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27 agosto, 2025

República de Indian Stream

O pequeno país entre Canadá e EUA
Ficava localizada em uma faixa de terra de aproximadamente 730 quilômetros quadrados no nordeste do que hoje é o Estado americano de New Hampshire, perto de Vermont e da fronteira com a atual província canadense de Quebec.
O surgimento de Indian Stream foi motivado pela confusão causada pelas diferentes interpretações que Londres e Washington deram ao acordo que pôs fim à Guerra da Independência dos EUA: o Tratado de Paris de 1783.
O pacto não apenas permitiu que o Reino Unido reconhecesse a emancipação de suas antigas 13 colônias norte-americanas; mas também demarcou a fronteira internacional com o Canadá, que permanecia sob controle britânico.
No início do século 19, dezenas de famílias se estabeleceram na área, que tanto os Estados Unidos quanto o Canadá Britânico consideravam sua. Como o território estava localizado em uma área distante dos centros povoados, ambos os países o ignoraram e os colonos foram forçados a depender de seus próprios recursos.
Em junho de 1832, os habitantes (cerca de 400 pessoas) redigiram uma Declaração de Direitos e uma Constituição de 13 artigos; e, em 9 de julho, declararam a República de Indian Stream "um Estado livre, soberano e independente".
Com o colapso da pequena república (após conflitos locais a partir de 1835), Londres e Washington iniciaram negociações para definir claramente a fronteira. Em 9 de agosto de 1842, o Tratado de Ashburton foi assinado, que resolveu a disputa e colocou o território de Indian Stream dentro dos limites de New Hampshire".
Isso pôs fim ao que certamente deve ter sido a menor república do mundo.


Um brinde ao país
Embora a história da República de Indian Stream não seja bem conhecida, alguns assumiram a tarefa de resgatá-la, às vezes de maneiras curiosas. Como os empreendedores Ron Vars e Dan Gray que abriram uma destilaria de uísque e batizaram um de seus produtos com o nome do país hoje extinto.

Extraído de:
http://www.bbc.com/portuguese/articles/cn7g7e8zyyro
Os grifos são nossos. PGCS

19 novembro, 2022

As revisões republicanas da bandeira brasileira

Durante quatro dias, de 15 a 19 de novembro de 1889, a bandeira brasileira teve um desenho semelhante à dos Estados Unidos - mas com faixas verde e amarelas, em vez de vermelhas e brancas.
Isto porque a nação norte-americana, já independente e sendo uma república desde 1776, era tida como exemplo para os republicanos brasileiros. Então esse desenho, claramente inspirado na bandeira dos EUA, foi a proposta pelo jurista Ruy Barbosa. E chegou a ser utilizada.
Ela foi hasteada na redação do jornal A Cidade do Rio e no navio Alagoas, que levou a família imperial ao exílio.


A revisão foi feita a mando do marechal Deodoro que, de acordo com Clovis Ribeiro, "queria manter a bandeira do Império, com a eliminação apenas da coroa".
A ideia da atual bandeira foi concretizada por um grupo do qual faziam parte os positivistas Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, e o professor de astronomia Manuel Pereira Reis. O pintor Décio Vilares foi recrutado para fazer o desenho do círculo azul.
O positivismo - proposto pelo filósofo francês Augusto Comte - estava em alta nas altas rodas do poder brasileiro. Trata-se de uma doutrina filosófica, sociológica e política que, entre outras coisas, defende os valores humanos e afirma que só são válidos os conhecimentos científicos.
O político Benjamin Constant, outro positivista, foi quem propôs o lema "Ordem e Progresso", um resumo da frase "O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim", da teoria de Comte.
"Em nossa mensagem propusemos que o governo provisório adotasse a divisa 'Ordem e Progresso', por ser essa divisa o resumo da política republicana". [...] "O nosso intuito era evitar que se instituísse um símbolo nacional com o duplo inconveniente de fazer crer em uma filiação que não existe entre os dois povos, e de conduzir a uma imitação servil daquela república", explicou ele, sobre o descarte do modelo semelhante ao dos Estados Unidos.
"Era preciso que não perdêssemos as nossas tradições latinas e que o pensamento nacional se fixasse sobre a França como a nação em cujo seio se elaborou a regeneração humana."

Teixeira Mendes contou que, quando o projeto foi apresentado a Deodoro, "ele o achou o melhor dos símbolos propostos".
Aprovada a ideia, o presidente delegou a um desenhista o trabalho de executá-la. "O desenho destas, segundo a versão corrente, foi feito sob encomenda do marechal Deodoro, por um seu amigo - um alemão, litógrafo da casa Laemmert e que não entendia patavina de heráldica, nem conhecia as tradições do país", afirma, em seu livro, "Brasões e Bandeiras do Brasil", o historiador Clovis Ribeiro.
Quando a República foi proclamada, o astrônomo Manuel Pereira Reis, que trabalhou no Observatório do Rio de Janeiro, foi chamado para determinar com precisão científica a disposição das estrelas. O Brasil é o único país cujo desenho da bandeira respeita a posição astronômica das estrelas.

Extraído de: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-46255976, por Edison Veiga para BBC News

Bônus: Positivismo
(Noel Rosa e Orestes Barbosa)
"O amor vem por princípio, a ordem por base
O progresso é que deve vir por fim
Desprezaste esta lei de Augusto Comte
E foste ser feliz longe de mim."

Curiosidade: REGRESSO PRO MEDO é anagrama de ORDEM E PROGRESSO.

26 fevereiro, 2022

Barrete frígio

Gorro vermelho que termina em ponta pendente, semelhante ao usado pelos frígios, e adotado pela Revolução Francesa como símbolo de liberdade e, mais tarde, do regime republicano.

Ornava a cabeça de Átis, um deus da Frígia (país da Ásia Menor, onde é hoje a Turquia).

Associa-se à noção de liberdade porque uma cobertura do tipo (carapuça) era usado por escravos libertos no Império Romano.

Sob o disfarce de uma mulher com um barrete frígio, Marianne personifica a República Francesa e seus valores contidos no lema: "Liberdade, Igualdade, Fraternidade".

No Brasil: Mariana.

Figura no brasão e na bandeira de vários países republicanos (of course) e de Estados brasileiros.

Saci Pererê, o capetinha tropical, cobre a cabeça com uma carapuça vermelha.

16 novembro, 2021

A personificação da República do Brasil no século 19

Mesmo antes de 1889, as imagens da República eram abundantemente difundidas nos diversos jornais e revistas da época. Dentre estas, destacavam-se a Revista Illustrada, O Mequetrefe e o Besouro. Destes periódicos, a Revista Illustrada era, de longe, a que mais dava espaço às imagens da República e foi nela que saiu sua primeira representação personificada como uma figura feminina, publicada no dia seguinte à Proclamação.
Ela se chama Marianne (Mariana), é mestiça e está vestida com os símbolos da República (o barrete frígio e a toga). Também leva uma espada e um escudo (porque a ideia não era que o Brasil fosse esse fracalhão indefeso que se tornou) e olha para a frente, para o futuro (em vez de ter saudades de um passado ideal). A coroa do império lhe é oferecida e ela a recusa.
Além de evidenciar a associação com a imagética revolucionária francesa, à Marianne brasileira cabia representar o cotidiano de um regime que se esforçava para aparecer. Dentre as várias atividades como representante da Pátria, apareceu vencedora das urnas da Assembleia Constituinte; foi mostrada ao povo como criança em roupas de batismo nas mãos de Deodoro, nas comemorações do primeiro aniversário do regime; recebeu das mãos de Deodoro, acompanhado de Rui Barbosa, a Constituição de 1890; como amiga - e após um "longo período de desconfiança" - recebeu fraternalmente a República Argentina; foi guiada e amparada pela República Francesa por um caminho florido e coube a ela enfrentar a horda do Conselheiro em 1896.

Fonte: PINTO JUNIOR, Rafael Alves. Manoel Lopes Rodrigues e a Alegoria da República (1896): do cotidiano da política à imortalidade do Panteão. 19e20, Rio de Janeiro, v. V, n. 4, out./dez. 2010. 

15 novembro, 2020

A Convenção de Itu

O movimento para proclamar a República começou bem antes de 15 de novembro de 1889. Foi em abril de 1873 na cidade de Itu, no interior de São Paulo.
Republicanos se reuniram, pela primeira vez, logo depois da inauguração da estrada de ferro. Desembarcaram do primeiro trem representantes de grupos com ideais republicanos de várias cidades do interior de SP, da capital e do RJ. Eles aproveitaram a oportunidade para se encontrarem no dia seguinte numa reunião que entrou para a História que ficou conhecida como a Convenção de Itu. Cento e trinta e três republicanos, sendo 78 cafeicultores e 55 de outras profissões, se encontraram neste casarão em 18/04/1973 para criar o primeiro partido republicano do país.
Dizem os relatos que um republicano mais afoito, num certo momento, gritou perto do presidente da província (que era o representante do Império):
- Viva a República!
Aquilo, é claro, causou um certo alvoroço.
O casarão que abrigou a convenção virou um museu (foto) e é mantido pela Universidade de São Paulo (USP).
O movimento que queria o fim da monarquia se espalhou pelo Brasil depois da fundação do PR paulista. Dezesseis anos e sete meses depois da reunião, Marechal Deodoro da Fonseca proclamou no RJ a República e o primeiro presidente eleito por voto direto foi o ituano Prudente de Morais, um dos apoiadores da convenção.
(https://globoplay.globo.com/v/8091799/programa/)

28 maio, 2018

Baile da Ilha Fiscal - Dois ponto Zero Dezoito


CRÔNICA SOCIAL DOS ÚLTIMOS DIAS - A PROFECIA (?)
Versão modernosa e cafona do Baile da Ilha Fiscal em Brasilia 24/05/2018. Observem a descontração, elegância e alegria dos convivas em que, para embalar o réquiem, faltou um embatinado Barnabé (terceirizado e certamente superfaturado). O falso ar de seriedade e serenidade do Vampiro, poderia ser explicado por sua preocupação com eventual extravasamento de seu penico portátil. O Gatinho Angorá não muda, a elegância de sempre com seu look de Piloto de Provas de Fábrica de Supositórios e seu antípoda, o Marum, aquele que meu sogro, um gauchão nascido na Prussia Oriental (Anklam), facilmente o identificaria como aquele Baita Grosso de Bagé [https://www.youtube.com/watch?v=AXyws7QTWog]. Solene, aquele Ministro com sobrenome de Terrorista Basco - cara assustadora...
Desculpem-me o mau-humor.
Jaime Nogueira

Uma banda, instalada a bordo do "Almirante Cochrane", o navio homenageado, tocou valsas e polcas madrugada adentro
Dançou-se muito n'O Último Baile do Império, mas o que os convidados não imaginavam, nem o imperador D. Pedro II, é que se dançava sobre um vulcão. À mesma hora em que se acendiam as luzes do palacete para receber os milhares de convidados engalanados, os republicanos reuniam-se no Clube Militar, presididos pelo tenente-coronel Benjamin Constant, para maquinar a queda do Império. "Mais do que nunca, preciso sejam-me dados plenos poderes para tirar a classe militar de um estado de coisas incompatível com sua honra e sua dignidade", discursou Constant na ocasião, tendo como alvo justamente o Visconde de Ouro Preto.
Longe dali, ao lado da família imperial, o visconde desmanchava-se em sorrisos ao comandar seu suntuoso festim. A família imperial chegou ao cais pouco antes das 10 horas. D. Pedro II, fardado de almirante, a imperatriz Teresa Cristina e o príncipe D. Pedro Augusto embarcaram primeiro. Quinze minutos depois foi a vez da princesa Isabel e do conde D’Eu. Uma vez no palácio, foram conduzidos a um salão em separado, onde já se achavam reunidos membros do corpo diplomático estrangeiro oficiais e alguns eleitos da sociedade carioca. O guarda-roupa da imperatriz não chegou a causar impressão especial entre os convidados - um vestido de renda de chantilly preta, guarnecido de vidrilhos. A toalete da princesa Isabel, no entanto, causou exclamações de admiração pelo luxo e pela beleza. Ela portava uma roupa de moiré preta listrada, tendo na frente um corpinho alto bordado a ouro. Nos cabelos, carregava um diadema de brilhantes."
Um fato irônico, até hoje não confirmado, ocorreu logo após a chegada da família real, às 10 horas da noite: conta-se que D. Pedro II, ao entrar no salão do baile, desequilibrou-se e levou um tombo. Foi amparado por dois jornalistas. Ao recompor-se, exclamou: "O monarca escorregou, mas a monarquia não caiu!". Apesar do sucesso do baile, o imperador pouco se divertiu. Ficou sentado, visto que já estava em idade avançada, o tempo todo e foi embora à 1h da manhã, sem jantar.

Páginas do cardápio do último Baile da Ilha Fiscal, 1889. Arquivo Nacional.
Outro acontecimento curioso ocorreu no término da festa. Às 5 horas da manhã, após a saída dos convidados, os trabalhos de limpeza revelaram alguns artigos inusitados espalhados pelo chão: além de copos quebrados e garrafas espalhadas, foram recolhidas condecorações perdidas e até peças de roupas íntimas femininas. O fato pode, entretanto, ser fictício, uma vez que foi relatado na coluna humorística Foguetes, do periódico carioca "O Paiz", no dia 12 de novembro, nestes termos:
"Houve quem perdesse dragonas, chapéos de sol, chapéos de cabeça, lenços, e até - parece incrivel, mas é rigorosamente verdadeiro - uma senhora deixou lá ficar o espartilho!!!"
Repercussão
A distribuição dos 5.000 convites começou no dia 4 de novembro. As roupas finas das lojas do Rio de Janeiro se esgotaram. Setenta e duas horas antes do baile já não havia vagas nos cabeleireiros. As senhoras lotavam as lojas de roupas finas e os cavalheiros recorriam aos alfaiates, para ajustar suas casacas e às barbearias, para cortar o cabelo ou aparar os bigodes e barbas. Muitas senhoras chegavam às 9 h da manhã, para fazer os cabelos
Duas bandas militares tocaram quadrilhas, valsas, polcas e mazurcas para os convidados, que dançaram em seis salões do castelo. A princesa Isabel foi uma das pés-de-valsa mais animadas. Depois da festança, às 6h da manhã, o pessoal da limpeza achou: 37 lenços, 24 cartolas e chapéus, 8 raminhos de corpete, 3 coletes de senhoras e 17 cintas-liga. De acordo com o historiador Milton Teixeira todas as fotos feitas na festa desapareceram.
O Baile foi comentado pela mídia por alguns dias, o que trouxe uma falsa imagem de solidez da coroa.

15 novembro, 2011

REPÚBLICA

A República (do latim res publica, "coisa pública") é uma forma de governo na qual o chefe do Estado é eleito pelos cidadãos ou seus representantes, tendo a sua chefia uma duração limitada. A forma de eleição do chefe de Estado, por regra chamado presidente da república, é normalmente realizada através do voto livre e secreto. Dependendo do sistema de governo, o presidente da república pode ou não acumular o Poder Executivo.
O termo república refere-se, regra geral, a uma forma de governo cujo poder emana do povo (que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição), ao invés de outra origem, como a hereditariedade ou o direito divinoWIKIPÉDIA

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