12 janeiro, 2017

O osso luz

A morte nos traz um medo inerente de que, em seu fatídico dia, ela estará lá, esperando por todos nós que, enfim, poderemos descansar, ou não, na paz divina dos Céus e que, no Juízo Final, seremos resgatados para sentarmos ao lado do Senhor. Isso é o que diz a Bíblia.
Mas um médico suíço, Gaspar Bauhin, de grande renome, por sinal honrado na nomenclatura anatômica com o epônimo da válvula ileocecal, a válvula de Bauhin, em seu tratado, Theatrum anatomicum,  de 1621, nos fez a seguinte afirmação:
"No corpo humano, há […] um certo osso, o qual não pode ser corrompido nem pela água nem pelo fogo, nem por nenhum outro elemento, e muito menos ser rompido ou quebrado por alguma força externa. No dia do Juízo Final, Deus regará este osso com um orvalho celeste, e então todos os membros se juntarão em torno dele, e se reunirão num corpo que, sendo animado pelo espírito de Deus, ressuscitará vivo . (Os judeus) chamam este osso de osso luz". 
 Então, fui atrás desse osso luz e achei a seguinte possível localização para ele, de acordo com os escritos judaicos. Na passagem em que Andaryanus perguntou ao Rabi Yehoshua, filho de Chanânya:
"De que maneira Deus restaurará o nosso corpo no futuro?"
"A partir de um minúsculo osso na coluna espinhal chamado luz."
"Como o senhor sabe que o osso não apodrecerá até então?"
"Traga-me o osso, e eu lhe mostrarei", respondeu o Rabi. 
O osso foi trazido e tentaram moê-lo, mas não se desfez; foi jogado ao fogo, mas não queimou; foi embebido na água, mas não se dissolveu; foi colocado na bigorna e golpeado com um martelo, até que a bigorna se partiu em dois e o martelo quebrou-se. O osso, no entanto, permaneceu intacto. Este osso se nutre somente de alimentos preparados para a refeição de Shabat à noite e no Melavê Malká, refeição realizada após o termino de Shabat; a morte e a podridão não conseguem tocá-lo.
Andreas Vesalius o descreve como um osso sesamoide, em forma de ervilha e que se situa na primeira juntura do hálux, e outros relatos dizem que estaria na base do crânio. O que me parece é que, se neste osso de difícil localização está a minha entrada para os Céus, acho melhor eu começar a procurá-lo.

O OSSO DA SALVAÇÃO!!!, por Jean. InPhobos e Deimos

Outras leituras
Enterro Judeu, por Semira Adler Vainsencher, pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco (texto indicado por Jaime Nogueira)
A "costela" de Adão, um eufemismo bíblico, por Paulo Gurgel

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