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02 fevereiro, 2026

Bailes radiofônicos

Húngaro de nascimento, Arnold Gluckmann era maestro, arranjador e compositor. Em 1929, já o encontramos à frente de uma orquestra sinfônica no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, num concerto em que Radamés Gnatalli, então com 23 anos, brilhou como solista. Em 1934, assumiu a direção da Rádio Club do Brasil, tornando-se responsável pela entrada de diversos artistas para o broadcasting da emissora.

Nasceu aí o contato artístico de Gluckmann com o compositor Noel Rosa. O método e o formalismo musical de um, o autodidatismo e a bossa de outro. O ar sisudo e grave do maestro, em confronto com o espírito gozador e a malícia de Noel. E a opereta "A Noiva do Trocador" é fruto deste encontro de culturas.

Num tempo em que as programações das estações de rádio eram bem diferentes - aos sábados à noite, por exemplo, a Radio Club (PRA 3) transmitia a Noite de Baile Cafiaspirina, no qual uma orquestra tocava para os ouvintes dançarem em casa. E a ilustração abaixo é uma peça publicitária da Bayer, publicada em 1934 na revista Fon Fon.

05 novembro, 2022

Em algum lugar do "Brasil, sil, sil!"

A famosa vinheta "Brasil, sil, sil!", interpretada por Edmo Zarife, e que marca as transmissões esportivas do Sistema Globo de Rádio e da Rede Globo de Televisão começou a nascer em 1968. O diretor geral da rádio na época Mário Luiz e o narrador esportivo Waldir Amaral, procuravam dar uma dinâmica maior às transmissões de futebol da Rádio Globo, para dar uma estética mais alegre e um "toque de show" nas mesmas. E, nessa época, o cantor paraguaio Fábio Rolon gravou a lendária vinheta "Rádio Globooooooooooo!", que ficou no ar por 4 décadas (saindo do ar apenas em 2009). Chegada a época das eliminatórias da Copa do Mundo de 1970, eles pediram a Edmo Zarife e ao técnico de som José Cláudio Barbedo (o "Formiga") que fizessem um grito de guerra para incentivar a Seleção Brasileira. Assim, Zarife e Formiga ficaram duas horas dentro do estúdio, gravando em um "fitão" várias frases e bordões. E, ouvindo a fita gravada, Barbedo, com seu conhecimento no assunto, após ouvir o "Brasil, sil, sil!", apontou e disse: "Zazá, é essa". E assim, nasceu a vinheta "Brasil, sil, sil!" 

Tempos depois, procurando dar uma dinâmica maior às "transmissões esportivas" do personagem João Canabrava  na  Escolinha do Professor Raimundo, o humorista cearense Tom Cavalcante criou para ele a vinheta "Braziu, ziu, ziu!". [VÍDEO]

10 dezembro, 2020

Radium Girls

Nos Estados Unidos, no início do século XX, tornaram-se comuns o uso de relógios que brilhavam no escuro.
Para fazer com que os relógios brilhassem, os fabricantes usavam um material à base de rádio em pó, goma arábica e água. Em três diferentes fábricas da Radium Corporation, mulheres encarregavam-se de pintar os mostradores desses relógios.
Os pincéis eram feitos de pelos de camelo. Quando as pontas desses instrumentos começavam a ficar rombas, as operárias eram recomendadas que "afinassem" as pontas com a boca. Por diversão, muitas trabalhadoras também pintavam suas unhas, rosto e dentes com a tinta radioluminescente.
(Enquanto isso, familiarizados com os efeitos prejudiciais do rádio, proprietários e químicos evitavam cuidadosamente qualquer exposição a ele.)


As consequências vocês podem imaginar. Expostas a um elemento radioativo, muitas trabalhadoras passaram a apresentar anemia, fraturas ósseas e necrose da mandíbula, uma condição que é conhecida como mandíbula de rádio.
Aquelas que ingressaram na justiça com processos por indenizações trabalhistas ficaram conhecidas como Radium Girls.

15 janeiro, 2018

O pedido de socorro CQD

O primeiro chamado de emergência por rádio parece ter sido o CQD, adotado pela Marconi International Marine Communication Company. Foi anunciado em 7 de janeiro de 1904, pela "Circular 57", para as estações de bordo operadas pela companhia, que "... em e após 1º de fevereiro de 1904, a chamada a ser dada por navios em perigo ou que, de qualquer forma, exijam assistência deve ser o CQD".
Ass duas primeiras letras – C e Q – já eram usadas na telegrafia terrestre para anunciar uma "chamada geral" (broadcast) para todas as estações de rádio, ao passo que a letra D foi adicionada como uma referência à palavra inglesa "distress", que significa algo como "perigo", "agonia" ou "aflição". Foi inclusive por esta razão que, em 15 de abril de 1912, um grande navio transmitiu, em modo broadcast, o sinal CQD-MGY: o grupo de letras "MGY" era o código de identificação do Titanic.
O sinal "SOS" surgiu nos regulamentos de rádiocomunicações da Alemanha, em 1905, e foi adotado internacionalmente pela conferência de Berlim, em 1906. Na realidade, a conferência decidira apenas que:
"Embarcações em "distress" deverão usar o seguinte sinal: . . . _ _ _ . . . repetido a breves intervalos."
— Conferência Radiotelegráfica Internacional (Berlim, 1906).
Ou seja: ao invés de letras, na verdade, esse sinal é apenas um grupo de pontos e traços em formato de código Morse, e ele foi escolhido por ser um padrão gráfico bastante simples e inconfundível. No entanto, pelo fato de este sinal codificado poder ser descodificado e lido como "SOS", esta palavra passou a ser tratada como um mnemônico para aquele sinal.
A partir de 1 de julho de 1908, o sinal CQD foi definitivamente substituído pelo SOS.
https://pt.wikipedia.org/wiki/SOS

Leia também: O pedido de socorro SOS

Anote este LINK: Morse Code Translator

23 julho, 2016

O ruído branco

É o chiado que se ouve quando a TV ou o rádio está sintonizado em uma frequência vazia, sem emissão. Esse ruído é uma mistura de todas as frequências audíveis para os seres humanos (entre 20 Hz e 20 KHz, mais ou menos), emitidas com a mesma intensidade e mudando a todo instante de forma imprevisível.
No Mental Floss:
"Assim como a luz branca é a soma de todas as cores do arco-íris e cada cor individual pode ser filtrada a partir da luz branca, o ruído branco é a mistura de todas as frequências detectadas pelo ouvido humano. Também faz todo o sentido referir-se ao ruído preto para descrever o que é, essencialmente, o silêncio, por ser a cor preta a ausência de luz."
Existem ainda os ruídos específicos: como o rosa, o azul e o marrom, este último assim designado por ter sido inicialmente descrito por um tal Dr. Brown.

Falando nisso:
esmalte white noise

18 maio, 2014

Cidadão Orson

Narração
Em 1938, quando o rádio era a Internet, o então roteirista e locutor Orson Welles (1915 - 1985) semeou o pânico entre milhares de ouvintes distraídos ao encenar uma versão de "Guerra dos Mundos", de H. G. Wells, como se fosse um programa de notícias ao vivo. Pura "trollagem" vintage.
Os 10 Pais da Cultura Digital, Infográfico DZESTUDIO

Documentário
As imagens neste vídeo são de um documentário inacabado do Orson Welles chamado "Four Men on a Raft" (Quatro homens em uma balsa). É uma reconstrução de uma viagem numa jangada de vela, que quatro pescadores cearenses fizeram de Fortaleza para o Rio de Janeiro, então capital do Brasil, para apresentar pessoalmente as suas queixas ao presidente Getúlio Vargas.
Fundo musical: "Suíte dos Pescadores", de Dorival Caymmi.


30 outubro, 2013

O boato da Guerra dos Mundos

Há exatos 75 anos uma histeria coletiva tomou conta dos Estados Unidos. Quando o jovem Orson Welles (foto) fez uma transmissão pela CBS de uma adaptação radiofônica da "Guerra dos Mundos", a obra de ficção científica de H. G. Wells que descreve uma invasão da Terra pelos marcianos. Apesar de ter sido anunciado (quatro vezes) de que a transmissão era apenas uma dramatização, os ouvintes preferiram acreditar que estava a ocorrer uma invasão alienígena.


Há quem suspeite de que essa histeria em massa não aconteceu. As reportagens da época, portanto, não teriam passado de um exagero dos jornais. Ou, até mesmo, de esperteza deles. Em disputa acirrada com as rádios pela preferência da população norte-americana, os jornais teriam aproveitado a situação para criticar a falta de seriedade das rádios. E assim pôr as coisas nos devidos lugares.

15 julho, 2012

Cronologia de uma surdez

Você se sente incomodado quando assiste TV e no intervalo percebe que o áudio dos comerciais é sempre aumentado? Pois saiba que as emissoras têm um ano para se ajustar aos parâmetros técnicos estipulados pelo Ministério das Comunicações, que regulamentou anteontem a Lei nº 10.222, padronizando o volume de áudio nos intervalos comerciais.
Gente de Mídia, em 14/07/12

Cronologia de uma surdez
A Lei nº 10.222 padronizou o volume de áudio das transmissões de rádio e televisão nos espaços dedicados à propaganda . A Lei, que é de 9 de maio de 2001, fixou o prazo de 120 dias para a sua regulamentação bem como para a fiscalização de seu cumprimento.
Em 22 de fevereiro de 2012, a União Federal foi condenada a elaborar, no prazo de 120 dias, a norma regulamentadora da Lei nº 10.222. Decisão da juíza titular da 10ª Vara Cível Federal, em São Paulo/SP, no julgamento da Ação Civil Pública n.º 0008416-82.2011.403.6100.
A Portaria 354, do Ministério das Comunicações, regulamentou em 11 de julho de 2012 o volume de áudio permitido nos intervalos comerciais da programação de rádio e TV. As emissoras ainda terão doze meses para se adaptar ao disposto nesta Portaria.