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10 maio, 2018

O dilema do porco-espinho

"Nos dias frios, as pessoas conseguem acalmar-se juntando", escreveu Schopenhauer, em seus "Conselhos e Máximas". E que "você pode aquecer sua mente da mesma forma - colocando-se em contato com os outros. Mas um homem que tem um grande calor intelectual em si mesmo não precisará de tais recursos".
Ele oferece esta parábola:
Um grupo de porcos-espinhos amontoou-se para se aquecer em um dia frio do inverno; Mas, quando começaram a se espiar uns aos outros, com os seus caninos à mostra, foram obrigados a se dispersar. No entanto, o frio os reuniu novamente, e a mesma coisa tornou a acontecer. Por fim, depois de muitas manobras de amontoar e dispersar, descobriram que ficariam melhor a uma pequena distância uns do outros. Do mesmo modo, a necessidade da sociedade impulsiona o porco-espinho humano, apenas para se repelir mutuamente pelas muitas qualidades espinhosas e desagradáveis ​​de sua natureza. A distância moderada que eles finalmente descobriram ser a única condição tolerável da relação sexual, é o código de cortesia e boas maneiras; e aqueles que transgridem são mais ou menos informados - na frase inglesa - para manter a distância. Por este arranjo, a necessidade mútua de calor é apenas muito moderadamente satisfeita; mas as pessoas não ficam espetadas. Um homem que tem algum calor em si mesmo prefere permanecer lá fora, onde ele não cola em outras pessoas nem se espeta.
"Como regra geral", ele escreve, "pode-se dizer que a sociabilidade de um homem está quase em proporção inversa ao seu valor intelectual: dizer que" de vez em quando "é muito insociável, quase equivale a dizer que ele é um homem de grande capacidade".
(https://www.futilitycloset.com/2017/10/10/the-hedgehogs-dilemma/)

No Preblog: SOBRE AS DISTÂNCIAS REGULAMENTARES

22 janeiro, 2017

Poema de Mulher

Do livro "Tapa de Humor Não Dói", do grupo carioca "O Grelo Falante".

Que mulher nunca teve
Um sutiã meio furado
Um tio meio tarado
Ou um amigo meio viado?

Que mulher nunca temeu
Uma consulta dentária
Passar atestado de otária
Ou a incontinência urinária?

Que mulher nunca tomou
Um fora de querer sumir
Um porre de cair
Ou um lexotan pra dormir?

Que mulher nunca sonhou
Com o marido da melhor amiga
Com a sogra morta, estendida
Ou com uma lipo na barriga?

Que mulher nunca pensou
Em zunir uma panela
Jogar os filhos pela janela
Ou que a culpa era toda dela?

Que mulher nunca penou
Pra ter a perna depilada
Pra aturar uma empregada
Ou pra trabalhar menstruada?

Que mulher nunca acordou
Com um desconhecido ao lado
Com o cabelo desgrenhado
Ou com o travesseiro babado?

Que mulher nunca comeu
Uma caixa de Bis por ansiedade
Uma alface no almoço por vaidade
Ou um canalha por saudade?

Que mulher nunca apertou
O pé no sapato pra caber
A barriga pra emagrecer
Ou um fininho pra enlouquecer?

Que mulher nunca jurou
Que não estava ao telefone
Que nem pensa em silicone
Ou que ''dele'' não lembra nem o nome?

"O Grelo Falante" é um grupo feminino de humor composto por 3 - 5 cariocas: Claudia Valli, Carmen Frenzel, Claudia Ventura, Lucília de Assis e Suzana Abranches. Neste vídeo. o grupo dá um entrevista a Paulo César Pereio para o programa "Sem Frescura".


28 agosto, 2015

Prazeres singulares

Oulipo 
[lê-se "ulipo"].
É a abreviação de "Ou vroir de Littérature Potentielle", que se traduz aproximadamente por "Oficina de Literatura Potencial".
Reunindo principalmente matemáticos/escritores franceses, ela foi fundada em 1960 por Raymond Queneau e François Le Lionnais. O escritor italiano Italo Calvino foi um de seus membros.
A Oulipo visa a busca de novas formas de escrever através de técnicas restritivas. Essas restrições – que incluem o "S+7" (todo substantivo substituído pelo sétimo substantivo seguinte de um dicionário) a "bola de neve" (poema em que cada verso é uma palavra e que cada palavra é uma letra mais longa do que a anterior), o "lipograma" (escrita que exclui uma ou mais letras), o "univocalismo" (poema com uma só vogal), os palíndromos etc. – são consideradas pelo grupo como meios de desencadear ideias e inspirações.
Uma das obras da escrita oulipiana: "Prazeres singulares", por Henry Mathews, em que 61 pessoas de diferentes idades, nacionalidades e estilos de vida descrevem cenas de masturbação.

27 setembro, 2013

O que podemos aprender com os gansos

"Podemos aprender muito com os gansos selvagens. Quando um ganso bate as asas, por exemplo, voando numa formação em V, cria um vácuo para a ave seguinte passar, e o bando inteiro tem um desempenho 71% melhor do que se voasse sozinho. Sempre que um ganso sai da formação, sente subitamente a resistência do ar por tentar voar sozinho e, rapidamente, volta para a formação, aproveitando o vácuo da ave imediatamente à frente. Quando um ganso líder se cansa, ele passa para trás e imediatamente outro assume seu lugar, voando para a posição da ponta. Na formação, os gansos que estão atrás grasnam para encorajar os da frente a aumentar a velocidade. Se um deles adoece, dois gansos abandonam a formação e seguem o companheiro doente, para ajudá-lo e protegê-lo. Ficam com ele até que esteja apto a voar de novo ou venha a morrer. Só depois disso eles voltam ao procedimento normal com outra formação ou vão atrás de outro bando. A lição dos gansos: Pessoas que compartilham uma direção comum e senso de comunidade podem atingir mais facilmente os objetivos. Para atingir nossos objetivos, é necessário estar junto com aqueles que se dirigem para onde queremos ir, dando e aceitando ajuda. É preciso haver um revezamento na liderança e nas tarefas pesadas. As pessoas, assim como os gansos, dependem umas das outras. Precisamos assegurar que nosso grasnido seja encorajador para nossa equipe e que a ajude a melhorar seu desempenho. É preciso estar ao lado dos colegas também nos momentos difíceis."
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Rangel, Alexandre. O QUE PODEMOS APRENDER COM OS GANSOS. Editora Original