No Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), em 2025 (terceiro ano do atual governo Lula), o Brasil se encontra em 63.º lugar dentre 180 países.
Não parece uma boa colocação, mas se compararmos com a situação dos Estados Unidos, em 2025 (início do governo Trump), constataremos que a pátria da liberdade de imprensa escorrega no 57.º lugar do ranking.
Os dez primeiros lugares estão ocupados por Noruega, Estônia, Países Baixos, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Irlanda, Portugal, Suíça e Chéquia. São todos países europeus.
Em 2021, como estava o Brasil no ranking?
Em 111.º lugar (terceiro ano do governo Bolsonaro).
Gorro vermelho que termina em ponta pendente, semelhante ao usado pelos frígios, e adotado pela Revolução Francesa como símbolo de liberdade e, mais tarde, do regime republicano.
Ornava a cabeça de Átis, um deus da Frígia (país da Ásia Menor, onde é hoje a Turquia).
Associa-se à noção de liberdade porque uma cobertura do tipo (carapuça) era usado por escravos libertos no Império Romano.
Sob o disfarce de uma mulher com um barrete frígio, Marianne personifica a República Francesa e seus valores contidos no lema: "Liberdade, Igualdade, Fraternidade".
Quando os trolls veem que seus esforços estão sendo resistidos com sucesso, eles costumam reclamar que seu direito à liberdade de expressão está sendo violado.
Vamos examinar esta afirmação. Embora a maioria das pessoas na internet defenda fervorosamente a liberdade de expressão, este não é um direito absoluto: tem limitações práticas. Por exemplo, você não pode gritar "Fogo!" quando isto não está ocorrendo em um teatro lotado, e você também não pode fingir que está transportando uma bomba, enquanto espera para embarcar em um avião.
Nós aceitamos estas limitações porque admitimos que servem a um bem maior.
Sobre a solidão, a alteridade e a alegria de pertencer:
"Você pode estar longe dentro e longe estando fora."
— JonArno Lawson
"Você pode ficar sozinha em qualquer lugar, mas há um sabor particular na solidão que surge quando se vive em uma cidade, cercada por milhões de pessoas."
— Olivia Laing
"Você só é livre quando percebe que não pertence a nenhum lugar — pertence a todos os lugares."
— Maya Angelou
Um coral da antiga DDR (Deutsche Demokratische Republik, antiga Alemanha Oriental) mandando ver sem qualquer sotaque o hino dos partisans italianos (Bella Ciao). Observem a Frau Merkel (Angela Dorothea Merkel) com sua camiseta e o logotipo do Kombinat (onde provavelmente trabalhava como física em uma das empresas) ou o próprio nome do coral.
~ Jaime Nogueira
N. do E.
1 - Kombinat (russo : Комбинат) é um termo para grupos de empresas industriais, conglomerados ou trusts nos antigos países socialistas. Os exemplos incluem a VEB Kombinat Robotron, fabricante de produtos eletrônicos, e a IFA, fabricante de veículos, tanto na Alemanha Oriental, quanto a liga de cobre Erdenet, na Mongólia .
[https://en.wikipedia.org/wiki/Combine_(enterprise)]
2 - Kombinat é um coro feminino que canta músicas revolucionárias de todo o mundo em idiomas originais. Foi fundado em 27 de abril de 2008, no Dia da Resistência, que marca o estabelecimento da Frente de Libertação na Eslovênia em 1941. Cerca de 30 membros variam tanto em idade quanto em profissão, têm ensaios no centro cultural e social de Tovarna Rog no centro de Liubliana . Cada concerto do Kombinat segue um roteiro único: geralmente a história de cada música é revelada, enquanto alguns dos concertos são dedicados a eventos atuais, como a celebração do 1º de maio.
[https://www.culture.si/en/Kombinat_Choir]
A canção "Bella Ciao" é o hino mundial antifascista, conhecida por todos os que desejam a liberdade, em qualquer parte do mundo. Há várias versões sobre o seu nascimento. Uma delas diz que era o canto das trabalhadoras rurais temporárias italianas, as "boias-frias" de lá, no fim do século XIX. Já modificada, serviu como protesto contra a Primeira Guerra Mundial e depois foi usada foi como um símbolo dos "partigiani", os guerrilheiros do movimento de resistência ao fascismo, na Segunda Guerra Mundial. Desde então, dá para dizer que "Bella Ciao" esteve presente em todos os movimentos a favor da democracia ocorridos no século passado e neste século 21.
NOTA DE REPÚDIO
Recebi com indignação a notícia de que a Polícia Federal conduziu coercitivamente o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Jaime Ramirez, entre outros professores dessa universidade. A ação faz parte da investigação da construção do Memorial da Anistia. Como vem se tornando regra no Brasil, além da coerção desnecessária (ao que consta, não houve pedido prévio, cuja desobediência justificasse a medida), consta ainda que os acusados e seus advogados foram impedidos de ter acesso ao próprio processo, e alguns deles nem sequer sabiam se eram levados como testemunha ou suspeitos. O conjunto dessas medidas fere os princípios elementares do devido processo legal. É uma violência à cidadania.
Isso seria motivo suficiente para minha indignação. Mas a operação da PF me toca de modo mais direto, pois foi batizada de “Esperança equilibrista”, em alusão à canção que Aldir Blanc e eu fizemos em honra a todos os que lutaram contra a ditadura brasileira. Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental.
Resta ainda um ponto. Há indícios que me levam a ver nessas medidas violentas um ato de ataque à universidade pública. Isso, num momento em que a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, estado onde moro, definha por conta de crimes cometidos por gestores públicos, e o ensino superior gratuito sofre ataques de grandes instituições (alinhadas a uma visão mais plutocrata do que democrática). Fica aqui portanto também a minha defesa veemente da universidade pública, espaço fundamental para a promoção de igualdades na sociedade brasileira. É essa a esperança equilibrista que tem que continuar.
João Bosco
07/12/2017
Relembre, abaixo, este clássico da MPB, na voz de Elis Regina, que foi usado de forma indevida pela PF:
Memorial da Anistia: não há de ser inutilmente
As violências cometidas contra a Universidade Federal de Santa Catarina, a Universidade Federal de Minas Gerais e o Memorial da Anistia, podem ter uma resposta à altura: a campanha para ampliar o escopo do memorial, incluindo no prédio anexo um Memorial das Músicas em Favor das Liberdades Civis, uma maneira de juntar as lembranças da ditadura com o papel inestimável da música popular, em uma cidade fundamentalmente musical, como Belo Horizonte.
Seria a maneira retumbante, musical, de responder aos desaforos da Polícia Federal, de batizar a operação com pedaço da letra de uma das músicas símbolos da anistia.
Todo país que passou por ditadura militar tratou de celebrar os mortos, montar memoriais, museus, como maneira de registrar a violência, impedindo sua repetição. [...]
No livro "O Medo à Liberdade", Erich Fromm disseca o íntimo da classe média medieval "libertada" pelo capitalismo e pelo protestantismo.
Ali, vemos a necessidade de submissão do ser humano às forças do mercado e à força divina, respectivamente, porque se sente impotente e insignificante diante de sua própria existência como indivíduo.
É o mesmo ser humano do ano de 2016 no Brasil.
Impotente e insignificante para usufruir de sua "liberdade" econômica e social, ele tem extrema necessidade de líderes que lhes dê segurança e os carregue no colo como uma criança abandonada.
É o ser humano que precisa de ditadores, precisa da força militar, precisa de grupos violentos, precisa de grupos religiosos para crer que, assim, conquistará um pouco da "liberdade" com que tanto sonha. Mas que apenas lhes mostra algemas, submissão e cassetetes no lombo, aprofundando sua sensação de impotência e insignificância.
Dez anos atrás, o ilustrador nova-iorquino Mirko Ilic combinou três clichês visuais para criar uma nova imagem, que permanece como símbolo do casamento lésbico.
Dois clichês são imediatamente percebidos: a Estátua da Liberdade e a Estátua da Justiça. O terceiro clichê
Foi inspirado na célebre fotografia de um marinheiro norte-americano beijando uma enfermeira, na avenida Times Square, após a vitória dos Estados Unidos sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial, o trabalho mais conhecido do fotojornalista Alfred Eisenstaedt.
Um juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos foi quem definiu com mais clareza os limites da liberdade de expressão.
Cerca de meio século atrás, ele disse que, num teatro lotado, se alguém gritar fogo, não poderá depois invocar a liberdade de expressão. Sua fala poderá provocar uma tragédia.
É uma definição clássica, citada com frequência em casos em que se debate a liberdade de expressão.
No mundo moderno, uma amostra dos limites é que nos Estados Unidos você não pode fazer apologia do terrorismo e depois invocar a liberdade de expressão.
Você será imediatamente preso.
– Paulo Nogueira, fundador e diretor editorial do DCM
A frase completa é... Bush não é tão feio como se pinta.
Tem sido uma estratégia dos que se opõem a ele retratá-lo como a um ente satânico. Em virtude de Bush, como presidente da nação mais poderosa do planeta, ter sido obrigado muitas vezes a tomar medidas duras, quiçá crueis. Principalmente em seu front externo.
Este homem, porém, ainda que acossado pelos inimigos de seu país, jamais tem deixado de viver seus momentos de grande ternura.
Em 14 de julho de 1789 caía Bastilha. A fortaleza onde eram encarcerados, sem qualquer formalização de culpa, os inimigos pessoais do rei da França. E que foi tomada pela população enfurecida de Paris, que considerava a fortaleza um símbolo do absolutismo real. A Queda da Bastilha foi o marco inicial da Revolução Francesa. Contudo, não havia muitos prisioneiros quando Bastilha foi cercada e invadida. Apenas sete deles, e a multidão aproveitou para saquear o arsenal existente em seu interior.
A propósito do tema desta nota, eis alguns pensamentos selecionados: Não existe liberdade sem buscá-la, e esta busca é o que nos faz livres. Carlos Fuentes. Onde está a liberdade, aí é minha pátria. Benjamin Franklin. A história da liberdade é a da luta para limitar o poder do governo. Thomas W. Wilson. A liberdade supõe responsabilidade, por isso os homens a temem tanto. Bernard Shaw.