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01 agosto, 2022

Descobertas gratificantes

"A pesquisa não funcionaria se todos os pesquisadores fizessem exatamente o que prometeram na solicitação de suas bolsas de pesquisa." ~ Magnus Enkvist

Necessárias ao progresso científico
"Não nos importamos se as descobertas são importantes ou não, o que determina quem ganha é termos achado a descoberta divertida", diz Marc Abrahams (foto). "O Prêmio Nobel vai para pesquisas importantes, o IgNobel, não."
Se bem que, para muitas descobertas premiadas, seja difícil ver a seriedade prometida por trás de tudo. No primeiro estudo de necrofilia homossexual em um pato, por exemplo, ou na pesquisa mostrando que as pulgas de cachorros podem pular mais alto do que aquelas que vivem em gatos.
Mas esse tipo de pesquisa não é um verdadeiro desperdício de dinheiro dos impostos?
Não.
Frequentemente, as descobertas gratificantes vêm como subproduto de alguma outra pesquisa. E o que hoje parece excêntrico poderá amanhã ser relevante para Ciência.

14 outubro, 2021

A carga elétrica de uma abelha

A ideia de que os insetos voadores podem ser eletrificados naturalmente - e que as cargas elétricas podem ser um fator significativo na polinização das plantas - remonta a quase um século. (ref. Heuschmann, O. (1929), Über die elektrischen Eigenschaften der Insekten Haare, Journal of Comparative Physiology A: Neuroethology, Sensory, Neural, and Behavioral Physiology, 10 (4), 594-664.)
A Dra. Clara Montgomery, que é pesquisadora honorária da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, pesquisa essas coisas - com especialização em abelhas.
Não é fácil medir a carga elétrica de uma abelha voando livremente, mas a Dr. Montgomery determinou experimentalmente, pela primeira vez, que as abelhas realmente ficam eletrificadas enquanto voam.
"Nesta dissertação, mostro que as abelhas ganham carga elétrica durante o vôo e ao forragear as flores. Eu mostro que essas cargas não se limitam a abelhas em laboratório, mas podem ser encontradas em abelhas em voo livre em busca de alimento em um ambiente natural." (Ref. A Ecologia Elétrica dos Zangões)
Se você está se perguntando o quanto uma abelha selvagem pode ficar carregada, uma investigação subsequente da Dr. Montgomery (ref. Medição de cargas elétricas em abelhas forrageiras ( Bombus terrestris ) Journal of Physics: Conference Series, Volume 1322, Electrostatics 2019 and Dielectrics 2019, 8–12 de abril de 2019, Manchester, Reino Unido) mostrou que rotineiramente carregam uma carga positiva - ou, dito de outra forma, têm um déficit de elétrons em comparação com o ambiente. É quantificado em picocoulombs (um pC = um trilionésimo de um Coulomb) como 116 ± 159 pC, dependendo do clima.


Fonte: Martin Gardiner, What is the electrical charge of a bumblebee? [study]. Improbable Research

25 abril, 2020

Asteroide 52768. Codinome Máscara

Um asteroide de proporções gigantescas passará próximo da Terra na próxima quarta-feira (29). Cientistas ficaram intrigados com o formato deixado pelo rastro do corpo celeste. A foto divulgada pela NASA mostra a imagem de uma "máscara" - - que lembra as que são usadas para evitar o contágio do novo coronavírus.


Arquivo: a vida ameaçada pelos asteroides
2019 - o asteroide em forma de charuto
2018 - o asteroide em forma de caveira
2017 - o Florence
2014 - o 2014 RC e o QQ47
. . .    . . .    . . .
60 milhões de anos atrás.

Não se espera que o 52768 colida com a Terra.
Mas a hora é de perguntar: como vão as pesquisas espaciais e virológicas?

23 janeiro, 2020

Os pesquisadores devem abster-se de comer seus objetos de pesquisa?

Se você é um pesquisador que estuda, digamos, estruturas de pontes de concreto ou microprocessadores, então você, provavelmente, não teria que se preocupar excessivamente com as críticas em potencial de seus colegas, em relação à possibilidade de você comer seus objetos de pesquisa.


Mas esse não é o caso de todos os campos acadêmicos. Tomemos por exemplo, o campo em que atuam os colaboradores do Animal Studies Journal.
Em relação à questão colocada no título deste artigoShould we eat our research subjects? (Devemos comer nossos objetos de pesquisa?) –, parece que os estudiosos do Animal Studies estão divididos sobre essa questão. Alguns o fazem, outros não, mas para aqueles que comem seus objetos de pesquisa, há um certo desconforto com as contradições que tal escolha implica.

03 agosto, 2019

O desmonte da agenda ambiental brasileira

São Paulo – O mundo está preocupado com o futuro da maior floresta tropical da Terra e da qual depende o equilíbrio ambiental do Planeta. Promessa de liberação de áreas protegidas da Amazônia para a mineração, esvaziamento do Ministério do Meio Ambiente, ataques às ações de fiscalização do Ibama e de órgãos de monitoramento do desmatamento, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre outras ações que especialistas chamam de desmonte da agenda ambiental brasileira formam os ponteiros de um "relógio da morte", segundo a revista britânica The Economist.
Em sua edição de agosto, o tradicional periódico britânico sentencia: "Brasil pode salvar Amazônia ou destruí-la". A segunda opção é mais provável dado o risco de colapso ecológico associado às políticas do atual governo para a região. Desde que Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro, as árvores estão desaparecendo a uma taxa equivalente a "duas vezes a área de Manhattan (EUA)" por semana, destaca a revista. Dados do Inpe divulgados nesta quinta-feira mostram uma escalada de 40% no desmatamento entre 1.º de agosto de 2018 a 31 de julho deste ano, no comparativo com o mesmo período do ano anterior.
O texto lembra que, apesar de grandiosa, a floresta amazônica possui um equilíbrio delicado e cada vez mais ameaçado. A Amazônia desempenha um papel crucial no sistema climático global, na regulação das chuvas e na exportação de serviços ambientais para regiões distantes. Por isso, argumenta a revista, o que acontece naquele vasto e verde mundo de água e floresta diz respeito ao mundo inteiro e não apenas ao Brasil, como afirmou Bolsonaro recentemente. [https://exame.abril.com.br/brasil/amazonia-brasil-pode-salvar-a-floresta-ou-destrui-la-diz-the-economist/amp/]
. . .
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) surgiu no início dos anos 1960, motivado pelas expectativas que se criaram em torno das primeiras conquistas espaciais obtidas pela União Soviética e pelos Estados Unidos. Tem como missão produzir ciência e tecnologia nas áreas espacial e do ambiente terrestre e oferecer produtos e serviços singulares em benefício do Brasil.
Mantém cooperações técnico-científicas com 88 empresas e instituições no Brasil e cooperações bilaterais e multilaterais com governos e instituições de muitos outros países.
Entre os dados abertos do INPE estão os do portal TerraBrasilis, que é uma plataforma web desenvolvida para acesso, consulta, análise e disseminação de dados geográficos gerados por projetos de monitoramento da vegetação nativa  como o DETER (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) e o PRODES (utilizado no Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira).
Comunicado à imprensa em 1.º de agosto de 2019:
. . .
O INPE reafirma sua confiança na qualidade dos dados produzidos pelo DETER. Os alertas são produzidos seguindo metodologia amplamente divulgada e consistentemente aplicada desde 2004. É amplamente sabido que ela contribuiu para a redução do desmatamento na região amazônica, quando utilizada em conjunto com ações de fiscalização.
O trabalho do INPE sempre foi norteado pelos princípios de excelência, transparência e honestidade científica. A busca pelo aperfeiçoamento e pela melhoria constante da qualidade de seu trabalho também são componentes fundamentais de sua cultura técnica e científica.

02 julho, 2019

Cama de balanço

Qualquer um que tenha colocado uma criança pequena numa rede de dormir, [1] [2] [3] [4] sabe que, mais facilmente, a faz adormecer com movimentos de balanço. Agora, dois novos estudos relatados na revista Current Biology de 24 de janeiro, um realizado com adultos jovens e outro com camundongos, acrescentam novas evidências aos amplos benefícios dos movimentos de balanço para o sono.
Na verdade, os estudos em pessoas mostram que o balanço não só leva a um sono melhor como também aumenta a consolidação da memória durante o sono.
"Ter uma boa noite de sono significa adormecer rapidamente e depois permanecer dormindo durante toda a noite", diz Laurence Bayer, da Universidade de Genebra, na Suíça. "Nossos voluntários - mesmo que fossem todos bons dormidores - quando foram balançados adormeceram mais rapidamente e tiveram períodos mais longos de sono profundo, associados a menos despertares durante a noite. Assim, mostramos que o balanço é bom para o sono."

Este vídeo mostra a "cama de balanço" (rockin bed) usada pelos pesquisadores

Current Biology, Perrault et al.: "Whole-Night Continuous Rocking Entrains Spontaneous Neural Oscillations with Benefits for Sleep and Memory"
DOI: https://doi.org/10.1016/j.cub.2018.12.028

23 outubro, 2017

O soro da verdade digital

Na verdade, passei os últimos cinco anos olhando as entranhas das pessoas. É que estive estudando os dados agregados de pesquisas no Google. As pessoas costumam dizer coisas ao Google que não revelam às mídias sociais. Eles até dizem ao "gigante das buscas" aquelas coisas que não contam a ninguém. O Google oferece o soro da verdade digital. As palavras que escrevemos no Google são mais honestas do que as fotos que publicamos no Facebook ou Instagram.
Às vezes, os contrastes entre as diferentes fontes de dados são divertidos. Considere como as esposas falam sobre seus maridos.
Nas redes sociais, os principais descritores para completar a frase "Meu marido é ..." são: "o melhor", "meu melhor amigo", "incrível", "o maior" e "tão fofo". No Google, uma das cinco maneiras de completar esta frase também é "incrível". Mas as outros quatro são: "um idiota", "irritante", "gay" e "pão-duro".
Com o que aprendi com os pensamentos mais estranhos e sombrios dos seres humanos, fiquei por um bom tempo arredio à maioria das pessoas. Mas encontrei também dados honestos, surpreendentemente reconfortantes. Que hoje me deixam menos sozinho em minhas inseguranças, ansiedades, lutas e desejos.
Uma vez que você tenha analisado suficientes dados agregados de pesquisa, torna-se difícil compreender seriamente os seres que vemos nas mídias sociais. Ou, como eu gostaria de resumir o que os dados do Google me ensinaram: estamos todos uma bagunça.
Bem, você pode não ser um cientista de dados. Você pode não saber como codificar em R ou calcular um intervalo de confiança. Mas você ainda pode aproveitar os grandes dados e o soro da verdade digital para pôr fim à inveja - ou, pelo menos, aliviar um pouco da mordida.
Toda vez que você está se sentindo um lixo depois de espiar o Facebook, vá para o Google e comece a digitar coisas na caixa de pesquisa. O autocompletamento do Google irá dizer-lhe as pesquisas que as outras pessoas estão fazendo. Digite "Eu sempre ..." e você pode ver as sugestões, com base nas pesquisas de outras pessoas, "Eu sempre me sinto cansado" ou "Eu sempre tenho diarreia". Isso pode oferecer um forte contraste com as mídias sociais, onde todos "sempre" parecem estar em férias no Caribe.
À medida que nossas vidas se tornam cada vez mais online, proponho um novo mantra de auto-ajuda para o século XXI, uma cortesia dos grandes dados: Não compare suas buscas do Google com as postagens do Facebook de outras pessoas.

Extraído de: Don’t Let Facebook Make You Miserable, NYtimes

18 julho, 2017

A ciência sob pressão

de um artigo do Microsiervos

A expressão publish or perish (publicar ou perecer) é bem conhecida no campo científico. Expressa a importância das publicações nos currículos dos pesquisadores. Em ciência não são suficientes: fazer observações, obter resultados e tirar conclusões. Há que torná-las públicas e, se possível, através de meios com a máxima divulgação internacional. A ciência que não se dá a conhecer, que não se publica, não existe. O problema é que disso, precisamente, passam a depender o sucesso da carreira dos pesquisadores e suas chances de reconhecimento e de promoção. Daí a conhecida expressão do princípio.[...]
O problema é que a pressão para publicar e para ter impacto comunicativo pode fazer com que alguns profissionais adotem um comportamento desonesto e contrário à ética profissional, prejudicando com isso, até mesmo completamente, o propósito da ciência e de sua transmissão para o corpo social inteiro. E ela também pode levar, e de fato tem levado, a que se configure um sistema de publicações científicas com anomalias.

Cientistas imaginários influentes, nestes tempos de fatos imaginários influentes

Quando você é um cientista, faz um grande avanço e... ninguém está por perto para ajudá-lo a comemorar:

20 abril, 2017

Cientistas imaginários influentes nestes tempos de fatos imaginários influentes

Por que falsificar dados quando você pode falsificar um cientista?
Inventar nomes e currículos é um dos mais recentes truques em Ciência.
Essa é a manchete de um artigo na revista Nautilus, escrito por Adam Marcus e Ivan Oransky. Aqui está parte do artigo:
... O fato é que o avanço profissional para cientistas de todo o mundo está se tornando um desafio cada vez maior em uma era de financiamento para a investigação científica cada vez mais escasso e, com isso, apertando a competição por pontos no corpo de pesquisadores. Para ter sucesso no ambiente de publicar-ou-perecer da academia, a maioria dos cientistas tranca-se no laboratório e joga dentro das regras. Alguns, porém, abrem uma escotilha....
[Uma] da maior parte das novas fraudes de hoje é incrivelmente simples: invente novas pessoas.
Jesús Ángel Lemus é um investigador veterinário espanhol que perdeu 13 trabalhos por retratação devido à falta de veracidade em seus dados. Essa conduta não é tão incomum - mesmo 13 retratações não coloca Lemus entre os 30 maiores pesquisadores por retrações. O que torna Lemus interessante é que ele parece ter criado um coautor fictício para cinco de seus artigos, um "big Xavier" (cujas vagas filiações, ironicamente, fizeram dele um grande homem no campus da Universidade de Castilla -La Mancha ). É difícil entender por que o fato de aumentar o número de autores seja também uma forma de aumentar a aparente credibilidade de um estudo, especialmente se eles acontecem em uma prestigiada instituição.

25 fevereiro, 2016

A voz de hélio em animais

Embora um considerável corpo de trabalhos acadêmicos tenha examinado os efeitos da respiração de hélio sobre a emissão da voz humana [1] [2], os seres humanos não são, de nenhuma maneira, os únicos animais que já foram investigados a esse respeito.
Improbable Research apresenta uma lista (não exaustiva) de exemplos de outras criaturas (aves, rãs, morcegos, golfinhos e macacos) que gritaram, guincharam e até mesmo cantaram em soprano sob a influência do hélio.
O dono da voz
A foto mostra Sir William Ramsay (1852-1916), o químico escocês que recebeu o Prêmio Nobel de Química, em 1904, "em reconhecimento de seus trabalhos (juntamente com seu colaborador, Lord Rayleigh) na descoberta dos elementos gasosos inertes no ar". Quanto a Rayleigh, também recebeu o Prêmio Nobel de Física, no mesmo ano, pela descoberta do argônio. Depois que eles identificaram o argônio, Ramsay passou a investigar outros gases atmosféricos. Seu trabalho em isolar argônio, hélio, neônio, criptônio e xenônio levou ao desenvolvimento de uma nova seção da tabela periódica.

25 julho, 2015

A influência da força de Coriolis sobre o crescimento dos pelos corporais

O que se segue é o resumo de um artigo do The Annals of Improbable Research.
por John W. Woods Jr.
Watertown, Massachusetts, EUA

O efeito da força de Coriolis sobre a formação de alguns padrões da meteorologia é bem conhecido. Qualquer corpo que se move sobre a superfície da Terra está sujeito a uma força aparente que desvia o seu caminho para a direita no hemisfério norte e para a esquerda no hemisfério sul. Seu movimento no espaço é uma combinação do seu movimento em relação à Terra com o movimento da Terra. Devido principalmente à rotação do planeta, o caminho tem a configuração de uma curva.
A ocorrência desta força e da aceleração resultante foram descritas pela primeira vez, em meados do século 19, por Gaspard Gustave de Coriolis, um engenheiro civil francês. Por causa da força de Coriolis, o vento soprando de uma área de alta pressão atmosférica não flui diretamente para uma área de baixa pressão, mas é desviado para a direita no hemisfério norte e circula no sentido anti-horário no hemisfério sul. Outros fenômenos relacionados com a força de Coriolis podem ser também observados na deriva do gelo no mar e na erosão das margens dos rios.
Além disso, certos fenômenos biológicos, previamente não compreendidos, são também causados pela força de Coriolis. E as peças de um quebra-cabeças, sem solução pela biocinética, começam agora a tomar seus devidos lugares, depois que Woods passou a estudar os bigodes. De uma forma consistente, em Massachusetts, enrolavam-se para cima no lado direito do rosto e para baixo no lado esquerdo. Uma dedução simples fez com que ele concluísse que os pelos corporais se comportam, durante o crescimento, como um corpo sob a influência da força de Coriolis.
Abaixo, reproduzo uma documentação fotográfica do seu trabalho:

O crescimento do bigode em "norte-hemisferianos"
(Crédito da imagem: Kes47 )
No Brasil
Em 2014, o cientista político Fernando Gurgel Filho alertou para o efeito da força de Coriolis no preparo de uma Marinada.
http://blogdopg.blogspot.com.br/2014/09/marinada.html
Referências
http://www.neatorama.com/2015/07/22/Influence-of-Coriolis-Force-on-the-Growth-of-Body-Hair/#more http://www.improbable.com/airchives/paperair/volume21/v21i2/Influence%20of%20Coriolis%20Force.pdf
https://en.wikipedia.org/wiki/Coriolis_effect

18 junho, 2015

A síndrome da vibração fantasma

Você está sentado à mesa, de pé na cozinha, assistindo a TV etc. De repente, o telefone celular vibra, informando que você tem uma nova mensagem de texto, chamada ou e-mail. Você leva a mão ao bolso em que costuma deixar o aparelho, apenas para descobrir que essa mensagem não existe ou que, talvez, o telefone móvel nem mesmo esteja naquele momento em seu bolso.
A vibração parecia tão real, mas talvez não o fosse. Independentemente disso, não foi causada pelo seu telefone celular.

Aquela  sensação de ter a bunda agarrada por um fantasma.
E praticamente todo mundo já se sentiu acariciado por ele.

Se isso já aconteceu com você, tenha a certeza de que você não está sozinho.
Em 2010, uma equipe de pesquisadores do Baystate Medical Center, em Springfield, Massachusetts, pediu a 232 de seus colegas que respondessem um questionário sobre vibrações fantasmas de telefones celulares. Dos 176 que responderam o questionário, 115 (68%) afirmaram que já haviam experimentado os desconcertantes alertas falsos, como o que foi descrito acima. Conclusão: "A síndrome da vibração fantasma é comum entre aqueles que usam dispositivos eletrônicos." (1)
O que provoca isso?
Há um monte de teorias. Poderia ser porque os telefones celulares produzem sinais elétricos que transmitem a sensação de vibração diretamente para os nervos do portador da síndrome ou, simplesmente, por causa de alguma antecipação mental de alertas (vibranxiety). (2)
Este aspecto de antecipação não é muito diferente de qualquer outro tipo de condicionamento psicológico. "Estamos tão acostumados com a vibração de nossos telefones que o cérebro nos faz sentir que está a acontecer – quando ele "quer", e não quando ela realmente acontece. (3)
Há uma evidência mais recente que sugere que tudo se passa em nossas cabeças. Em julho de 2012, pesquisadores publicaram outro estudo sobre o fenômeno das vibrações fantasmas em estudantes de graduação. A grande maioria experimentava as tais vibrações. (4)
Mas é nos extrovertidas e nos neuróticos que isso acontece com mais freqüência. Os extrovertidos, como explica Slate, verificam muito seus telefones porque manter contato com os amigos é uma parte importante de suas vidas. Já os neuróticos, por sua vez, como se preocupam muito com o estado de suas relações, procuram obter o maior número possível de mensagens de texto para saber o que outras pessoas dizem deles. (5)
Em qualquer caso, acreditam os pesquisadores que essas vibrações falsas (apesar de chatas) são inofensivas  e que poucas pesquisas (argh!) já foram feitas sobre elas.

11 junho, 2015

Torturas & CIA

A maioria dos estadunidenses acha que as "duras técnicas de interrogatório" usadas pela CIA em suspeitos de terrorismo, após o ataque de 11 setembro de 2001, foram justificadas, mesmo com a metade dos entrevistados reconhecendo que o tratamento ascendeu à categoria de tortura.
Por uma proporção de quase 2 para 1 (59 por cento para 31 por cento), os entrevistados de uma pesquisa Washington Post-ABC News (dezembro de 1014) disseram que apoiaram os métodos brutais da CIA, com a grande maioria dos apoiadores dizendo que eles produziram informações valiosas.
E os níveis assombrosos de apoio à tortura por cristãos meramente revela que poucos deles são cristãos de fato. A tortura não é uma área cinzenta para os cristãos. É a mancha mais escura que existe.


Esta é a maior vitória do neoconservadorismo desde a invasão do Iraque. Isto significa, antes de tudo, uma cultura totalitária, uma propensão para a violência contra qualquer pessoa de pele escura ou nome engraçado. O Relatório do Senado concluiu que, de uma montanha de documentos produzidos pela CIA, nenhum de boa inteligência foi obtido por meio de torturas.

05 março, 2015

Nosso entendimento sobre as girafas não está à altura

As girafas são a "megafauna esquecida", como disse Julian Fennessy, pesquisador e diretor-executivo da Giraffe Conservation Foundation. "Você ouve tudo sobre elefantes, Jane Goodall e seus chimpanzés, Dian Fossey e seus gorilas da montanha, mas há uma escassez enorme de informações sobre as girafas."
Agora tudo está mudando rapidamente. Um quadro crescente de pesquisadores procura compreender a biologia e o comportamento desses animais.


Neste blogue:
Sobre o nervo laríngeo, A Tanatologia é de morte e 5,80 metros

28 fevereiro, 2015

Engolidores de espadas e pesquisas médicas

Em 1868, um engolidor de espadas assistido por Dr. Adolf Kussmaul, em Freiburg, Alemanha, ajudou no desenvolvimento da primeira endoscopia rígida do esôfago. Outro engolidor de espadas, em 1906, no País de Gales, foi o voluntário do primeiro eletrocardiograma obtido através do esôfago.
Em ambos os casos, os pesquisadores receberam os créditos, mas os nomes desses engolidores de espadas (cujo Dia Mundial é comemorado no último sábado de fevereiro) desapareceram no túnel do tempo.
Meyer, em entrevista ao HuffPost, em 2012, declarou:
"Não acho certo.que os engolidores de espadas passem assim despercebidos. Por suas capacidades físicas e mentais para desligar reflexos corporais, eles são muito úteis aos cientistas que estudam o funcionamento interno do corpo humano.".

Ver também:
Engolindo essa!

31 janeiro, 2015

As implicações de Drácula sobre o turismo na Transilvânia

Dr. Light dá uma luz
Quando Bram Stoker escreveu "Drácula", em 1897, é pouco provável que ele tenha considerado a possibilidade de um futuro impacto de seu personagem sobre a economia da Transilvânia. Mas o impacto não existe.
Ainda bem. Pois ele foi examinado, de um modo abrangente, pelo Dr. Duncan Light, pesquisador visitante na Faculdade de Ciência e Meio Ambiente da Universidade Metropolitana de Manchester, Reino Unido, que concluiu haver equilíbrio entre o "Turismo de Drácula" e a "autoimagem da moderna Romênia".
Dr. Light já escreveu, talvez mais do que qualquer um, sobre as implicações de Drácula para o turismo na Romênia. Senão, vejamos:
• Light, D. (2012) The Dracula Dilemma: Tourism, Identity and the State in Romania, Ashgate, Farnham. ISBN 978-1409440215
• Light, D. (2012) Taking Dracula on holiday: The presence of ‘home’ in the tourist encounter, in L. Smith, E. Waterton and S. Watson (eds) The Cultural Moment in Tourism, Routledge, London, 59-78
• Light, D. (2007) Dracula tourism in Romania: Cultural Identity and the State, Annals of Tourism Research 34 (3), 746-765

Arquivos mortos-vivos
DRÁCULA. Jornal de Estudos e Lobisomem x Vampiro

07 janeiro, 2015

Um monumento aos ratos de laboratório

Esta escultura, do artista Andrew Kharkevich, encontra-se perto do Instituto de Citologia e Genética da Rússia, em Novosibirsk, a terceira cidade mais populosa do país e a cidade mais populosa da Sibéria.
Destina-se a homenagear os animais de laboratório que foram sacrificados como parte dos esforços científicos já realizados para se compreender a estrutura e o funcionamento do DNA.
Isso faz lembra um pouco a Sra. Frisby. O que pode ser intencional, quem sabe.

Mrs Frisby and the Rats of NIHM (Sra. Frisby e os Ratos do NIMH) é um livro infantil, de 1971, escrito por Robert C. O'Brien e ilustrado por Zena Bernstein.
O livro relata a situação de uma rata do campo, viúva, Mrs. Frisby, que, para salvar a sua casa da destruição pelo arado de um fazendeiro, procura a ajuda de um grupo de antigos ratos de laboratório e de como estes haviam desenvolvido uma sociedade letrada e tecnológica. O romance foi inspirado nas pesquisas do Dr. John B. Calhoun com camundongos no Instituto Nacional de Saúde Mental (NIHM).

Slideshows do PG - Apresentação 352

22 setembro, 2014

Os nós de duas pesquisas


Segundo pesquisadores liderados por Mikael  Vejdemo-Johansson, do Instituto Real de Tecnologia, na Suécia, existem 177.147 formas de atar uma gravata no pescoço. Muito mais do que dizia uma pesquisa anterior, dos matemáticos Mao e Fink, da Universidade de Cambridge, em que os seus autores haviam chegado a 85 possibilidades.
Para Vejdemo-Johansson e seus colegas, 85 parecia ser um número muito pequeno. Principalmente depois que viram um nó, em "The Matrix Reloaded", que não aparecia na lista de Mao e Fink.
O que significava também que algo estava errado na pesquisa anterior.
Revisando os critérios de inclusão e as formas de expressar matematicamente os laços da gravata, eles atualizaram o número de nós para... 177.147.

Mathematicians calculate that there are 177,147 ways to knot a tie, PHYS.ORG

20 fevereiro, 2014

Respondedores excepcionais

O que acontece quando uma droga funciona - mas apenas para uma pessoa?
Realmente, é muito intrigante este artigo de Heidi Ledford, publicado em Nature News. É sobre uma classe de pacientes conhecidos por "respondedores excepcionais" (exceptional responders). Aqueles pacientes que recebem o benefício de um medicamento ou tratamento, que, de forma diversa, não acontece com os demais que participam de um ensaio clínico.
Quando se faz um ensaio clínico, observam-se os resultados nas médias dos grupos. Pretende-se saber, com isso, se uma droga apresenta um desempenho melhor do que o placebo, quando ela é administrada a muita gente. Às vezes, porém, as drogas, que não funcionam na maioria dos pacientes, parecem ter um efeito positivo sobre alguns felizardos.
Agora, os cientistas estão tentando descobrir por que isso acontece. O que torna essas pessoas especiais? E como isso pode mudar a forma de fazer pesquisas?

23 janeiro, 2014

Evidências e negações

De 2258 artigos de 9136 autores, publicados no período de novembro de 2012 a dezembro de 2013, em revistas científicas cujos trabalhos são revisados por pares, apenas 1 artigo de autor único, publicado no Herald, da Academia de Ciências da Rússia, rejeitou o aquecimento global como sendo provocado pelo homem.
Um "gráfico de pizza" com os resultados desse levantamento mostra a seguinte apresentação:

(a tênue linha vertical representa o artigo discordante)
www.desmoglob.com

É preciso cuidado ao se referir que uma questão não foi esclarecida  porque os cientistas não estão de acordo. Algo análogo se observa quando as credibilidades da teoria da evolução e da chegada do homem à Lua são contestadas.