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04 outubro, 2021

O amanhecer da era espacial

Em 4 de outubro de 1957, a União Soviética (URSS) lançou uma bola de alumínio com 58 centímetros de diâmetro em órbita. Isso desencadeou uma série de eventos que mudaram nosso mundo para sempre. O dispositivo simples marcou uma nova era de conquistas tecnológicas. Também abalou a confiança do povo americano que, na época, estava convencido de que sua nação era o país mais cientificamente avançado do mundo.
Esse dispositivo foi o Sputnik, o primeiro satélite artificial. Não era muita coisa para se olhar e não tinha nenhum recurso ou função avançada. Mas marcou a primeira vez que os seres humanos colocaram uma estrutura feita pelo homem em órbita ao redor da Terra. E também provou que a União Soviética, o inimigo dos Estados Unidos na Guerra Fria, havia desenvolvido um sistema de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM). Tal sistema poderia enviar ogivas nucleares a alvos no outro lado do planeta e tornar obsoleta a antiga superioridade aérea dos EUA.


Como o satélite transmitia um sinal de rádio repetidamente, os entusiastas do rádio amador ao redor do mundo podiam ouvir este pequeno objeto emitir bipes enquanto orbitava a Terra. Não havia como negar o feito da União Soviética. A evidência estava disponível para qualquer pessoa que fosse um rádio amador.
O lançamento do Sputnik foi responsável por muitas coisas. A percepção de que tinham uma lacuna tecnológica estimulou o governo dos Estados Unidos a acelerar seus programas de mísseis ofensivos e defensivos. Também deu início à corrida espacial - um período competitivo em que a URSS e os Estados Unidos tentaram ser os primeiros a alcançar os marcos importantes na exploração espacial. E foi, mesmo indiretamente, responsável pela criação da Internet. Isso é espantoso para um dispositivo tão primitivo.

http://science.howstuffworks.com/sputnik.htm

Relata o matemático Pat Ballew:
Como muitos da minha geração, eu ficava no gramado à noite para ouvir aqueles bipes em meu rádio transistorizado.
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O leitor Ricardo comentou na postagem seguinte: 
"O amanhecer da era espacial" tá com problema, abre tela em branco. 
Ricardo, 
Venho enfrentando alguns sérios problemas neste blog (é meu apagão particular) há mais de um ano: além do que você relatou, o blogroll (onde estão os arquivos e os sites que eu acompanho) desaparece da página principal, os links e os vídeos param de funcionar, as imagens das postagens não abrem, os comentários não dão acesso etc etc etc. Continuo na esperança de que o Blogger venha a resolver estes problemas. Enquanto isso, deverei reduzir meu ritmo de produção. 
Gostaria de que outros leitores também informassem as anormalidades que estiverem encontrando no blog.
 Paulo Gurgel, controlador do EntreMentes.

12 fevereiro, 2021

O telefone vermelho da Guerra Fria

Era uma linha direta de comunicação entre o governo dos EUA e o da União Soviética durante a Guerra Fria.
A ideia de um meio de comunicação entre a Casa Branca, em Washington DC, e o Kremlin, em Moscou, surgiu após a Crise dos Mísseis Cubanos. Esse impasse militar, em outubro de 1962, quase provocou uma guerra nuclear – em parte, pela falta de diálogo rápido entre os dois governos.
Durante a crise, os Estados Unidos levaram quase 12 horas para receber e decodificar uma mensagem com três mil palavras de Nikita Khruschev, então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, um tempo perigosamente longo em se tratando do risco de um confronto nuclear. Enquanto os Estados Unidos elaboravam uma resposta, uma mensagem mais dura a partir de Moscou foi recebida a seguir, exigindo que os mísseis americanos fossem removidos da Turquia.


Assessores da Casa Branca viram que a crise poderia ter sido resolvida mais rapidamente e até evitada, se a comunicação tivesse sido mais rápida. Em agosto de 1963 (57 anos atrás), uma linha direta de comunicação (também conhecida como Moscow-Washington Hotline) foi implantada entre os dois países.
O primeiro uso da linha foi em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, quando as duas superpotências se informaram sobre movimentos militares que poderiam ter sido provocativos ou ambíguos. De modo a evitar que, devido à proximidade da Frota do Mar Negro soviética com a Sexta Frota dos Estados Unidos no Mar Mediterrâneo, possíveis mal-entendidos ocorressem entre as duas potências.
Com o tempo, a linha foi substituído por tecnologias mais modernas, como transmissões via satélite.
Ironicamente,
não era um telefone
(e sim um teletipo, uma espécie de máquina de escrever eletromecânica conectada a uma linha telefônica)
e não era vermelho
(o apelido foi dado pela mídia).
Regatar: A caixa-preta dos aviões.

01 dezembro, 2020

A pasta nuclear

Nesta foto de Obama em 2013, você vê um assessor do presidente com a famosa pasta nuclear, ao lado do helicóptero Marine One.
Obama: "Vou atacar perto daquele celeiro."

A pasta nuclear é um invento da época da Guerra Fria. Com o atual peso de 20 quilos, é sempre carregada por um dos auxiliares que estão sempre ao redor do presidente dos Estados Unidos, para que ele a tenha em mãos de um modo imediato.
Nunca se sabe quando Mr. President pode precisar desta maleta em que vai ordenar, ativando códigos que serão transmitidos por rádio (não há um botão vermelho), um ataque termonuclear.

04 outubro, 2017

O alvorecer da era espacial

O Sputnik 1 foi a primeira missão do Programa Sputnik, que colocou em órbita o primeiro satélite artificial da Terra. Lançado por um foguete R. 7 (projetado originalmente para lançar ogivas nucleares), em 4 de outubro de 1957, do Cosmódromo de Baikonur, na União Soviética, o Sputinik 1 era uma esfera metálica de aproximadamente 50 cm e que pesava 83,6 kg.
Viajando a uma velocidade de 29.000 km/h, ele orbitava a Terra a cada 95 minutos, a uma distância entre 900 e 200 quilômetros. Emitindo continuamente um sinal de rádio que era captado da Terra. (1)
Foi um marco na ciência, ao fornecer valiosas informações sobre a densidade e a ionização da atmosfera superior. E que abriu, em plena Guerra Fria, a porta para a corrida espacial entre os EUA e a URSS.
O segundo choque não se fez esperar: já a 3 de novembro do mesmo ano, os soviéticos lançaram o Sputnik 2 com a cadela Laika a bordo, o primeiro ser vivo a circundar a Terra.
Como resposta a estes feitos, o Departamento de Defesa dos EUA acelerou o desenvolvimento de seus mísseis e, em 1º de outubro de 1958, foi criada a NASA para concentrar os esforços do país na corrida espacial.
Mas, tirando proveito do sucesso que vinha obtendo na corrida espacial, a União Soviética ainda desferiu o maior de todos os golpes: a 12 de abril de 1961, enviou para o espaço a primeira nave espacial pilotada por um ser humano, o major soviético Yuri Gagarin. (2)
Foi a gota d'água. Falando à nação no mesmo ano, o presidente John F. Kennedy, estabeleceu a ambiciosa meta de levar um ser humano à Lua até o fim daquela década.
Oito anos se passariam até o projeto se concretizar: a 21 de julho de 1969, quando Neil Armstrong se tornou o primeiro homem a pisar na Lua. Os norte-americanos haviam enfim recuperado o terreno, 12 anos após o choque causado pelo primeiro Sputnik.
N. do E.
(1) Um "beep", que podia ser sintonizado por qualquer radioamador nas frequências entre 20.005 e 40.002 MHz, que durou até 26 de outubro de 1957, quando as baterias do transmissor finalmente se esgotaram. O satélite orbitou a Terra por seis meses antes de cair no oceano.
(2) É de autoria de Gagarin a frase “A Terra é azul”, eternizada como a reação espontânea à vista externa do planeta. Mas há quem acredite que ele só tenha dito isso após o desembarque.

26 setembro, 2015

O homem que salvou o mundo

Na noite de 26 de Setembro de 1983 – há exatamente trinta e dois anos, portanto – era o tenente-coronel Stanislav Petrov (foto) o responsável pelo serviço no centro de comando Serpukhov 15. Este centro vigiava, através de satélites-espião, eventuais lançamentos termo-nucleares americanos: era o equivalente soviético ao NORAD dos EUA.
Perturbando a calma noturna, o alarme estridente soou. Olhando para o enorme écran de radar à sua frente, Petrov terá sentido um arrepio na espinha: quatro pontinhos brilhantes moviam-se dos Estados Unidos em direção ao território soviético. Aparentemente, tinha começado a Terceira Guerra Mundial.
O tenente-coronel sabia exatamente o que fazer. Tinha à sua frente a chave que deveria rodar, fazendo soar o alarme em todas as instalações nucleares soviéticas. O Presidium do Soviete Supremo ainda teria que autorizar e fornecer os códigos de lançamento, claro; mas devido à política de lançamento ao primeiro aviso ("use them or loose them"), o mais provável seria haver, nos trinta minutos seguintes, seis ou sete mil ICBMs e dois ou três mil super-bombardeiros estratégicos cruzando os céus em direcção aos seus alvos nos Estados Unidos.
No último segundo, uma centelha de razão iluminou-se no espírito do tenente-coronel. Seria o inimigo americano estúpido ao ponto de atacar com quatro, apenas quatro mísseis? Se aquilo fosse efetivamente o princípio de uma guerra, não deveria ele estar a ver centenas, talvez milhares de pontinhos brilhantes no radar?
Há exatamente trinta e um anos, Stanislav Petrov decidiu esperar. Aqueles quatro pontinhos brilhantes poderiam ser apenas um erro de leitura… e não lhe apetecia matar dois ou três bilhões de pessoas só porque um computador soviético tinha se avariado.
Veio a saber-se mais tarde que os satélites de vigilância soviéticos foram iludidos por um raro alinhamento de nuvens de grande altitude, sobre as quais a luz solar incidiu com uma orientação muito específica. A história de Stanislav Petrov e dessa terrível noite de há trinta anos está contada em um documentário televisivo.
Antonio Pedro Neves, via Google+

Onde ler mais:
Stanislav Petrov – o homem que salvou nossas vidas, por André. In: www.ceticismo.net

Promo Trailer:
Kevin Costner – Robert De Niro – Matt Damon


War Games:
Lembra-se do filme "War Games"? Este filme é sobre um jogo de computador com o potencial para iniciar uma guerra termonuclear. Mas, estranhamente, este cenário criado em 1983 era mais verdade do que ficção. Em 1979, programadores quase começaram a III Guerra Mundial, quando eles acidentalmente rodaram uma simulação de um ataque soviético nos computadores do NORAD.
A simulação de computador que quase começou a III Guerra Mundial, GIZMODO

17/09/2017 - Atualizando ...
Sputinik - Morre Stanislav Petrov, o oficial soviético que impediu uma crise nuclear entre os EUA e a URSS e a possível Terceira Guerra Mundial na década de 1980. Ele faleceu silenciosamente, tinha 77 anos e nunca se considerou um herói, embora tenha contribuído decisivamente para impedir uma catástrofe.