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18 fevereiro, 2024

Wernher von Braun

Pela primeira vez na imprensa brasileira (1969), Claudius revelou a origem do sucesso americano na conquista do espaço: Wernher - ele era alemão.
"Muito antes de tornar-se um "good old midwestern american", o menino Wernher já gostava de experiências científicas.
Adolescente, o interesse de Wernher não era segredo para ninguém. Estudioso e aplicado, certa vez quase conseguiu colocar sua mãe em órbita.
Fez tanto sucesso que um sujeito de topete e bigodinho o convidou para ajudá-lo a ganhar uma parada.
O foguete era genial. "Voa tão rápido", dizia ele, "que, a cada dez foguetes que passam, você só vê dois". E ajudaram a botar para quebrar a Velha Albion.
Acusado de genocídio, o já Dr. Braun defendeu-se, dizendo que ciência não tem nada a ver com política: "Eu faço os foguetes subirem. Onde caem não é com meu departamento".
A Velha Albion quebrou, mas ressurgiu sacudindo o resto do mundo com os Beatles e a minissaia. Quanto ao Dr. Braun, logo que acabou aquela parada, recebeu um convite para ir aos Esteites.
Chegou e foi logo falando em foguetes. Os nossos amigos americanos são tarados por novidade e aceitaram o tal símbolo fálico.
Americano é fogo, quando se decide é para valer! Botaram à disposição de Braun laboratórios, equipes e verbas votadas pelo Congresso.
E foi assim que, 20 bilhões de dólares mais tarde, o homem chegou à Lua."
(transfiguração do texto pelo controlador do Blog EntreMentes)

03 abril, 2021

Destruidora de mundos

Sabíamos que o mundo não seria o mesmo. Algumas pessoas riram, outras choraram, muitas ficaram em silêncio. Lembro-me de um verso do texto hindu Bhagavad-Gita. Vishnu está tentando convencer o príncipe a cumprir seu dever e, para impressioná-lo, ele assume sua forma com vários braços e diz: "Agora, eu me tornei a morte, a destruidora de mundos". Acho que todos pensamos assim, de um jeito ou de outro. 
 Robert Oppnheimer, membro do Projeto Manhattan, sobre a primeira explosão nuclear em Trinity 

Trinity, o local do primeiro teste atômico nos Estados Unidos, pode ser visitado no primeiro sábado de abril e no primeiro sábado de outubro. O nível de radiação ainda é dez vezes maior que a radioatividade natural da área.

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2008 A bomba


23 março, 2021

A energia que não somos eficazes em liberar. Felizmente

"Nos termos mais simples, o que a equação E = mc2 diz é que massa e energia possuem um equivalência. São duas formas da mesma coisa: energia é matéria liberada; matéria é energia esperando acontecer. Como c2 (a velocidade da luz vezes ela mesma) é um número realmente enorme, o que a equação está dizendo é que existe uma quantidade gigantesca - uma quantidade descomunal - de energia encerrada em cada objeto material.

Você pode não se sentir um sujeito fortão, mas caso seja um adulto de tamanho normal, conterá dentro de seu corpo modesto nada menos que 7 x 1018 joules de energia potencial - suficientes para explodir com a força de trinta bombas de hidrogênio grandes, supondo que você saiba como liberá-los e tenha vocação para homem-bomba

Tudo no mundo encerra esse tipo de energia. Só não somos muito eficazes em liberá-la. Mesmo uma bomba de urânio - o artefato mais energético já produzido - libera menos que 1% da energia que poderia liberar se fõssemos mais espertos."

Bryson, Bill. Breve história de quase tudo. Companhia das Letras, 2005. p. 132


12 maio, 2020

Não é meu problema

Uma vez eu perguntei a um técnico em eliminação de explosivos sobre o estresse de desativar uma bomba.
Ele deu de ombros e respondeu:
"Nenhum. Ou estou fazendo certo  ou, de repente, não é mais um problema meu. Tento ver a coisa sob esta perspectiva."

Em inglês, o caminho da paz interior começa com três palavras: NOT MY MONKEYS.

¯\_(' ! ')_/¯
(este é Shrug que só sabe dar de ombros)

Shrug na vida real :1 e 2

16 janeiro, 2019

As brincadeiras de Feynman

Devido à natureza secreta do trabalho, o Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos, foi instalado em local remoto e controlado pelas autoridades. Richard Feynman, o físico que coordenava o grupo responsável pelo trabalho teórico e pelos cálculos sobre a bomba de hidreto de urânio, uma proposta que acabou por se revelar inviável, arranjou um modo próprio de se divertir: investigar os segredos dos armários de seus colegas de trabalho. Com isso, ele descobriu que os colegas tendiam a deixar seus armários desbloqueados, ou deixá-los com as configurações de fábrica, ou escrever as combinações onde podiam ser lidas, ou criá-las facilmente adivinháveis como datas. Em casos difíceis, Feynman tentava os números que ele achava que um físico usaria (27–18–28, que se relaciona com o valor da constante de Euler, e= 2,71828 ...). Em três armários com essa combinação nas fechaduras um colega mantinha um conjunto de anotações das pesquisas da bomba atômica. Como brincadeira, Feynman deixou uma série de anotações nos armários, o que inicialmente assustou seu colega Frederic de Hoffmann, que pensou que um espião ou sabotador tivera acesso a segredos da bomba atômica.

(https://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Feynman)

12 março, 2018

Falando de probabilidade

Há a história do estatístico que disse que nunca viajava de avião a um amigo. Quando perguntado o motivo, ele respondeu que calculou a probabilidade de haver uma bomba no avião e que, embora a probabilidade fosse baixa, era ainda muito alta para ele se sentir seguro.
Uma semana depois, o amigo o encontrou em um avião e então perguntou por que ele havia mudado de ideia. Ele respondeu: "Não mudei. É que eu também calculei a probabilidade de haver simultaneamente duas bombas no avião. Como esta probabilidade é mais baixa, então eu já viajo transportando minha própria bomba.

— Raymond Smullyan, A Mixed Bag, 2016

02 agosto, 2017

Churchill e a Bomba

Winston Churchill era muito interessado em ciência e, muitas vezes, escrevia para leigos sobre assuntos científicos. Em 1933, ele presidiu uma conferência sobre as descobertas atômicas no Laboratório Cavendish, em Cambridge. Nesta ocasião, seu amigo e cientista Frederick Lindemann, disse a seu respeito:
"Todas as qualidades ... do cientista se manifestam nele. A prontidão para enfrentar as realidades, embora contradigam uma hipótese favorita, o reconhecimento de que as teorias são feitas para os fatos (não os fatos para atender às teorias), o interesse pelos fenômenos e o desejo de explorá-los, e acima de tudo a convicção subjacente de que o mundo não é apenas um mistério de acontecimentos, mas que deve haver alguma unidade maior."
Graham Farmelo, "Churchill's Bomb"

Talvez nenhum desenvolvimento científico tenha moldado o curso da história moderna tanto quanto o aproveitamento da energia nuclear. No entanto, o século XX poderia ter-se revelado de forma diferente se a maior influência sobre esta tecnologia tivesse sido exercida pela Grã-Bretanha, cujos cientistas estavam na vanguarda da investigação sobre armas nucleares no início da Segunda Guerra Mundial. Como o biógrafo premiado e escritor de ciência Graham Farmelo descreve em Churchill's Bomb que os britânicos se propuseram a investigar a possibilidade de construir armas nucleares antes de seus colegas americanos. Mas, quando os cientistas britânicos descobriram pela primeira vez uma maneira de construir uma bomba atômica, o primeiro-ministro Winston Churchill não tirou o partido da liderança do seu país e demorou a perceber as implicações estratégicas da bomba. Isso era estranho - ele se orgulhava de reconhecer o potencial militar da nova ciência e, nas décadas de 1920 e 1930, havia repetidamente aventado que as armas nucleares provavelmente seriam desenvolvidas em breve. No desenvolvimento da bomba, entretanto, marginalizou alguns dos cientistas mais brilhantes de seu país, escolhendo confiar principalmente no conselho de seu amigo Frederick Lindemann, um físico de Oxford com o discernimento por vezes incorrigível. Churchill também não conseguiu aproveitar a oferta de Franklin Roosevelt para trabalhar em conjunto no projeto da bomba atômica e, em última instância, cedeu a iniciativa da Grã-Bretanha aos americanos, cujo desenvolvimento bem-sucedido desse projeto colocou os Estados Unidos em uma posição de vantagem no alvorecer da era nuclear. Depois da guerra, o presidente Truman e seu governo recusaram-se a reconhecer um acordo secreto de cooperação forjado por Churchill e Roosevelt e deixaram a Grã-Bretanha fazer seu próprio caminho de desenvolvimento nuclear. Aterrorizado com a possibilidade de uma guerra termonuclear, Churchill emergiu como pioneiro da distensão nos primeiros estágios da Guerra Fria.

A BOMBA
Só músculos, a bomba é capaz de não deixar uma xicrinha sobre pires nesta loja de louças chamada Terra. (Paulo Gurgel)

08 abril, 2015

Dissecando a bomba atômica

The Visible Atomic Bomb, de Alex Wellerstein, mostra a dissecção de uma bomba atômica.
(Onde comprar seus componentes pesquise no Google e onde tirar as dúvidas que surgem durante a montagem, no Yahoo! Respostas.)


Não estranhem que algo tão complexo e destrutivo seja essencialmente algo tão "simples": um pouco de explosivo convencional (TNT) que dispara para dentro, comprimindo um pequeno núcleo de material físsil de plutônio ou urânio, o qual, esmagado por uma onda de choque, logo começa uma reação em cadeia que é a explosão atômica.
É como colocar Dr. Robert Bruce Banner num vagão lotado de um trem, sabendo que o maquinista tem o pé pesado para frear.

Ler no Preblog: A BOMBA

29 setembro, 2014

O embrião da destruição

O site I fucking love science compartilhou originalmente esta fotografia que foi captada por uma câmera eletrônica especial, durante um teste nuclear realizado em Nevada, EUA, em 1952.
Um milésimo de segundo depois que a bomba explodiu, esta bola de fogo de 20 metros apareceu no ar com pontas que se parecem com dentes podres ou estalactites de fogo.


E não bastasse a dor, a morte, os danos materiais, a metuenda, a ferotriste é capaz de muitos estragos mais. A bomba, PGCS

03 junho, 2014

Não que ninguém perguntou

Tradução - Não que ninguém perguntou, mas uma bomba tradicional não é nada mais é do que uma concentração explosiva de substâncias químicas instáveis.


Não que ninguém perguntou, mas a maioria delas tem uma fórmula química para lá de bombástica.

05 janeiro, 2013

Amor e bomba

Sua imagem passou a simbolizar o estranho affaire do amor com a bomba (atômica), na década de 1950.
A famosa fotografia da modelo sorridente em um traje de banho, tipo nuvem de cogumelo, e com os braços estendidos para o céu, continua a ser um poderoso lembrete de como o apelo sexual e a energia atômica eram inseparáveis ​​ingredientes da Guerra Fria.
O que aconteceu com Miss Atomic Bomb?

Adianto: a "nuvem" foi fabricada com algodão colado em papelão. Ver os demais resultados da investigação a respeito da Srta. Lee Merlin (o nome da modelo), aqui.

Ler também: A BOMBA

14 janeiro, 2010

O homem que desafiou a bomba

Morreu em 04/01/10, o japonês Yamaguchi Tsutomu, reconhecido como sobrevivente dos dois bombardeios atômicos sofridos pelo japão, ao fim da II Guerra Mundial.
Na manhã de 6 de agosto de 1945, Yamaguchi se encontrava a negócios em Hiroshima, quando a cidade sofreu o bombardeio atômico. Com os tímpanos rotos, cegueira temporária e graves queimaduras pelo corpo, ele passou a noite em um abrigo antiaéreo local e, no dia seguinte, voltou para Nagasaki, a cidade onde morava, em busca de algum tratamento.
Três dias após, Nagasaki sofreu o seu bombardeio atômico. E Yamaguchi estava lá, sobrevivendo novamente.
Considerado um hibakusha (sobrevivente da radiação) pelo governo de seu país, o japonês recebeu cuidados médicos e compensações financeiras ao longo de sua vida. Desfrutou de uma regular saúde e somente veio a falecer aos 93 anos de idade por câncer de estômago.
Era um intransigente defensor do desarmamento nuclear.

23 maio, 2008

A bomba

Isto aqui é Drummond: "A bomba / não sabe quando, onde e porque vai explodir, mas preliba o instante inefável." É, prelibar pode. Mas que nunca dêem à bomba as coordenadas da explosão, acrescento eu. Que ela continue sendo a mesma besta de sempre, sem saber quando, onde e porquê. Mas, para tanto, é preciso não bestar o bicho-homem. Nunca apertar o botão do disparo. Só músculos, a bomba é capaz de não deixar uma xicrinha sobre pires nesta loja de louças chamada Terra.
Melhor ainda é que ela vá à Lua, assovie... mas não volte. O leitor não queira assistir na Terra a um espetáculo (bomba!), que lhe pode custar muito. As meninges assadas. E não bastassem a dor, a morte, os danos materiais, a metuenda, a ferotriste é capaz de muito estrago mais. A subversão da onomatopéia, por exemplo. Os sobreviventes da catástrofe atômica ver-se-ão afligidos, no após-bomba, pela total desorganização da onomatopéia. E isto não promete ser pouca coisa, senão ouçamos:
Por afetado no maquinismo do tempo, o relógio nos acordará a desoras com um persuasivo cocoricó. E se ainda houver galos e quintais, os primeiros subirão aos alambrados dos segundos, e tilintarão anunciando o Sol. Mas que Sol, meu Deus? Se a Terra toda estará num tenebroso inverno nuclear, com as chuvas caindo por todas as partes. Sim, as chuvas caindo fazendo frufru, para a alegria das rãs que estarão zunindo nos charcos. Pobres batráquios, não vãos ignorar as terríveis serpes ribombantes, seus inimigos naturais.

Complete a leitura da crônica no Preblog.