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17 abril, 2016

A dialética de lavar a louça

Tese
Estudantes e professores pesquisadores da Florida State University descobriram que lavar a louça conscientemente acalma a mente e diminui o estresse.
Após a realização de um estudo com 51 estudantes, os pesquisadores constataram que aqueles que que lavaram os pratos conscientemente, concentrando-se na temperatura da água, no aroma do sabão, na produção da espuma  e nos movimentos que estavam fazendo etc. relataram sentimentos de um estado positivo 25% maiores e níveis de nervosismo 27% menores, com relação aos sentimentos e níveis apresentados antes de lavar a louça. Já aqueles do grupo-controle, que apenas lavaram os pratos mecanicamente não experimentaram quaisquer benefícios mentais.
http://news.fsu.edu/More-FSU-News/Chore-or-stress-reliever-Study-suggests-that-washing-dishes-decreases-stress

Antítese


Síntese
Al Bernstein dizia que o problema de morar sozinho é que é sempre a sua vez de lavar a louça. Morar sozinho não é o meu caso, ir para a pia da cozinha, sim. Em meu lar, desde que a empregada doméstica foi declarada extinta, lavar a louça passou a ser uma atribuição minha. Que faço com a atenção plena, concentrando-me em todos os detalhes da tarefa. Nem sequer tinha a noção (que hoje tenho) de que isso traria benefícios para a minha saúde psíquica. Ao lavar a louça da minha sinhá, ajudando a afastar os pensamentos cinzentos da minha mente, estou sempre a  cantarolar uma música que foi tema da novela Escrava Isaura:
Vida de negro é difícil - Lerê lerê
É que essa música, além de me deixar muito zen, também irrita o meu grupo-controle (leia-se: a minha mulher). Paulo Gurgel

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Temas vizinhos
Enquanto engoma a calça

15 setembro, 2014

Precisamente, os címbalos

"Se eu tivesse que viver minha vida novamente, eu teria seguido a regra de ler alguma poesia e ouvir um pouco de música, pelo menos uma vez por semana, pois, talvez assim, partes do meu cérebro, agora atrofiadas, pudessem ter continuado ativas pelo uso." – Darwin, em sua autobiografia de 1887

O clímax do segundo movimento da sétima sinfonia de Bruckner é uma nota dos pratos orquestrais. Reza a lenda que Bruckner acrescentou-a ao saber da morte de Wagner.
É a única nota dos címbalos em toda a sinfonia, e o percussionista tem tempo de sobra para se preocupar com isso.
"Esta nota, observou Jens Rossel, da Aarhus Symfoniorkester (Dinamarca), torna-se motivo de uma angústia indescritível para quem a vai tocar. Ela deve vir com toda precisão ou o músico simplesmente estraga tudo. Poucos minutos antes, você já vê o sujeito inquieto na cadeira, a esfregar as mãos, a limpar as mãos em suas calças. Então, ele se levanta, aguarda o instante exato e... percute os pratos. O impacto dos címbalos dura apenas alguns milésimos de segundo, mas o que a nota representa para a sinfonia é uma questão de vida ou morte."
Talvez essa seja a essência do trabalho. "O que você tem que saber para tocar pratos?", alguém perguntou ao maestro britânico Malcolm Sargent. "Nada", respondeu ele, "só quando".

(Frank R. Wilson, "A Música e a Neurologia do Tempo," Music Educators Journal 77:5, Janeiro de 1991.)

O que fazer quando a correia do prato quebra
O garoto do hino