"E, se calhar, acrescento agora eu: há quem tenha medo que o medo acabe." (MC)
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16 junho, 2024
Murar o medo, por Mia Couto
"E, se calhar, acrescento agora eu: há quem tenha medo que o medo acabe." (MC)
20 janeiro, 2023
Vamos morrer
Vamos morrer, mas somos sensatos,
e à noite, debaixo da cama,
deixamos, simétricos e exatos,
o medo e os sapatos.
(Pedro Mexia, in "Senhor Fantasma", Oceanos, 2007)
Escolheu ser Pedro Mexia, o sobrenome da mãe, uma professora universitária. Não quis ser Pedro Chorão, filho do escritor e ex-diretor da editora Verbo, João Bigotte Chorão.
21 setembro, 2020
Escala do Medo
Cemitério: 0
Solidão: 1
Montanha-russa: 2
Elevador: 3
Cão: 4
Cão no elevador: 5
Avião: 6
Raio: 7
Pandemia: 8
Milícia: 9
Ditadura: 10
Outras escalas
para terremotos e furacões (de Richter e de Saffir-Simpson) | de rigidez da ereção | visual dos rostinhos | para asteroides (de Turim) | de dor das picadas (de Schmidt) | de picância das pimentas (de Scoville) | de dor ampliada
Solidão: 1
Montanha-russa: 2
Elevador: 3
Cão: 4
Cão no elevador: 5
Avião: 6
Raio: 7
Pandemia: 8
Milícia: 9
Ditadura: 10
Outras escalas
para terremotos e furacões (de Richter e de Saffir-Simpson) | de rigidez da ereção | visual dos rostinhos | para asteroides (de Turim) | de dor das picadas (de Schmidt) | de picância das pimentas (de Scoville) | de dor ampliada
15 setembro, 2020
01 setembro, 2017
Congresso Internacional do Medo
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
O poema "Congresso Internacional do Medo" foi publicado num momento muito difícil para o mundo: 1940. A Segunda Guerra Mundial tinha começado em 1º de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pelo exército alemão.
Frase do dia
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia. ~ Chico Buarque, em As Caravanas.
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade
O poema "Congresso Internacional do Medo" foi publicado num momento muito difícil para o mundo: 1940. A Segunda Guerra Mundial tinha começado em 1º de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pelo exército alemão.
Frase do dia
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia. ~ Chico Buarque, em As Caravanas.
05 novembro, 2016
"O Medo à Liberdade"
![]() |
| Imagem: veio daqui |
Ali, vemos a necessidade de submissão do ser humano às forças do mercado e à força divina, respectivamente, porque se sente impotente e insignificante diante de sua própria existência como indivíduo.
É o mesmo ser humano do ano de 2016 no Brasil.
Impotente e insignificante para usufruir de sua "liberdade" econômica e social, ele tem extrema necessidade de líderes que lhes dê segurança e os carregue no colo como uma criança abandonada.
É o ser humano que precisa de ditadores, precisa da força militar, precisa de grupos violentos, precisa de grupos religiosos para crer que, assim, conquistará um pouco da "liberdade" com que tanto sonha. Mas que apenas lhes mostra algemas, submissão e cassetetes no lombo, aprofundando sua sensação de impotência e insignificância.
Fernando Gurgel
30 setembro, 2015
A Operação Fantasia
Em 1943, procurando usar a guerra psicológica em seus esforços de guerra contra os japoneses, o US Office of Strategic Services apelou para um plano estranho. Observando que os xintoístas "viam" a imagem de uma raposa iluminada como um prenúncio de tempos difíceis, os especialistas da agência sugeriram que "em condições extremamente difíceis", os japoneses "seriam prejudicados, pelo que pode considerar um mau presságio" e sucumbirem ao "medo, terror e desespero".
Como é que se faz uma raposa brilhar?
Começaram por experimentar balões em forma de raposa cobertos com tinta luminosa e presos por linha de pesca. Mas, até o final de 1944, eles arquivaram essa ideia. E passaram a pulverizar raposas ao vivo com tinta luminosa para soltá-las nos campos de combate, chamando isso de "ferramenta psicológica mais potente da América contra os japoneses".
A operação teria início com a distribuição de panfletos de aviso de mal próximo falsamente produzidos por adivinhos japoneses. Estes (os panfletos) seriam jogadas do ar e também seriam espalhados por agentes de campo que usariam apitos especiais de junco para imitar gritos de raposas. Usariam ainda pastas e pós para simular odores de raposa. Completando a farsa, o OSS também recrutou colaboradores japoneses que sabiam simular "pessoas possuídas pelo espírito da raposa".
Para testar o plano, a agência liberou 30 raposas no Central Park, "pintadas com um produto químico radiante que brilhava no escuro". De acordo com um relatório, os cidadãos horrorizados com a visão repentina dos animais fantasmagóricos, fugiram dos recessos sombrios do parque com os "jeemies" gritando.
Animados com estes resultados, os estrategistas do OSS definiram sobre a possível aquisição de raposas da China e da Austrália, em antecipação a uma invasão aliada do Japão. Só a inesperada conclusão da guerra, com o lançamento da bomba atômica, impediu essa operação de ir em frente.
"Ainda assim, o desenvolvimento dessa ideia demonstra como os americanos durante a guerra percebiam a psicologia de seu inimigo asiático de uma forma muito diferente da psicologia de seus inimigos na Europa", escreve Robert Kodosky, em Psychological Operations American Style (2007).
A superação do medo
The Scaredy Swan: um curta-metragem de animação com a história de um cisne que tinha medo da água.
Como é que se faz uma raposa brilhar?
Começaram por experimentar balões em forma de raposa cobertos com tinta luminosa e presos por linha de pesca. Mas, até o final de 1944, eles arquivaram essa ideia. E passaram a pulverizar raposas ao vivo com tinta luminosa para soltá-las nos campos de combate, chamando isso de "ferramenta psicológica mais potente da América contra os japoneses".
A operação teria início com a distribuição de panfletos de aviso de mal próximo falsamente produzidos por adivinhos japoneses. Estes (os panfletos) seriam jogadas do ar e também seriam espalhados por agentes de campo que usariam apitos especiais de junco para imitar gritos de raposas. Usariam ainda pastas e pós para simular odores de raposa. Completando a farsa, o OSS também recrutou colaboradores japoneses que sabiam simular "pessoas possuídas pelo espírito da raposa".
Para testar o plano, a agência liberou 30 raposas no Central Park, "pintadas com um produto químico radiante que brilhava no escuro". De acordo com um relatório, os cidadãos horrorizados com a visão repentina dos animais fantasmagóricos, fugiram dos recessos sombrios do parque com os "jeemies" gritando.
Animados com estes resultados, os estrategistas do OSS definiram sobre a possível aquisição de raposas da China e da Austrália, em antecipação a uma invasão aliada do Japão. Só a inesperada conclusão da guerra, com o lançamento da bomba atômica, impediu essa operação de ir em frente.
"Ainda assim, o desenvolvimento dessa ideia demonstra como os americanos durante a guerra percebiam a psicologia de seu inimigo asiático de uma forma muito diferente da psicologia de seus inimigos na Europa", escreve Robert Kodosky, em Psychological Operations American Style (2007).
A superação do medo
The Scaredy Swan: um curta-metragem de animação com a história de um cisne que tinha medo da água.
13 fevereiro, 2012
Comemorar o medo
Mia Couto
O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas aprendi a temer monstros, fantasmas e demônios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem. Os anjos atuavam como uma espécie de agentes de segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinaram a temer os desconhecidos.Na realidade a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada, não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambiente que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território.
O medo foi afinal o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.
No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional. Os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes à nossa porta, os ditos terroristas são hoje governantes respeitáveis e Carl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência.
O preço dessa construção de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no poder alguns dos ditadores mais sanguinários de toda a história e, a mais grave dessa longa herança de intervenção externa, é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.
A guerra fria esfriou, mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo a oriente e a ocidente e, por que se trata de entidades demoníacas, não bastam os seculares meios de governação, precisamos de intervenção com legitimidade divina. O que era ideologia passou a ser crença. O que era política tornou-se religião. O que era religião passou a ser estratégia de poder.
Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: Para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentarmos as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania.
Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho poderia começar, por exemplo, pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e de outro lado, aprendemos a chamar de “eles”. Aos adversários políticos e militares juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade, imprevisível. Vivemos como cidadãos e como espécie em permanente situação de emergência.
Como em qualquer outro estado de sítio as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa. Todas essas restrições servem para que não sejam feitas perguntas, como por exemplo, estas:
Por que motivo a crise financeira não atingiu a indústria do armamento?
Por que motivo se gastou, apenas no ano passado, um trilhão e meio de dólares em armamento militar?
Por que razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadafi?
Por que motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça?
Se queremos resolver e não apenas discutir a segurança mundial, teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Há uma arma de destruição maciça que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que seja preciso o pretexto da guerra, essa arma chama-se fome! Em pleno século XXI, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fração muito pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo. Mencionarei ainda uma outra silenciada violência. Em todo o mundo uma em cada três mulheres, foi ou será, vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida. É verdade que sobre uma grande parte do nosso planeta pesa uma condenação antecipada pelo fato simples de serem mulheres.
A nossa indignação, porém é bem menor que o medo! Sem darmos conta fomos convertidos em soldados de um exército sem nome e, como militares sem farda, deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e discutir razões. As questões de ética são esquecidas, porque está provada a barbaridade dos outros e, porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência, nem de ética nem de legalidade. É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha, a Grande Muralha, que foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente morreram mais chineses construindo a muralha do que vítimas das invasões que realmente aconteceram. Diz-se que alguns trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção.
Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora do quanto o medo nos pode aprisionar. Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos, mas não há hoje no mundo um muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas vivemos todos nós, do sul e do norte, do ocidente e do oriente. Citarei Eduardo Galeano acerca disto, que é o medo global, e dizer: Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho; quando não têm medo da fome têm medo da comida; os civis têm medo dos militares; os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras e, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.
Muito obrigado!
Mia Couto é um escritor moçambicano. Dizendo-se incapaz de falar improvisadamente, ele leu esta instigante mensagem (a mim repassada pela amiga/colega Sonia Lôbo), reproduzida aqui integralmente, a qual foi o depoimento mais aplaudido de um dos painéis de "Conferências do Estoril, 2011".
24 janeiro, 2012
VADA A BORDO, CAZZO!
"Volte para bordo. Isto é uma ordem. Não há nada mais para você considerar. Parece que você abandonou o barco. Eu estou dando as ordens agora. Volte para bordo. Está claro? Volte para o navio, caralho!" (Capitão Gregorio de Falco, da guarda costeira italiana, ao Capitão Schettino, comandante do navio Costa Concordia)
O grito do comandante da Capitania dos Portos italiana, no caso do naufrágio do navio Costa Concordia, é um brado para todos nós, medrosos de plantão, retomarmos nossas vidas, colocando o leme novamente em nossas mãos.
O medo talvez seja um dos principais mecanismos de defesa do ser humano desde os primórdios dos primeiros primatas bípedes. Ele nos alerta contra situações de perigo, real ou imaginário, e nos dá condições de enfrentá-lo ou fugir.
Por isso, não vejo mérito nenhum em quem diz não ter medo de nada e sai por aí enfrentando qualquer tipo de desafio como se não ligasse a mínima para as consequências ou como se desprezasse solenemente os riscos envolvidos na ação, seja ela qual for, desde sentar no parapeito da janela no décimo andar de um prédio até assumir dívida em banco.
Ora, se a pessoa não tem medo de nada no mundo é como se o risco não existisse para ela. Sem risco, onde está a coragem de quem enfrentou uma situação que, para uma pessoa normal, seria considerada perigosa?
Todo ser humano tem medo e somente pode ser chamado de corajoso quem sabe enfrentar o medo.
Para enfrentar o medo e ajudar alguém em dificuldades, o ser humano, além de corajoso tem que ter uma boa dose de solidariedade e saber se desfazer do instinto egoísta que o impele para o "salve-se quem puder e que eu seja o primeiro".
Senão a vida se desmorona a cada tempestade, a cada necessidade de termos ousadia e coragem. Ou a cada perigo de naufrágio.
Sejam esses perigos reais ou potenciais.
Como relata Joseph Conrad, no livro "Lord Jim", onde o primeiro oficial de um barco repleto de muçulmanos, abandona-os à própria sorte quando o barco ameaça naufragar. O barco não naufraga, todos se salvam e o primeiro oficial fica completamente desonrado. Porém, há a possibilidade de, em outra ocasião de sua vida, ele colocar à prova sua coragem e restabelecer sua biografia. Será que é possível?
Então, se a vida anda meio perigosa e você está com medo:
Leitura complementar
MEDO, MEDO, MEDO...
O medo talvez seja um dos principais mecanismos de defesa do ser humano desde os primórdios dos primeiros primatas bípedes. Ele nos alerta contra situações de perigo, real ou imaginário, e nos dá condições de enfrentá-lo ou fugir.
Por isso, não vejo mérito nenhum em quem diz não ter medo de nada e sai por aí enfrentando qualquer tipo de desafio como se não ligasse a mínima para as consequências ou como se desprezasse solenemente os riscos envolvidos na ação, seja ela qual for, desde sentar no parapeito da janela no décimo andar de um prédio até assumir dívida em banco.
Ora, se a pessoa não tem medo de nada no mundo é como se o risco não existisse para ela. Sem risco, onde está a coragem de quem enfrentou uma situação que, para uma pessoa normal, seria considerada perigosa?
Todo ser humano tem medo e somente pode ser chamado de corajoso quem sabe enfrentar o medo.
Para enfrentar o medo e ajudar alguém em dificuldades, o ser humano, além de corajoso tem que ter uma boa dose de solidariedade e saber se desfazer do instinto egoísta que o impele para o "salve-se quem puder e que eu seja o primeiro".
Senão a vida se desmorona a cada tempestade, a cada necessidade de termos ousadia e coragem. Ou a cada perigo de naufrágio.
Sejam esses perigos reais ou potenciais.
Como relata Joseph Conrad, no livro "Lord Jim", onde o primeiro oficial de um barco repleto de muçulmanos, abandona-os à própria sorte quando o barco ameaça naufragar. O barco não naufraga, todos se salvam e o primeiro oficial fica completamente desonrado. Porém, há a possibilidade de, em outra ocasião de sua vida, ele colocar à prova sua coragem e restabelecer sua biografia. Será que é possível?
Então, se a vida anda meio perigosa e você está com medo:
"VOLTE PARA O NAVIO, CARALHO!"
Fernando Gurgel Filho
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MEDO, MEDO, MEDO...
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