Estamos falando (tirem as crianças da sala) de "fuck", também chamada de "palavra com F", um palavrão de grande penetração dentro e fora do cinema – pronunciado, como informa quem se deu ao trabalho de contar, 246 vezes em "Os bons companheiros", de Martin Scorsese, e 257 em "Pulp fiction", de Quentin Tarantino, para citar apenas dois campeões.
Sem fundamento, circula – e como circula – sobre "fuck" que esta palavra teria nascido de uma sigla, F.U.C.K., inciais da expressão "Fornication Under Consent of the King", isto é, "Fornicação com a permissão do rei". Estas iniciais, diz a lenda, eram pintadas na porta dos súditos recém-casados em vaga época medieval.
A verdade, como costuma ocorrer, é bem menos excitante: "fuck" é uma palavra que possui raízes fundas no inglês antigo. Embora tenha história meio nebulosa, por haver passado séculos relegada ao território sombrio dos tabuísmos (só estreou num dicionário, o "Penguin Dictionary", em 1966!), é certamente de origem germânica, parente do norueguês dialetal "fokken", "copular".
Sérgio Rodrigues 2 out 2013, rev. "Veja"
Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/sobre-palavras/a-palavra-com-f-uma-lenda-estrangeira/
Sérgio Rodrigues 2 out 2013, rev. "Veja"
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