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23 setembro, 2024

A máquina de escrever de quatorze toneladas

Em 1915, na Exposição Internacional Pan Pacific, em São Francisco, a Underwood Typewriter Company apresentou uma enorme máquina de escrever de quatorze toneladas. Com quase seis metros e meio de largura e quase cinco metros e meio de altura, esta Underwood tornou-se um prodígio da engenharia, um feito inesquecível na história das máquinas de escrever. Não é de surpreender que os planos para construir a máquina levaram um ano para serem desenvolvidos, e mais um ano se passou até que ela fosse construída.
As pessoas fotografadas na exposição parecem liliputianas ao lado da imensa engenhoca.


Eram necessários um papel medindo três metros por três metros e meio e uma fita de trinta metros de comprimento para escrever uma mensagem para os espectadores. E, de acordo com a revista Printer's Ink, a máquina funcionava com a energia gerada por três motores de um único cavalo.
O destino dessa máquina de escrever é incerto. Parece que, durante a Segunda Guerra Mundial, a Unverwood foi vendido como sucata ao Exército dos Estados Unidos, embora não haja nenhuma evidência confiável para provar isso. De forma que o destino final deste colosso da engenharia, que se tornou parte da cultura popular, permanece, até hoje, um mistério.

Extraído de: https://lapiedradesisifo.com/2023/05/18/que-fue-de-la-maquina-de-escribir-de-catorce-toneladas/

22 março, 2023

A máquina de escrever. Uma invenção brasileira

A máquina que o padre Francisco João de Azevedo inventou foi feita em jacarandá. Ele utilizou-se apenas de canivete e lixa para construí-la.
Equipado com 14 teclas, contudo lembrava um piano.

Estampa da "machina tachigraphica" (1) inventada pelo padre Francisco João de Azevedo, publicada no livro Recordações da Exposição Nacional (1862). 

Cada tecla movimentava uma haste comprida com uma letra na ponta. A máquina permitia datilografar as letras do alfabeto e os sinais ortográficos. Um pedal era utilizado para trocar de linha.
Esse invento foi exibido na Exposição Agrícola e Industrial de Pernambuco de 1861, onde foi premiado com a medalha de ouro, na presença do Imperador Pedro Segundo.
Francisco João de Azevedo morreu em 1880 sem completar o sonho de patentear a máquina.O corpo foi enterrado no cemitério de João Pessoa.
De acordo com o biógrafo Ataliba Nogueira, no livro "A máquina de escrever. Uma invenção brasileira", publicado em 1934, o projeto de Francisco João foi roubado por um agente de negócios norte-americano, o qual teria passado os desenhos ao tipógrafo Christopher Lathan Sholes, (2) também norte-americano, que aperfeiçoou o invento e foi reconhecido como o inventor da máquina de datilografia.
Notas
(1) A página da Wikipédia sobre Francisco João diz que ele inventou a "máquina taquigráfica".
(2) Sholes criou o teclado QWERTY, ainda em uso.

O Brasil também tem sua lista de padres-cientistas

05 setembro, 2016

Um dramaturgo à procura de um datilógrafo

Nesta fotomontagem feita pela agência Mondadori Portfolio, o dramaturgo italiano Luigi Pirandello(1867 - 1936), autor de Seis personagens à procura de um autor, dita um texto para si mesmo datilografar em uma máquina de escrever Underwood portátil.
Cada um a seu modo.
Pirandello encontrou o profissional que procurava. Assim é se lhe parece.

http://jornalggn.com.br/noticia/26-escritores-e-suas-maquinas-de-escrever

Os grifos da nota acima referem-se a títulos de peças de Pirandello.



25 dezembro, 2014

Crianças reagem a máquinas de escrever

Um interessante vídeo de desatualização tecnológica que mostra como crianças de 6 a 13 anos reagem ao serem apresentadas a máquinas de escrever:



Catando milho
Acreditem, crianças, eu já fui bom nisso. (1) (2) (3)

30 novembro, 2014

Talvez um pouco retrô

É o iTypeWriter - uma máquina de escrever para tablets.
Traz de volta antigas recordações para aqueles que, atualmente no tablet, já foram em seu passado usuários das máquinas de escrever.

Aqui temos um passado
Fitas de máquina - 1
Fitas de máquina - 2
♪O datilógrafo♪
De salto alto
A máquina de escrever dos Trapalhões
Desenhando com o teclado
Caro Tom Hanks
Não é uma andorinha só
O sonho de Asimov

02 setembro, 2014

Não é uma andorinha só

O artista Jeremy Meyer montou esta "andorinha" a partir de velhas máquinas de escrever. É assim que ele costuma criar suas esculturas.


Posts no Boing Boing sobre os trabalhos dele.

07 agosto, 2014

Quando o assunto era confidencial

No fim do século XX, tornou-se rara a utilização das máquinas de escrever na maioria das empresas e mesmo no uso doméstico, por sua progressiva substituição pelos computadores, que, com processadores de texto e impressoras, possibilitavam efetuar o mesmo trabalho, de modo mais eficiente e mais veloz.
A última fábrica que produzia máquinas de escrever, a Godrej and Boyce, em Bombaim, Índia, encerrou sua produção em 2011, depois de ter vendido menos de mil unidades no último ano de sua existência.
Definitivamente, os exemplares que ainda existem dessas máquinas de escrever, também chamadas máquinas de datilografia, tornaram-se peças de museus e de colecionadores. CARO TOM HANKS
Nesta foto meio vintage de Frederick Nelson Jones, o leitor testemunha o chefe de uma empresa no momento em que ele ditava uma correspondência para a secretária. Quando o assunto era confidencial, ela datilografava com os olhos vendados – era a norma da época.


Quando o assunto era relevante

12 maio, 2013

Caro Tom Hanks

Nós temos uma máquina de escrever para você...
Tom Hanks ama as máquinas de escrever. Ele as aprecia tanto que já postou fotos de dezenas delas no Twitter e no Facebook, por meio de sua conta WhoSay. Ele também fez vídeos de si mesmo teclando uma Smith Corona 1940 na sede da CNN; na frente do Wrigley Field, em Chicago; em um hotel próximo ao Portão de Brandemburgo, em Berlim; em frente à Torre Eiffel, em Paris, e na Ponte de Westminster, em Londres. Hanks mostra parte de sua coleção - mais de 150 máquinas de escrever do século 20 - em sua conta Playtone. De acordo com a revista Country Living, ele mantém um telefone exclusivo para se informar sobre elas e também usa suas máquinas de escrever para escrever notas para os amigos. Collectors Weekly, por sua vez, pediu a seus colaboradores que ajudassem a descobrir qual seria a melhor máquina de escrever para subornar Tom Hanks.
Eu, por exemplo, pretendo suborná-lo com a minha intimorata Remington portátil.

Reclame (1927)

A máquina de escrever (no século 21)
Se a máquina de escrever não tivesse existido... a profissão de quem a conserta não existiria, alguém não teria feito este vídeo e você, provavelmente, não iria gastar os seus próximos minutos em vê-lo.



Temos um passado
Fitas de máquina -1, Fitas de máquina - 2, A máquina de escrever dos Trapalhões, A máquina de escrever. Slideshow, A máquina de escrever de Giuseppe Ghiaroni, Dr. Carta Pácio e suas meias palavras, A arte datilográfica de Paul Smith e Desenhando com o teclado

09 novembro, 2011

A máquina de escrever. Slideshow

Coube a um brasileiro, o padre João Francisco de Azevedo, a invenção da máquina de escrever. Idealizado e construído à mão por ele, este invento figurou na Exposição Agrícola e Industrial de Pernambuco, em 1861.
Registro o fato porque muitos ignoram quem foi o seu inventor e - mais ainda - que ele era brasileiro. Padre Azevedo, apesar de festejado em sua época pelo que fez, nenhum lucro material veio a auferir com o invento.

18 junho, 2011

De salto alto


Uma curiosidade mostrada nas páginas da Popular Science, de novembro de 1937.
Esta máquina de escrever, tamanho gigante, que realmente funcionava.
Observando-se a imagem, conclui-se que...

...  o chefe tinha que ditar o memorando, letra por letra, enquanto a secretária o "datilografava" com os pés.

Avalie o impacto de um "memo" desses, tamanho gigante, quando chegava ao setor de destino. PGCS

24 outubro, 2010

♪O Datilógrafo♪

O percusionista austríaco Martin Breinschmid executa "Typewriter" acompanhado pela Strauß Festival Orchestra Vienna.
Breinschmid faz da máquina de escrever um instrumento musical e, durante suas apresentações, dispensa o uso do líquido corretor. Nelson Cunha, que me indicou o vídeo, deve ter observado esse detalhe.


Ver também: Jerry Lewis Typewriter.

15 março, 2008

Fitas de máquina - 2

Crônica escrita em 1991 (também publicada no Preblog)

Coube a um brasileiro, o padre João Francisco de Azevedo, a invenção da máquina de escrever. Idealizado e construído à mão por ele, este invento figurou na "Exposição Agrícola e Industrial de Pernambuco", em 1861. Registro o fato porque muitos ignoram quem é o inventor e - mais ainda - que ele é brasileiro. Padre Azevedo, apesar de festejado em sua época pelo que fez, nenhum lucro material veio a auferir com o invento.
E a gente logo associa a máquina de escrever ao piano. Pois, como o instrumento musical, a máquina através de suas teclas produz uma espécie de música. Tlec, tlec, tlec... Só que bastante monótona a musiquinha, não acham? Uma tecla que aperto tem o som parecido com o da seguinte, assim por diante.... Máquina de escrever versus piano, eita comparação gasta e antiga!
Na época de sua invenção, eis como a "Revista Ilustrada" descrevia a máquina do Padre João Francisco de Azevedo:
"O sistema geral é quase idêntico ao dos pianos, isto é, por meio de um teclado, convenientemente adaptado, consegue-se transmitir ao papel os caracteres correspondentes, formando palavras, linhas, parágrafos, enfim, a escrita regular de uma ou mais páginas. O teclado está disposto em quatro pequenas carreiras, tendo cada tecla a indicação de uma letra; assim pois, tocando-se uma tecla, a letra correspondente vai imprimir-se num papel que envolve e desliza por um rolo no cimo do aparelho. Para a separação das palavras, basta tocar em uma pequena régua colocada ao fundo do teclado."
É... a máquina de escrever nem de longe tem os recursos do piano, instrumento que sola e harmoniza. Em compensação, ganha dele em materialidade. Pois, enquanto vou tlec-tlec-tlec solando, vou também com ela criando a própria "partitura".
Não fora assim, e pedindo vênia à minha "Olivetti" pelo que vou dizer, melhor seria compará-la a uma concertina de botão (PGCS).

14 março, 2008

Fitas de máquina - 1

Crônica escrita em 1991 (também publicada no Preblog)

Não digo inseparável que é exagero, mas uma assídua companheira tem sido nos últimos anos a minha máquina de escrever. Pondo as palavras no papel, já tem conferido existência a contos, crônicas, clecs e poemas que, de outro modo, não fora ela, acabariam por certo caindo na vala do esquecimento. E, por isso, sou-lhe grato. Externando essa gratidão, via certas decisões inequívocas: não levar trabalho (literário) para o trabalho, não deixar a gravata enganchar no rolo da máquina, não aderir ao computador com impressora etc.
O fato é que comigo se passa o seguinte. Achar que um texto recém-concluído, desvirginando a brancura do papel, por si já se constitui um antegozo. Sim, porque o gozo propriamente dito dar-se-á apenas por ocasião da publicação. Ah, que bom se houvesse nesses casos a ejaculação precoce... Não ficando o autor à espera de uma publicação que tarda e, às vezes, nem sequer acontece.
Eis no que divirjo da poeta norte-americana Emily Dickinson: a publicação é parte necessária do destino de um escritor.
Mas, falando ainda da companheira, ela não é de ter muitas exigências. Quando apresenta algum defeito, disso se encarrega o especialista. No dia seguinte, lá estou eu com a máquina como se nada houvesse acontecido. Todo irrequieto, debruçado sobre ela, a escrever mil caracteres por hora. Esperem aí: mil é muito? é pouco? Não faço a menor idéia do que representa essa vazão datilográfica. Oscar Wilde se deu por satisfeito porque, ao longo de uma manhã, escreveu uma vírgula e, à tarde, a desescreveu.
Bem, nesse meu afã, somente uma coisa poderá me interromper. Haver chegado a hora de trocar a fita.
Meu Deus, como detesto o servicinho sujo! E fico a adiar o momento em que vou fazê-lo, mesmo sabendo que é apenas uma questão de tempo. Bater forte nas teclas ajuda um pouco, até certo ponto. Mas... quando a gente vai, descobre que tem de teclar duas, três vezes cada letra para que ela saia no papel, aí não dá mais. É fazer hoje o que devia ter sido feito ontem, anteontem... Meio parecido, aliás, com o que também acontece a meu violão. Apenas quando a pátina (gostaram?) já recobre as suas cordas, abafando-lhe o som, é que encordoamento novo ele recebe.
Máquina de escrever com fita nova está tudo resolvido. Não, não está. Por vezes, a fita substituta é tão ruim de tinta, que tudo continua como dantes. Com as letras sendo "anemicamente" impressas no papel, para desespero de quem, depois de tanta relutância, é que se abalançado havia a substituir a fita. Até que, consumidor logrado, sabem qual foi uma vez a minha reação? Escrever no ato um candente protesto ao fabricante - e com a fita de carregação ainda na máquina, esse o meu azar!... Porque o fabricante, obviamente, deve ter recebido a minha carta de reclamação... em branco.
E ficou o escrito pelo não escrito (PGCS).