o examinador) e eu. (*)
"Se você vai responder como seu camarada, é inútil para mim questioná-lo."
"Senhor, meu camarada sabe muito mais do que demonstrou. Espero ter mais sorte do que ele, mas o que o senhor acabou de me dizer pode muito bem me intimidar e me privar de todos os meus poderes."
"A timidez é sempre a desculpa dos ignorantes. É para salvá-lo da vergonha de um fracasso que proponho não examiná-lo."
"Não conheço vergonha maior do que a que você agora me inflige. Você será assim tão bom para me questionar? É o seu dever."
"Você anda muito alto, senhor! Veremos em breve se isso é um orgulho legítimo."
"Prossiga, senhor. Estou confiante."
Arago não apenas passou no exame, mas o dominou, fornecendo várias técnicas para resolver as questões que lhe foram colocadas. Acabou por ocupar o primeiro lugar na lista de inscritos na Politécnica, no final de 1803, e destacou-se nos estudos.
Extraído de: François Arago: the most interesting physicist in the world! SKULLS IN THE STARS

(*) É admissível escrever «entre ele e eu»? Não deveria ser «entre ele e mim»?
Quando surge outra palavra entre a preposição e o pronome, autores como António Vieira e Castilho utilizam «entre ele e eu», «entre mim e tu». Um exemplo: «E entre o embaixador... e eu se concertou...» (Vieira, inéditos, III, 124).
Cf. Cândido de Figueiredo, "Lições Práticas" e "Gramática Sintética da Língua Portuguesa", Clássica Editora.
In: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

24 julho, 2020

Desafios interprofissionais

1
Um matemático, um físico e um engenheiro recebem uma bola como desafio. Dizem que precisam encontrar seu volume, que podem fazer o que quiserem e que dispõem do tempo que for necessário.
O matemático pega uma fita métrica, mede a circunferência, divide-a por 2 pi para encontrar o raio, eleva o resultado para o cubo, multiplica-o novamente por pi, depois por 4/3 e com isso dá a solução.
O físico enche um balde com 10 litros de água, coloca a bola no topo e mede o deslocamento do líquido até 6 casas decimais.
O engenheiro procura o número de série da bola e consulta no catálogo do fabricante.
(http://naukas.com/2018/10/01/humor-y-matematicas-vi/)
2
Um engenheiro, um físico e um matemático são levados a um campo para um desafio. A cada um deles são dados 100 metros de tela, e pedem que eles façam uma cerca que inclua a maior área possível, usando a menor quantidade de material.
O engenheiro faz uma cerca em forma de círculo e declara que ele construiu o projeto mais eficiente possível.
O físico pega sua tela, coloca-a em linha reta e diz: "Podemos supor que o comprimento é infinito e cercar a metade do planeta é a maneira mais eficiente de fazê-lo".
O matemático ri de ambos. Ele pega um pequeno pedaço de tela, faz uma cerca ao redor de si mesmo e diz: "Eu defino que estou fora da área cercada".
(http://naukas.com/2019/07/23/humor-y-matematicas-ix/)

28 agosto, 2019

Matinas

Sua origem está na antiga oração de Matinas, palavra que significa madrugada. A partir do costume romano de dividir a noite em vigílias, as primeiras comunidades monásticas instituíram uma oração ao longo da madrugada, que previa vários noturnos, em que se interrompia o sono para a oração.

James Clerk Maxwell (1831 - 1879), físico e matemático escocês.
As pesquisas de Maxwell uniram eletricidade e magnetismo no conceito de campo eletromagnético. Suas ideias também abriram o caminho para a teoria da relatividade especial de Einstein e a teoria quântica.
Diz-se que, ao chegar na Universidade de Cambridge, ele foi informado de que haveria um serviço religioso obrigatório às 6 da manhã. Depois de um momento de reflexão, ele respondeu: "Como não? Acho que posso ficar acordado até tão tarde".

25 fevereiro, 2019

Um físico interessante

Quando tinha sete anos, ele tentou esfaquear um soldado espanhol com uma lança.
Aos dezoito anos, ele falou com um amigo para assassinar Napoleão. Certa vez, ele irritou tanto um arcebispo que o santo homem lhe deu um soco na cara. Ele negociou com bandidos, foram perseguidos por uma turba, saíram da prisão...
Ele é:
François Arago, o físico mais interessante do mundo!
Se você pedisse a alguém para descrever como um físico "típico" parece e age, o que aconteceria? A imagem que a maioria das pessoas pintaria não seria muito lisonjeira e estaria de acordo com estereótipos bastante negativos. Estudos têm sido feitos em que as crianças são convidadas a desenhar um cientista, e os resultados são bastante consistentes com a variedade "cientista louco". Shows como "The Big Bang Theory" na televisão tipicamente retratam os físicos como indivíduos socialmente inaptos, não atléticos, genuinamente não-mundanos, em conformidade com estereótipos com os quais eu pessoalmente tenho me familiarizado desde que eu era muito jovem.
Físicos reais, no entanto, são muito mais variados e interessantes do que a imagem popular sugere. Por exemplo, eu salto de aviões como um passatempo regular, e meus amigos e colegas têm um espectro incrivelmente diversificado de origens, personalidades e interesses.
Um físico sai dos estereótipos mais do que qualquer outro que eu tenha encontrado. Como o preâmbulo acima sugere, o físico francês François Arago (1786-1853) viveu uma vida de perigos, aventuras e intrigas, fez descobertas cruciais na ciência óptica, além de ter-se tornado um importante político de seu tempo.

Extraído de: François Arago: the most interesting physicist in the world! SKULLS IN THE STARS

16 janeiro, 2019

As brincadeiras de Feynman

Devido à natureza secreta do trabalho, o Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos, foi instalado em local remoto e controlado pelas autoridades. Richard Feynman, o físico que coordenava o grupo responsável pelo trabalho teórico e pelos cálculos sobre a bomba de hidreto de urânio, uma proposta que acabou por se revelar inviável, arranjou um modo próprio de se divertir: investigar os segredos dos armários de seus colegas de trabalho. Com isso, ele descobriu que os colegas tendiam a deixar seus armários desbloqueados, ou deixá-los com as configurações de fábrica, ou escrever as combinações onde podiam ser lidas, ou criá-las facilmente adivinháveis como datas. Em casos difíceis, Feynman tentava os números que ele achava que um físico usaria (27–18–28, que se relaciona com o valor da constante de Euler, e= 2,71828 ...). Em três armários com essa combinação nas fechaduras um colega mantinha um conjunto de anotações das pesquisas da bomba atômica. Como brincadeira, Feynman deixou uma série de anotações nos armários, o que inicialmente assustou seu colega Frederic de Hoffmann, que pensou que um espião ou sabotador tivera acesso a segredos da bomba atômica.

(https://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Feynman)

03 janeiro, 2019

Como limpar um espectógrafo

A marcha da ciência nunca avançou suavemente. Ao longo dos anos, foi marcada por episódios de drama e comédia, de fracasso e triunfo, por golpes de sorte ultrajantes, merecidos e não merecidos, e às vezes por tragédia humana. Viu amizades intelectuais profundas, bem como animosidades ferrenhas e, de vez em quando, atos de roubo e maldade, enganos e até mesmo uma fraude ou duas. Os cientistas se apresentam em todas as formas: o obsessivo e o diletante, o genial, o invejoso, o preternaturalmente brilhante e o lerdo (que, às vezes, vê mais no final), a mente aberta e o intolerante, o recluso e o arrivista.
Robert Williams Wood (2 de maio de 1868 - 11 de agosto de 1955) foi um físico experimental estadunidense. Em Researches in Physical Optics, de 1913, ele legou à posteridade o modo prático de como limpar um espectógrafo.
Espectrógrafo, para quem não está a fim de ler o artigo da Wikipédia, é o equipamento que realiza um registro fotográfico de um espectro luminoso.
Eis o sobredito legado de Wood:
"O tubo longo foi feito prendendo placas de oito polegadas, e foi pintado de preto por dentro. Alguns problemas foram causados por aranhas, que construíram suas teias em intervalos ao longo do tubo, uma dificuldade que eu superei enviando uma gatinha através dele e destruindo posteriormente as aranhas com fumaça venenosa." (How to clean a 40-foot spectrograph)
Mas esta foi a menor das façanhas dele. Em Eurekas and Euphorias, Walter Bruno Gratzer escreve que o o físico "iria alarmar os cidadãos de Baltimore cuspindo nas poças em dias úmidos, enquanto secretamente deixava cair um pedaço de sódio metálico, que explodiria em um jato de chamas amarelas".
(http://pballew.blogspot.com/2018/08/on-this-day-in-math-august-11.html#links)

07 outubro, 2018

Contas médicas

O físico norte-americano Leon Max Lederman (1922 - 2018) morreu nesta quarta-feira, 3, de complicações relacionadas a uma demência senil. Em vida, ele ganhou o Prêmio Nobel de Física, em 1982, por sua pesquisa sobre neutrinos e se tornou um autor de sucesso depois de cunhar a expressão "partícula de Deus", que ainda é usada para descrever o bóson de Higgs. Mas, ultimamente, Lederman tinha retornado às manchetes por ter vendido a medalha de seu prêmio Nobel.
Apesar de uma carreira impressionante como acadêmico, pesquisador e divulgador científico, Lederman teve de vender a medalha da premiação para pagar as contas médicas referentes ao tratamento de sua demência. Em 2015, um comprador anônimo ficou com a medalha de ouro por 765 mil dólares. Agora, os obituários lembram a vida de Leon Lederman, mas também criticam o sistema de saúde dos Estados Unidos, o único país rico que não garante atenção médica a todos os seus cidadãos.
Ler também: Uma medalha no leilão

Às vezes chamado de "Mel Brooks da física", o Dr. Lederman era conhecido por seu humor e estilo de palestra envolvente. ("Eu sou tão velho", disse ele quando ganhou o Nobel, "que me lembro de quando o Mar Morto estava apenas doente.") Ele trouxe uma faísca inovadora para a ciência a partir da Segunda Guerra Mundial, quando, como soldado, ajudou desenvolver o radar Doppler.
"Foi um golpe cruel quando fui pego em alta velocidade, anos depois, com uma arma de radar Doppler", disse o Dr. Lederman à revista Smithsonian, em 1993,"e o juiz não se importou quando eu expliquei que tinha ajudado a criar a coisa".

Ler também: A reviravolta do carma tecnológico