27 janeiro, 2026

Caiu a ficha

Esta expressão continua presente, mas a sua origem nos transporta ao passado.
Quando a arquiteta Chu Ming Silveira projetou, em 1971, um novo tipo de telefone público que fosse apropriado a um país dos trópicos. Durável, porém leve e barato de fabricar, instalar e manter, e que logo foi apelidada de orelhão (em alusão à forma de uma grande orelha).
Precisava de fichas para fazer uma ligação. Mas, em 1992, as tais fichas foram substituídas por cartões.
No auge de sua utilização, havia 1,5 milhão desses aparelhos nas ruas e praças do Brasil.
E fizeram muito sucesso em quadros de humor da televisão brasileira.
Na década de 1980, com o "Zé da Galera" e o "Paquera da Jupira", personagens de Jô Soares no programa humorístico "Viva o Gordo"; e também com o comediante Aloísio Ferreira Gomes, o "Canarinho", destaque do programa "A Praça É Nossa", que usava o telefone público próximo de outras pessoas, falando alto e provocando grandes confusões.
No cinema nacional, os orelhões foram muito utilizados como peças do "mobiliário urbano". Como em "O Agente Secreto" (de 2025), em que foi preciso recriar uma Recife dos anos 1970s para as locações do filme.


Este mês de janeiro marca o início da despedida de nossos confidentes de fibra de vidro. Em povoados onde a cobertura da internet é insatisfatória, apenas 9 mil orelhões sobreviverão até 2028.
Não vai sobrar lugar para eles em um país que se comunica por 270 milhões de telefones celulares.
A ficha caiu para sempre, mas a conexão com a história será eterna.

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